segunda-feira, julho 14, 2008

Quejos e Vinhos 2008 Angeloni

O Angeloni comemora 50 anos com Feira de Queijos e Vinhos. Aqui em Curitiba acontece entre os dias 03 à 20 de Julho de 2008, funcionando de terça a domingo no piso superior do Supercenter Angeloni Água Verde.
O Ingresso custa apenas R$2,00 e vale a pena. Estive no evento três vezes já. Pude provar inúmeros vinhos. Alguns ruins, mas outros já razoáveis e encontrei algumas boas surpresas na gama inferior de preços. Essa realmente é uma boa oportunidade para o consumidor tentar encontrar alguns rótulos para seu dia-a-dia.
Os stands de vinho estão organizados por região ou país e se o visitante for cedo e der várias voltas na feira, ao retornar para o mesmo stand provará um rótulo diferente. O pessoal que serve tem nível razoável de orientação.
O único defeito é que as luzes tornam o ambiente quentíssimo e as apresentadoras (que não são sommeliers) tem sérias dificuldades em achar a temperatura ideal. De vez em quando topei com sopas de vinho e com geladinhos de trava-língua.
Participei do curso "Terroir Brasileiro, a Evolução" da Miolo. Primeiramente, o curso não abordou o tema, apenas descreveu as terras e a gama de produtos Miolo. Esperava uma ligação do título com a excelente produção da empresa que não aconteceu.
Foram servidos sopas de vinho durante a hora e meia massante de curso. O palestrante era um representante que não mostrou a que veio.
Não sei como produtores e importadoras permitem que seus vinhos sejam apresentados dessa maneira. O consumidor esta ali, de braços abertos, louco para provar algo diferente, recebido com sorrisos pelas moças que servem ao invés da fileira inerte de centenas de garrafas da gôndola.
Há um efeito psicológico em eventos. Ficamos sujeitos a achar o "mais ou menos" bom. Estamos de guarda arriada. Certamente muitas prováveis vendas estão sendo fechadas ali. Reforçam-se nomes, constrói-se cultura em torno das marcas... e eles perdem essa oportunidade. Impressionante!
Estou disponível para consultorias em eventos!!! (Risos.)Até eu rio, parece piada, mas falo sério. Deixe-me num desses que não haverá erro. É tão simples e tão difícil. Só falta gente qualificada.
Voltando ao assunto.. sobre a feira em si, saí com boa impressão. Tanto que voltei com amigos e com a família. Uma tacada certeira do Angeloni em Curitiba.
Como já é dia 14/07 e a feira termina dia 20, corra que ainda dá tempo de conferir.
PS: Não sei onde guardei uma das minhas anotações, quando achar publicarei a relação com algumas opiniões dos destaques.

Sabores de Inverno 2008

O Mercadorama oferece o evento "sabores de inverno" entre os dias 10/07 e 09/08 das 16h às 22h de terça a domingo aqui em Curitiba, no estacionamento da loja Seminário. Fica na Nossa Senhora Aparecida, 582. Há cursos e palestras, podendo ser feita a inscrição com 1 Kg de alimento ou um agasalho.
Visitei o evento neste domingo, dia 13/07 e não é nada de especial. Vale pela curiosidade apenas, ou para tomar cervejas. Foi montada pequena e provisória estrutura no estacionamento da loja onde se pode provar alimentos e bebidas e fazer compras. Entre os vinhos, nada de especial ou de destaque. O evento foi feito apenas para não passar em branco.

Vamos aos líquidos provados:
- Aurora Cabernet Sauvignon 2006
- Salton Lunae Frizante Demi-sec R$13,34
- Miolo Seleção 2006
Baixíssima qualidade
- Baccio Cabernet Sauvignon
A moça que serve foi orientada a dizer que ganhou prêmio no Canadá e numa exposição de vinhos que nem lembro mais. Ainda diz que é um excelente nacional. Convenhamos, né?!
- Periquita 2004 R$22,98
Mesmo sendo o mais caro, não empolgou. Temperatura meio alta, mas se a importadora não orienta as contratadas para o stand, que culpa tem quem consome (e avalia!).

Destaques:
- Leffe Blond
Cerveja abadia belga deliciosa. Caramelada, frutada e especiarias. Sou fã há pelo menos 10 anos.
- Franziscaner Weissbier
Ótima alemã de Munique. Aroma de oliva.

quarta-feira, julho 09, 2008

Vinhos Nacionais às Cegas

No dia 16/06/2008 esteve a meu encargo realizar degustação de vinhos nacionais para a confraria Bacco Ubriaco. Optei por fazer às cegas afim de evitar influência dos preconceitos em relação aos vinhos nacionais. Na verdade, o objetivo também era avaliar o preconceito em si e coloquei um vinho surpresa estrangeiro e renomado no evento.
De fato, houve certa confusão entre os confrades. Alguém desconfiou que eu tinha armado alguma cilada, mas diante de minha frieza de jogador de poker deixou por isso mesmo. Outro, não lidou bem com a boa nota que acabou concedendo ao Montes Alpha Cabernet Sauvignon 2005 e recuou em revelá-la achando que estava alta demais.
Um terceiro, por fim, confessou que não passaria de 85 pontos por princípio para um nacional, após ser revelado que estava tomando um Montes Alpha.
Mesmo às cegas, só de se saber que eram vinhos brasileiros, um Montes Alpha que é 89 na Wine Spectator (e em minha opinião é um vinho incrível) acabou com 84,50 na Bacco Ubriaco. Detalhe: pela nota média da confraria ficou próximo do Salton Talento 2002 que arrancou um 84,42 na média.
Minha opinião é bem diferente. O Montes Alpha revelou-se um vinho fora de série. O Talento 2002 já está envelhecendo. O Villa Francioni 2004 é ótimo em boca e o Lote 43 2004 foi o melhor nacional.
Confesso, inclusive, que mesmo tendo praparado a degustação estive às cegas com os vinhos. Não com o 2002, de fácil identificação pela idade, e com o Montes, tão diferenciado, mas entre os dois 2004 nem eu sabia o que estava provando.
O Montes Alpha vence os demais na relação preço-qualidade, mas concluo que não podemos continuar desprezando a priori a vinicultura brasileira.

SALTON TALENTO 2002
Desde que lançado em 2004 recebeu diversas citações e destaques. Foi medalhista na Vinitaly e foi alvo de especial interesse pelo sommelier italiano Enrico Bernardo em prova de nacionais. Jancis Robinson também destacou seu potencial de guarda. Carvalho francês por 12 meses.
Encontrei alo aquoso e decrescente, ficando mais rosado em direção à borda. Aromas de oliva, couro, herbáceo, claramente barrica francesa. Com o tempo em taça fica mais doce, revela baunilha. A fruta é ácida, morango.
Em boca é gostoso, um tanto tânico ainda. No início pega um pouco, mas evolui e melhora, adocica. Boa persistência e final correto, porém boca com algum desequilíbrio. BU 84,42. VV!85. R$67,00 na Cave del Rey.

VILLA FRANCIONI 2004
Um corte de uvas bordalesas: Cabernet Sauvignon 68%, Cabernet Franc 12%, Merlot 11% e Malbec 9%. Feito em Santa Catarina, de vinhedos em São Joaquim e Bom retiro, numa das regiões mais frias do país. É um dos nacionais preferidos do Saul Galvão, que lhe concedeu 89 pontos.
Para mim, cor ruby brilhante. Couro, tabaco, café e aquele aroma de cantina. Muito intenso, complexo. Perdeu pontos em qualidade aromática pela falta de equilíbrio entre madeira e fruta.
Corpo médio, interessante, muito correto. Excelente em boca, depois de um tempo chega a apresentar frescor. BU 83,12. VV!87. R$90,00 na Cave del Rey.

MIOLO LOTE 43 2004
Oriundo do Vale do Vinhedos, é um corte meio a meio de Cab. Sauv. e Merlot com as melhores uvas da vinícola. O nome é inspirado no primeiro lote de terras recebida pelo patriarca da família no Brasil. A Miolo considera que usa o conceito de "cru" e que este vinho suporta muitos anos de guarda. 70% descansou em carvalho americano e 30% em carvalho francês.
O site da produtora aconselha decantação de 1 a 3 horas antes de consumir. Foram produzidas 80.000 garrafas.Só é lançado em anos considerados excepcionais. Temos até agora 1999, 2002, 2004 e 2005.
Ruby escuro, brilhante, belo. Aroma muito bom, delicado, baunilha, floral, tabaco e geléia de fruta. Adorei o aroma. Elegante, sedutor, convida a beber. Boca delicada, macia, redonda, mas sem grandes qualidades. Com o tempo aparecem mais frutas e especiarias. Acidez um pouco exagerada. BU 82. WS 78. VV!88. R$80,00 na Cave del Rey.

MONTES ALPHA CABERNET SAUVIGNON 2005
Na verdade um corte de 90% Cab. Sauv. e 10% Merlot que pela legislação chilena pode rotular varietal. Este clássico passa por 12 meses de carvalho francês e foram produzidas 95.000 caixas.
Belo, brilhante. Aroma fantástico! Eucalipto, mentol. Evolui para especiarias e fruta mantendo o frescor. Complexo. Corpo ótimo, boca excelente. Frescor, mentol e taninos vivíssimos. Intenso e fresco. Delicioso. (A WS nomeia esse frescor como sendo grafite). BU 84,50. WS 89. VV!90. R$80,00 na Cave del Rey.

Brazil na Wine Spectator

Aproveitando o tema de vinhos nacionais que muito chamou a atenção no Viva o Vinho! com a postagem do Miolo Lote 43, divulgo as notas atribuidas pelo site da revista Wine Spectator aos vinhos locais, quando se pesquisa a palabra "Brazil" no site.
Eles beberam apenas três grupos vinícolas: Miolo (Miolo e RAR), Rio Sol e Pizzato.
Chama a atenção a maioria ter sido provado em 2008. Pode significar que o Brasil agora pelo menos existe no mundo do vinho.
As notas foram ruins, acho que até exageradamente baixas. Minha opinião é outra, como veremos na publicação da degustação de nacionais que fizemos na confraria Bacco Ubriaco.
Destaco ainda que o Quinta do Seival realmente é um bom vinho feito de castas portuguesas e já degustado pela Bacco Ubriaco. A experimentação tem dado resultados interessantes, com várais vinícolas tentado outras uvas além das clássicas francesas. Como todo vinho nacional interessante, tem um preço meio elevado.

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WINERY Wine Vintage Score Release Price

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VINÍCOLA MIOLO Quinta do Seival Brazil 2004 ... 83 $24
VINÍCOLA MIOLO Chardonnay Brazil 2006 ... 83 $12
RIO SOL Parallel 8 Brazil 2004 ... 83 $7
VINÍCOLA MIOLO Pinot Noir Brazil Reserva 2005 ... 81 $12
VINÍCOLA PIZZATO Cabernet Sauvignon Brazil Fausto 2005 ... 81 $15
RIO SOL Reserva Brazil 2004 ... 81 $6
VINÍCOLA MIOLO Merlot Brazil Terroir 2005 ... 79 $26
VINÍCOLA MIOLO Cabernet Sauvignon-Merlot Brazil Lote 43 2004 ... 78 $29
VINÍCOLA PIZZATO Merlot Brazil Fausto 2005 ... 78 $15
VINÍCOLA MIOLO Merlot Brazil 2005 ... 77 $12
VINÍCOLA PIZZATO Merlot Brazil Rosé Fausto 2007 ... 77 $15
VINÍCOLA MIOLO Cabernet Sauvignon Brazil Reserva 2002 ... 76 $12
VINÍCOLA MIOLO Cabernet Sauvignon-Merlot Brazil RAR Family Reserve 2002 ... 74 $29

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quinta-feira, julho 03, 2008

Miolo Lote 43

Neste mês de junho a Confraria Bacco Ubriaco realizou degustação de vinhos nacionais. Fui o responsável pela #122 e a preparei às cegas. Tomamos Salton Talento 2002, Villa Francioni 2004 e Miolo Lote 43 2004.
Ficarei devendo a postagem, mas faço o serviço de utilidade pública (consequentemente propaganda gratuita) de informar em primeira mão que o melhor vinho nacional da noite voltou a ser formalmente comercializado.
A Miolo está vendendo em seu site www.miolo.com.br o Lote 43 2002 e 2004. O último por R$61,00 e o mais velho por R$53,33 a garrafa.
A política de comercialização é por caixa de 6 e apenas uma por CPF. Se não aproveitar o momento, depois só no câmbio negro. Com direito a desconto, na garrafa da degustação paguei R$80,00.
Não provei o 2002, mas o 2004 eu recomendo!!!

