segunda-feira, dezembro 22, 2008

Terranova Blanc de Blancs Charmat

A linha Terranova popularizou o ensolarado Vale do São Francisco no mundo do vinho. Assim como no RS, a Miolo declara o ano da tiragem das espumantes do NE no envólucro. Atitude ética, para que saibamos se não estamos comprando garrafas muito antigas. A Confaria Brasileira de Enoblogs propõs que neste mês de dezembro provássemos espumantes acessíveis da escolha de cada blog. Já estamos no segundo (vide Salton Moscatel) e vamos tomar outros, com certeza.
Esta Blanc de Blancs era de Tiragem 2008, ou seja, do ano. A vinícola justifica o corte diferente de Chenin Blanc, Sauvignon Blanc e Verdejo pela boa adaptação dessas uvas a regiões de muita ensolação. O espumante tem cor amarelinho palha e pérlage média. Ao abrir demorou um pouco para sentir os aromas, pois estava fria demais. Espumantes brut não necessitam ser servidos ultragelados. Quando encontramos com os aromas, apresentou fermento e citricidade.
No paladar, tinha discreta cremosidade. Era adstringente, com nozes e fermento. Espumante adequada ao seu preço. 12% de álcool. VV!81. R$16,99 no Festval Água Verde.

sábado, dezembro 20, 2008

Salton Moscatel

Vamos provar mais esta moscatel para comparar com outras degustadas no passado.
Cor palha meio acizentada. As bolhas duraram pouco, apesar de ser Lote 08. Aromas de intensidade média. Para mim, moscatéis lembram gengibre em geral. Aqui, em Curitiba, há uma fábrica de refrigerantes que faz a gengibirra e as semelhanças são grandes.
Além de gengibirra, lembrou maçã. Vale a pena sentir o cheiro de um sachet de chá de capim cidreira, parece que a Santon Moscatel foi feita do chá.
A falta de borbulhas é sentida no paladar também. É bem doce e falta acidez para compor. É necessário servir BEM GELADA para a doçura e a falta de acidez serem compensadas pela temperatura. Esta moscatel não sobreviveu à análise técnica, mas não é de todo ruim. 7,5% de álcool. VV!74. R$15,40.
A primeira moscatel que tomei foi a Terranova. Àquela época, empolgou pela intensidade dos aromas. Com o tempo, passei a achá-la meio enjoativa, um perfumão. A Salton é um pouco melhor. Entre as nacionais que provei, fico com a Aurora Moscatel por ser mais delicada.

sábado, dezembro 13, 2008

Noite dos Sonhos

Quando pensava em Château D´Yquem, nunca imaginava que provaria tal botrytizado mitológico tão cedo.
Agora, imaginar que degustaria na mesma noite Vega Sicília "Único", Mouton Rothschild e Château d´Yquem não estava em meus devaneios mais absurdos.

Felizmente pertenço a um grupo de ousados amantes do vinho. A Confraria Bacco Ubriaco tem evoluido passo-a-passo nesses 5 anos e meio de vida. Estou certo de que nosso Presidente - a divindidade clássica responsável pela mágica transformação de uvas em vinho e pelos plácidos efeitos do álcool - tem muito orgulho destes confrades que apreciam a arte da boa bebida e da boa gastronomia.
Fomos, mais uma vez, muito bem acolhidos no Edvino e agradecemos ao sommelier Ewerton Antunes e equipe pelo sempre impecável atendimento. Sem esses profissionais dedicados certamente não poderíamos curtir plenamente tais presentes de Bacco, em noite na qual o Viva o Vinho! emplacou pela segunda vez líquidos de mais de 93 pontos (quatro de uma vez só!!!), sem contar o Haut-Brion de 2007 que não foi avaliado em nota.

CAVE GEISSE BRUT CHAMPENOISE 2005
Mesmo antes de ingressar na Bacco Ubriaco, quando era solitário nos estudos enológicos, já considerava Cave Geisse o melhor espumante nacional que conhecia. Essa garrafa com expedição em 2005 foi para confirmar mais uma vez que é produto de excelente qualidade e pode competir com os melhores do mundo. Não esperava encontrar um espumante nacional de 2005 inteiro ainda. Temos de começar uma campanha: "Abaixo às Cavas, Chega de Prosecco. Temos Cave Geisse".
Brincadeiras a parte, vamos ao vinho: Borbulhas finas e abundantes. Aroma intenso e excelente, como sempre. Notas amendoadas, de fermento e de pão. É macio em boca e, ainda assim, tem ótima acidez. Final correto, com excelente mineral. Sou fã! R$62,00 no Edvino. VV! 90.

VEGA SICÍLIA "ÚNICO" 1990
Tive o prazer de tomar a garrafa Magnum Nº001331. Como discordar do nome? Este "Único" da Ribera del Duero só é engarrafado em anos especiais. Quando não atinge os requisitos mínimos de qualidade é lançado somente o Valbueña 5. Nos anos em que é "Único", a primeira garrafa é solenemente entregue ao rei da Espanha.
Entre as particularidades de sua produção, não recebe um tratamento apenas. Enquanto envelhece em contato com o carvalho, pode passar por várias qualidades diferentes de madeira e pode ser trasfegado de tanques grandes para barricas de 225 L e retornar aos tanques tantas vezes quantas os enólogos considerarem pertinentes para conseguir a personalidade desejada. Grandes safras: 1994, 1990, 1986, 1979, ...
Ele estava belíssimo. Ninguém diria que é um vinho de 18 anos!!! Ruby ainda brilhante, com alo. A intensidade vai aumentando, abre bem tabaco. Grande aroma com especiarias, frescor e geléia de fruta que vai ficando cada vez mais doce.
Boca com bela acidez, maciez elegante e final longo incrível. Tem um calor no início da prova, mas que não deixa qualquer amargor, apenas revela a potência e a estrutura. 13,5% de álcool. R$3000,00 na In Vino Veritas. WS 95. RP 95. VV! 95.

MOUTON ROTHSCHILD 1994 AOC PAUILLAC
Um dos 5 Premieurs Crus da classificação de Bourdeux (Médoc) de 1855. Aliás, o único que foi incluido após 1855, elevado apenas em 1973. Muitos acreditam que tenha ficado de fora em 1855 porque o Château Mouton Rotschild tinha passado para controle de capital inglês. Foi o primeiro Château da região a engarrafar uvas próprias, "mis en boteille au château". Tem a bela tradição de estampar nos rótulos de cada safra uma obra de artista contemporâneo. Nossa garrafa foi agraciada por arte do pintor holandês Apel.
Entre as características da produção, destacamos que o vinho é feito em tonéis de carvalho e depois envelhece em barricas também produzidas no próprio château.
Comparando as duas estrelas tintas da noite, confesso que prefiro o Mouton ao Vega. O francês nem é de grande safra, mas mesmo assim tinha um paladar fantástico, delicado, complexo, muito mais ao meu gosto: menos bombástico e mais estiloso. E olha que 1994 foi safra somente mediana para os parâmetros de Mouton Rothschild. Dá para imaginar o que devem ser os excepcionais: 2000, 1996, 1989, 1988, 1986, 1982, 1976, 1961, ...
Belo brilho, pequeno alo e muita geléia. Demorou muito a abrir, mas nos revelou defumado, cassis, pimenta preta e fumaça doce. Boca delicada, deliciosa, com leve mineralidade que marca a complexidade gustativa. Excelente permanência. 12,5% de álcool. R$1350,00 no Edvino. WS 91. RP 91. VV! 94.

MANOIR DE GAY 2004 AOC POMEROL
Um pouco mais claro, com cor mais rosada, bem diferete dos Merlots do cone sul-americano. Aroma delicado, floral, morango. Paladar agradável e fresco, mas com taninos ainda vivos, que denotam mais um tempo de guarda. Não quero dizer que não está pronto, pelo contrário, pode ser bebido ou guardado. R$260,00 na Vino! Batel. WS87. VV! 90.

CHÂTEAU FOMBRAUGE 2001 AOC SAINT-EMILION
Em Saint-Emilion o corte de Cabernet Sauvignon, Merlot, Cabernet Franc é clássico. Pode-se encontrar algum percentual de Malbec, às vezes.
Cor bem mais escura. Aroma de ameixas pretas muito bem amalgamado na madeira. Ótima intensidade e bem complexo, com algo de terra molhada. Boca agradável, com excelente corpo e certo mineral. WS 91. VV! 93.

CHÂTEAU D'YQUEM 1998 AOC SAUTERNES
O sudoeste da França é uma das regiões do mundo onde as uvas brancas são atacadas pelo fungo Botrytis Cinerea. Ele afeta a casca fazendo micro-furos que deixam escapar água do fruto, restando o sumo concentrado. Os vinhos feitos dessas uvas mais doces ganham complexidade e qualidade. Sauternes é a região emblemática do estilo e o mítico Château d'Yquem reina único na classificação como Premier Cru Supérieur. Envelhece bem por décadas e, nas melhores safras, pode chegar aos 100 anos em condições de ser apreciado.
O dourado é realmente belíssimo. Remete a ouro imediatamente. Aroma de flores, frutas, mel, baunilha, chocolate branco. Tem um queimadinho que lembra o brullée. Grande permanência, doce sem excessos, elegante. Delicado pesinho em boca, com baunilha. Honestamente, esperava muito mais de um vinho tão cultuado, mas vale destacar que este tem "apenas" 10 anos de vida e 98 não foi safra excepcional. Algumas grandes são 2001, 1989, 1983, 1976, 1967, 1959, ... 13,5% de álcool. US$320,00 na França. WS 89. VV! 94.

sexta-feira, dezembro 12, 2008

Degustação Secreta

Fui convidado para provar em primeira mão alguns vinhos inéditos que devem chegar ao Brasil no ano que vem. Além de SECRETA, era também ÀS CEGAS a degustação.
Nosso anfitrião serviu-nos os líquidos sem mostrar o que estávamos bebendo e aproveitou para comparar os novos produtos do mercado com semelhantes já bem conhecidos, afim de perceber nossa impressão das novidades. Tenho a dizer que os argentinos do ALTO VALLE DEL RIO COLORADO, da região Las Pampas, chegarão bem situados no mercado nacional. Não posso dizer nem onde, nem como, nem quem... só não fui proibido de contar que degustei chardonnay e cabernet franc da BODEGA DEL DESIERTO.

PULENTA CHARDONNAY 2006
Palha bem clarinho. Abre para aroma bem frutado, tropical, fresco. Não considerei tão típico. Boca siples, fresca, ácida, porém muito agradável. Pouco corpo e zero lácteo. Esperava mais maloláctica de um Char argentino. 14% de álcool. R$49,00. VV! 85.

BODEGA DEL DESIERTO 25/5 2006 CHARDONNAY
Cor Palha. Aroma de abacaxi ultra maduro. Lembrou o chá de cascas de abacaxi que minha mãe fazia para tomarmos gelado. Algum milho também. Aroma pouco intenso, mas interessante. Boca com leve untuosidade, com maciez elegante e alguma fruta. Entre os 3 Char, este foi o meu preferido, ainda que em nota objetiva tenha sido o segundo. Ele é mais equilibrado e completo que os demais. Ainda não disponível no Brasil, mas por volta dos R$50,00. WS 88. VV! 86.

LUIGI BOSCA CHARDONNAY RESERVA 2006
Aromas mais lácteos no início, que se vão perdendo com o tempo. Mais amanteigado, baunilha. É mais o que espero em Char argentino. Boca mais para o milho. Soube que tem alguma passagem por carvalho. 13,5% de álcool. R$60,00. VV! 87.

BODEGA DEL DESIERTO 25/5 CABERNET FRANC 2005
Ruby clássico. Aroma de cereja, especiarias e boa acidez. Boca bem seca e tânica, típica de Cabernet Franc. Pesquisando na Wine Spectator depois, constatei que citam também azeitona preta no aroma, conferindo com uma impressão que tive, mas que foi difícil de definir. Por volta dos R$50,00. WS89. VV!85.

Os Cabernet Franc terão difículdades específicas em encarar o mercado nacional por dois motivos: 1) não estamos acostumados ao varietal 100% e 2) acredito que Cab Franc é para o corte bordalês mesmo. É um vinho com aroma bem complexo e instigante, mas, ainda que revele estrutura elegantíssima, seca muito o paladar.

D. O. CABERNET FRANC VALLE DEL MAULE 2003
Cor ruby clássica. Este Cab Franc chileno tem madeira mais elaborada que o primeiro e aroma ainda mais inteso de cereja, boa acidez, espécias, é mais frutado e tem algo de resinoso ou químico. Boca também tânica, como já era esperado. 14% de álcool. VV! 87.

quarta-feira, dezembro 10, 2008

EDVINO - Bar de Vinhos, Restaurante, etc.

