segunda-feira, maio 24, 2010

Em defesa da pluralidade

As diferentes cepas de uva são patrimônio da humanidade e precisam ser preservardas. Isso significa manter a produção dos vinhos das diferentes variedades para que os possamos provar.
Não sou da turma ebc - "everything but chardonnay" - até porque os chablis são fantásticos e há grandes obras de arte nos EUA, mas sempre fico muito animado em provar castas diferentes.
Portugal é a referência na preservação da cultura local, mantendo alguns vinhedos antigos com as parreiras misturadas. Recentemente, tomei um branco com Arinto, Fernão Pires, Rabo de Bode e etc. Os nomes são excelentes.
Na postagem de hoje, todavia trago um espanhol e um italiano com uvas menos famosas, ambos acessíveis no preço.

MATILE PINOT GRIGIO 2008
A uva Pinot Griogio é engraçada, pois à rigor é tinta. Ela foi desenvolvida pelo cruzamento da Pinot Blanc com a Gewurztraminer e o grigio do nome no francês é gris, que significa cinza. Vinifica-se em branco pela separação imediata das cascas, já na prensagem.
A região mais tradicional da vinificação em branco é o Norte da Italia, porém o Matile é feito na Umbria. Vinho palha translúcido, apresenta aroma fesco e agradável de frutas mesclado a certo perfume. A boca é seca e fresca, com boa acidez. Aparece algum desequilíbrio alcoólico e adstringência. Nada que comprometa, contudo, a relação qualidade/preço esperada para a faixa.
Um boa forma de provar essa peculiaridade do mundo do vinho sem gastar muito. R$25,00 na Lidador Copacabana. VV!83

ARTERO MACABEO 2008
Este vinho é de La Mancha, região logo ao sul de Madrid, que tem Toledo entre suas cidades conhecidas. O popular personagem Don Quixote também comunga suas origens na região.
A uva Macabeo tem largo uso na Espanha, porém é mais conhecida pela presença nas Cavas do que como variedade de vinho tranquilo. Este Artero 2008 tinha cor dourado brilhante para mim. Aromas florais e perfumados e algum peso em boca, com leve picância no paladar. É um vinho correto que agradou em sua faixa de preço. R$30,00 na Lidador Copacabana. VV!84.

4 comentários:

Gil Vesolli disse...

Obrigada pela visita e pela palavras que me fizeram sentir um pouco melhor. Meu coração é totalmente defensor das castas impronunciáveis, diferentes, estranhas ou esquisitas.
O vinho silenciosamente nos ensina a tolerância e a coexistência e nada melhor que praticar isso com as pessoas e com os vinhos!
Abraços.

Elmo disse...

Leonardo, como anda o bafo dessa cidade quente pra dedéu? Parece que vai fazer frio no Rio esse ano, vai morrer gente congelada a 20 graus, cuidado! rs. Quanto á sua moção pública de defesa das castas minoritárias (de uvas, não sociais, ufa), dou meu apoio. Assino aonde? Abraço. ELMO

Vinho para Todos disse...

Prezado Leonardo, boa tarde!

Segundo nosso rodízio da CBE a escolha do vinho de julho (postagem para 1º/07) cabe ao Chiquinho Badaró, do blog Vinhos e Vinhas.

Mas enviei e-mail a ele no dia 1º e até o momento não tive resposta. Ele deve estar um pouco afastado do blog.

No dia 5 enviei mensagem ao Igor Fernandes (blog DegustEno), o próximo da lista. Também não recebi resposta.


Assim, como não podemos esperar muito, peço que você faça a indicação, pois é o próximo da lista.

Caso os dois convidados anteriores se manifestem, invertemos a ordem da lista e ele indica para agosto.

Pode ser?

Aguardo sua indicação.

Abraço.

Laércio disse...

Viva a diversidade.
Viva a pluralidade.