domingo, junho 29, 2008

Desventurados

São muitas as provas em 2008. Rivaliza de perto com 2007 em relação ao alto nível das oportunidades que se têm apresentado. Se não tomei nada equivalente ao Haut-Brion da comemorativa #100 da Bacco Ubriaco, já no final de 2007 sorvi o supertoscano Tignanello (que estou devendo no blog). Em 2008 vieram os top chilenos em várias degustações, alguns lalande-de-pomerol e pessac-léognan representando Bourdeux, o macio espumante Ferrari, borgonha, priorato, portugal, chianti clássico, ... e inúmeros outros vinhos bons. Foram tantos que este post sobre vinhos Desventurados está virando post de Resumo do Melhor de 2008.
Voltando ao ponto, quem lê tudo isso no blog pode até pensar que só bebo vinho de primeira. Não é o caso. Sempre estou procurando bons custo-benefícios nas mais variadas faixas de preço. Nessas aventuras é quase certo que hora ou outra toparei com vinhos ruins tecnicamente e com vinhos que definitivamente não me agradam.
Não dou conta de colocar todos que bebo no blog. Alguns são provados tão informalmente que na ocasião não havia como anotar. Esses dias estava na casa de um amigo que voltou de viagem ao leste europeu. Trouxe na bagagem um vinho de mesa turco, um grego e um Bourdeux Superior (este do free-shop). Aventuras que devido à informalidade da ocasião não virão para o blog, mas que formam também este enófilo.
Dessas aventuras surgem alguns vinhos que, de fato, não gostei. Não são de todo dinheiro perdido. Toda vez que bebo um desventurado desses tenho a sensação de que recalibro meus sentidos e vejo que não me enganam mais.
Vamos aos desventurados que analisei este ano e que ainda não estão no blog (sorte dos outros, daqueles que esqueci, risos):

TERRANOVA SHIRAZ 2006
Tomado em Janeiro foi o primeiro mico do ano. Aparência violácea, porém opaca. Desinteressante de saída. Madeira fechada e excessiva no aroma. Boca desequilibrada, com álcool, acidez e taninos em desarmonia. Não agradou desde o início. A Miolo errou neste 2006 do Vale do São Francisco. Pena, pois o rótulo é belíssimo.VV! 72. R$12,00.

FINCA LA LINDA TEMPRANILLO 2006
Acredite se quiser. Sempre gostei da linha La Linda. Já tomei outras safras deste Tempranillo e me agradaram. Os Malbec e os brancos são ótimos também. Não sei bem o que aconteceu com este 2006. Não estava estragado.
Bom aspecto. Nariz correto com geléia de fruta e sutil floral. Sem muita intensidade. Até aqui tudo bem. Já na boca: desequilibrado, alcaçuz, álcool excessivo. Final apresentando defeitos. Não agradou. Em 2006 a Luigi Bosca errou neste Tempranillo. VV! 77.

ALANDRA Vinho Regional Alentejano
Não foi propriamente um mico, mas como não atingiu 80 pontos está na classe dos vinhos que EVITO (ver classificação na barra à direita). Aroma simples, agradável, bem frutado e adocicado. É um vinho sem taninos, sem estrutura e sem corpo. Muito simples, porém agradável e docinho. VV! 79.

AURORA VARIETAL MERLOT 2005
Provado em fevereiro apresentou pouca cor, translúcido. Frutado, framboesa e animal. Pouco corpo, confirmando aparênca. Ligeiro. 11,8% de álcool. VV! 78. R$17,00.

CALAMARES Vinho Verde
Realmente não gostei deste vinho. Já paguei R$10,00 em verdes melhores. Era tão adstringente que travava a boca. “Micasso”!

Velha Vinífera #2 - Notas de Estudo

Abaixo, notas de estudo para orientar os membros da confraria em sua segunda reunião.

CEPAS
Entre as Vitis Viníferas existem variedades e mutações de uvas que produzem vinhos completamente diferentes.
Cabernet Sauvignon
A pequena casca-grossa. Por ter muita casca e pouca polpa é de baixo rendimento. Faz vinhos austeros, tânicos e com muita cor. Em geral, ruby-violácea na juventude e envelhece para o tijolo. Aromas de cassís nos jovens e cedro nos vinhos evoluídos. Busca-se a harmonia entre fruta, taninos e madeira. Considerada a Rainha da uvas.
Merlot
Uva chave dos grandes vinhos de St-Émilion e do Pomerol. Muito usada nos cortes de toda Bordeaux. Sabor macio e frutado, com cor mais escura. A merlot é colhida bem antes da Cabernet Sauvignon. Na Europa, a primeira em meados de Setembro e a segunda quase um mês depois.


BORDEAUX
Bordeaux é o nome da grande região ao sudoeste francês. Os rios Dordogne e Garonne descem do interior do país em direção ao Atlântico e fundem-se formando o rio Gironde.
A Apellation d’Origine Contrôlée Lalande-de-Pomerol fica ao Norte do Dordogne e é contígua ao Pomerol e a Saint-Émilion. Predominam vinhedos de Merlot, mas se planta em boa escala Cabernet Franc e Cabernet Sauvignon.
A AOC Pessac-Léognan é uma região especial à margem esquerda do Garonne, colada na cidade de Bordeaux. Produzem principalmente Cabernet Sauvignon, Merlot, Cabernet Franc e, em menor quantidade, Malbec e Petit Verdot.

SAFRAS
2000
Uma safra especial. Choveu apenas 1 dia entre o meio de Julho e o meio de Setembro.
Vinhos com suculenta fruta madura, taninos firmes, com muitos apresentando estrutura e profundidade que marcam os melhores vinhos. No Medoc vinhos mais complexos. St Émilion e Pomerol com os mais finos vinhos do ano.
2002
Foi uma colheita menor em quantidade, com vinhos estilosos e bem estruturados, mas que necessitam de tempo em adega. O verão foi mais frio e resultou em chuvas em agosto. Pior para varietais que colhem primeiro: Merlot. Setembro e Outubro foram quentes. Foi a menor colheita desde 1991, mas a tecnologia a salvou. Foi melhor no Médoc que em Pomerol e Saint-Émilion.

Referências:
Bibliográficas:
Larousse do Vinho.
Santos. José Ivan. Vinhos o Essencial.
Rede:
www.bbr.com – Berry Bros & Rudd: Venda de Vinhos na rede.
www.lalande-pomerol.com – Página da AOC Lalande-de-Pomerol.
www.dourthe.com – Dourthe: produtor do La Garde.
http://www.montviel.com– Montviel: produtor La Gravière.
www.winespectator.com – Revista Wine Spectator: avaliações de vinhos e artigos.

Velha Vinífera #2 - 14/06/2008 - Cab. Sauv. e Merlot

A Velha Vinífera reuniu-se desta vez com 14 confrades e confreiras para estudar um pouco mais sobre o mundo do vinho. Degustação interessante, onde o confronto da América do Sul com franceses foi a marca do evento. Não objetivamos rankear porque os vinhos daqui eram mais baratos. O fundamental era provocar os membros com uma nova experiência de vinhos franceses, pois costumamos beber mais os doces vinhos do novo mundo do que os clássicos complexos de além-mar.

CHATEAU LA GRAVIERE 2000
Apellation d´Origine Contrôlée Lalande-de-Pomerol
Nesta AOC predominam os vinhedos de Merlot, como neste vinho. Um pouco mais escuro, bem brilhante, com suave alo. Madeira delicada, baunilha muito bem integrada. Boca agradável, final fantástico. Este Merlot francês é finíssimo. Taninos redondos e macios. Para mim o melhor da noite. WS 87.
Os aromas mais citados pelo grupo foram baunilha, café e ameixa.

CHATEAU LA GARDE 2002
AOC Pessac-Léognan
Aqui há mais vinhedos de Cabernet Sauvignon (neste vinho próximo dos 45%). Mais claro que o primeiro, ruby com alo degradê. Aroma intenso, alguma mineralidade e flores. Com o tempo o vinho evolui e passa a oferecer tabaco e agradável pimentão. Ainda tem algum tanino como era de se esperar da presença de Cabernet Sauvignon, mas são frescos e bem amalgamados no conjunto. O mais elegante da noite. WS 89.
Os aromas mais citados pelo grupo foram rosas, defumado, especiarias e café.

COCODRILO 2004
Cabernet Sauvignon da linha básica da Cobos, na Argentina. Os rótulos são belíssimos fazendo referência a animais que representam o estilo dos vinhos. Esse Crocodilo lembra a casca grossa da Cab Sauv e a força da acidez e do tanino da uva. Aroma intenso, ataca o nariz, lembrou algo químico e cassis. Para mim o mais simples. WS 87.
Foi o vinho polêmico da noite. Alguns definitivamente não gostaram e para outros estava interessante. Entre os descritores encontrados: canela, baunilha, azeitona, especiarias e acetona.

SANTA RITA RESERVA MERLOT 2006
Este chileno tem aroma de pimenta preta. Provocativo, convida a beber. Herbáceo, agradou muito. Boca suave, adequada, algum tanino, porém delicado. Entre os dois sul-americanos preferi este. (Safra 2005 WS 87 e Safra 2004 WS 83)
A maioria gostou do vinho, mas alguns sentiram certo incômodo com o herbáceo. Foram citados couro, pimenta e doce, rumando para goiabada.

sábado, junho 21, 2008

Santa Carolina Reservado Carmenère 2005

Em meio a tantos vinhos de primeira, cabe provar e avaliar um mais barato um pouco. Tomamos no almoço este Santa Carolina acompanhando um risoto feito bem à colonia italiana.
O vinho deixou a desejar. Cor mais clara, rosadinha como muitos desta cepa, mas ainda mais claro. Falta brilho. Aroma de frutas. Boca desequilibrada, muito álcool. Sempre digo que a Carmenère faz vinhos baratos razoáveis. É a uva custo/benefício, mas este não foi o caso. A Santa Carolina costuma fazer vinhos agradáveis nessa faixa de preço, todavia errou no seu Carmenere 2005. Não faria nem 80 pontos. 13% de álcool. R$17,00 no Extra Alto da XV.
PS: Cuidado com o Extra. Estive lá fazendo compras e os vinhos estavam caríssimos. Só comprei aqueles com o destaque de promoção, aí sim preços normais. Em geral, um roubo!

domingo, junho 15, 2008

Les Vins de 5 Ans

Poucos dias depois de participar da fundação da Velha Vinífera, estava em 03/06/2008 a comemomar os 5 anos da confraria BACCO UBRIACO. Evento memorável, histórico e literalmente magnífico. Os vinhos da noite eram todos de belíssimas garrafas Magnum. Líquidos dos mais finos acompanharam excelente jantar no restaurante Boulevard:
Entrada
Salada Boulevard
Trouxinha de patê de foie gras com creme de funghi porcini e uvas fescas

Prato Principal
Talharim trinta ovos com ragu de Cracóvia de Prudentópolis (Prato da Boa Lembrança)
Entrecote grelhado com molho de cogumelos, purê de batata com aroma de pequi
Risoto de taleggio

Sobremesa
Creme brulee de chocolate
Torres de minha infância

OS VINHOS:

ASTORIA CUVÉE
Fomos presenteados pelo Boulevard com este prosecco interessantíssimo. Nada se parece com a maioria que vemos por aí. Bom corpo e muita maciez para um prosecco. Agradou.

FERRARI
Brindamos os cinco anos da confraria com este ícone dos espumantes italianos. Único na bota a conquistar por 16 anos seguidos os 3 bichieri do guia Gambero Rosso. Apresentou frutas, amêndoa, maçã. Boa acidez, adstringência e em boca confirmou, para mim, amêndoas e maçãs. Corpo extremamente cremoso. R$206,00 garrafa comum.

CLOS DE LA MARECHALE 2003 Apellation Nuits St Geroges Contrôlée
Este borgonha excepcional tinha bela aparência, brilhante. Fantástico, aromas defumados, notas tostadas e elegantes. Boca delicada, macia e sutil. Como era degustação comemorativa ficou difícil analisar cada vinho com mais profundidade, mas a Wine Spectator o descreve com cerejas negras licoradas, pimenta do carvalho e toques terrosos. É carnudo, com taninos musculosos e um longo final mineralizado. WS 90. R$500,00 Magnum.

LES TERRASSES 2003
Produzido por Álvaro Palacios, este Priorato é feito com 60% Grenache, 30% Carignan e 10% Cabernet Sauvignon. Apresentou aromas delicados e florais. Madeira sutil, intensidade média, especiarias. Muito complexo, algum mentol. Boca fresca, corretíssima, apresenta algum tanino ainda. Vai longe. WS 92. R$255,34 Magnum.