Para uma ocasião muito especial, eu e minha esposa escolhemos jantar no Edvino. Bar de Vinhos com excelente ambientação, decoração detalhista e grande adega, muitos disponíveis em taça. Atendimento personalizado e cozinha de primeira. Mesmo aqueles pequenos detalhes que fazem toda a diferença estiveram presentes nessa noite quase perfeita.

Os pãezinhos do couvert não empolgaram, mas tem um charminho extra servi-los após o consommé. Para nossa entrada, pedimos dois brancos bem diferentes em taças para brincarmos. O argentino Crios Torrontés era perfumado e tinha aroma de lichia, com boca mais pesada, em um estilo com o qual me venho acostumando para esta uva. Em contraste, estava o riesling alemão Anselmann Trocken Qba. Vinho simples, de cor acinzentada, algum cítrico que lembrou limão. Um patamar acima em qualidade na comparação, bem mais elegante que o primeiro.
Os 40 rótulos disponíveis em taça são suficientes para divertir-se muito com isso. Ao invés de pedir uma garrafa, você pode ir pedindo duas ou três tacinhas e curtir uma experiência divertida, como uma degustação. Pode-se provar uvas diferentes, regiões diferentes, harmonizações, ..., tudo na mesma noite.
Para nosso prato principal, porém, solicitamos uma garrafa de Rosso di Montalcino Camigliano. Vinho elegante, com aroma de especiarias no início, doce fruta a cereja, notas de café e um certo defumado. Acompanhou explendidamente os Mignons que pedimos da ótima cozinha do Edvino. Ainda que nos tenham sugerido ao ponto (e já estava delicioso) voltarei para prová-los mal passados, pois não tem nada melhor do que um coração de Mignon tostado por fora e suculento por dentro.
O restaurante possui ambientes muito agradáveis, em geral com meia-luz. O deck não me agradou, mas o jardim de inverno é bem gostosinho. Quem fuma (ou necessita acompanhar fumantes!!!) tem a opção de ir à charutaria, mas bom mesmo é ficar bebericando seu vinhozinho no charmoso jardim, a meio-passo da mesa.
Consumido o Camigliano, era hora de uma sobremesa e um líquido doce. Pedimos um brigadeiro com café e pistache. Jogo de sabores incríveis, que arrancava suspiros a cada colher, mas que não combinava em nada com Château Ramon AOC Monbazillac. Primeiro, curtimos o doce, depois, foi a vez desse excelente botrytizado. Mais fresco e frutado que um Sauternes, apresentou algum floral, melão, maracujá, erva-doce, própolis e a doce baunilha. Que complexidade!
Já podiamos dar a noite por encerrada, mas o sommelier Ewerton Antunes ainda guardou uma arma secreta para o final: Ofereceu-nos uma taça de madeira Justino´s 10 Anos, o que podia passar por uma sugestão simples depois do Monbazillac, mas a combinação com queijo de cabra foi arrebatadora. O Madeira é um vinho forte, que ataca muito, e o queijo cumpriu a missão de fechar um pouco o centro da boca para que se realçasse mais as qualidades do fortificado. Uma experiência nova e marcante que deixou uma impressão final intensa.

Edvino - Bar de Vinhos, Restaurante e etc.
Alameda Presidente Taunay, 533
Ali na paralela à Praça Espanha.
41 3222-0037
Curitiba

quarta-feira, dezembro 03, 2008

Argento Reserva Bonarda 2007

Este é o vinho escolhido para a Confraria Brasileira de Enoblogs em Dezembro. Coube a mim indicá-lo e optei por uma uva que a confraria ainda não havia provado.
Este argentino tem cor ruby com alo rosado. Na primeira impressão, já mostrou aroma agradável de especiarias com ameixa. Com o tempo, vai ficando mais frutado.
Na boca tem corpo médio. Boca ácida de ameixas vermelhas, com tanino bem seco e final correto, sem qualquer calor ou amargor.
Essa acidez da Bonarda argentina me tem agradado e continuo considerando este vinho um ótimo custo-benefício. 13% de álcool. R$19,33 no Condor Boa Vista (é possível achar por menos em Curitiba). VV! 83.

quinta-feira, novembro 27, 2008

Travessia Moscatel Semillón 2007

Este vinho chamou a atenção na prateleira do supermercado pela composição que a Concha y Toro testou no Chile: Semillón e Moscatel.
A cor é amarelo com tom bem verdeal. O aroma tem boa intensidade, característica da moscatel. Realmente, fez referência a experiências anteriores com a uva. Tem um químico que de vez em quando aparece, acabou lembrando (desculpem-me mas foi o que veio à tona mesmo) detergente de maçã. É fresco e apresentou algum floral que a Queisse definiu como lírio.
A boca é bem ácida no início, o que agrada. Tem um peso no meio de boca, na língua. Aqui a doçura da moscatel foi diluida pela Semillon e mesmo assim mela o palato. O fim de boca não é dos mais elegantes, para mim fica algo que me incomoda, contudo não chega a ser amargor.
Um vinho simples e diferente, que alguns irão gostar e outros não. Não chega a ser um vinho de sobremesa, todavia pode matar uma refeição delicada por causa de seu corpo. Concluí que o melhor é prová-lo sozinho ou acompanhando um patê, pois tem gordura para enfrentar o "peso" do corte. 12,5% de álcool. R$22,98 no Condor Boa Vista. VV!80.

sábado, novembro 22, 2008

LATITUD 33 MALBEC 2006

Este foi o vinho de novembro da Confraria Brasileira de Enoblogs.
É um mendocino feito pelas Bodegas Chandon da Argentina. A cor era um violáceo, que me remeteu ao púrpura. Gostei muito dos aromas. É fresco, lembrou tabaco, tem um doce a chocolate e pimenta preta.
A boca melhora muito e merece trinta minutos de vinho aberto para ser consumido. Mesmo após evoluido, não correspondeu ao ótimo olfato. Considerei o corpo muito fraco. É apimentado, doce e tem agradável maciez, mas que é ofuscada tanto pelo desequilíbrio como pelo amargor final. R$19,90 no Big Boa Vista. VV! 80.

SANTA HELENA CARMENÈRE MALBEC SIGLO DE ORO 2006

No post anterior, havia provado este vinho muitas horas depois de sua abertura.
Resolvi prová-lo normalmente. Abri a garrafa e aguardei os 20 minutos mínimos para iniciar seu consumo. Fiquei decepcionado.
Durante a hora e meia em que tive o vinho na taça havia um aroma incômodo de mofo, de algo que estragou por humidade. Eu diria meio mofado, meio herbáceo.
Remete-me, então, a duas hipóteses: ou peguei uma garrafa ruim, ou é um vinho de "dia seguinte". Uma pena.

domingo, novembro 02, 2008

Santa Helena

Tive oportunidade de tomar dois vinhos da Santa Helena oferecidos pela Regina. Tomamos primeiro o Santa Helena Carmenère Malbec Siglo de Oro 2006 e depois o Santa Helena Carmenère Reservado 2007. Ressalto que o Siglo de Oro foi aberto na noite anterior e o tomei no almoço do dia seguinte, algo como 16 horas depois. Ainda que a garrafa tenha sido conservada em geladeira e bem fechada, faz diferença.

SANTA HELENA CARMENÈRE MALBEC SIGLO DE ORO 2006
Mesmo com tanto tempo aberto o vinho estava muito interessante. Apresentou boas frutas veremlhas, rumando para geléia de fruta. Uma baunilha no pano de fundo com pimenta preta fechando a composição. A boca é de razoável para boa, com uma leve sensação de cera no meio da língua. Como foi provado tanto tempo depois de aberto, é possível que o chocolate e o tostado, alguns dos aromas sugeridos pela vinícola, sejam encontrados ao abrir. Eu não encontrei.
Já tinha ouvido por aí que os Malbecs do Chile eram interessantes e, de fato, esse corte ressaltou aspectos positivos das duas variedades. 13,5 % de ácool. R$22,00 no Mercadorama Seminário. VV! 83.

SANTA HELENA CARMENÈRE RESERVADO 2007
A linha reservado é um patamar anterior à Siglo de Oro em termos de qualidade. Este realmente é um pouco inferior. Apresentou boa geléia de fruta no nariz. Aquele incomodozinho na língua é mais proeminente e tem mais calor em boca, algo que não me agrada mesmo. Vale pelo preço, mas vale mais ainda gastar R$4,00 e subir um degrau comprando a linha Siglo de Oro da Santa Helena. 13,5% de álcool. R$17,90 no Mercadorama Seminário. VV! 81.

Outras postagens sobre Santa Helena tintos:
IV Degustação Viva o Vinho! – CARMENÉRE
Santa Helena Reservado Cabernet Sauvignon 2004
Santa Helena Reservado Merlot 2003

Nota: Chamo a atenção do consumidor curitibano para a grande diferença de preços nos vários super e híper mercados da cidade. Tenho visto o mesmo vinho variando de R$18,00 a R$28,00. É um crime! O pessoal está reajustando em função da alta do dólar, mas não acredito que os consumidores comportem tamanha discrepância.
Por ora, continuo zapeando os preços das áreas de vinho sempre que entro nos mercados, pois ainda tem preço razoável por aí.

domingo, outubro 26, 2008

Santa Julia Tempranillo Oak Aged 2007

Aparêcia bem escura e violácea. O aroma começou com baunilha e uma incômoda acetona. Com o tempo, o aroma vai-se resolvendo e ficando entre frutas vermelhas e baunilha. De minha experiência com tempranillo argentino, frutado e baunilha realmente predominam. Na boca é um tanto desequilibrado.
Muito diferente da maioria das edições dos Tempranillo-Malbec da Santa Julia. Difícil encontrar vinhos na casa dos R$15,00 em Curitiba com custo-benefício tão bom. Como gosto do corte, resolvi provar este varietal um pouco mais caro da mesma vinícola, porém não agradou.O álcool e a acidez estavam muito proeminentes e incômodos. Algum calor e final inadequado.
A vinícola Zuccardi consegue bom resultado com a Tempranillo em várias faixas de preço. Pena que não acertou no Oak Aged.
Comparando com o Fortaleza do Seival da Vídeo Degustação #1, o nacional é superior a este, mostrando que o Brasil pode competir. É claro que comprado na Argentina este vinho sairia por uns R$8,00 ou menos, mas comprando aqui o da Miolo é melhor.13% de Álcool. R$28,00 no Wall Mart Cabral. VV! 79.

domingo, outubro 19, 2008

Paralelos do Vinho

Em nossa primeira Vídeo Degustação publicada, tocamos no assunto dos paralelos, que definem as melhores regiões do mundo para cultivar a videira. Muitos são os fatores que influenciam a produção de vinhos de qualidade, mas a latitude onde são feitos é um aspecto a ser considerado.
A videira é planta que necessita de um descanso no inverno, reunindo forças suficientes para produzir as uvas no verão. O clima temperado é ideal para termos as estações do ano bem definidas e para o processo natural da planta trazer os melhores resultados. Tal clima é encontrado entre os Paralelos 30º e 50º.

(Reproduzido do site da Importadora Zahil: http://www.zahil.com.br/institucional.aspx?id=34)

APROFUNDANDO MAIS NO ASSUNTO:

HEMISFÉRIO NORTE
Note no mapa que a Europa encontra-se quase toda compreendida entre os paralelos do vinho (No Hemisfério Norte, região rosa claro). O extremo Norte da África e o Oriente Médio também estão compreendidos. A Europa é consideravelmente mais quente que a América nos mesmos paralelos em função do grande ciclo de correntes marítimas, que carregam para leste o calor mais equatorial do Caribe (Golfo do México) e em direção ao Atlântico Norte.
Na Europa Central planta-se mais baixo, evitando que as altitudes tornem o clima frio demais. O frio em excesso pode atrapalhar o ciclo vegetativo da planta e piorar o resultado final. Já no sul da Itália e de Portugal, procura-se regiões mais altas exatamente para diminuir os efeitos do calor mediterrânico, aqui Paralelo 40º Norte. Um exemplo é o Alentejo, com as vinícolas valorizando as terras mais altas.
Na América do Norte, que não recebe influência do aquecimento de uma corrente marítima tão importante, as regiões vinícolas concentram-se entre os paralelos 30ºN e 40ºN. No pacífico ainda se planta um pouco mais ao Norte até em função também das correntes oceânicas, mas os californianos, vinhos mais famosos mundialmente, estão na faixa mais ao sul.
A diferença que a corrente marítima do golfo faz na Europa fica mais evidente quando comparamos os Ice Wines. São vinhos doces produzidos em regiões bem frias e o congelamento é desejado. No leste canadense, onde as águas quentes e suas consequências não são sentidas, os Ice Wines são feitos próximos do paralelo 40ºN. Já na Alemanha, fazem-no perto do paralelo 50ºN, ou seja, bem mais ao Norte.
A Ásia Oriental não tem tradição histórica na produção e no consumo de vinho, mas note que a China está quase toda entre nossos paralelos. De fato, começam as notícias da vinicultura chinesa melhorando de qualidade e aumentando a quantidade produzida.