AURIUS 2003
Alenqer - Estremadura. A Quinta do Monte d'Oiro faz este vinho com Syrah, Tinta Roriz e Petit Verdot. Aromas delicados, belo herbáceo, especiarias. Ervas adocicadas e baunilha. Boca adocicada, geléia de fruta, taninos doces, porém vívidos, macios e elegantes. Temperos se confirmam em boca. Final fresco. Muito harmônico e saboroso. 14,5% de álcool. R$359,05 Magnum.

CASTELLO DI AMA 2003 Chianti Classico
Este Toscano é 80% Sangiovese, 8% Canaiolo e 12% Malvasia Nera e Merlot. Aromas de tabaco e café. Boca intensa e mineral, com elegantes taninos presentes. Muito gastronômico. 13,5% de álcool. 3 bichieri, RP 90, JR 18, WS 88. R$250,00 Magnum.

CHURCHILL´S TAWNY 10 YEARS
Terminamos a noite com este porto 10 anos de aparência menos âmbar que outros provados. Acastanhado apenas. Aroma a mel, suave, delicado, geléia e uva passa. Boca intensa, complexa e, para minha surpresa, especiarias. 19,5% de álcool.

Velha Vinífera

Foi com muito prazer e muito vinho que iniciamos nova Confraria em Curitiba:
A VELHA VINÍFERA.
Tenho a honra de coordenar o grupo formado em sua maioria por médicos e médicas que propõem-se a quinzenalmente estudar o fascinante mundo do vinho e passar momentos agradáveis provando o líquido de Bacco.
O vinho sempre traz alegria, estreita laços e constrói boas amizades. Assim esperamos que seja também com o novo grupo de degustadores.
Que a Velha Vinífera tenha longa vida!


Neste primeiro encontro apresentamos a parreira, a uva e o vinho. Abordamos aspectos da relação entre vinho e saúde e discutimos as sensações visuais, olfativas e gustativas.

Fomos muito bem recebidos na Vino! Batel no dia 31/05/2008 e fico particularmente feliz por este espaço da Comendador Araújo estar aberto para estimular o surgimento de novas confrarias e fomentar a formação de novos degustadores.
Neste primeiro encontro os confrades e as confreiras puderam provar diferentes estilos de vinificar. Um estímulo ao despertar sensorial que a degustação proporciona.

CAVE GEISSE BRUT Expedição 2005
Apresentou cor palha, bolhas adequadas e finas. Aroma de fermento, pêssego em calda. Possui boca macia e cremosa, porém apresenta também alguma adstringência. A confraria encontrou também aromas de carambola, casca de araçá e alguma citricidade. 12,5% de álcool. R$44,00.

LAURA HARTWIG CHARDONNAY 2005
Claríssimo, traslúcido, com algum brilho verdeal. Boca ácida, equilibrada. Adocidado, mel, lácteo e floral. A confraria encontrou também manteiga, canela, maresia, maçã e banana seca. 14% de álcool. R$82,50.

CHOCALÁN 2003
Este corte chileno de Cabernet Sauvignon, Merlot e Malbec apresentou aspecto denso, que os confrades compararam ao sangue venoso. Pequeno alo aqüoso. Aroma intenso, químico, pimentão verde e frutas vermelhas. Com o tempo evolui mais para a baunilha. Boca delicada, evoluída, gostosa. Boa acidez e complexidade. A confraria percebeu favo de mel, uvas passas, rosas, cravo, animal, fumaça doce e temperos como tomilho, pimenta e cominho. 13,5% de álcool. R$85,00.

BURMESTER JOCKEY CLUB PORTO RESERVA
Cor ambar escura e brilhante com alo gradativo. Aroma alcoólico, amêndoas, frutas maduras, químico. Boca adocicada, intensa e bem agressiva no álcool. É um porto de estilo forte. A confraria percebeu no palato calda de pudim, côco queimado e doce de cidra. No aroma, caramelo, tâmara, damasco, figos e passas em calda, tabaco e, curiosamente, aroma de igreja! 20% de álcool. R$56,00.

quarta-feira, fevereiro 27, 2008

Brancos argentinos

Sou fã da Sauvignon Blanc de clima temperado, pois adoro a acidez, o frescor e as frutas. Parece um vinho perfeito para o verão brasileiro.
Agradou-me a idéia de brancos mais encorpados que procuram preservar aromas frutados e acidez na estrutura. Uma diferença fundamental é que Chadonnays e Viogners costumam passar por fermentação malolática. Trata-se de transformar ácido málico em ácido lácteo, dando o aspecto untuoso e macio.
A prova foi extremamente equilibrada. Os FINCA LA LINDA tentaram vencer com maior intensidade aromática. O ESCORIHUELA GASCON, por sua vez, atacou de maior complexidade, não deixando nada a desejar.
Quem ganha somos nós por termos à disposição excelentes vinhos a preços acessíveis.

FINCA LA LINDA CHARDONNAY 2006
Vinho da Luigi Bosca importado pela Decanter. Aspecto untuoso e cor amarelo-palha brilhante. Aroma doce, herbáceo com frutas em calda, seguidos de flor de maracujá. Evolui em direção a ervas como alecrim e capim-limão.
Boca cheia, bom corpo e acidez excelente. O vinho impressionou muito. Une harmonicamente a untuosidade e o corpo da malolática com o frescor de vinhos frutados e ácidos. Ótima permanência e final corretíssimo. Preferi bebê-lo quando ganhava um pouquinho de temperatura na taça. Excelente compra! 13% de álcool.
VV! 87 Bem Merecidos! R$29,66.

ESCORIHUELA GASCON VIOGNER 2007
Importado pela Wine Company. Belo palha-verdeal translúcido. Aroma fresco e floral com leve toque de pão que vai abrindo, provavelmente oriundo do pequeno percentual fermentado em carvalho.
Apresenta certa untuosidade, mas o corpo é muito delicado. Boa permanência. Fresco, ácido e doce ao mesmo tempo, mas tudo bem amalgamado. Muito equilibrado. 13,3% de álcool. VV! 87.
Nota de harmonização: acompanhou bem frango à parisiense.

FINCA LA LINDA VIOGNER 2006
Cor palha. Aromas a abacaxi e mel. Bem equilibrado apresentando boca adocicada, com agradável frescor. Final bem correto. Merece estar no mesmo nível do Chardonnay. 14,5% de álcool. VV! 87.

terça-feira, fevereiro 26, 2008

Five Heirs Pinotage 2003

Tomei este vinho em duas ocasiões. Vinho difícil, tânico. Começa muito fechado e agrada ao longo do tempo. Melhor se aberto mais de 30 min antes do consumo.
Feito em Stellenbosch na África do Sul, apresentou aromas sangüíneos, carvalho e frutas vermelhas. Boca tânica, excelente corpo revelando pimenta do reino e confirmando o sangue. Muito equilibrado.
Já pode ser bebido, mas estará ideal de 2011 em diante.
Aceito a descrição da vinícula que inclui banana nos aromas, porém são secas para mim.
14% de álcool. VV! 90. R$69,00.

PS: A taça vazia me deixou um gostinho de quero mais!

Sunrise Carménère Revisitado

Recentemente tomei a safra 2003 que já mostrava sinais de desgaste, ainda que o vinho não estivesse de todo mal.
Agora provei um mais jovem, como deve ser feito, para checar a boa e acessível linha da Concha y Toro.
O Sunrise Carménère 2005 apresentou cor bordô escura. Aromas de média intensidade com ênfase na madeira: couro e cereja ao marrasquino. Com o tempo surge café interessante.
Boca tranquila, agradável e fresca, contudo falta corpo. Adequado para o preço. 13% de álcool. Nota VV! 82. R$18,90 no Extra Alto da XV.

Desafio argentino às cegas

A confraria Bacco Ubriaco desafiou seus membros numa degustação de Mendocinos. Fomos convidados a adivinhar safra e varietal de 4 garrafas.
Para confusão geral, deparamo-nos com dois vinhos que realmente estavam enigmáticos e apenas um dos onze degustadores presentes acertou na mosca os 4.
O nível foi alto e chamou a atenção o Zuccardi Q Cabernet Sauvignon 2000 chegando com louvor aos 8 anos de vida.

Zuccardi Q 2000 Cabernet Sauvignon
Opaco, alguma borra, atijolado. Aroma fechado e mineral. Abre lentamente e cresce, mentol. Encorpado, com taninos delicadamente vivos, está inteiro com a idade.
Vinho equilibrado, interessante e elegante. O tempo lhe fez bem. 14,5% de álcool. Nota VV! 90, BU 87,10. R$93,00.


Angelica Zapata 2003 Cabernet Sauvignon
Brilhante, ruby. Belo aroma, madeira agradável, especiarias e couro. Boca mais simples. 14% de álcool. Nota VV! 87, BU 85,50. R$100,00

Zuccardi Q 2000 Malbec
Um pouco opaco, menos alo que o primeiro. Aroma bem químico, evoluído, lembra acetona. Boca ácida, doce, limpa e muito gostosa. Vinho excessivo. 14,5% de álcool. Nota VV! 87, BU 85,00. R$93,00.

Angelica Zapata 2003 Malbec
Um tom a mais de violeta. Aromas animais e minerais. Boca viva, tânicam, de bom corpo. Ataca demais. Nota VV! 87,00, BU 87,20. R$124,00.

quarta-feira, janeiro 30, 2008

Direto do Chile

Ontem realizamos a degustação 112 da Confraria Bacco Ubriaco na Expand Winestore Curitiba. Agradecemos muito ao Rafael, um de nossos padrinhos, e a todo o time da casa por nos receber sempre muito bem.
Confrades enviados especialmente ao Chile trouxeram na bagagem vinhos especialmente selecionados para nossa degustação de abertura de 2008. O Sauvignon blanc não me agradou tanto. Já os tintos eram ótimos. Infelizmente esses vinhos não estão disponíveis no Brasil. Será que terei de ir até lá buscar uma caixa de Epo e uma garrafa de Almaviva?

Veramonte Reserva 2007

Este Sauvignon Blanc foi feito em Casablanca, a oeste de Santiago, 70 km em direção a Viña del Mar. Cor palha bem clarinho. Aroma suave e gostoso. Para mim herbáceo, lichia e leve citricidade. Tinha ataque meio excessivo à boca, onde perdeu pontos. Nota VV! 83, WS 87. Custou lá US$ 7,00.

Epo 2000
Epo significa, na linguagem nativa, segundo. Este é o segundo vinho da Almaviva, joint venture entre Rotschild e Concha y Toro. Almaviva é um dos grandes vinhos chilenos e seu irmãozinho não deixa dúvidas de sua estirpe. É feito em Maypo (cercanias de Santiago) das uvas Cabernet Sauvignon, Carménère e Cabernet Franc. No futuro terá também Merlot no corte. É o mesmo assemblage do Almaviva, porém o enólogo observa as porções de vinhos que não são propícios para guarda, afim de compor o Epo. Na verdade, o Epo fica pronto antes que seu par mais vigoroso, que alguns afirmam poder envelhecer até 25 anos nas melhores safras.
A política de comercialização é de vendê-lo apenas no Chile. Na vinícola sai em torno de US$15,00!!!!!!!!!!! No centro de Santiago pode ser encontrado a US$30,00.
Apresentou belíssima cor. Brilhante, límpido, já aparecia pequeno alo aquoso. Aromas de café e alcaçuz no início. Muito delicado. O químico do alcaçuz evolui para castanhas e flores. Boca desde o início revelou castanhas. Belos taninos marcantes. Já está pronto, mas ainda pode envelhecer mais alguns aninhos.
O vinho esteve constante pela hora e meia que me acompanhou em taça. Modifica-se com sutileza e mantém suas principais qualidades: Delicadeza e elegância. 14% de álcool. Nota VV! 90.

Coyam 2005

Produzido pela Emiliana em Colchagua é um blend de várias uvas: Syrah, Carmenére, Cab. Sauv., Merlot e Petit Verdot. Segue os conceitos orgânicos de produção.
Cor escura, leve toque violáceo. Aroma fechado o tempo todo. Ameixa preta e químico. Bom corpo, pesado à boca. Taninos vivos e adocicados. Melhor se bebido daqui uns três anos pelo menos. 14,5% de álcool . Nota VV! 88, WS 90. US$18,00.

Elegance 2004

A vinícola Haras de Pirque no início estava no ramo apenas da montaria. Nos anos 90 interessou-se pelas videiras e pela viticultura, passando a produzir vinhos considerados tops chilenos no Maypo.
Este puro Cab. Sauv. tem cor ruby brilhante. Belo aroma com cerejas. Boca mineral com taninos ainda aprisionados. Muuuuuito longo. Nota VV! 89, Tapia (autor do Guia Descorchados) concedeu-lhe 95!? 14,5% de álcool. US$35,00.

Enquanto blogava...
Bloguei bebericando um Periquita 2004 produzido em Terras do Sado, Setúbal, por José Maria da Fonseca com as uvas Castelão, Trincadeira e Aragonês. Um pouco opaco na cor, não apresentou as características que esperava. Nos anos 90 o Periquita era o vinho do dia-a-dia em minha casa. A José Maria Fonseca optou por mudar o estilo para um vinho mais moderno e bem frutado. Deixou a garrafa bojuda de lado e ganhou aromas de azedinho-doce e morangos frescos. Ficou fácil de beber, mas para mim o antigo era melhor.
Este 2004 nem o frutadinho fácil ofereceu. Aromas não me disseram muito e boca razoável, bem seca. Sem defeitos ou grandes qualidades. Como estava só, abri uma 1/2 garrafa (350ml), mas não acredito que isso faça tanta diferença nas características do vinho. Minha nota subjetiva: 80.

domingo, janeiro 27, 2008

Beyerskloof Synergy 2002 – Cape Blend

29/12/2007. Para quem está acostumado com a América do Sul é fantástico provar vinhos sul-africanos. Este veio de Stellenbosch. É um corte do cabo (cape blend) e, para isso, deve apresentar pelo menos 20% de Pinotage e 25% de Cabernet Sauvignon. No caso do Beyerskloof Synergy são 38% de Pinotage, 34% de Cabernet Sauvignon e 28% de Merlot.
Degustei o vinho em duas ocasiões distintas no fim de 2007 e esteve exuberante nas duas vezes. Cor densa, vermelho mais para o atijolado. Complexo, parece ter passado bom tempo em madeira francesa de primeiro uso: pimentão verde, oliva, animal molhado, pimenta, alcatrão. Pico de aroma com químico, framboesa e café. Intenso: uma explosão de aromas no nariz. Boca cheia com taninos doces que atacam, ótimos corpo e acidez. Após cinco anos está no ponto. Merece uns 40 minutos para abrir, portanto recomendo decantar. 14% de álcool. Nota Viva o Vinho! 90, Wine Spectator 84, Bacco Ubriaco 90,11. R$65,70.

Norton Reserva Malbec 2003

29/12/2007. Este argentino de Mendonza chama a atenção por receber 90 pontos regularmente na Wine Spectator. Importador e revendedores não deixam de lembrar ao vendê-lo e os insiders compraram em caixas este verdadeiro best buy. Já o tomei diversas vezes nesta mesma safra e sempre agradou. Desta vez, parei para fazer a análise técnica.
Elaborado com uvas Malbec oriundas de vinhas de 30 anos. Permaneceu 12 meses em barricas de carvalho.
Aspecto correto, cor ruby. Início de frutas e especiarias. Ganha complexidade mostrando baunilha e crescem as notas apimentadas. Os taninos foram abrindo, ganhando vida. Bom frescor. Vinho que muda ao longo do tempo, vai abrindo. Equilíbrio é a palavra-chave.
É um excelente vinho, sem qualquer defeito. Esta acima da média, porém não me empolguei tanto quanto a Wine Spectator. 14% de álcool. Nota VV! 88. Custou 32 pesos lá na Argentina (algo como R$26,00 quando da compra), no Brasil deve custar algo entre R$50,00 e R$60,00.

Vale da Judia 2005

20/12/2007. Aproveito para comparar o Cabriz com este vinho feito de Castelão, a mesma uva do Periquita. São vinhos opostos! O Cabriz é tradição, já este feito em Terras do Sado pela Coop. Agrícola de Santo Isidro de Pegões é moderno, confirmando a tendência na Península de Setúbal.
Belo vinho, ruby, límpido, brilhante. Aroma delicado de frutas vermelhas. Sem grande complexidade, todavia muito fresco e agradável. Corpo médio adequado, taninos vivos e macios, acidez proeminente e interessante. Final redondo.
Muito equilibrado. Excelente qualidade pelo preço. Ótima compra. 13,5% de álcool. Nota VV! 86. R$28,90 direto na Wine Company

Cabriz Colheita Seleccionada 2005

03/01/2008. Degustado para a Confraria Brasileira de Enoblogs.É um português DOC Dão produzido pela Dão Sul Soc. Vitivinícola S.A com as uvas Alfrocheiro, Tinta Roriz e Touriga Nacional. As garrafas do Dão são diferentes, mais bojudas na parte inferior. Esta era bem escura e possuía alto relevo da Cabriz.
Ao servir pareceu aquoso de corpo. Cor escura, ruby com leve acastanhado. Aromas iniciais mais frescos de oliva e pimenta. Evolui para fruta a ameixas pretas, doce. Torna-se mais agradável. Na boca tem bom corpo médio (contrariando a aparência inicial), boa acidez, alguma trava tânica e álcool. Agradável, rústico e simples.
A boca vai adocicando após aberto e o calor do álcool faz lembrar vinhos fortificados. Um vinho mais tradicional. 13% de álcool. Nota VV! 85. R$21,90 no Pão de Açúcar Água Verde.

sábado, dezembro 29, 2007

Confraria Brasileira de Enoblogs

Está difícil de participar da Confraria Brasileira de Enoblogs. Bebi com atraso o vinho e só estou postando um mês depois. A data é o primeiro dia de cada mês e a proposta é fantástica: enófilos virtuais do Brasil todo darem sua opinião sobre um vinho.
Antes tarde do que nunca, coloco abaixo minhas anotãções sobre o vinho de 1º de Dezembro:

Trivento Shiraz/Malbec 2005
Argentina. Cor ruby opaco. Aromas de castanha e ameixa fresca. Frutado com especiarias. Paladar condimentado como o aroma, algum calor alcoólico, corpo médio. Tanino doce - groselha - e final tranquilo. A boca corresponde ao olfato. Incomodou certo ataque alcoólico. Bem honesto. Harmônico, ganhou um ponto extra. 12,5% de álcool. Nota 83.

Tokay Aszú

Como parte do encerramento das atividades de 2007, a Confraria BaccoUbriaco promoveu as degustações 111 e 112 juntas. A última foi durante a sobremesa do evento, quando avaliamos 3 Tokays.
Entre as muitas cepas que entram em sua elaboração, os maiores percentuais ficam para Furmint e Hárslevelü (pronuncie como quiser, risos). O termo aszú diz respeito aos bagos atacados pelo fungo Botrytis cinerea, que são colhidos um a um em várias passagens pelas vinhas.
De acordo com a quantidade de bagos atacados pelo fungo que são adicionados ao mosto é que se medem os puttonyos. Quanto mais puttonyos (ou cestas de uvas botrytizadas), mais doce é o vinho e de maior qualidade.
Experiência sui generis, exigiu muita disciplina não tomar o sorvete da sobremesa durante a prova para não contaminar demasiadamente o paladar, afinal toda garrafa de Tokay exibe a frase de Luís XIV: “VINUM REGUM – REX VINORUM”.

St. Stephan´s Crown Tokay Aszú 3 Puttonyos 2000

Cor dourada e brilhante. Certa untuosidade. Aromas de doce de damasco, mel e laranja doce. Boca agradável e algum incomodo no retrogosto. R$100,00. Importado pela Hungaria Merc Ltda

Chateau Megyer Tokay Aszú 4 Puttonyos 1999

Belíssimo aspecto âmbar escurecido. Nariz bem mais complexo. Boca acertadíssima, sem nenhum defeito. Excelente! R$200,00. O TOKAY DA NOITE!

St. Stephan´s Crown Tokay Aszú 5 Puttonyos 2000

Também dourado e, sendo do mesmo produtor do primeiro Tokay, com certa semelhança. Final bem mais adequado. Muito melhor que o inferior da St Stephan´s. R$200,00. Importado pela Hungaria Merc Ltda

quinta-feira, dezembro 13, 2007

IV Degustação Viva o Vinho! – CARMENÉRE

Depois de tanto tempo sem degustação do blog finalmente fizemos mais uma. O objetivo desta vez foi reunir amigos que curtem a brincadeira, mas que não são tão acostumados a sentar em frente a uma taça e examinar atentamente o vinho.
Escolhi a Carmenére por ser a uva que se tornou símbolo do Chile. Não é necessariamente a melhor uva chilena. Eu, particularmente, adoro os Sauvignon Blanc. Excelentes Cabernet Sauvignon, Merlot e até mesmo Malbec são alcançados por lá.

CARMENÉRE
A Carmenére ganhou notoriedade exatamente por existir comercialmente apenas no Chile... e por obra do acaso. Até 15 anos atrás acreditava-se que eram parreiras de Merlot de um clone diferente. Estudos mais aprofundados mostraram que se tratava de outra variedade.
Ela deixou de ser plantada na França após a praga da filoxera que devastou vinhedos do mundo inteiro no fim do século XIX e início do XX. Ao refazer os vinhedos, os agricultores tornaram-se mais criteriosos afim de evitar perdas futuras e passaram a escolher cepas mais resistentes. A Carmenére por ser especialmente sensível a algumas doenças acabou descartada.
Devido a seu isolamento geográfico, o Chile foi a única região do mundo poupada da filoxera e acabou conservando a Carmenére, que lá permaneceu disfarçadada como uma Merlot estranha até os anos 1990. Após ser redescoberta, foi corretamente identificada e isolada da Merlot para produzir os varietais. É possível que haja ainda algum tipo de mistura na elaboração de Merlot e de Carmenére até hoje, mas a maioria dos vinhedos está corretamente segmentado.
O objetivo era um evento barato, com vinhos de até R$20,00. Reunimos sete degustadores na Pizzaria Tortelli, que nos recebeu sem cobrar rolha. Considerei a Carmenére uma boa uva para a degustação porque nessa faixa de preço algumas vezes proporciona um vinho vivo e de fácil apreciação. A tarefa do grupo era provar, testar seus próprios sentidos percebendo características do vinho e expressar suas impressões.

SANTA HELENA RESERVADO CARMENÉRE 2006
Cor Ruby. Aromas de framboesa, morango, bem frutado em geral. Boca ácida e com ácool excessivo. Taninos vivos. O vinho evolui para cereja, fica mais doce com o tempo. Sempre que deparadas com uma taça por mais tempo as pessoas começam a notar que o vinho muda, enquanto oxigena, o que é muito bom para a brincadeira seguir estimulante. R$18,50.

CONCHA Y TORO SUNRISE CARMENÉRE 2003
Mais opaco que o primeiro. Aroma fechado de couro, algum químico, amendoado, ameixa preta. Uva passa e compota aparecem também. Boca adstringente, já lembrando minerais, alguma especiaria também. Sou daqueles que não gosta da linha Reserva da Concha y Toro. Tomei algum que me agradou um pouco recentemente, mas em geral não gosto. Já os da Sunrise agradam muito e não são muito mais caros. Agora, cabe ter cuidado ao comprar porque alguns mercados chegam a vendê-los por R$29,00 no maior estilo “bom para otário”. O preço justo na praça de Curitiba é algo em torno de R$20,00. Pagamos neste R$22,50.
Em outra ocasião tomei o Sunrise Carmenére 2004 e estava muito melhor que o 2003, mais vivo, com aromas mais intensos a frutas frescas, especiarias e taninos vivos. Parece estar em melhor forma que o 2003, já meio passadinho. Talvez a safra 2004 tenha sido melhor também, mas reforço novamente: vinhos desta faixa de preço foram feitos para serem consumidos logo. Três anos é o tempo ideal para a maioria. Cuidado porque os mercados não tem muito compromisso com o consumidor nesse sentido.

CASA SILVA CARMENÉRE COLECCIÓN 2005
Já no clima de fim de degustação, quando nos digladiávamos com as excelentes pizzas da Tortelli, pedimos este para acompanhar a refeição sem perder o tema, afinal lá vendem o vinho a preços honestos para restaurante. Na taça estava brilhante com toques violáceos, belo. Aromas de morango, frutas vermelhas. Corpo médio, adequado, com tanino bem acomodado. Surpresa da noite, um vinho muito equilibrado. Em seguida, identifiquei ainda alguns aromas de verniz e especiaria muito delicada. Este sim fazendo jus ao que espero de um Carménere. Está um nível acima dos demais. R$25,00.


Santa Ema Sauvignon Blanc 2006

No intuito de dar uma mostra para minha esposa dos vinhos brancos chilenos abrimos o Santa Ema. Quase translúcido, com jeito de vinho bem fresco para o verão. Olfato não agradou tanto quanto a aparência, com toque herbáceo. Boca confirmando a falta de frescor esperada por mim para o Sauvignon Blanc chileno. Tomamos em família e a maioria gostou, eu é que fiquei mais decepcionado, pois neste blog já relatei Sauv Blancs mais empolgantes. R$27,00 no Festval Água Verde.

sábado, novembro 10, 2007

Argentinos

As provas de argentinos são muitas e continuarão assim, pelo visto. A boa relação de preço/qualidade é sempre destaque, ainda mais com as tarifas reduzidas do Mercosul.
Nem sempre sãovinhos bons ou me agradam como veremos abaixo, mas procurando bem cada um pode encontrar os que mais gosta.
Destaco mais uma vez que meu estilo de vinho é para mais complexos e delicados. Excessos de carvalho e álcool proeminente realmente me incomodam.