HEMISFÉRIO SUL
No Hemisfério Sul nota-se influência parecida dos paralelos. O paralelo 30ºS passa sobre o extremo sul brasileiro, deixando Chile, Argentina, Paraguai e Uruguai ao sul. A campanha gaúcha é a única região brasileira que se encontra exatamente nele.
Com excessão dos vinhos da Patagônia, os demais vinhos de qualidade americanos estão ao norte do paralelo 40ºS.
Na África do Sul, planta-se no paralelo 30ºS e ao sul dele até o continente terminar no Cabo. Na Austrália, a cultura se desenvolve no extremo sul também, sempre abaixo do 30ºS. O 40ºS passa exatamente sobre a Nova Zelândia.
Ao olhar no mapa mundi, fica claro que há menos áreas continentais no Hemisfério Sul que no Norte. Some-se a isso também as grandes influências climáticas antárticas na zona temperada. Concluo, portanto, que a maioria absoluta do que é produzido no Hemisfério Sul concentra-se numa faixa ainda mais estreita do que no Hemisfério Norte, entre os paralelos 30ºS e 40ºS por duas razões bem simples, clima mais frio e menor quantidade de terra.

DESAFIO NO BRASIL: QUASE TUDO FORA DOS PARALELOS DO VINHO
Isso não significa que seja impossível fazer vinhos fora de tais marcos. Bons vinhos nacionais são feitos na Serra Gaúcha. Em Santa Catarina, nas regiões de altitude, também se buscam vinhos de excelência. A Serra Gaúcha é responsável por espumantes de qualidade internacional, o produto brasileiro mais interessante. Fica evidente, porém, a necessidade de subir a altitudes maiores para conseguir clima mais parecido com o temperado.
Não é o caso, contudo, do equatorial Vale do São Francisco. Lá, o mérito fica para o clima árido e a irrigação artificial. É por meio do controle do regime de água das plantas que definem os processos de produção de uva e descanso.
Comercialmente, é bem viável, pois são muitos os que afirmam ser possível subverter o ciclo anual das videiras para maior produção de uvas. Acredito que essa pressão maior sobre as vides não resulte em vinhos melhores, mas em mais vinho para por no mercado.
A viabilidade econômica é fato, mas não sabemos ainda qual o limite de qualidade que poderá ser alcançado pelos vinhos do Vale. Como é bem recente a produção de castas vinícolas européias, fica o desafio para os produtores.

OS PARALELOS 30º E 50º SÃO MARCOS IMPORTANTES
Com as possibilidades tecnológicas de hoje, os paralelos 30º e 50º não são mais obrigatórios para a obtenção de uma boa vide, todavia o cultivo da uva e a fabricação de vinho não são processos tecnológicos apenas.
As videiras cultivadas entre os paralelos 30º e 50º ainda são as melhores matérias-primas para a arte de vinificar, por isso os chamo de paralelos do vinho.

Para saber mais sobre latitude:
Rox Portal - Geografia

sábado, outubro 11, 2008

Vídeo Degustação #1 - Fortaleza do Seival Tempranillo 2006 - Miolo

Inicia-se uma nova fase no Enoblog Viva o Vinho!
Estréia hoje a primeira Vídeo Degustação publicada. É um projeto novo e ainda tenho muito a aprender com ele, mas não quis adiar. Houve até um problema técnico com a energia que espero solucionar para os próximos episódios.
Ficou ainda mais divertido estrear com uma atividade on-line, pois o vinho degustado é uma indicação da Confraria Brasileira de Enoblogs.

video

Velha Vinífera #6 – 02/08/2008 Portugal/Alentejo

Mais uma vez reunimo-nos na Enoteca Decanter para um agradável encontro. Pessoas boas e bons momentos: é sempre gratificante encontrar-se com os amigos de confraria nessas calmas noites de degustação.
Entre os elementos comuns aos vinhos, notei que esses três alentejanos tinham um tom de cor mais acastanhado do que estamos acostumados no cone sulamericano e que a mineralidade ficou bem destacada.

MARQUÉS DE MONTEMOR RESERVA 2005
Feito de Aragonez, Castelão e Touriga Nacional. Vinho um pouco mais violáceo. Aroma doce: compota de fruta. É intenso, vai ficando mais doce e apresenta baunilha. Boca quente e tânica, porém redonda. Com o tempo, as sensações táteis ficam mais tranquilas e torna-se bem mais seco, lembrando tâmara (revela mais a acidez).
A confraria destacou características de defumado, mineral, baunilha. Consideraram ácido no paladar, amêndoado e álcool mais acentuado no início.
R$66,70 na Enoteca Decanter. VV!85.

PLANSEL TOURIGA FRANCA 2004
Esse varietal tinha cor ruby com tom acastanhado. Mais amadeirado, acastanhado, bem mineral. Tem calorzinho de licor de ameixa, bem tânico, seco, contudo suave e correto. Notamos ainda geléia e licor de nozes na permanência.
Entre as características citadas pela confraria predominou frutado, maçã, morango verde, cítrico. Permanente.
R$79,60 na Enoteca decanter. VV! 87.

ALTAS QUINTAS COLHEITA 2004
Corte de Aragonez, Trincadeira e Alicante Bouchet. Cor ruby mais para o acastanhado também. Aromas começam fechados. Madeira, fruta, fresco, morango. Após muito tempo aberto, vai adocicando para geléia e ameixas. Boca fresca, elegante, agradou muito. Cheio de taninos vivos e muito bem integrados. Boa acidez.
Entre as características citadas pela confraria predominou própolis, salgado. Foi considerado mais claro, ácido e salgado (mineralidade). Nos aromas inusitados, registre-se aroma de casa da avó e fósforo queimado. Em boca apareceu, ainda, amêndoas e avelã.
R$106,90. VV! 89.

quinta-feira, outubro 09, 2008

Velha Vinífera #6 - Notas de Estudo


Degustação #6 – 30/08/2008
Portugal/Alentejo – Enoteca Decanter



É difícil percorrer qualquer área de Portugal sem ter algum contato com a vinha ou o vinho. Por muito tempo foi o artigo de exportação mais importante do país, especialmente no período em que deixou de ser potência marítima mundial, quando entrou em crise o mercantilismo. Durante as grandes navegações desenvolveu-se o vinho Madeira. Já o Porto veio da exportação para a Inglaterra.
É característica fundamental da vinicultura portuguesa o uso de castas viníferas locais. Isso confere ao vinho português muita personalidade. Existem ainda vinhedos antigos onde as diferentes uvas foram plantadas todas misturadas.
Como se pode ver no mapa, são muitas as regiões viníferas de portugal, mas podemos fazer uma divisão mais simples para entender os estilos básicos de vinhos portugueses.

(clique na imagem para vê-la ampliada)

- Portugal Atlântico: Região ao Norte de Portugal à beira-mar compreendendo Vinho Verde, Bairrada e Estremadura. Divide-se do interior por maciços montanhosos. Região de solos arenosos férteis, baixa amplitude térmica e altos índices pluviométricos. São maiores as dificuldades de maturação e os vinhos tintos têm taninos mais duros, favorecendo combinações com carnes. Devido à acidez mais alta, é vocação natural da região os vinhos brancos.
- Vales de Portugal: Podemos destacar os vales do Douro e do Dão, onde se encontram as maiores amplitudes térmicas. São solos pobres de xisto e granito e a vinicultura acontece em região montanhosa, nas encostas dos vales. Os tintos predominam e possuem fama internacional.
- Sul de Portugal: As planícies argilo-cacáreas e arenosas dessa grande região tem maior homogeneidade de castas: Castelão, Aragonez (Tinta Roriz, Tempranillo) e Trincadeira. As uvas francesas encontram mais espaço aqui também com Cabernet Sauvignon, Syrah e Chardonnay. Fazem vinhos frutados, fáceis de beber, redondos e aromáticos, num estilo que se assemelha aos do Novo Mundo. Esses planos que tornam mais fácil a mecanização da colheita e a irrigação artificial do solo conquistaram o gosto do consumidor português. Os vinhos do Alentejo são os mais consumidos em Portugal.


VINHOS
1. MARQUÉS DE MONTEMOR RESERVA 2005 VR ALENTEJANO
Aragonez, Castelão e Touriga Nacional
2. PLANSEL TOURIGA FRANCA 2004 VR ALENTEJANO
Touriga Franca
3. ALTAS QUINTAS COLHEITA 2004 VR ALENTEJANO
Aragonez, Trincadeira e Alicante Bouchet


Referências:
Revista:
COUTINHO, Anibal. Portugal Revisitado em Vinho Magazine. Edição #78.
Rede:
www.academiadovinho.com.br – Academia do Vinho.
www.otd.com.br/images/Roda-dos-Aromas.jpg - Roda dos Aromas Vinho Magazine.

domingo, setembro 14, 2008

Chile X França

Logo em seguida à degustação de chilenos, a Confraria Bacco Ubriaco realizou confronto às cegas de vinhos do Novo e do Velho Mundo. Estavam na mesa chilenos e franceses. A identificação foi direta, pois as diferenças entre eles eram bem grandes. A surpresa veio no resultado do chileno: a confraria - eu também - acabou avaliando melhor o Marques do que o Dom Melchor.
Podemos pensar em muitos motivos. Talvez o Marqués esteja mais pronto e como era às cegas houve alguma dificuldade. Talvez faltou reconhecer o potencial de envelhecimento do Dom. Talvez valha a pena beber o Marques. Várias são as hipóteses e a certeza é uma só: às cegas muita coisa pode acontecer.
Em relação aos franceses, ainda que eu tenha concedido nota inferior a do Marques, gostei mais deles. Apenas reconheci mais qualidades técnicas no chileno.
Chego à conclusão de que o Chile oferece excelente custo-benefício e tomar um bom francês sempre faz bem ao espírito.

MARQUES DE CASA CONCHA Merlot 2005
Produzido em Rapel (Maipo) pela Concha y Toro. Belo Ruby brilhante. Aroma intenso, riquíssimo, complexo, delicado (cheio de adjetivos). Fruta vermelha, frescor lembrando menta, baunilha. O mentol vai abrindo cada vez mais. Boca jovem, taninos bem vivos, ainda pede por guarda. Final fresco e boa permanência. 14,5% de álcool. BU 89,42. WS 90. VV! 92. R$78,00 na Expand Curitiba.

CHÂTEAU LES HAUTS-CONSUILLANTES 2001
Este é um Lalande-de-Pomerol. 75% Merlot, 17% Cab. Franc, 8% Cab. Sauv.
Cor com um toque atijolado. Boa intensidade aromática, predomina tabaco com especiaria. Agradou. Taninos macios, bom corpo e excelente acidez. 13,5% de álcool. BU 89,20. WS 90. VV! 90. R$179,00 na Expand Curitiba.

CHÂTEAU LARRIVET-HAUT-BRION 2002
Este é um Pessac-Leognan, onde plantam Cabernet Sauvignon em maiores quantidades. No caso deste vinho com assinatura de Michel Rolland, há Cab Sauv e Merlot em seu corte.
A passagem de 18 meses de barrica realmente marcou. Intenso, café e algum aroma animal no início. Este aroma animal vai ganhando corpo com o tempo e aparece também terra molhada. Macio e agradável em boca, tem tanino presente e bem amalgamado no conjunto. Excelente final. 13% de álcool. BU 90. VV! 90. R$320,00 na Expand Curitiba.

DOM MELCHOR 2003 Cabernet Sauvignon
Este Cabernet Sauvignon da linha superior da Concha y Toro tem 6% de Cabernet Franc.
Cor ruby bem típica. Fruta delicada e baunilha no início. Revela mais baunilha, amora, mas senti falta da complexidade. Boca ainda tânica - surpreendeu saber a safra depois - e agradável, corpo um pouco mais leve e muita fruta. Taninos bem vivos todo o tempo. BU 88,33. RP 96. VV!88. R$268,00 na Expand Curitiba.

sábado, setembro 13, 2008

Chile - Maipo

A Confraria Bacco Ubriaco realizou degustações seguidas com vinhos chilenos. Nesta, o tema era produtos do Maipo. Todos eram rótulos bem conhecidos e bem conceituados pelos especialistas. Foram degustados às claras, ou seja, todos sabiamos o que estávamos provando. Comprados em viajem para o exterior, os preços pagos estão bem abaixo do mercado nacional.

DON MELCHOR 2002 Cabernet Sauvignon
Top da Concha y Toro, 96% Cab Sauvignon - 4% Cab. Franc. Feito em Puente Alto.
Apresentava algum alo. Boa intensidade aromática, muito agradável, fresco, ameixa, especiarias, algum chocolatinho. Com o tempo abre, fica mais intenso e pegamos fruta doce/geléia. Boca fresca, adocicada, ainda tem taninos. 14% de álcool. R$210,00. BU 90,72. VV!91.

EL PRINCIPAL 2001 Cabernet Sauvignon - Carmenère
Este vinho da Finca El Pincipal produzido em Pirque não passa por filtração.
Tinha alo também, cor mais opaca. Demora a revelar-se. Quando abre apresenta ameixa, frutas em calda, especiarias, pimenta e café.
Taninos macios, a boca é ótima. Final correto. 15% de álcool. R$210,18. BU 90,09. VV!91.

TERRUNYO Carmenère 2004
Linha intermediária da Concha y Toro feito Peumo. Recebeu 96 pontos de Robert Parker. 85% Carmenère, 12% Cab. Sauv., Petit Verdot e Cab. Franc.
Na cor tem um leve toque para o violeta. Aroma muito elegante, vai abrindo para chocolate, ameixa e frutas maduras. Gostoso no paladar, tem excelente corpo e taninos ainda marcando. Final longo. 14,5% de álcool. R$100,00. BU 87,63. VV!90.

HARAS DE PIRQUE CHARACTER 2005
Ainda que tenha sido o mais barato da noite, no Brasil não sairia por menos de R$80,00. 85% Syrah e 15% Cab Sauv.
Também um pouco mais violáceo. Aroma fresco, com especiarias, apresenta fruta lembrando framboesa. Excelentes taninos na boca. É potente, encorpado e tânico. 14,6% de álcool. R$40,00. BU 88,45. VV!89.

quarta-feira, setembro 03, 2008

Velha Vinífera #5 – 02/08/2008 Austrália

Noite memorável na Enoteca Decanter em que provamos um dos melhores vinhos de 2008. Poucos vinhos oferecem tanto na faixa de preço em que se encontra o Schild Estate Shiraz 2005. Vale muito tê-lo na adega para tornar especial um bom momento.

SHADOWS RUN 2005
Um corte de Shiraz com Cabernet Sauvignon que se revelou bem escuro e brilhante. Aroma fresco, de média intensidade, com frutas escuras, especiarias e alcaçuz. Boca meio desequilibrada com álcool aparente. Confirma alcaçuz e tem excelente final. Álcool 14%. R$54,00 .

SCHILD ESTATE SHIRAZ 2005
Ruby brilhante com um tom laranja, meio atípico para Shiraz. Na primeira abordagem, o aroma estava marcado pela madeira e apresentou especiarias, pimenta preta, couro e tabaco.
Durante a prova foi abrindo mais, ficando mais intenso e rumando para o couro. Mostrou muita complexidade e revelou fruta à framboesa, ameixa clara e floral. A cada vez que voltava a ele encontrava aroma diferente. O frescor chegou a comparar-se à menta.
Boca doce, encorpada, com ótima estrutura e taninos redondos. Vinho com excelente potencial de envelhecimento. Termina bem, com boa permanência e certo frescor. Álcool 14,5%. R$102,00 . VV! 93. WS 93.
Com a confraria Velha Vinífera não pontuava vinhos porque o objetivo da degustação não é este, porém o Schild Estate obrigou-me à avaliá-lo. Precisava ter certeza, na análise objetiva, se realmente ele ficaria tão bem. A maior surpresa não foi a minha nota, mas a nota da Wine Spectator e sua classificação como 16º entre os Top 100 de 2007 da revista.
Nem sempre concordamos com avaliadores de outros meios de comunicação, todavia este é um caso de absoluta concordância. O Schild Estate é um grande vinho, consistente no olfato, no paladar e na estrutura. Um dos melhores exemplares em sua faixa de preço.

KILIKANOON GRENACHE 2004
Cor interessante, mais clara do que estou acostumado para vinhos tintos. Aparenta leveza. Aroma intenso, potente. Frutas e madeira bem presentes. Suave geléia. Boca interessante, corpo um pouco mais leve, porém longe de ser defeito. Bem doce. Equilibrada delicadeza, com taninos vivos. Álcool 15%. R$ 124,00.

terça-feira, setembro 02, 2008

Velha Vinífera #5 - Notas de Estudo


Degustação #5 – 02/08/2008
Austrália - Enoteca Decanter

Conhecida também como “Down Under”, a Austrália é uma nação de extremos. Seu interior é marcado por uma região árida muito pouco habitada e ao Norte há rica floresta tropical. Devido às latitudes maiores, é só no extremo sul que se produzem vinhos de qualidade. As primeiras videiras foram plantadas em 1836 no Barossa Valley, mas o reconhecimento internacional veio nos últimos 20 anos. A exportação, sempre crescente, teve aumento vertiginoso de 1998 para cá. Para se ter uma idéia, em 2003 foram 524 milhões de litros exportados e em 2007 foram 785 milhões. Curiosamente, em 2007 a produção australiana diminuiu para níveis do início da década, mesmo com a área plantada aumentando. Isso está diretamente relacionado com as condições climáticas extremamente secas da safra.

REGIÕES
Na costa Oeste, ao sul de Perth, a região mais conhecida é Margaret River.
Ao Leste, as principais produções encontram-se não muito distantes das grandes cidades também. Em South Austrália, em torno de Adelaide, temos Clare Valley, Barossa Valley e McLaren Valley e, mais ao sul, Conawarra. Em Victoria, destaca-se o Yarra Valley e, em New South Wales, o Hunter Valley. Faz-se vinho também na ilha da Tasmânia.

CARACTERÍSTICAS
A uva mais característica do vinho da Austrália é a Shiraz, mas há também grandes Cabernet Sauvignons. Entre as brancas, destacam-se Chardonnay, Semillon, Riesling e Sauvignon Blanc. Os produtores australianos procuram plantar muitas uvas diferentes e testam cortes tanto tradicionais como inusitados. Os vinhos australianos têm como uma de suas referências os vinhos do Rhône, até pelo uso de uvas como Shiraz, Grenache e Mouvèdre.
A característica marcante é de vinhos ferrosos, devido à mineralidade do solo. Essa mineralidade é bem favorável aos vinhos brancos, conferindo complexidade comparável aos melhores do mundo. Os vinhos tintos tem bom nível de taninos e são muito encorpados.

Referências:
Rede:

http://www.wineatlas.net/ – Atlas Del Vino
http://www.australianwinespot.com/ – Australian Wine Spot
http://www.winespectator.com/ – Wine Spectator
http://www.wineaustralia.com/ – Site do Governo Australiano

segunda-feira, setembro 01, 2008

Supertoscano

Muito tempo atrás, numa informal degustação com confrades da Bacco Ubriaco, resolvemos tomar uns italianos. Não queríamos qualquer coisa e o Toscano era, de fato, um Supertoscano.
Estava devendo no blog a postagem dessa noite que incluiu um Chianti Classico e o excelente Tignanello.

JANUS
Prosecco Extra Dry. Bolhas meio grandes, cor palha. Aromas delicados de pêssego. Suave demais. No paladar é cítrico, macio e elegante. Mais macio que muitos proseccos que encontramos por aí, mas ainda simples. Álcool 11%. R$35,50. VV! 85.

TENUTA SANT´ALFONSO CHIANTI CLASSICO 2004
Ruby brilhante, alo de cor progressiva. Aroma intenso, frutado, alguma especiaria. Pimenta, um couro suave, café. Boca ácida, bem correta. Bom corpo. Durante a prova vai abrindo. Álcool 14%. R$82,00. VV! 90.

TIGNANELLO TOSCANA IGT 2003
Corte de Sangiovese com Cabernet Sauvignon.
Ruby para o vermelho. Muito complexo. Aromas de café, frutas secas, frutas escuras e geléia. Com o tempo vai mostrando um tabaquinho que cresce. Boca redonda, taninos doces. Muito persistente. No contraste entre os dois tintos vemos a diferença de estrutura deste vinho fantástico. Ele é muito elegante e proporciona prazer por horas na taça. Álcool 13,50%. R$345,00. VV! 92.

domingo, agosto 31, 2008

Châteauneuf-du-Pape

Em sua reunião de número #126, a regularíssima confraria Bacco Ubriaco degustou Châteaunuef-du-Pape.
Provamos 3 desses vinhos feitos ao sul do Rhône em que se usam muitas uvas, mas podemos destacar Mourvèdre, Cinsault, Grenache e Syrah.

CHÂTEAU LA NERTHE 2004
Vinho delicado, denotando corpo sutil. Aroma de rosas, fruta fresca e cereja. Também é doce, licor. Confirma corpo leve, tanino redondo. Meio rápido, mas agradável. Álcool 13,5%. R$198,00. WS 91. BU 89. VV! 88.

LES CÈDRES 2005
Cor um pouco mais acastanhada. Aroma lembrando fruta confeitada, baunilha. Mais amadeirado que o primeiro, puxou algo químico, como cera. Também doce e licoroso, mas com uma acidez já no aroma. Na boca confirma químico, bom corpo, taninos ainda vivos e algum calor. Álcool 14,5%. R$157,00. WS 89. BU 88,25. VV! 88.

CHÂTEAU DE LA GARDINE 2004
Aroma defumado, de intensidade um pouco menor. Compota de fruta, doce, cera e algo vegetal. Boca bem seca, algo cremosa a compota de fruta. Álcool 14%. R$164,00. WS 87. BU 89,37. VV! 86.

domingo, agosto 24, 2008

Rio Sol 2004

Este vinho é feito no Vale do São Francisco por uma joint venture entre Expand e Dão Sul. Apesar de anunciarem a Medalha de Ouro no II Concurso Internacional de Vinhos do Brasil e a Medalha de Bronze no Decanter World Wine Awards para a safra 2005, o 2004 não é isso tudo.
Corte de Syrah com Cabernet Sauvignon. Vinho escuro, de aparência adequada, mas com pequeno alo. Aparenta leveza.
Aroma de acetona ou verniz predominando. Em boca, falta corpo e apresenta químico.
Vinho rápido, contudo não de todo ruim. Quando no nariz me fazia pensar se não fui rigoroso demais, todavia em boca chegava a pensar se não merecia uma nota menor ainda. VV!80. R$21,00 no Wall-Mart.

Bouza Tannat 2005

Vamos a um tannat uruguayo.
Cor vermelha. Aromas iniciam com tabaco e chocolate. Bem doce, bem chocolate. Frutas vermelhas, ameixas e cerejas. "Berries" e mais "berries". Mostra com o tempo especiarias.
Ataque tânico e de especiarias na boca. Confirma o doce e lembra iogurte de frutas vermelhas. Na experiência em boca o doce some e vai ficando o tanino. 14,5% de álcool. VV!86. R$46,00 na Enoteca Decanter Curitiba.

Miolo Brut

Entre os muitos vinhos degustados recentemente, este foi um caso diferente.
Abrimos no meio de semana uma garrafa da Miolo Brut e logo veio a decepção, estava choca. O espumtante não tinha borbulha nenhuma e o sabor era estranho.
Estava preocupado com a compra desde o início. Queria tomar a Miolo, em especial, por causa do uso do Método Tradicional de segunda fermentação, mas na garrafa dizia que a expedição era de 2006. Fiquei na dúvida na prateleira do Angeloni Água Verde e acabei comprando mesmo assim. O ideal era que a expedição fosse ao menos de 2007.
Tal referência encontra-se na parte de trás do invólucro da Miolo e vale o elogio à vinícola em informar. Não quer dizer que o espumante é da safra de 2006, pois muitas vezes o licor de tiragem é feito de misturas de safras. Quer dizer apenas que o licor de expedição foi adicionado naquele ano. (Para diferença entre licor de tiragem e licor de expedição, clique aqui.)
Uma vez provada e constatado o problema, decidi voltar ao Angeloni no dia seguinte para trocá-la. A rolha do espumante não volta mais à garrafa nem para quebrar o galho e estou sem rolhas comuns em casa. Não foi fácil acomodar a garrafa no carro com uma tampa que não vedava. Enfim, consegui chegar no mercado sem derramar no estofamento. O atendimento foi bom e como levei a garrafa sem consumir muito de seu conteúdo foi simples a troca.
O problema era saber se arriscava outra Miolo. Perguntei ao pessoal do Angeloni, dos poucos mercados de Curitiba que mantém funcionário exclusivo de vinho na loja, se eles não achavam que todas as garrafas de 2006 estavam estragadas e eles disseram ser a primeira vez que houve devolução.
Acabei pegando outra para tentar neste final-de-semana porque eu também queria tirar a dúvida. A sensação final ainda é de interrogações. Esta última garrafa estava íntegra, mas o que encontrei nela não era o que esperava. Tenho em boa conta a Miolo Brut e acabei um pouco decepcionado com esta prova. Será que essa, mesmo estando adequada ao consumo, já não está meio passada? Só provando outra com tiragem mais recente para comprovar.
DICA: Notei que muitos espumantes nacionais trazem em algum lugar o número do lote. Pelo que percebi quando começa com L07 significa um lote de 2007. Já tem L08 no mercado. Atente para este detalhe em suas compras futuras.