BALBI MALBEC 2002
Foi o caso deste Balbi. Álcool excessivo no olfato e no palato mataram qualquer chance de me agradar. Conseguimos tomá-lo até o fim, não foi o caso de derramar na pia, mas não compro. Alguém pode argumetar que para um vinho corrente ele estava passado. Em último caso, não aguentou 5 anos. 12,5% de álcool. Custou uns R$20,00 no Condor Sta Cândida.

SANTA JULIA TEMPRANILLO/MALBEC 2006
Sou apreciador dos vinhos desta casa, em especial os tempranillo. Outros cortes nessa faixa de preço não me agradam tanto. Já este oferece uma prova redonda, mesmo sendo tão em conta. Não tem tanta compelxidade, claro, mas é bem redondo, com aromas de ameixa, morango e alguma baunilha. Os tatinos são adocicados, sem quaisquer excessos ou amargores finais. 13% de álcool. Só R$18,00 no Condor Sta Cândida. (É possível achar a R$15,00 em promoções por aí).

FABRE MONTMAYOUR GRAN RESERVA MALBEC 2005
Excelente indicação do Fabio da Expand, o vinho causou entusiasmo. Aromas muito complexos de tabaco e algo animal, fundeados por ameixas em calda; variadas nuances aromáticas completavam o cenário. A boca dele é explêndida e apresenta uma característica que não tinha experimentado em malbecs: é refrescante, lembrando eucalipto ou bala de menta. Essa característica tinha provado num merlot californiano pela primeira vez e depois só fui reencontrá-la em merlots do Chile (sempre vinhos de mais de R$50,00). Muito bom ter essa experiência num argentino. 14,5% de álcool muito bem equilibrados. R$65,00 na Expand Curitiba.

Luz de velas

A confraria Bacco Ubriaco teve uma experiência nova esses dias. Curitiba está passando por uma primavera repleta de temporais. Pode ser casual, mas os alarmes dos climatologistas sobre as mudanças parecem fazer sentido quando um período como esse acontece. É possível que tenhamos de nos acostumar e nos preparar para climas mais extremos.
O fato é que meia cidade (ou mais) ficou sem luz no dia 29 de outubro. Quando chegamos à casa de nosso anfitrião, era tudo à base de luz de velas. Não impediu o jantar gentilmente oferecido por ele e por um de nossos novos amigos, que preparou uma excelente massa.
Claro que a falta de luz gerou dificuldades e atrasou o serviço. Fomos agraciados com dois brancos para “brincarmos” antes da degustação oficial começar. Um era sauvignon blanc chileno que não guardei o nome. Como convidado não perguntei o preço dos vinhos bebidos, mas não era um vinho particularmente interessante.
O segundo branco já era outra história. O CRIOS TORRONTÉS foi surpreendente. Os torrontés argentinos que havia provado antes eram vinhos mais baratos (na faixa dos R$15,00). Os excessos de álcool e uma boca que descrevo como quadrada marcam tais produtos. O Crios, contudo, estava bem macio. Aromas de frutas e até mesmo lichia. Certa untuosidade no palato que enche bem a boca. Lembrou vinhos aromáticos como feitos de Gewurztraminer do novo mundo. Gostei.

O tema da degustação oficial era “uvas pouco comuns da Itália”. Quatro vinhos seriam tomados, porém um deles estava morto infelizmente. Vamos aos três sãos:

FRANZ HAAS LAGREIN 2003
Varietal da uva Lagrein este tinto de Trentino no Alto Adige apresentou aromas de alcaçuz e algo animal. Boca fresca e algo mineral, tinha alguma acidez e o excesso de álcool lhe tirou alguns pontos. 12,5% de álcool. R$102,03. Nota 87 BaccoUbriaco 88,37.

ALMANERA 2003
Interessantíssimo vinho Nero D´Avola Siciliano. Complexo, típico e boa intensidade aromática. Lembra cantina e remete a embutidos imediatamente. Evolui e vai amaciando durante a degustação. 13,5% de álcool. R$73,42. Nota 90 BU 86,33.

FRANZ HAAS PINOT NERO 2003
Este Trentino chamou muito mais atenção que o primeiro. Pinot Nero na Itália é o mesmo que Pinot Noir na França. Cor muito clara, mais rosada. Nenhuma relação com a cor atijolada de muitos Pinots pelo mundo. Belo e peculiar. Aroma mais intenso que o esperado pela cor. Evolui para uma compota agradabilíssima. 13,5% de álcool. R$ 117, 03. Nota 90 BU 89,50.

domingo, setembro 09, 2007

Expand Wine Store Curitiba

Terça-feira, 28/08, estivemos rapidamente na inauguração da nova loja da Expand Curitiba. Fica na Batel, uma quadra antes da Brigadeiro Franco. Como a Batel é uma rua bem complexa em termos de nomes de trechos, o endereço nominal é Benjamin Lins, 559.
A estrutura de dois pisos tem em cima charutaria e espaço gourmet. No piso inferior bistrô e loja. A nossa disposição, ávidos consumidores de vinhos, novamente em Curitiba todo o catálogo da importadora com muitos rótulos de destaque.
Tanto é que retornamos na sexta-feira, quando adquirimos um Malbec argentino, sugestão do Fabio, que aguarda noites frias para ser degustado. Presenciamos também a bela mesa de entradas disponíveis para quem desarolha algumas na loja e o elaborado cardápio.
A reabertura da Expand é grande aquisição para a cidade. A confraria BaccoUbriaco nasceu dentro da Expand em seu antigo endereço e fez muita falta para nós nesse período de ausência.
Espero que muito em breve adequemos nossos calendários e que experimentemos o espaço gourmet para muitas degustações que virão pela frente. Que seja novamente bem vinda a Expand e que retomemos a boa relação que sempre tivemos no passado.

PARABÉNS BACCOUBRIACO - 100 Degustações

Retomando os acontecimentos marcantes de 2007 que ficaram fora do blog, parabenizamos a BaccoUbriaco por ter realizado em grande estilo sua centésima degustação em nove de julho na Vino!Batel, naquele mesmo endereço na Comendador Araújo de quando se iniciou a confraria na, então, Expand.
O evento extraordinário foi incrível. Foram bebidos vinhos franceses absurdos. Todos ícones de mais de 92 pontos na Wine Spectator ou no Robert Parker. Como era noite comemorativa não fizemos nossas avaliações técnicas, ficando apenas nas anotações subjetivas. Verdadeiro desfile de 7 vinhos de primeira. As anotações, inclusive, foram mais vagas que o comum, em função do clima festivo.
*Pode haver algum nome não muito preciso, em função das anotações alcoolizadas, hehehehe.

PAUL ROGER VINTAGE 1998
É Champagne, claro. 70%Chardonnay 30% Pinot Noir. Pérlage delicada e constante. Bem clarinha. Aroma muito intenso e complexo. Macia e suave. Muita amêndoa, mineral e boa acidez. 12% de álcool. R$234,22. WS 94.

ROTEMBERG PREMIER CRUS 2002 Jean Michel Davis
Alsacia. 65%Riesling 35%Pinot Gris. Amarelo intenso, límpido e brilhante. Aroma intensíssimo. Elegante e untuoso. Complexo, com várias faces: frutado, sulfuroso, mineral, tuti-fruti, goiaba, etc . Jean Michel Davis é um defensor do conceito de terroir e aplica biodinâmica em seus vinhedos. 14% de álcool. R$195,02. RP 94 WS 93.

CLOS DE SAINT CATHERINE 2001 Domaine Baumarol
Chenin Blanc do Loire. Dourado. Aromas frutados de manga, milho e carambola. Boca dulcíssima, mel, néctar. Potência no aroma, permanência na boca. Algum mineral no palato. Parecia um vinho de sobremesa sem ser. Incrível a maturação dessas Chenin Blanc. Tudo isso com apenas 12,5% de álcool. R$130,83. RP 93 WS 96.

ECHEZEAUX GRAND CRUS 2001 Joseph Drouhin
Pinot Noir. Borgonha. Intensíssimo, carvalho maravilhoso. Pimentão verde, oliva, morango, azedinho-doce. Taninos densos, veludo. Final de chocolate. Cor já opaca. 13% de álcool. R$371,00. RP94 WS92.

LA SIZERANNE 2003 M. Chapoulier
Hermitage (Shiraz). Violáceo, pouco alo, ainda novo. Aroma fechado, herbáceo. Boca ainda tânica, macia, figo. 14,5% de álcool. R$130,00. RP96 WS94.

ALAIN GRAILLOT 2003
Crozes-hermitage (Grenache). Violeta bem escuro, tintura. Mineral. Pimentão, frutas. Taninos abertos, vivos e ácido na boca. Muito jovem ainda, muitos taninos, merece envelhecer mais. 14% de álcool. R$210,00. RP93 WS95.

CHÂTEAU HAUT-BRION 1996
Grande estrela da noite!!!
Péssac-Leognan. 55%Cabernet Sauvignon 25%Merlot 20% Cabernet Franc.
Ruby acastanhado, com alo de envelhecimento. Aroma intenso, vivo, flores, frutas, madeira, complexo. Taninos ainda vivíssimos. Boca cheia, mineral e viva.ÚNICO. R$1800,00. RP 98!!!

Brindes à confraria, aos amigos e ao vinho.



ROSÉS

Em visita ao Boulevard Loja e Restaurante, na voluntários da pátria, fomos muito bem recebidos pelo proprietário Carlos Feliz e pelo Diogo. Aproveitamos a oportunidade para iniciar a pesquisa de Gewurztraminer, tema de minha degustação na confraria BaccoUbriaco em outubro.
Entre algumas dúvidas sobre qual vinho comprar, acabamos aceitando a sugestão do Carlos de levar o Rosé Terra Amata 2006 do Domaine Sorin, pertencente à Apellation Côtes de Provence Contrôlée.
Está fazendo um calorzinho em Curitiba neste feriado e não resistimos em tomar naquela mesma noite o vinho. Fomos, então, às compras e preparamos patês e queijos para acompanhar.
Diante da inexperiência total em vinho rosé, adquirimos também o Aurora Varietal Merlot Rosé 2006 para balizar o francês e servir de introdução. Estávamos em 5 pessoas e duas garrafas servem muito bem.

AURORA VARIETAL MERLOT ROSÉ 2006

TERRA AMATA 2006 DOMAINE SORIN

A cor do Terra Amata lembrou um salmão suave, já o Aurora tinha uma tonalidade mais forte. Nos aromas do Aurora percebemos maçã e sutis frutas vermelhas. O nariz deste já prenunciava uma boca meio desequilibrada de álcool e com algum tanino. Tinha algum amargor final também. O Terra Amata apresentou pêssego, frutas e algum cítrico, algo para ameixa amarela e abacaxi. Com boca bem mais delicada que o Aurora, notamos ainda citricidade e boa permanência, com muito estímulo.
Foi uma experiência engraçada provar rosés e foi muito útil ter comprado um nacional bem mais barato para sentirmos a diferença entre ele e o francês. Ganhou um caráter didático.
Os aromas deles lembram mais vinhos brancos, mas a boca é copletamente diferente. Para quem toma muito branco, parece que tem um taninozinho que não devia estar ali. (Ou devia, afinal não é um branco, é um rosé, risos.)
O patê de camarão foi o que mais harmonizou, especialmente com o francês. Percebemos, portanto, que é um estilo de vinho delicado, que combina bem com aperitivos e frutos do mar em tardes de verão.
Custo:
Aurora Varietal Merlot Rosés 2006 R$14,00 no Mercadorama Seminário
Terra Amarta 2006 Domaine Sorin Côtes de Provence R$ 46,00 no Boulevard
Nota: Melhor não pontuar devido à total inexperiência. Popor à confraria BaccoUbriaco degustação sobre o assunto em Janeiro de 2008.
Referências:
Ver página da Vinho Magazine sobre vinho rosé.
Ou rápida entrevista com Gianni Tartari da Fasano.

domingo, setembro 02, 2007

Muita Personalidade na Vinicultura Brasileira

Bento Gonçalves – Carnaval 2007

Pode apedrejar quem quiser, mas não encontramos o terroir Vale dos Vinhedos. O que presenciamos e degustamos foram vinhos de excelente qualidade feitos com o estilo próprio de cada vinícola. A personalidade das casas está além das características de conjunto da região.

Fomos para Bento Gonçalves tomar muitos vinhos e ver de perto a Fenavinho 2007. A Feria não tem lá grandes atrações, é aquela mesmice de sempre dos eventos abertos ao público. As grandes vinícolas não levam o seu melhor para o visitante comum beber. Com muita sorte se pode descobrir uma pequena ou média empresa oferecendo um produto surpreendente.
Valeu a viagem nessa época para ver parreirais ainda carregados e sentir bem de perto a cultura gaúcha do vinho. As paisagens são maravilhosas e o ambiente vinícola agracia os apreciadores.

A cidade oferece tour de Maria Fumaça (regado a muito vinho de garrafão) até Garibaldi, museu da imigração italiana e outras atrações.
A cozinha “turística” não é lá muito boa. Provamos rodízio duas vezes e foram duas decepções. Foi particularmente ruim comer no restaurante da Casa Valduga, onde esperávamos excelente refeição, já que é uma vinícola conceituada e de grande porte. Infelizmente não conseguimos provar o restaurante a la carte para ter outra visão.

Já onde comemos cozinha internacional foi outra história. Recomendo o restaurante da Cordelier. Provamos os vinhos da casa e ficamos maravilhados com os pratos servidos. Exclamações para o Ravióli ao Salmão com Sementes de Papoula. Destaque ainda para azeites de oliva de primeira, importados de toda Europa, à nossa disposição.
Da Cordelier o destaque é o espumante Brut.
Fizemos tour pela vinícola e ainda provamos uvas viníferas e americanas no pé (o que foi muito didático para ver porque se deve fazer suco com uma e vinho com outra).
O tour pela Valduga foi excelente, com visita ao parreiral e às excelentes instalações. No fim do verão está acontecendo o engarrafamento, o que é bom para ver a mecanização do processo.
Da Valduga nos agradou o Chardonnay com leve toque de carvalho e os novos vinhos de uvas mais raras que estão sendo lançados.

Depois de dois tours já decoramos todas as informações básicas que eles passam. O enófilo com alguma litragem obtém poucas informações novas em qualquer caso, mas mesmo os neófitos já ficam cansados na segunda visita.

Daí em diante vale a pena visitar para tomar. Saímos dos medalhões para empresas menores, mas que não deixam nada a desejar. Que venham Pizzato, Lídio Carraro e Cave de Pedra.
O estilo de vinificar na Cave de Pedra não me agradou muito, ainda que tenha agradado os demais membros de nossa comitiva. São vinhos fortes, potentes e de cor muito roxa. Chamou mais atenção o Tannat-Ancelota.
A Lídio Carraro tem um projeto visual e de marketing excelente. Fazem vinho com muita qualidade, mas o preço fica acima da média. A linha top deles é excelente, com destaque para o corte chamado Quorum. Surpreende encontrar alguns aromas terciários num vinho em que eles juram não ir barrica. Disparado o mais elegante provado na viagem. Vinho para quem tem estilo.
O grande destaque das três é a Pizzato pela relação preço-qualidade de seus vinhos. Bebendo lá, gostei muito da evolução de Merlot 2001 (provavelmente já indisponível) e do vinho de corte deles, o Concentus.

É claro que o solo e o clima da Serra deixam sua marca no vinho. Os Tannat são mais tranqüilos que os uruguaios o que, na verdade, agradou. Felicitamos que este ano a denominação Vale dos Vinhedos tenha ganho reconhecimento internacional e que a região seja a primeira do país com área demarcada e regulamentação própria, mas a característica que mais nos marcou foi a personalidade das vinícolas.

A viagem é fantástica para os enófilos. O ambiente vinícola, a gente acolhedora e a paisagem tranqüila dão o tom. Recomendo também ir bem acompanhado, para aproveitar o clima romântico.

Não dei conta

É, o desejo manifestado no último post não se concretizou. Em Janeiro!!!!!!! Estava atrasando com a atualização no enoblog e tinha muitos vinhos pela frente. Meses depois estamos aqui retomando o trabalho.
Foram muitos vinhos excelentes e outros nem tanto neste 2007. Com direito a carnaval enológico em Bento Gonçalves.



As fotos estão aí para mostrar um pouco o motivo de não ter mais tempo para o blog. A moça linda das fotos também adora vinhos e seria injusto botar a culpa nela, mas passou a ocupar um espaço maior na minha vida, o maior que se pode ter. Aliás, a Queisse é ótima harmonizadora, manja muito de temperos e tem paladar aguçado.
Estamos de volta com regularidade. Minha ausência não foi só aqui, foi on-line em geral. Atualizo pelo menos as circunstâncias mais marcantes deste 2007, o melhor ano enológico deste Bacciano convicto.

sexta-feira, janeiro 19, 2007

Comparação de Safras

Com muitos vinhos pela frente, particularmente brancos, tenho de publicar logo para acompanhar o passo. As provas são muitas e o janeiro quente que faz aqui chama sempre a tomar vinhos a baixas temperaturas em busca de frescor.
A recorrência de algumas marcas por simpatia pessoal e disponibilidade no mercado permitirá estabelecer pequenas diferenças em safras e faixas de preço.
De pronto, com este post é possível comparar as impressões entre os Santa Helena Reservado Chardonnay 2005 e 2006.

ADOLFO LONA BRUT ROSÉ
Este espumante ficou meio ano aí parado na adega (não climatizada). Estava até com medo de que já estivesse estragado, mas ao abrir apresentou boa espumação com bolhas finas e abundantes. A cor é salmão. O aroma muito fechado me lembrou maçã. A descrição da vinícola é "vinoso". A boca é sem frescor e alegria que espero em espumantes. Não me agradou, talvez até por eu não conhecer muito espumantes rosés. 12% de álcool. Comercializado na In Vino Veritas.

SANTA HELENA RESERVADO CHARDONNAY 2006
Cor amarela. Este chileno da confiável Santa Helena tem aromas ainda mais frutados que o 2005 (post anterior). Agrada-me muito mais esse frescor de fruta. A boca tem as características que esperamos da Chardonnay com algum amanteigado. Interessante que ao circular o vinho por todo paladar as laterais da boca são bem estimuladas como o 2005. Fico com o 2006! Menos amargor no final. 13% de álcool. Ainda caros R$19.00 no Mercadorama.

PERIQUITA BRANCO 2005
Um vinho bem diferente dos brancos antes provados. Este primeiro português de 2007 lembrou-me um pouco o Gewurz nacional, adicionado de bom frescor. Bem aromático, é "adocicado" no palato e no olfato lembrando, este sim, goiaba. Branco português é tiro certo. 12.5% de álcool. Em torno de R$20.00 no Mercadorama.

Notei que o Santa Helena 2005 e o 2006 possuem sutis diferenças em prol do último. Uma preocupação minha é sempre ressaltar as circunstâncias do vinho, pois companhia, evento e condições de consumo pesam em minhas impressões sobre o bebido.
Do 2006, fui eu quem controlei a temperatura e certamente estava mais baixa que a do 2005. Melhor seria ter feito prova vertical ao mesmo tempo em forma de degustação.
Posto tudo na balança meu escolhido é o 2006.

Adquiri a preço justo (enfim) o Santa Helena Siglo de Oro Chardonnay no Mercado Municipal de Curitiba. Ele é um passo acima em qualidade da linha Reservado. Provarei em breve!

domingo, janeiro 14, 2007

Janeiro de vinhos brancos

O Viva o Vinho! já está chegando na 2000º visita. Isso significa que a média diária gira em torno dos 12 ou 13 acessos. Fantástico. Duas ou três por dia são de retornos e a maioria absoluta vêm do google.
O ano continua em forte rítmo enofílico. Hoje é provável que eu prove mais dois ou três brancos nacionais, portanto vamos blogar os que já ficaram para trás, porque não se percam. Serão 1 nacional e 2 chilenos.

Cosecha Tarapacá Sauvignon Blanc 2005
Considerei o Cosecha um sauvignon blanc atípico. Ele não é frutado nem leve, não lembra a cítricos. Pelo contrário, é adocicado com algum corpo e amargor final. Vinho do chile que não desagrada a todos, mas que perde pontos por ser estranho. 12.5% de álcool. R$13.00 no Mercadorama.

Salton Volpi Sauvignon Blanc 2005
Podemos dizer que a ocasião em que foram provados estes dois foi a Exótica Noite do Sauvignon Blanc. O nacional da sempre confiável vinícola Salton tinha cor palha bem clarinha. O aroma ruma para o mineral. Ele é bem perceptível, mas de difícil descrição. Como foge do tradicional frutado e cítrico, recorri à roda de aromas da Vinho Magazine e concluí que lembra fluído de isqueiro. Quero ressaltar que não é defeito.
Como na boca ele era fresco e limpava bem o paladar, considero muita qualidade. A Salton fez um Sauvignon Blanc diferente que não chega a ser atípico. 11.9% de álcool. R$30.00 no Mercadorama.
Além da Roda de Aromas, fui ao site da Salton para ver o que eles mesmo diziam sobre o aroma. Eles não dizem qual a safra do vinho comentado, mas descrevem seu Sauvignon Blanc como frutado, a cítricos. O aroma diferente que peguei lá se equivaleria ao que chamam de "goiaba". Discordei um pouco, mas essa individualidade é que faz a brincadeira tão divertida.

Santa Helena Reservado Chardonnay 2005
Reclamei em outra publição de ter pago R$30.00 num Santa Helena, eis que aconteceu de novo. Nos restaurantes e cafés esse é o terrível preço, pelo visto.
Vamos ao vinho:
Cor amarela clara, com densidade típica. Aroma com pouca intensidade de abacaxi e mel. Boca amanteigada, com estimulação cítrica nas laterais. No fim, algum amargor. Um chardonnay sem madeira típico e honesto se pago em torno de R$15.00. 12.5% de álcoo. R$30.00 no Café Chef Vergé.

quinta-feira, janeiro 11, 2007

Santa Helena Reservado Cabernet Sauvignon 2004

Nestes dias abafados e húmidos do janeiro curitibano tem feito ótimos fins de tarde. Nesta terça fui à pizzaria Távola Redonda na vizinha São José dos Pinhais para reencontrar bons amigos de outras empreitadas profissionais.
Cheguei no entardecer de horário de verão e já estavam tomando vinho. Era um nacional de uva americana que nem guardei o nome. Infelizmente não havia nenhum branco bebível. A pequena e boa pizzaria não tem boa carta e é caríssimo beber vinho lá. Pior, possui apenas vinhos médios ou fracos que saem muito caros.
Tentei não me decepcionar e pedi por doídos R$30,00 o Santa Helena Reservado Cabernet Sauvignon.
Solicitei balde de água e gelo para que a sopa virasse vinho e o Santa Helena acompanhou bem a pizza.

Santa Helena Reservado Cabernet Sauvignon 2004
Tudo no Santa Helena me lembra cereja. A cor, o aroma e o sabor. Ele é macio e desse bem, com um pouco de amargor no final. Fui fiel ao Santa Helena por algum tempo como o vinho de todo o dia. Houve alguma safra ruim que me afastou dele, onde o álcool ficou muito prenunciado no palato. Agora parece que reencontraram o jeito de fazer um vinho macio e correto que geralmente sai por R$15,00 nas vendas de Curitiba.
Atinje os 80 pontos tranquilamente. Vale a pena conhecer o site da Santa Helena linkado.

Continua a vontade de fazer uma degustação de nacionais brancos baratos. Deve sair semana que vem.

sexta-feira, janeiro 05, 2007

2007 de Muitos Vinhos

Talvez seja maldição da Sidra!!! O Rafael já pediu a postagem das duas que estouramos no ano-novo.
No Rio nem me preocupei com vinho. Passeamos muito, revi grandes amigos cariocas e de toda parte do Brasil e fomos muito bem recebidos por nossos anfitriões do paraná em terras fluminenses.
Quando cheguei em Copacabana para a virada de ano já eram 23:15 e nem pensei em bebida. Estava achando muito tomar no bico ou em copinho de plástico qualquer espumante decente.
Foi quando deu uma louca em mim e no Rafa e compramos por cincão num camelô duas cidras geladas que vieram somar-se com mais uma que já estava na área. Quando do ano-novo, até estouramos com direito a espuma jorrando e tudo. Que beleza!
Os VIPs de Copa e de Ipanema até que detonam bons líquidos em plena rua. Testemunhei garrafas de Veuve Cliquot, Taittinger, Moet & Chandon e Paul Roger.
Quanto aos aromas e sabores dos líquidos, não publicarei porque as garrafas já se encontravam sem rótulo quando às compramos, risos!