A avaliação da segunda garrafa de Miolo Brut, ainda que sob suspeita:

MIOLO BRUT
Expedição 2006. Indicação de Procedência Vale dos Vinhedos. A Miolo informa também que o espumante passa 18 meses nas caves entre tiragem e expedição. Uvas Chardonnay e Pinot Noir.
Cor palha. Bolhas bem finas, mas não tão abundantes. Aroma frutado e de pão. Boca bem ácida, lembrando frutas cristalizadas e pão. Espumante agradável, mas fica faltando algo. Esperava mais maciez e complexidade, esta última exatamente pelo uso do método tradicional (champenoise). Acabou perdendo pontos em Aspecto, Intensidade Aromática e Complexidade. 12% de álcool. VV!82. Caros R$29,90 no Angeloni Água Verde.

sábado, agosto 23, 2008

Decanter Wine Show 2008

O Decanter Wine Show 2008 em Curitiba foi incrível. A importadora realizou o melhor evento enológico que a cidade já sediou. Foram mais de 300 rótulos de 51 produtores. Grande parte do melhor que a importadora tem a ofecer estava em Curitiba. Na maioria absoluta dos stands o proprietário da vinícola estava servindo os vinhos sempre com sorrisos e simpatia. O ambiente do Buffet du Batel foi adequado e a mesa de comidinhas era ótima.
Óbvio que não provei tudo. Humanamente impossível em uma noite só passeando entre os stands. Ainda bem que, como eu, muitos dos amigos presentes optaram pelo táxi porque não houve quem estivesse cem por cento são no final das provas. Vi poucos cuspindo, o que garantiria a sobriedade por mais tempo, contudo quase ninguém quis deixar de sorver até o fim vinhos que chegavam aos R$900,00.
Eis um mérito extra para a Importadora Decanter. Em alguns eventos vemos que os caros não estão disponíveis para todos. Com a Decanter foi tudo em cima da mesa. Nunca dei muita importância para isso particularmente, todavia o efeito com o público foi excelente.
Gostaria de ter variado mais e provado muitos vinhos de locais diferentes, mas me concentrei em Itália e França e nos vinhos mais indicados nos sites especializados. Não busquei observar custo-benefício, mas sim aproveitar para provar o que a importadora tem de melhor.
Degustei 46 vinhos. Com excessão de 2 ou 3 que não me agradaram, o restante era de muito bom a excelente. Neste momento, numa decisão muito difícil, tento selecionar um para ser a minha escolha pessoal entre os 46. Poderia citar o Ornato com WS 94, o Montus Cuvée Prestige com WS 93, o Cuvée Generations WS 94 (que me impressionou muito), Les Ruchets WS 92, Caprili Riserva WS 92, o Gevrey Chambertin ou o Schild Estate Shiraz 2005, ao qual sou fissurado e tem WS 93. De acordo com o gosto pessoal, qualquer um desses e até alguns outros não citados poderiam ser o campeão de um dos presentes.
Olho para essa relação muito especial diversas vezes e sinto-me mais uma vez afortunado por ter degustados tantos tops numa única noite. Mesmo lendo e relendo minhas anotações (e como é bom relembrar) fecho com o "supertoscano" do San Fabiano Calcinaia: Cerviolo IGT 2001, com "apenas" 91 pontos na Wine Spectator. Alguns dos provados tem o elemento tempo para agir ainda, mas o critério que usei é bem direto: o vinho que mais me agradou e que me surpreendeu naquele momento.

Para não citar todos os bebidos, coloco abaixo uma relação concisa do que foi degustado no Decanter Wine Show:

ALAIN BRUMONT
Château Montus Cuvée Prestige 2001 - R$359,00
CAPRILI
Brunello de Montalcino Riserva 2001 - R$339,30
CHÂTEAU DE LA GARDINE
Didática a degustação dos excelentes Châteauneuf-du-Pape 2002 e 2006 brancos (R$168,80). Ficou clara a evolução em garrafa do 2002.
Châteauneuf-du-Pape Cuvée des Gênérations 1998 - R$579,50
CHÂTEAU SAINT-ROCH
Lirac 2006 Rose - R$66,80
DOMAINE PIERRE LABET - CHÂTEAU DE LA TOUR
Puligny-Montrachet 1er Cru Champs Gains 2005 - R$442,80
Clos-Vougeot Grand Crus 2005 - R$908,50
Gevrey Chambertin 1er Cru Fonteny 2005 - R$471,50
DOMIMGOS ALVES DE SOUZA
Quinta da Gaivosa Douro 2003 - R$193,10
Quinta da Gaivosa Vinha de Lordelo Douro 2005 - R$339,20
Porto Quinta da Gaivosa LBV 1999 - R$149,50
JEAN-LUC COLOMBO
Crozes-Hermitage Les Graviéres 2005 - R$155,00
Côte-Rôtie La Divine 2004 - R$483,00
Cornas Les Ruchets 2004 - R$609,50
Muscat de Rivesaltes Les Saintes 2003 - R$98,90
PIO CESARE
Chardonnay Piodilei Langhe 2006 - R$202,40
Barbera d´Alba Fides 2004 - R$209,95
Barolo Ornato 2003 - R$413,50
SAN FABIANO CACINAIA
Cerviolo Toscana IGT 2001 - R$236,30
SCHILD ESTATE
Shiraz 2005 - R$120,70

segunda-feira, agosto 04, 2008

Dois Brancos Franceses

Dia 29/07 provamos dois vinhos franceses na Enoteca Decanter Curitiba. Fazia um calorzinho atípico (um inverno atípico, como os anteriores) naquela terça-feira e a opção por brancos foi natural. Queria provar um Chablis para comparar com os californianos da degustação anterior da Bacco Ubriaco. Chablis é uma denominação da Borgonha em que o destaque é a Chardonnay, aliás é muito provável que a qualidade dos brancos feitos em Chablis é que notabilizaram a Chardonnay. Eles são historicamente o parâmetro de comparação para os demais.
O segundo vinho é um Pinot Blanc da Alsacia. Optamos por um vinho exótico. A região é mais conhecida por seus Gewurz super-aromáticos e Rieslings, mas a curiosidade foi mais forte e trouxe uma nova experiência.

ALAIN GEOFFROY CHABLIS 2005
Appelation Chablis Contrôlée. Bem claro, dourado. Fresco, boa acidez já evidente no olfato. Aromas de frutas tropicais frescas, como maracujá e abacaxi, mas muito delicado. Floral bem marcado denotando a complexidade. Palato suave, gostoso. A acidez toma toda a boca com delicadeza. Maracujá mais evidente ao paladar e sabor de manteiga, mas sem a untuosidade. Final excelente. Harmonioso. 12,5% de álcool. VV!90.
PS: Chamou a atenção a característica de ter sabor amanteigado, mas sem aquele peso que sempre encontramos, a untuosidade. Isso põe muitas exclamações nesse vinho, um dos melhores brancos que já provei. Só ficou devendo aquele "lingering" (seria agulha em português?) que é tão evidente e gostoso nos californianos. São estilos diferentes. Este Chablis mostrou-se com mais classe.

BLANCK PINOT BLANC D´ALSACE 2006
Paul Blanck. Appelation Alsace Contrôlée. Cor estranha, amarelado palha com tons cinzas. Experiência completamente diferente. Ficamos procurando descritores para o vinho. Chegou a lembrar uva e ponto, mas fomos buscar. Lembrou bem aveia, depois observamos fermento, sabugo de milho, algo herbáceo, frutas e um defumadinho. Nariz intenso, coisas da Alsace. Boca com certa untuosidade, apresentou especiarias e acidez agradável. Final adequado. Este vinho tem um ataque que impressiona. 12,5% de álcool. VV!87.
PS: Fiz uma pesquisa para pautar a experiência. Os descritores mais comuns para Pinot Blanc são flores, pêra, maçã e manga. Os melhores apresentam cremosidade. Os da Paul Blanck possuem melão e terra.

Dois anos de Viva o Vinho!

Semana passada foram 11 vinhos degustados e nenhum veio para o blog ainda. Aliás, o Viva o Vinho! completou dois anos de postagens em Julho e deixei passar batido. São mais de 17000 visitantes individuais (quase 23000 cliques). A quantidade de visitas está acelerada e a cada semana sobe a média de visitação auferida pelo contador da Bravenet. Um mês atrás eram 40 visitas por dia em média. A média da semana atual já está em 50 por dia. Se em Junho e Julho foi algo próximo de 1200 leitores mês, Agosto projeta 1500.
Quero agradecer a todos pela visita, aos amigos e parentes por cobrarem quando fico um tempinho sem postar e, em especial, aos frequentadores costumazes. Tem uma turma que volta-e-meia passa por aqui. Atualmente são 8 leitores por dia que já conhecem o blog e voltam para dar uma espiadinha. Muito obrigado por adicionarem o Viva o Vinho! aos "favoritos" de vocês.
Aproveito para estimular a navegação por outros enoblogs do menu ao lado, que já formam verdadeira comunidade de apreciadores de vinhos on-line e até promovem degutações virtuais com a Confraria Brasileira de Enoblogs.

Enoteca Decanter Curitiba

Chegou em Curitiba a loja da Importadora Decanter.
Os vinhos da Decanter não são novidade para nós, mas ficamos muito satisfeitos com mais uma boa opção enológica na cidade.
Inaugurada em Julho, a Enoteca Decanter Curitiba tem ambiente agradável, vinhos bem dispostos e o portfolio da importadora está bem representado, além de oferecer vinhos nacionais. Já testamos a área para degustação e fomos muito bem recebidos com a Confraria Velha Vinífera. A Bacco Ubriaco marcou evento para conhecer o novo espaço também.
Endereço: Av Visconde de Guarapuava, 5154 - Batel. Fone: 3039-2333.

Decanter Wine Show - Última Chamada

Aos amantes do vinho de Curitiba, última chamada. Nesta Quinta-Feira, 07/08, no Buffet du Batel será a vez dos curitibanos provarem os vinhos da importadora.
Os convites estão sendo vendidos por R$150,00 apenas antecipadamente na Enoteca Decanter. O endereço da loja é Visconde de Guarapuava, 5154 - Batel. Fone 3039-2333.
O evento acontece também no Rio de Janeiro, em São Paulo e Belo Horizonte. Aguardo os comentários do Le Vin Au Blog sobre o evento que acontece hoje no Rio.

domingo, agosto 03, 2008

As provas no Queijos e Vinhos 2008 do Angeloni

Encontrei minhas anotações!!!!! Sabia que estavam aqui em algum lugar. Enquanto me preparo para mais uma maratona de vinhos no DECANTER WINE SHOW repasso os 21 que provei na Feira de Queijos e Vinhos 2008 do Supermercado Angeloni (ver postagem anterior).
Todos eram vinhos simples e de preço relativamente menor, mas alguns se destacam pela relação mais honesta de custo-benefício. Não estão em ordem de preferência:

Honestos:
- Salton Brut
Boca suave, boa acidez. Simples, mas honesto. R$18,90.
- Quinta de Santa Eufêmia Fine Ruby
Aroma frutado, algum álcool e leve citricidade. Boca alcoólica, mas sem grandes incômodos. Simples. R$29,90.
- Aurora Colheita Tardia 2008
Malvasia Bianca/Semillon. Floral, frutas cristalizadas, perfume de panetone e mel. Boca agradável, melhor que em safras anteriores. R$11,90.
- Reserva Miolo Cabernet Sauvignon 2006
Ruby com brilho. Aroma de fruta. Acidez excessiva no paladar. Razoável, compatível com o preço: R$22,90.