Sem contar as ditas, o ano começou muito intenso. No quinto dia de 2007 já tomei seis rótulos. Infelizmente muitos não passaram de razoáveis, algum até bom, porém não há destaques. Nenhuma garrafa de ajoelhar e rezar.
Deve ser a maldição daquelas sidras. Tristemente, terei de abrir um bom vinho conhecido e seguro para dar início às provas de vinho que marcarão 2007.

Aproveito para postar rapidamente os seis já provados para não deixar que passem em branco.

Chateau Luxeuil 2003
Tomei este francês que havia ganho de presente dia 02/01 em casa. Ficara tempo demais na geladeira e pela primeira vez usei o termômetro para aguardar que chegasse a temperaturas melhores.
Ele é um Bordeaux Côtes de Francs. A região fica ao norte do rio Dordogne, afastada de sua margem direira pela região de Côtes de Castillon. Estando 10 km a leste de Saint-Emilion, nem se compara ao Cap de Mourlin já provado por este enobloguista. (mapa)
A cor não me impressionou. Não tinha brilho, era apenas ruby básico. O aroma não era intenso nem tinha grande destaque. Baunilha básica, frutas vermelhas e algum herbáceo. A boca também deixou a desejar, com amargor. 13% de álcool.
O vinho não é tão terrível quanto parece a descrição. O problema é o preço: vinhos na faixa de R$40,00 devem ser de regiões com melhor custo-benefício. Em rápida pesquisa descobri que na Europa sai por três euros. Lá, preço justo.

José de Sousa Mayor 1999
Bem recebidos em casa de amigos tomamos 4 garrafas ontem. Abrimos a noite com Chandon Brut, que manteve sua consistência de alguns anos e estava agradável. Depois tomamos o Quara, um cabernet sauvignon argentino bem desequilibrado que não faria 80 pontos. Teve quem gostou.
Em seguida um Duetto Cabernet Sauvignon - Merlot 2003 da Casa Valduga que levei e não me agradou também. Madeira exagerada e de pouca qualidade a dominar e estragar tudo. Na boca a madeira continua incomodando, acidez e taninos pra lá de estranhos. Menos de 80 pontos. Por R$23,50 é um absurdo! Decepção com a Valduga que faz vinhos bem mais corretos na linha varietal.
Enfim chegou o José de Sousa Mayor, um alentejano feito de maneira diferenciada: pisado em lagares de granito e descansado em ânforas de barro.
O vinho tem boa cor. O aroma é bem equilibrado entre a baunilha e as frutas. A boca é agradável e tem tâninos que ainda podem evoluir, mesmo tendo oito anos. Bem limpa, com menos intensidade aromática no palato, puxando ao mineral. Final tranquilo e de persistência boa, sem amargor. Não chega a elevar às alturas, mas ficaria com uns 85.

Pulenta Estate 2002 Merlot II
Este Merlot de Mendoza decepcionou desde a abertura até este final que estou degustando agora. Sacada a rolha e constatado que o vinho não abria foi para o decanter. Começamos a tomá-lo mesmo com 20 minutos de decanter e nada de abrir. Cor bem escura, prometendo um vinho mais concentrado e elegante. Aromas fechados (que não abriram nunca) de ameixa e chocolate. Na boca tâninos rascantes e excesso de álcool que o aroma já prenunciava. Desequilibrado. Realmente não dava para esperar demais de um merlot argentino. Talvez agrade algum parkeriano; para mim não serve.
14,9% de álcool! Preço desconhecido. Quem sabe 82 pontos.

Neste início de 2007, boa é a leitura do livro "O Julgamento de Paris" sobre a degustação de 1976, que marcou o reconhecimento de novas tecnologias na vinicultura e deu impulso à produção de vinhos melhores no novo mundo.
É interessante ler sobre a paixão dos produtores e as histórias que marcaram a busca pela qualidade nos vinhos na califórnia. Agradeço ao Laércio pelos sempre certeiros presentes literários de natal.

terça-feira, dezembro 26, 2006

DESTAQUES 2006!!!!!!!!

A criação do enoblog Viva o Vinho! em agosto deste ano foi muito legal. Entre as 33 postagens foram comentados 59 rótulos bem variados. Está longe de significar tudo o que bebi no segundo semestre de 2006, mas já permitiu intercâmbio profícuo com enófilos portugueses e brasileiros e cumpriu a missão fundamental de começar a organizar minhas notas de degustação.
O Viva o Vinho! levou-me a cumprir a proposta pessoal de convidar os amigos a tomar vinho e aproximá-los mais deste mundo de aromas e sabores. Basta uma brincadeirinha em nossas degustações e o pessoal já percebe que a aura mítica que alguns criam é puro pedantismo.
Levando em conta que o primeiro semestre inteiro está de fora e não dei conta de blogar o segundo, tomei mais de 300 rótulos este ano. Pura suposição, porém deixemos assim por baixo para evitarmos o risco de errar demais para cima. Um profissional do ramo conta aos milhares suas provas, todavia para um consumidor a média foi boa.
Nesta relação dos meus melhores de 2006 procurei várias faixas de preço e regiões. Não abarca todo o mundo do vinho porque, infelizmente, não tomei de tudo.
Para se ter uma idéia, este ano tomei apenas uns 2 ou 3 uruguaios, 2 africanos, 2 australianos, 2 ou 3 neozelandeses. Nenhum alemão! Nenhum tokai húngaro!
Ausências serão muitas, portanto, neste meu resumo. Posso até cometer alguma injustiça com vinhos provados. O que vale é a honestidade com que tentei expressar aquilo que tomei e gostei. É retrato do que provou um consumidor médio, ficando a seleção dos 24 em menos de 10% do consumido.
Se em janeiro de 2006 alguém me perguntasse o que esperava de Bacco para o ano, de longe erraria. Nem sonhando teria imaginado que tomaria vinhos tão bons. Só tenho que louvar ao patrono da vinha e do vinho pelos líquidos que tenho consumido e pelas excelentes pessoas que os têm acompanhado.
Acredito que 2007 superará este ano que termina em qualidade e quantidade. Que venha!


DESTAQUES 2006

TINTOS ATÉ R$49,99
- Salton Classic Cabernet Sauvignon 2004 - Brasil - R$11,98 - Mercadorama Seminário
- Signos Syrah - Argentina - R$16,90 - Boulevard
- Etchart Privado Cabernet Sauvignon - Argentina - R$15,00 - Mercadorama Seminário
- Cunha Martins Reserva Tinto Dão 2002 - Portugal - R$36,00 - Vino!Batel

TINTOS ENTRE R$50,00 E R$109,99
- Cartuxa 2001 - Alentejo-Portugal - R$65,00 - Vino!Champagnat
- Zuccardi Q 2002 Tempranillo - Argentina - R$50,00 , se adquirido lá.
- Quinta da Alorna Reserva 2003 - Ribatejo-Portugal - R$68,00
- Argiano Rosso di Montalcino 2003 - Toscana-Itália - R$109,00 - Vino!Champagnat

TINTOS ACIMA DE R$110,00
- Burmester Tawny 20 Years Old - Porto-Portugal - R$180,00 - Vino!Batel
- Reciotto della Valpolicella I Castei Campo Casalin - Vêneto-Itália 1998 - R$189,90 - Decanter
- Cap de Mourlin Grand Crus Classé 1998 - Saint-Emilion França - R$? - França
- Domingos Alves de Sousa Reserva Pessoal Douro 2000 - Douro-Portugal - R$287,50 - Decanter
- Argiano Brunello di Montalcino 1999 - Toscana-Itália - R$308,00 Vino!Champagnat
- Pintia 2003 D.O. Toro - Toro-Espanha - em torno de R$200,00 - Villa Marcolini
- Valbuena Vega-Sicilia 1999 - Ribera del Duero-Espanha - em torno de R$450,00 - Villa Marcolini


ESPUMANTES
- Cave Geisse Brut 2003 - Brasil - R$46,00 - Vino!Champagnat
- Cuveé Brut Bellavista - Franciacorta-Itália - R$158,00 - Vino!Champagnat
- Moet & Chandon Brut Imperial - Champagne-França - R$179,00 Vino!Champagnat

BRANCOS
- Villard Expression Reserva Sauvignon Blanc 2005 - Chile - R$45,00 - Boulevard
- Errazuriz Viogner - Argentina - R$ 46,00 - Wine Company
- Paul Blanck Gewurztraminer 2004 - Alsacia-Fraça - R$90,00 - Boulevard
- Cloudy Bay Sauvignon Blanc 2004 - Austrália - R$100,00 - Boulevard
- Schipetto Collio Tokai Friulano DOC 2004 - Friuli-Itália - R$135,00 - Expand
- Muros de Melgaço Alvarinho 2004 - Vinho Verde-Portugal - R$124,00 - Boulevard

Terrozo 2001 - 24/12/2006

Fico feliz que o Rafael tenha voltado à ativa. Como está em Curitiba, intimei-o a assumir o posto de ombudsman do blog e ele já se considera o crítico oficial. Suas tiradas são excelentes e o enoblog não é o mesmo sem seus comentários.
A Juliana esteve aí cobrando a publicação da champagne, mas ainda está devendo sua opinião. Recobro!

TERROZO DOURO DOC 2001
O Terrozo é um bom Douro DOC feito de Baga de Touriga. Provado no meio do ano em degustação fez o maior sucesso. Limpamos a Vino!Batel na ocasião.
Este reencontro com ele foi para dissipar meu ceticismo em beber vinho com carne de churrasco e confirmar o bom desempenho daquele dia. Encomendamos costela e cupim e forcei a barra em tomar este 2001 que já estava 6 meses deitado.
Decantado imediatamente após aberto, foi consumido com uma hora de descanso. Se a cor não era de vinho envelhecido, apresentou alo aquoso para testemunhar a idade.
Começou com madeira marcante, porém agradável. Aroma de baunilha típica do carvalho francês. Na boca estava bem seco e balsâmico, excelente para "limpar" a gordura da carne.
Com o tempo os aromas frutados cresceram, especialmente de cerejas em calda. A boca também evoluiu, revelando taninos interessantes e especiarias.
A prova foi muito boa e me convenceu de que vinhos estruturados e tânicos vão com carne. Os Malbec e Tannat do novo mundo que me aguardem.

terça-feira, dezembro 19, 2006

III Degustação Viva o Vinho - Resultados

Infelizmente não "blogo" com a freqüência que gostaria em função dos muitos compromissos, até porque não sou viciado na internet. Pretendo continuar blogando ainda que devagar, porém sempre.
Muitos vinhos foram bebidos desde agosto e nem todos vieram para o Blog. Estou devendo muita coisa que pretendo atualizar. Minha pré-pauta antes de lançar o blog era extensíssima e continua quase a mesma. Se abordei alguns assuntos, surgiram outros. O consolo é que tem conversa para muito tempo.
Nem os ótimos italianos tomados no primeiro semestre consegui buscar.
De qualquer forma, o blog está crescendo cheio de vida. Esta semana bateu a média recorde de acessos: 17 por dia até aqui. Acredito que muitos internautas estão a procura de dicas para as compras de Natal e Ano Novo.
Fica já a promessa de uma relação com o que de melhor foi provado em 2006!
O ideal agora é atualizar os acontecimentos do dia 13 último e torcer para que noites tão memoráveis se repitam.
Fico no aguardo dos comentários da Juliana, que esteve na degustação e já cobrou a publicação. A contribuição de todos é fundamental.

ESPUMANTES - VINO!CHAMPAGNAT - 13/12/2006
Com o calorzinho que vinha fazendo em Curitiba a noite era propícia para espumantes. Marcamos a degustação para o sofá do subsolo da Vino!Champagnat. É a charutaria da casa, mas qualquer incômodo com algum resquício de aroma de charuto é compensado pelo conforto das instalações.
O plano era uma noite divertida e informal. Registrar as impressões dos vinhos, mas sem dar notas objetivas. Havia pré-escolhido alguns rótulos para ir abrindo, objetivando um custo médio de R$30,00 por pessoa.