Dois vinhos que comprei para tirar a prova em casa:
- Marqués de Turia Bobal 2006
Vinho sem corpo algum, mas sem outros defeitos. Fiquei cismado e tomarei de novo. Se for bom, valerá pelo preço. R$12,90.
- Fusta Nova Moscatel
D. O. Valencia. Aroma intenso, mel, laranja, frutado, floral, algum herbáceo. Boca doce, mel, chocolate branco, muito doce! Remédio, xarope. A intensidade impressiona, tem complexidade, mas penso que talvez a qualidade não seja lá muito boa. Tomarei de novo para tirar dúvidas. R$22,90.

Demais vinhos provados:
- Fortaleza do Seival Tempranillo 2007. Bem mais ou menos.
- Charles de Monterrey 2005. Appellation Bordeux Contrôlée. Frutado, simples, fechado, papelão.
- Salton Classic Tannat 2007. Escuro, bordô. Aroma simples, alguma especiaria. Boca simples, seca.
- Porto Vinzelo Tawny
- Chauderoche 2006. Maison Mallard-Gaulin. Appellation Côtes du Rhône Contrôlée. Aroma de fruta madura, madeira. Cor violácea clara. Não é de todo ruim. Algum amargor, tanino vivo. R$26,90.
- Miolo Seleção 2006. Aromas frutados, framboesa, bom. Em boca é mais ou menos.
- Saurus Cabernet Sauvignon 2005 Patagonia Select. Incrível como os Saurus não me agradam mesmo. Desequilíbrio é a marca da vinícola. R$54,00
- La Hacienda 2004. Vinícola Aurora no Uruguay.
- Verdicchio Di Matelica Soldo 2005. Vinagre de maçã. Fresco, só. R$15,90.
- Santa Ana Cabernet Sauvignon 2007. Bordo violáceo atípico. Aroma defeituoso, incomoda.
- Viña Maipo Shiraz Reserva 2006. R$27,90.
- Salton Classic Tannat. Aguado. R$11,90.
- Castell Chombert Cabernet/Merlot. Doce, vinho de mesa (no sentido ruim da palavra). R$9,79.
- Phebus Malbec 2005. Insite em não me agradar.
- Fostaleza do Seival Tannat 2006. Ao que indicam os provados, a linha não agrada.

Vinhos do Angeloni

Encontrei minhas anotações!!!!! Sabia que estavam aqui em algum lugar. Enquanto me preparo para mais uma maratona de vinhos no DECANTER WINE SHOW repasso o que provei na Feira de Queijos e Vinhos 2008 do Supermercado Angeloni (ver postagem anterior).
Todos eram vinhos simples e de preço relativamente menor, mas alguns se destacam pela relação mais honesta de custo-benefício. Não estão em ordem de preferência:

Honestos:
- Salton Brut
Boca suave, boa acidez. Simples, mas honesto. R$18,90.
- Quinta de Santa Eufêmia Fine Ruby
Aroma frutado, algum álcool e leve citricidade. Boca alcoólica, mas sem grandes incômodos. Simples. R$29,90.
- Aurora Colheita Tardia 2008
Malvasia Bianca/Semillon. Floral, frutas cristalizadas, perfume de panetone e mel. Boca agradável, melhor que em safras anteriores. R$11,90.
- Reserva Miolo Cabernet Sauvignon 2006
Ruby com brilho. Aroma de fruta. Acidez excessiva no paladar. Razoável, compatível com o preço: R$22,90.

Dois vinhos que comprei para tirar a prova em casa:
- Marqués de Turia Bobal 2006
Vinho sem corpo algum, mas também sem muitos defeitos. Fiquei cismado e tomarei de novo. Se for bom, valerá pelo preço. R$12,90.
- Fusta Nova Moscatel
D. O. Valencia. Aroma intenso, mel, laranja, frutado, floral, algum herbáceo. Boca doce, mel, chocolate branco, muito doce! Remédio, xarope. A intensidade impressiona, tem complexidade, mas penso que talvez a qualidade não seja lá muito boa. Tomarei de novo para tirar dúvidas. R$22,90.

Demais vinhos provados:
- Fortaleza do Seival Tempranillo 2007. Bem mais ou menos.
- Charle de Monterrey 2005. Apelacion Bordeux Controllée. Frutado, simples, fechado, papelão.
- Salton Classic Tannat 2007. Escuro, bordô. Aroma simples, alguma especiaria. Boca simples, seca.
- Porto Vinzelo Tawny
- Chauderoche 2006. Maison Mallard-Gaulin. Apellacion Côtes du Rhône Controllée. Aroma de fruta madura, madeira. Cor violácea clara. Não é de todo ruim. Algum amargor, tanino vivo. R$26,90.
- Miolo Seleção 2006. Aromas frutados, framboesa, bom. Em boca é mais ou menos.
- Saurus Cabernet Sauvignon 2005 Patagonia Select. Incrível como os Saurus não me agradam mesmo. Desequilíbrio é a marca da vinícola. R$54,00
- La Hacienda 2004. Vinícola Aurora no Uruguay. Vinho ruim.
- Verdicchio Di Matelica Soldo 2005. Vinagre de maçã. Fresco, só. R$15,90.
- Santa Ana Cabernet Sauvignon 2007. Bordo violáceo atípico. Aroma defeituoso, incomoda.
- Viña Maipo Shiraz Reserva 2006. R$27,90.
- Salton Classic Tannat. Aguado. R$11,90.
- Castell Chombert Cabernet/Merlot. Doce, vinho de mesa (no sentido ruim da palavra). R$9,79.
- Phebus Malbec 2005. Insite em não me agradar.
- Fortaleza do Seival Tannat 2006. Ao que indicam os provados, a linha não agrada.

quinta-feira, julho 31, 2008

Mercado Municipal de Curitiba

Entre os lugares mais baratos de comprar vinho na cidade estão as lojas de vinho do mercado municipal, além de ser um ótimo passeio para o fim-de-semana. Tem aquele aroma confuso típico das verduras e frutas misturadas, a agitação das pessoas passando com sacolas pra lá e pra cá e os feirantes com seus jalecos azuis.
No mercado há muitas barracas de frutas e verduras, como não poderia deixar de ser, mas ao contrário do que muitos podem pensar não são os produtos comuns do dia-a-dia. Lá encontramos aquele tempero mais raro ou aquela fruta exótica também.
Lojas onde a gastronomia fina tem espaço são muitas: massas importadas, temperos orientais e produtos frescos são o que mais vemos. Recentemente, abriram cafés e docerias.
Um programa excelente para sábado é almoçar com família e amigos, depois passear pelas vendas, fazer compras nas lojas e ir pesquisando preços de vinhos. Ao final, comprar umas garrafas para rechear a adega.
Difícil é sair de lá sem um queijinho Vincent, um Prima Dona e presunto parma na sacola. O almoço no mercado é concorrido e chegar cedo evita esperas e filas.

Pizzato Concentus 2004

PARA A CONFRARIA BRASILEIRA DE ENOBLOGS

Realmente, após a degustação às cegas de vinhos nacionais (relembre) e depois de provar mais uma vez este Pizzato, não posso concordar com as notas dos poucos vinhos brasileiros provados pelas grandes publicações internacionais (veja).
Podemos questionar o preço do vinho nacional na comparação com similares da Argentina e do Chile. Justifica-se porque as características ambientais do Vale dos Vinhedos e das novas zonas de altitude (Santa Catarina particularmente) exigem mais custos para se conseguir um vinho melhor, mas para o consumidor vale mesmo é quanto se paga pelo que se obtém de prazer. A aposta do momento é a região de Santana do Livramento e toda a área de fronteira com o Uruguay, de fato uma latitude mais condizente com as regiões que produzem vinho de qualidade ao redor do mundo. Veremos.
O que importa agora é afirmar que já se faz vinho bom no Brasil. A safra 2004 foi muito boa. A 2005 melhor ainda. 2006 e 2007 um pouco inferiores. Há grande expectativa com 2008, com a empolgação rondando os vinhedos do Rio Grande do Sul.
Temos aqui um ótimo exemplo da safra 2004. Já havia provado em viagem ao Rio Grande do Sul ano passado e foi um dos vinhos que me agradou. A nova prova confirmou a boa impressão.

PIZZATO CONCENTUS 2004

Bem escuro, com leve toque violáceo. Meio rosado no alo.
Boa intensidade aromática, com frutas, geléia e boa passagem por madeira. Gostei do nariz. Boca de taninos agradáveis, bom corpo e frescor, mas excesso de acidez (típico do Vale). Um nacional que agrada com preço médio. 13% de álcool.R$39,90 no Celeiro Municipal (Mercado Municipal de Curitiba). VV!85.

quinta-feira, julho 24, 2008

Velha Vinífera #4 - 12/07/2008 - Sangiovese

A degustação foi realizada na Vino! Batel. Infelizmente, mesmo tendo preparado a degustação, não pude estar presente devido a compromissos profissionais. Os confrades relataram que o primeiro vinho foi o diferencial da noite, mesmo não sendo um Sangiovese da Toscana. Fiquei também muito curioso com o Falesco e pretendo prová-lo em breve.

Agradeço ao pessoal da Vino!Batel por ter recebido muito bem os confrades. Vamos ao material de estudo da noite:

SANGIOVESE
Relembrando um dos vinhos da Escorihuela Gáscon na degustação anterior, vimos que a Sangiovese é uma uva italiana que faz vinhos leves, ácidos e saborosos. Atinge grandes resultados especialmente na Toscana. Os vinhos dela são muito gastronômicos, favorecendo combinações com massas de molho vermelho não tão encorpados, menos condimentados e pratos leves.

TOSCANA
As denominações de origem mais conhecidas são:
Brunello di Montalcino: Região especial em Montalcino de solo argiloso petrificado onde se desenvolveu o clone Sangiovese Grosso. Lá também é feito o Rosso di Montalcino, um vinho ótimo feito de uvas não tão excepcionais como as do Brunello.
Chianti Clássico: produzido na região clássica entre Siena e Firenze.
Chianti Rufina: produzido nas proximidades de Rufina, perto de Firenze(direção nordeste), não confundir com Chianti Rufino de garrafa empalhada e de baixa qualidade.
Chianti Montalbano: produzido próximo a Montecarlo, entre Pistoia e Firenze (direção noroeste).
Colli Fiorentini: produzido nos arredores de Firenze.
Colli Aretini: produzido nas proximidades de Arezzo.
Colli Senesi: produzido próximo de Siena.
Colline Pisane: produzido nos arredores de Pisa.
Montespertoli: área pertencente à Siena, mais ao sul (DOC desde 1997).

Notabilizaram-se na região vinhos produzidos fora das normas das denominações de origem. Muitos desses vinhos “ilegais” são rotulados com a denominação IGT. Ganharam o apelido de Supertoscanos por serem modernos vinhos feitos com percentuais de uvas francesas proibidos pelas regras.

(clique na imagem para melhor vizualizá-la)

VINHOS
FALESCO SANGIOVESE UMBRIA IGT 2006
Segundo a Wine Spectator este vinho apresenta belos aromas de amoras esmagadas e flores num corpo cheio, com taninos bem integrados e final limpo de baunilha e frutado. 13% “Smart Buy”. WS 90 e Robert Parker 90!

ROSSO DEI NOTRI 2006 IGT TOSCANA
A Tua Rita produz vinhos que são avaliados 95 pontos ou mais em todas as publicações mundiais. Este é o vinho mais simples da vinícola, composto por 60% sangiovese cortada por merlot, syrah e Cab. Sauv. Segundo a WS, fresco e limpo, com frutas vermelhas, violeta e mineral. Corpo médio com taninos bem integrados e bom final frutado e mineral. Um pouco curto. 13,5% WS 86.

CAMPO CENI 2003 IGT TOSCANA
Vinho que representa um estilo moderno na linha da vinícola Barone Ricasoli. Desde o século XII se produz parreiras e oliveiras em torno do Castello di Brolio. Este vinho foi descrito pela WS como sendo terroso, com ameixas e folhas secas. Corpo cheio, com final de frutas maduras. Não é para se empolgar, mas um bom vinho. 13,5% WS 82.

Referências na Rede:
http://www.tuarita.it/ – Tua Rita
http://www.estaçãodovinho.com.br/ – artigo de Manuel Luz
http://www.winespectator.com/ – Revista Wine Spectator: avaliações de vinhos e artigos.
http://www.micheleshah.com/ – Michèle Shah – Wine, food and travel writer

Velha Vinífera #3 - 28/06/2008 - Argentina

A degustação #3 teve a apresentação dos vinhos argentinos da Escorihuela Gascón, importados pela Wine Company. Provamos Cabernet Sauvignon, Syrah, Sangiovese e Malbec, dando panorama didático das características do que cada uva pode apresentar.

FAMILIA GASCÓN CABERNET SAUVIGNON 2005
Cor violácea com toque rosado, meio atípica. Da Cab. Sauv. esperamos ruby. Frutado e floral, com alguma especiaria no aroma. Taninos vivos, mas sem incômodos. Boca fresca que me lembrou cereja e framboesa. A confraria destacou aromas de framboesa e amora. Foram características evidenciadas o tanino, a suavidade e o adocicado paladar. R$32,00.

ESCORIHUELA GASCÓN SANGIOVESE 2004
Cor ruby brilhante. Para mim, aromas com couro, defumado e frutas frescas. Barrica bem marcada e boa intensidade aromática, mas um tanto simples. Falta-lhe elegância. Boca delicada, leve e frutada. Os taninos ainda presentes no início da degustação vão arredondando com o tempo. No retrogosto, começou com algum amargor que se esvaiu. Um vinho que evolui bem em taça e melhora. A confraria caracterizou-o como frutado, doce (foi citado favo de mel), defumado, geléia e baunilha. Houve quem o considerou tânico e com amargor. R$43,00.

ESCORIHUELA GASCÓN SYRAH 2004
Ruby com leve toque violeta. Escuro como deve ser Syrah. Aroma mais defumado, alguma especiaria. Destaque para intensidade e complexidade. Taninos ainda vivos no palato. Agradou. Para a confraria, apareceram aromas de ameixa, frutas, açúcar queimado, couro e especiarias como cravo e canela. Consideraram o vinho encorpado e intenso. WS86. R$43,00.

ESCORIHUELA GASCÓN MALBEC 2004
Ruby com toque violáceo. Aroma fechado ainda, frutado e floral com alguma baunilha. Aroma menos intenso, mas o mais elegante. Ótimo no paladar, com taninos tranquilos e redondos. Palato limpo e simples. Meu vinho da noite. A confraria destacou o amadeirado e aromas de café, couro e fumaça. Boca doce. WS88. R$43,00.

segunda-feira, julho 21, 2008

Velha Vinifera #3 - Notas de Estudo

O tema da noite foi Argentina, com a Wine Company apresentando os vinhos da Escorihuela Gascon.

VELHA VINÍFERA
Degustação #3 – 28/06/2008
Escorihuela Gascón


CEPAS

Continuando nosso estudo das uvas temos vinhos de três castas novas: malbec, syrah e sangiovese. A oportunidade é muito interessante porque provamos os vinhos da Escorihuela Gascón. Poderemos sentir bem didaticamente a diferença das uvas que provamos.

Malbec
Uma das uvas permitidas em Bordeux, mas não muito utilizada. Na Argentina, adaptou-se muito bem, o que fez dela a uva símbolo da viticultura local, especialmente em Mendonza. Ressurge na frança com os Malbecs de Cahors. Apresenta aromas a frutas secas e especiarias. Tem tâninos e antocianos fortes, mas ainda assim com doçura na boca, pois costuma ter elevado índice de açúcar e álcool. Pode resultar em vinhos de guarda. Harmonização: carne vermelha, churrasco e queijos fortes.

Syrah
Cepa clássica francesa, plantada nas margens do Rhône. Entra no corte do Châteauneuf-du-Pape e é usada como monovarietal nos Hermitage. Ganhou o Novo Mundo e aparece com excelente resultado em vinhos da Austrália, da África do Sul, do Chile e da Argentina. De cor profunda e corpo concentrado, apresenta aromas intensos de frutas, picantes e defumados (quando tratada em barrica de carvalho). Harmoniza com carne vermelha e aves. Pode ir também com queijos amarelos, fondue e souflê. É clássica a combinação com crepe.

Sangiovese
Cultivada por toda a região central da Itália, seu ponto alto é na Toscana onde é a base dos Chianti e do Brunello di Montalcino. Algumas vezes entra no corte dos Supertoscanos junto de uvas não italianas.
Na Argentina, há controversias na literatura se a variedade produzida é mesmo a sangiovese toscana. Alguns autores acreditam que possa ser outra uva da toscana devido a muitas diferenças que encontram entre vinhos produzidos em Lujan de Cuyo e na Toscana.
A versão italiana apresenta agradável acidez, corpo médio e taninos leves. Como é um vinho leve e saboroso é muito bom em harmonização e vai bem com pratos leves, como sanduiches. Clássico com macarrão à bolonhesa, espaguete ao sugo e ravioli. Não vai com peixes, mas acompanha camarão ao alho e óleo.

ARGENTINA
A Argentina tem tradição vinícola bem maior que a brasileira. É o quinto maior produtor e quinto maior consumidor de vinhos no mundo. O consumo per capita vem diminuindo, mas o consumo e a produção de vinhos de qualidade aumenta.
O terreno em torno dos Andes é árido e depende dos sistemas de irrigação para produção das parreiras.
A principal região produtora é Mendonza, onde se destaca a uva Malbec. Ao Norte, em Salta, a Syrah divide as atenções com a Malbec e ao sul, na Patagônia, os viticultores apostam também na Sauvignon Blanc e na Pinot Noir. Não se pode esquecer dos adocidados Tempranillo, vinhos agradáveis feitos com esta casta espanhola.

Referências:
Bibliográficas:
Larousse do Vinho.
Santos. José Ivan. Vinhos o Essencial.
Rede:
http://www.vinosdeargentina.com/ – Vinos de Argentina
http://www.academiadovinho.com.br/ – Informações muito interesantes em português

domingo, julho 20, 2008

Dois Argentinos

Nesta sexta-feira reunimos a família no Laércio para comemorar a chegada do Rafael em Curitiba. Tomamos dois argentinos trazidos de incursões ao país vizinho.
O Rafael, como é de costume, desvirtuou o assunto do vinho e propôs nova modalidade de desgutação: "às mudas". O papel de irmão do meio é esse mesmo - risos - e mesmo com suas tentativas provamos os vinhos. Não foi às cegas nem às mudas, contudo pudemos avaliá-los.
Desculpe a brincadeira, Rafa. É muito bom tê-lo por aqui. Sua missão agora é voltar da Patagônia com alguma garrafa debaixo do braço.
Vamos aos vinhos:

VIÑAS DEL GOLF GRAND BLEND 2003
O Del Golf passou 18 meses em carvalho francês e mostrou a que veio. Escuro, com leve toque mais acastanhado e sem muito alo. Aroma de boa intensidade de couro, charutaria e fruta doce. Concordo com o produtor que acrescenta em seus descritores aniz, especiarias e café. É um daqueles vinhos concentrados, de bom corpo, acidez aparente e boa estrutura. Taninos redondos após cinco anos. 13,2% de álcool. $33,00 (ARS).VV!88.

HACIENDA LOS HAROLDOS RESERVA DE FAMILIA MALBEC 2005
Oito meses de carvalho francês e americano. Cor bordô com toque violeta. Aroma de intensidade e complexidade médias. Frutas maduras, adocicado de geléia e ameixas. Doce à baunilha. Taninos vivos, corpo apenas razoável e macio. Sem tantos atrativos como o primeiro. Um daqueles sucos doces bem feitos. Dependendo por quanto entra no Brasil vale o custo-benefício. No preço pago lá é excelente. 13,5% de álcool. $29 (ARS). VV!85.

NOTA DE HARMONIZAÇÃO
O Del Golf deve ir bem com carnes, mas acompanhou uma lazanha bolonhesa da A Landerna, que é blockbuster lá em casa. O molho mais adocicado da A Landerna combinou com os vinhos.

terça-feira, julho 15, 2008

Decanter Wine Show 2008 em Curitiba!

A importadora Decanter faz pela segunda vez em ano par seu evento "Decanter Wine Show". Desta vez estará no sul do Brasil com mostra em Curitiba!!! Será 07 de Agosto no Buffet do Batel.
Estive em 2006 no Rio de Janeiro e fiquei maravilhado com o evento, como podem ver nos posts: Decanter Wine Show - 23/08/2006 e Direto de Ipanema - Xampanheria.
No release constam confirmados 50 produtores somando 400 rótulos. Vale lembrar que nesses eventos costumam estar nos stands os próprios proprietários e enólogos da vinícola.
A Agenda ainda traz eventos em outras cidades:
Rio de Janeiro - 04/08/2008
São Paulo - 05 e 06/08/2008
Belo Horizonte - 08/08/2008
Imperdível!!!
Assim que sair o procedimento de inscrição, atualizarei.

segunda-feira, julho 14, 2008

Steenberg Shiraz 2005

Dia 07 de Julho provei este belo Shiraz Sul-africano na Expand Curitiba.
O jantar foi maravilhoso. Comi a melhor massa recheada da minha vida: um Anglioni com recheio de vitela e molho feito do próprio caldo da carne. Massa fina e recheio grosso, para comer de joelhos!
O Steenberg pede tempo de respiro ou decantação para abrir os aromas. A temperatura ideal é mais alta, nos 18ºC, para não atrapalhar os taninos.
Clássico Shiraz, não tão brilhante e mais violáceo. Escuro. Aromas fechados o tempo todo, boa complexidade e qualidade. Chocolate bem marcante com frutas e especiarias. Boca macia e correta, de ótima qualidade. Acompanha a noite toda sem perder características. Virou referência em Shiraz para os presentes. 15% de álcool! R$89,00. VV!89.

Quejos e Vinhos 2008 Angeloni

O Angeloni comemora 50 anos com Feira de Queijos e Vinhos. Aqui em Curitiba acontece entre os dias 03 à 20 de Julho de 2008, funcionando de terça a domingo no piso superior do Supercenter Angeloni Água Verde.
O Ingresso custa apenas R$2,00 e vale a pena. Estive no evento três vezes já. Pude provar inúmeros vinhos. Alguns ruins, mas outros já razoáveis e encontrei algumas boas surpresas na gama inferior de preços. Essa realmente é uma boa oportunidade para o consumidor tentar encontrar alguns rótulos para seu dia-a-dia.
Os stands de vinho estão organizados por região ou país e se o visitante for cedo e der várias voltas na feira, ao retornar para o mesmo stand provará um rótulo diferente. O pessoal que serve tem nível razoável de orientação.
O único defeito é que as luzes tornam o ambiente quentíssimo e as apresentadoras (que não são sommeliers) tem sérias dificuldades em achar a temperatura ideal. De vez em quando topei com sopas de vinho e com geladinhos de trava-língua.
Participei do curso "Terroir Brasileiro, a Evolução" da Miolo. Primeiramente, o curso não abordou o tema, apenas descreveu as terras e a gama de produtos Miolo. Esperava uma ligação do título com a excelente produção da empresa que não aconteceu.
Foram servidos sopas de vinho durante a hora e meia massante de curso. O palestrante era um representante que não mostrou a que veio.
Não sei como produtores e importadoras permitem que seus vinhos sejam apresentados dessa maneira. O consumidor esta ali, de braços abertos, louco para provar algo diferente, recebido com sorrisos pelas moças que servem ao invés da fileira inerte de centenas de garrafas da gôndola.
Há um efeito psicológico em eventos. Ficamos sujeitos a achar o "mais ou menos" bom. Estamos de guarda arriada. Certamente muitas prováveis vendas estão sendo fechadas ali. Reforçam-se nomes, constrói-se cultura em torno das marcas... e eles perdem essa oportunidade. Impressionante!
Estou disponível para consultorias em eventos!!! (Risos.)Até eu rio, parece piada, mas falo sério. Deixe-me num desses que não haverá erro. É tão simples e tão difícil. Só falta gente qualificada.
Voltando ao assunto.. sobre a feira em si, saí com boa impressão. Tanto que voltei com amigos e com a família. Uma tacada certeira do Angeloni em Curitiba.
Como já é dia 14/07 e a feira termina dia 20, corra que ainda dá tempo de conferir.
PS: Não sei onde guardei uma das minhas anotações, quando achar publicarei a relação com algumas opiniões dos destaques.

Sabores de Inverno 2008

O Mercadorama oferece o evento "sabores de inverno" entre os dias 10/07 e 09/08 das 16h às 22h de terça a domingo aqui em Curitiba, no estacionamento da loja Seminário. Fica na Nossa Senhora Aparecida, 582. Há cursos e palestras, podendo ser feita a inscrição com 1 Kg de alimento ou um agasalho.
Visitei o evento neste domingo, dia 13/07 e não é nada de especial. Vale pela curiosidade apenas, ou para tomar cervejas. Foi montada pequena e provisória estrutura no estacionamento da loja onde se pode provar alimentos e bebidas e fazer compras. Entre os vinhos, nada de especial ou de destaque. O evento foi feito apenas para não passar em branco.