MARGOT EXTRA BRUT
Como entrada pedimos em taça esse espumante argentino. Ele estava fora dos planos, mas como estávamos a aguardar os demais começamos pelo vinho do dia.
Cor amarela e borbulhas grandes. Aromas frutados de pêssego e maçã. Boca macia, simples e correta, provavelmente com mais Chardonnay. No final tem amêndoa e cítrico. Boa sensação de agulha na língua. Dica: tome nacional. 12,3% de álccol
R$8,00 a taça (R$34,00 a garrafa)

CAVE GEISSE BRUT 2003
Como primeira garrafa oficial abrimos um dos melhores espumantes nacionais. Consistente ano após ano, não decepcionou. Tinha excelente bolhas finas e numerosas. Cor bem clarinha, palha. Aroma complexo com frutas maduras, frutas secas e bolacha de maizena. Na boca seco, com alguma cremosidade. Excelente acidez, agrada, belíssimo exemplar nacional. 12% de álcool
R$44,00

MOET & CHANDON BRUT IMPERIAL
Conversa vai, conversa vem. Aquele papo de quem bebeu Veuve Cliquot ali, quem bebeu aqui, surge a boa idéia boba: Vamos tomar uma?
Ninguém se opôs ao custo mais alto, mas aí exigi que tomássemos outra que não fosse a "Viúva". Decidimos por esta outra blockbuster.
Absurda intensidade aromática. Nem prestei atenção aos aspectos vizuais direito tamanha a força olfativa. Mineral a enxofre, animal. Muito complexa. Não tenho dúvidas de que a Moet está muito melhor que a Veuve. Impressionou a todos.
Mais aromas: Noz moscada, fruta a maçã? quem sabe? Com o passar do tempo ainda apresentou algum aroma mais para o tostado e amêndoas.
A boca é deliciosa. 12% de álcool
R$179,00 muito bem gastos!!!

PROSECCO RUGGERI DOC
Era para ficar na Moet, contudo o pessoal estava animado e resolveu tomar mais um Prosecco. Covardia prová-lo depois de um Champagnet francês.
Tentando esquecer a Moet (como esquecer?), é um estilo completamente diferente. Cor transparente e bolhas finíssimas. Muito sutil e delicado no aroma, floral. Boca bem adstringente e cítrica para o limão, também floral. Muito diferente, inclusive, do espumante nacional. Refrescante.
R$55,00

Foi ótimo ter provado um bom nacional e um champagne na mesma noite. Só não deixarei mais a turma tão solta porque, ao convidar, estimamos um custo e seria errado sempre extrapolar. Nossos eventos devem ser mais didáticos do que um desfile de vinhos top e devem objetivar o conhecimento do mundo do vinho sem excluir demais pelo preço. Já planejo a primeira de 2007 com vinhos brancos do novo mundo aproveitando o calor surpreendente em Curitiba.

terça-feira, dezembro 12, 2006

III Degustação Viva o Vinho! - Espumantes

Nesta época de fim de ano o blog aproveita para organizar a degustação de espumantes.
Não quero degustação muito técnica. Esse período de festas chama a organizar um evento mais "efervescente".
Como não pode deixar de ter caráter educativo, compilei breve material sobre a produção dessa obra comparável a "beber estrelas":


EFERVESCÊNCIA

Os vinhos espumantes têm sua imagem associada a festas e a comemorações. São eles que acompanham o ano-novo, o podium de competições esportivas e até o lançamento de navios ao mar.
Sua efervescência vem do gás carbônico que fica preso no líquido durante os processos de fermentação.
O método clássico Champenoise – foi desenvolvido na região de Champagne, na França. Lá os vinhos já preparados costumavam voltar a fermentar no calor da primavera e ganhavam naturalmente a espuma. Era sinal de defeito no início, mas essa característica peculiar acabou atraindo o interesse dos apreciadores e se tornou o grande trunfo da região.
É tão recente a valorização do Champagne na história do vinho que só se tornou moda depois que foi adotado pela corte do duque de Orleans, no século XVIII. Atribui-se ao monge Dom Pierre Perignon o primeiro grande desenvolvimento das técnicas de produção da região, ainda no século XVII.

MÉTODO CLÁSSICO

O método clássico consiste em engarrafar um vinho tranqüilo junto de uma solução de açúcares e leveduras chamada licor de tiragem. As leveduras atacam os açúcares e os transformam em álcool e gás carbônico. Um defeito do processo é o depósito das leveduras junto ao vidro. A jovem viúva Nicole Barbe Ponsardin, proprietária da Maison Clicquot, foi quem criou a remuage, processo pelo qual se gira a garrafa diariamente e muda-se o ângulo em que se encontra para que os depósitos lentamente desçam para o gargalo.
Em seguida é feita a degola, que consiste na retirada desses depósitos, e é acrescentado o licor de expedição para ocupar o espaço vazio deixado pela degola. É o licor de expedição que definirá a quantidade de açúcar final de um espumante.

MÉTODO CHARMAT


O engenheiro francês Eugene Charmat desenvolveu um método industrial onde a segunda fermentação acontece em cubas de inox sob controle total de temperatura, de pressão e dos processos de fermentação das leveduras. Mais prático e barato, infelizmente este método acaba gerando vinhos menos complexos que o champenoise, valorizando ainda mais o trabalho artesanal.

PALAVRAS

Ainda que um vinho seja feito pelo método clássico, ele não poderá ostentar o nome Champagne ou Método Champenoise em sua comercialização. São nomes exclusivos dos vinhos feitos em Champagne. Quaisquer outros vinhos efervescentes no mundo só poderão ser chamados de espumantes. Algumas outras regiões demarcadas em outros países também tentam proteger seus nomes como Prosecco, Asti, Francia Corta e Cava.

FONTES

LAROUSSE. Larousse do Vinho.
SANTOS, Jose Ivan. Vinhos – O Essencial.

domingo, dezembro 10, 2006

II Degustação Viva o Vinho!

Aproveitamos a excelente recepção que Rogério e Eleandro do Tatibana nos proporcionaram e continuamos nossa saga propondo o
DESAFIO VINHO VERDE E COZINHA ORIENTAL
para amigos do enoblog.

Republico a pesquisa sobre essa região lusitana:

DOC VINHO VERDE
A Região dos Vinhos Verdes fica ao Noroeste de Portugal, também conhecida como Entre-Douro-e-Minho devido aos rios que a limitam ao Sul e ao Norte. À Leste, uma cadeia de montanhas a separa das regiões vinícolas do Douro, do Porto e de Trás-os-Montes. Sua delimitação foi estabelecida em 1908 e a demarcação aconteceu em 1929. Possui 6 subdivisões: Monção, Lima, Basto, Braga, Amarante e Penafiel. A cultura gastronômica da região inclui pratos exuberantes com Lampreia, Galo, Caldo Verde (repolho e batata), Sardinha e Porco.

UVA E VINHO
Tradicionalmente são 3 métodos de plantio das parreiras:
- “Uveira” ou “Vinha-de-enforcado”
– Planta-se uma ou mais parreiras próximas a outras árvores e permite-se que a parreira se entrelace à árvore, enforcando-a.
- Feixes de arames entre árvores.
- Latada. Com a modernização do cultivo as melhores vinículas os substituíram pela espaldeira.
Uvas brancas: Alvarinho, Loureiro, Trajadura, Avesso, Azal-Branco, Batoca e Pedernã (Arinto).
Uvas tintas: Rabo-de-ovelha, Azal- Tinto, Borraçal e Pedral.

O vinho verde costuma ser ácido e ter graduação alcoólica entre 8º e 11º . Os tintos são muito difíceis e apreciados apenas na própria região, podendo acompanhar bacalhau e refeições mais fortes. O branco é o grande destaque combinando com mariscos, frutos-do-mar e peixes. Sua produção é feita em duas fermentações. A primeira é alcoólica e a segunda é malolática. O gás residual, que dá o efeito de agulha, é resultado da segunda fermentação incompleta. Após engarrafados devem ser tomados imediatamente, no máximo um ano após produzidos. Os Alvarinhos da região de monções agüentam mais por ter mais estrutura, álcool e corpo. Podem ser tomados com três anos de idade.

VINHO VERDE E COZINHA JAPONESA

O autor Saul Galvão já destacou que o shoyu é dificílimo para combinações, porém exigiria champagne ou espumantes ácidos. A SBAV-SP testou a combinação de vinho verde com pratos orientações e segundo Beatriz Marques do “Basílico”, que esteve na degustação da SBAV, é uma boa alternativa aos champagne em função da acidez e do preço.

REFERÊNCIAS
LAROUSSE. Larousse do Vinho.
SAUL, Galvão. Guia de Tintos e Brancos.
SANTOS, José Ivan. Vinhos: O Essencial.


LINKS
Basilico
Sapo PT
Vinho Verde - site oficial da DOC
SBAV-SP

Vamos aos Vinhos:

CASAL GARCIA
Praticamente sem cor, transparente. Considerei o aroma muito fraco. Vinho fresco e frutado. Boa sensação de agulha na boca. Os presentes o consideraram suave, apresentando limão, maçã e fósforo (algo mineral). Foi considerado o que melhor harmonizou com sushis e sashimis, inclusive por membro da confraria BaccoUbriaco presente que havia provado outros 4 Verdes em outra ocasião. 10,5% de álcool.
Minha subjetiva seria 83, mas não é demérito nenhum por R$20,00. Disponível na Distribuidora de Bebidas do Batel.

MUROS ANTIGOS ALVARINHO - 2005
Cor amarela e sem borbulhas, ao estilo Anselmo Mendes. Muito aromático, intenso. Bem frutado lembrando manga. Com o passar do tempo aparece o maracujá. Muito ácido na boca, é estimulante e sutil. Demonstra estrutura agradavelmente atípica para Verdes e amanteigado da fermentação malolática mais desenvolvida. Tem boa permanência e apresenta sabor de abacaxi maduro.
Os amigos ainda destacaram sua complexidade e encontraram aromas de guaraná, erva-doce e lavanda. Discordando de mim, houve quem considerou sem graça no palato. 13% de álcool.
Minha subjetiva: 87. R$86,00 no Boulevard.

Vinho Verde - 20/11/2006 - Tatibana

Esteve aos meus cuidados a degustação de Vinho Verde da Confraria BaccoUbriaco, dando continuidade ao nosso tour pela Península Ibérica.
Fizemos no restaurante de cozinha oriental Tatibana com a proposta de pontuar os vinhos e, em seguida, verificar a possibilidade de harmonização com sushis e sashimis. Vamos aos Vinhos:

MUROS ANTIGOS LOUREIRO - 2005
Este vinho mais simples não nega o estilo do produtor Anselmo Mendes. Quase sem agulha, bem claro. Aromas de maçã-verde e pêra. Apresenta um final de boca amanteigado. Foi considerado o best-buy da noite por não apresentar grandes defeitos e ter o menor preço de todos. Preferi este aos de preço um pouco maior porque a sensação de acidez foi ótima e vejo relação clara com os aromas cítricos que encontro nos Sauvignon Blanc (meus brancos preferidos).
12% de álcool.
Pontuei 86. BU 83,28. R$37,00 no Boulevard.

VARANDA DO CONDE - 2005
Este corte de Alvarinho e Trajadura feito pela PROVAM tinha agulha mediana e cor mais para o amarelo. Apresentou aromas de pêssego e a acidez puxou para o limão. Alguém da confraria achou kiwi e floral. 13% de álcool.
Pontuei 84. BU 83,85. R$42,00 no Boulevard.

MUROS DE MELGAÇO - 2004 ALVARINHO
Este 100% Alvarinho da região de Monções feito pelo Anselmo Mendes realmente é um dos tops da região. Na cor era amarelo para dourado. Sem qualquer agulha, o mais ácido e mais aromático de todos. Em sua produção são utilizadas barricas de carvalho, o que é inusitado. Aromas de maracujá e manga. Alguns confrades levantaram mel, abacaxi maduro e damasco, ítens que também o podem descrever. Um estilo muito próprio de fazer Verdes. 12,5% de álcool.
Minha maior nota de brancos: 91. Uma das maiores da BU: 89,33. R$124,00 no Boulevard.

Além dos 3 que foram degustados, optamos por abrir a quarta garrafa que estava na reserva, mas só aguardando para entrar em campo. PORTAL DO FIDALGO é um alvarinho 2005 da PROVAM também. Estava muito gostoso e é ótima opção de alvarinho por um preço menor.
A impressão geral foi muito boa dos Vinhos Verdes. A acidez o torna candidato para harmonização com comida oriental, porém a conclusão dos confrades é que por preço menor é possível pedir um espumante nacional.
O objetivo destes vinhos refrescantes no fim foi cumprido, visto que devem ser estimulantes e alegres. Em dias quentes com frutos do mar cairão sempre bem.

quinta-feira, novembro 30, 2006

Cartuxa 2001

O Cartuxa 2001 vem do corte de várias cepas típicas potuguesas do Alentejo. Está prontíssimo e é maravilhoso.
Um vinho elegante e equilibrado. É suave e delicado. No nariz apresenta aromas frutados e de especiarias, com presença sutil da barrica lembrando a baunilha.
Harmoniozo e de boa estrutura, é agradável companhia para a noite toda. Um estilo que me agrada e recomendo.
Não é à toa que é irmão mais novo do Pêra Manca.
Foi consumido na Vino!Champagnat, infelizmente sem decantação. 13,5% de álcool
Subjetivamente 87 ou 88. Custo R$65,00. Vale muito mais!!!!