Vamos aos líquidos provados:
- Aurora Cabernet Sauvignon 2006
- Salton Lunae Frizante Demi-sec R$13,34
- Miolo Seleção 2006
Baixíssima qualidade
- Baccio Cabernet Sauvignon
A moça que serve foi orientada a dizer que ganhou prêmio no Canadá e numa exposição de vinhos que nem lembro mais. Ainda diz que é um excelente nacional. Convenhamos, né?!
- Periquita 2004 R$22,98
Mesmo sendo o mais caro, não empolgou. Temperatura meio alta, mas se a importadora não orienta as contratadas para o stand, que culpa tem quem consome (e avalia!).

Destaques:
- Leffe Blond
Cerveja abadia belga deliciosa. Caramelada, frutada e especiarias. Sou fã há pelo menos 10 anos.
- Franziscaner Weissbier
Ótima alemã de Munique. Aroma de oliva.

quarta-feira, julho 09, 2008

Vinhos Nacionais às Cegas

No dia 16/06/2008 esteve a meu encargo realizar degustação de vinhos nacionais para a confraria Bacco Ubriaco. Optei por fazer às cegas afim de evitar influência dos preconceitos em relação aos vinhos nacionais. Na verdade, o objetivo também era avaliar o preconceito em si e coloquei um vinho surpresa estrangeiro e renomado no evento.
De fato, houve certa confusão entre os confrades. Alguém desconfiou que eu tinha armado alguma cilada, mas diante de minha frieza de jogador de poker deixou por isso mesmo. Outro, não lidou bem com a boa nota que acabou concedendo ao Montes Alpha Cabernet Sauvignon 2005 e recuou em revelá-la achando que estava alta demais.
Um terceiro, por fim, confessou que não passaria de 85 pontos por princípio para um nacional, após ser revelado que estava tomando um Montes Alpha.
Mesmo às cegas, só de se saber que eram vinhos brasileiros, um Montes Alpha que é 89 na Wine Spectator (e em minha opinião é um vinho incrível) acabou com 84,50 na Bacco Ubriaco. Detalhe: pela nota média da confraria ficou próximo do Salton Talento 2002 que arrancou um 84,42 na média.
Minha opinião é bem diferente. O Montes Alpha revelou-se um vinho fora de série. O Talento 2002 já está envelhecendo. O Villa Francioni 2004 é ótimo em boca e o Lote 43 2004 foi o melhor nacional.
Confesso, inclusive, que mesmo tendo praparado a degustação estive às cegas com os vinhos. Não com o 2002, de fácil identificação pela idade, e com o Montes, tão diferenciado, mas entre os dois 2004 nem eu sabia o que estava provando.
O Montes Alpha vence os demais na relação preço-qualidade, mas concluo que não podemos continuar desprezando a priori a vinicultura brasileira.

SALTON TALENTO 2002
Desde que lançado em 2004 recebeu diversas citações e destaques. Foi medalhista na Vinitaly e foi alvo de especial interesse pelo sommelier italiano Enrico Bernardo em prova de nacionais. Jancis Robinson também destacou seu potencial de guarda. Carvalho francês por 12 meses.
Encontrei alo aquoso e decrescente, ficando mais rosado em direção à borda. Aromas de oliva, couro, herbáceo, claramente barrica francesa. Com o tempo em taça fica mais doce, revela baunilha. A fruta é ácida, morango.
Em boca é gostoso, um tanto tânico ainda. No início pega um pouco, mas evolui e melhora, adocica. Boa persistência e final correto, porém boca com algum desequilíbrio. BU 84,42. VV!85. R$67,00 na Cave del Rey.

VILLA FRANCIONI 2004
Um corte de uvas bordalesas: Cabernet Sauvignon 68%, Cabernet Franc 12%, Merlot 11% e Malbec 9%. Feito em Santa Catarina, de vinhedos em São Joaquim e Bom retiro, numa das regiões mais frias do país. É um dos nacionais preferidos do Saul Galvão, que lhe concedeu 89 pontos.
Para mim, cor ruby brilhante. Couro, tabaco, café e aquele aroma de cantina. Muito intenso, complexo. Perdeu pontos em qualidade aromática pela falta de equilíbrio entre madeira e fruta.
Corpo médio, interessante, muito correto. Excelente em boca, depois de um tempo chega a apresentar frescor. BU 83,12. VV!87. R$90,00 na Cave del Rey.

MIOLO LOTE 43 2004
Oriundo do Vale do Vinhedos, é um corte meio a meio de Cab. Sauv. e Merlot com as melhores uvas da vinícola. O nome é inspirado no primeiro lote de terras recebida pelo patriarca da família no Brasil. A Miolo considera que usa o conceito de "cru" e que este vinho suporta muitos anos de guarda. 70% descansou em carvalho americano e 30% em carvalho francês.
O site da produtora aconselha decantação de 1 a 3 horas antes de consumir. Foram produzidas 80.000 garrafas.Só é lançado em anos considerados excepcionais. Temos até agora 1999, 2002, 2004 e 2005.
Ruby escuro, brilhante, belo. Aroma muito bom, delicado, baunilha, floral, tabaco e geléia de fruta. Adorei o aroma. Elegante, sedutor, convida a beber. Boca delicada, macia, redonda, mas sem grandes qualidades. Com o tempo aparecem mais frutas e especiarias. Acidez um pouco exagerada. BU 82. WS 78. VV!88. R$80,00 na Cave del Rey.

MONTES ALPHA CABERNET SAUVIGNON 2005
Na verdade um corte de 90% Cab. Sauv. e 10% Merlot que pela legislação chilena pode rotular varietal. Este clássico passa por 12 meses de carvalho francês e foram produzidas 95.000 caixas.
Belo, brilhante. Aroma fantástico! Eucalipto, mentol. Evolui para especiarias e fruta mantendo o frescor. Complexo. Corpo ótimo, boca excelente. Frescor, mentol e taninos vivíssimos. Intenso e fresco. Delicioso. (A WS nomeia esse frescor como sendo grafite). BU 84,50. WS 89. VV!90. R$80,00 na Cave del Rey.

Brazil na Wine Spectator

Aproveitando o tema de vinhos nacionais que muito chamou a atenção no Viva o Vinho! com a postagem do Miolo Lote 43, divulgo as notas atribuidas pelo site da revista Wine Spectator aos vinhos locais, quando se pesquisa a palabra "Brazil" no site.
Eles beberam apenas três grupos vinícolas: Miolo (Miolo e RAR), Rio Sol e Pizzato.
Chama a atenção a maioria ter sido provado em 2008. Pode significar que o Brasil agora pelo menos existe no mundo do vinho.
As notas foram ruins, acho que até exageradamente baixas. Minha opinião é outra, como veremos na publicação da degustação de nacionais que fizemos na confraria Bacco Ubriaco.
Destaco ainda que o Quinta do Seival realmente é um bom vinho feito de castas portuguesas e já degustado pela Bacco Ubriaco. A experimentação tem dado resultados interessantes, com várais vinícolas tentado outras uvas além das clássicas francesas. Como todo vinho nacional interessante, tem um preço meio elevado.

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WINERY Wine Vintage Score Release Price

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VINÍCOLA MIOLO Quinta do Seival Brazil 2004 ... 83 $24
VINÍCOLA MIOLO Chardonnay Brazil 2006 ... 83 $12
RIO SOL Parallel 8 Brazil 2004 ... 83 $7
VINÍCOLA MIOLO Pinot Noir Brazil Reserva 2005 ... 81 $12
VINÍCOLA PIZZATO Cabernet Sauvignon Brazil Fausto 2005 ... 81 $15
RIO SOL Reserva Brazil 2004 ... 81 $6
VINÍCOLA MIOLO Merlot Brazil Terroir 2005 ... 79 $26
VINÍCOLA MIOLO Cabernet Sauvignon-Merlot Brazil Lote 43 2004 ... 78 $29
VINÍCOLA PIZZATO Merlot Brazil Fausto 2005 ... 78 $15
VINÍCOLA MIOLO Merlot Brazil 2005 ... 77 $12
VINÍCOLA PIZZATO Merlot Brazil Rosé Fausto 2007 ... 77 $15
VINÍCOLA MIOLO Cabernet Sauvignon Brazil Reserva 2002 ... 76 $12
VINÍCOLA MIOLO Cabernet Sauvignon-Merlot Brazil RAR Family Reserve 2002 ... 74 $29

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quinta-feira, julho 03, 2008

Miolo Lote 43

Neste mês de junho a Confraria Bacco Ubriaco realizou degustação de vinhos nacionais. Fui o responsável pela #122 e a preparei às cegas. Tomamos Salton Talento 2002, Villa Francioni 2004 e Miolo Lote 43 2004.
Ficarei devendo a postagem, mas faço o serviço de utilidade pública (consequentemente propaganda gratuita) de informar em primeira mão que o melhor vinho nacional da noite voltou a ser formalmente comercializado.
A Miolo está vendendo em seu site www.miolo.com.br o Lote 43 2002 e 2004. O último por R$61,00 e o mais velho por R$53,33 a garrafa.
A política de comercialização é por caixa de 6 e apenas uma por CPF. Se não aproveitar o momento, depois só no câmbio negro. Com direito a desconto, na garrafa da degustação paguei R$80,00.
Não provei o 2002, mas o 2004 eu recomendo!!!

domingo, junho 29, 2008

Desventurados

São muitas as provas em 2008. Rivaliza de perto com 2007 em relação ao alto nível das oportunidades que se têm apresentado. Se não tomei nada equivalente ao Haut-Brion da comemorativa #100 da Bacco Ubriaco, já no final de 2007 sorvi o supertoscano Tignanello (que estou devendo no blog). Em 2008 vieram os top chilenos em várias degustações, alguns lalande-de-pomerol e pessac-léognan representando Bourdeux, o macio espumante Ferrari, borgonha, priorato, portugal, chianti clássico, ... e inúmeros outros vinhos bons. Foram tantos que este post sobre vinhos Desventurados está virando post de Resumo do Melhor de 2008.
Voltando ao ponto, quem lê tudo isso no blog pode até pensar que só bebo vinho de primeira. Não é o caso. Sempre estou procurando bons custo-benefícios nas mais variadas faixas de preço. Nessas aventuras é quase certo que hora ou outra toparei com vinhos ruins tecnicamente e com vinhos que definitivamente não me agradam.
Não dou conta de colocar todos que bebo no blog. Alguns são provados tão informalmente que na ocasião não havia como anotar. Esses dias estava na casa de um amigo que voltou de viagem ao leste europeu. Trouxe na bagagem um vinho de mesa turco, um grego e um Bourdeux Superior (este do free-shop). Aventuras que devido à informalidade da ocasião não virão para o blog, mas que formam também este enófilo.
Dessas aventuras surgem alguns vinhos que, de fato, não gostei. Não são de todo dinheiro perdido. Toda vez que bebo um desventurado desses tenho a sensação de que recalibro meus sentidos e vejo que não me enganam mais.
Vamos aos desventurados que analisei este ano e que ainda não estão no blog (sorte dos outros, daqueles que esqueci, risos):

TERRANOVA SHIRAZ 2006
Tomado em Janeiro foi o primeiro mico do ano. Aparência violácea, porém opaca. Desinteressante de saída. Madeira fechada e excessiva no aroma. Boca desequilibrada, com álcool, acidez e taninos em desarmonia. Não agradou desde o início. A Miolo errou neste 2006 do Vale do São Francisco. Pena, pois o rótulo é belíssimo.VV! 72. R$12,00.

FINCA LA LINDA TEMPRANILLO 2006
Acredite se quiser. Sempre gostei da linha La Linda. Já tomei outras safras deste Tempranillo e me agradaram. Os Malbec e os brancos são ótimos também. Não sei bem o que aconteceu com este 2006. Não estava estragado.
Bom aspecto. Nariz correto com geléia de fruta e sutil floral. Sem muita intensidade. Até aqui tudo bem. Já na boca: desequilibrado, alcaçuz, álcool excessivo. Final apresentando defeitos. Não agradou. Em 2006 a Luigi Bosca errou neste Tempranillo. VV! 77.

ALANDRA Vinho Regional Alentejano
Não foi propriamente um mico, mas como não atingiu 80 pontos está na classe dos vinhos que EVITO (ver classificação na barra à direita). Aroma simples, agradável, bem frutado e adocicado. É um vinho sem taninos, sem estrutura e sem corpo. Muito simples, porém agradável e docinho. VV! 79.

AURORA VARIETAL MERLOT 2005
Provado em fevereiro apresentou pouca cor, translúcido. Frutado, framboesa e animal. Pouco corpo, confirmando aparênca. Ligeiro. 11,8% de álcool. VV! 78. R$17,00.

CALAMARES Vinho Verde
Realmente não gostei deste vinho. Já paguei R$10,00 em verdes melhores. Era tão adstringente que travava a boca. “Micasso”!