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terça-feira, dezembro 15, 2009

Degustação de Encerramento 2009

Na sexta reunião de encerramento anual da Confraria Bacco Ubriaco, nosso presidente solene foi mais uma vez homenageado com a prova de líquidos de excelente qualidade.
Fui à Curitiba especialmente para o evento e, quando cheguei ao local, o aroma dos grandes vinhos já abertos tomava conta do ambiente; e que vinhos:



BARCA VELHA 2000
A Casa Ferreirinha foi a primeira no Douro a engarrafar vinho tranqüilo de qualidade superior. O primeiro foi lançado em 1952 e apenas outras quinze safras foram comercializadas com esse nome, criando um mito. Foi vinificado na Quinta da Leda e parcelas suas, dependendo da casta e do lote, ficaram de um ano a um ano e meio estagiando em carvalho francês em Vila Nova de Gaia. As 26.000 garrafas permaneceram em Gaia aproximadamente 7 anos antes do início das vendas. É possível que os anos de 2003 e 2007 sejam também declarados Barca Velha, contudo a Ferreirinha mantém sigilo absoluto do resultado do vinho até o lançamento. Não basta uma grande vindima, é necessário que se atinja o mais alto grau de qualidade, segundo os parâmetros da Casa.
Com origem no Douro Superior, tem Tinta Roriz (Tempranillo), Touriga Nacional, Touriga Franca e Tinta Barroca em sua composição. A safra 1999 recebeu WS 93 e RP 94.
Veio compor a constelação maior entre os já provados do blog Viva o Vinho!, ao lado de Haut-Brion 1996, Mouton-Rotschild 1994, Vega-Sicília "Único" 1990 e Chateau d'Yquém 1998.
Vinho para ser aberto duas horas antes da degustação. Na cor, tinha um tom a menos de vermelho, levemente mais para o laranja. O aroma é notável, intenso e pode ser sentido à distância. Lembrou imediatamente Tawny, sem o ataque alcoólico. Mostra a complexidade típica destes, com licor, castanhas, tostado cítrico, talvez casca ou folha de laranja queimada (foi o que remeteu na minha memória olfativa), fruta vermelha e até um floral.
A estrutura era notável, com grande corpo e taninos doces. Vinho harmônico, com final redondíssimo e permanência ao infinito. Mais que suficientes 12,5% de álcool, EUR 198,00 (R$512,00) em Portugal. Optei por não pontuar objetivamente, mas as notas da WS e do RP para o 99 não condizem com este 2000, que é para a casa dos VV! 95-96*, chegando junto com o Vega-Sicília "Único" 1990 tomado ano passado.

GAJA LANGHE SPERSS 2001
O Sperss representou confirmação de uma suspeita que tinha com Barolos, ou Nebbiolo, e optei por fazer uma postagem a parte, trabalhando a experiência com esses vinhos.

CARMÍN DE PEÚMO CARMÉNÈRE 2005
Como é comum (e ruim) no Chile, declara uva no rótulo, mas a quantidade de outras não é desprezível. A composição é de 85% Carménère, 11% Cabernet Sauvignon e 4% Cabernet Franc, o que faz dele um vinho de corte nos fatos.
Marcelo Copello (MC) o considera mais elegante que o Clos Apalta. Para Patrício Tápia (PT), do excelente guia Descorchados, foi o segundo melhor do Chile em 2009, perdendo apenas para o Almaviva 2006. Na Wine Spectator, que considerou o Clos Apalta 2005 o vinho do ano no mundo, o Carmín tem 94 pontos.
Vinho roxo, escuro, absorve toda a luz. Aroma doce, ameixa preta, com referência direta a calda de fruta e doce de fruta, revelando o amadurecimento da Carménère. Pareceu meio preso o tempo todo. Corpo pesado, concentrado, final correto e sem amargor, apesar de toda a doçura. Reconheço os baixos rendimentos e a qualidade da uva, mas não me empolgo tanto como os críticos. R$663,00. MC 95, PT 95, RP 97 e WS 94. Tem a cara dos vinhos ultra-concentrados para notas do Parker. Prefiro os mais elegantes. Não pontuei objetivamente, mas fico com a parte de baixo da crítica (que não é pouco) VV! 93-94*.

ARROBA MALBEC ROBLE 2006
Arroba é um vinho diferente. Carlos Balmaceda produz apenas 5000 garrafas, resultado de vinhedos que seleciona nas altas regiões de La Consulta e de Luján de Cuyo, no distrito de Mendoza. 25% do vinho fica 12 meses em barricas francesas novas e outra parcela permanece em tanques maiores de carvalho.
Na cor é bordô escuro. Tem aroma intenso e elegante, com bela integração da fruta com a madeira. Claro que não tem a mesma permanência, estrutura e profundidade que os demais degustados nessa noite, mas no aroma não ficava tão longe assim o colocando como excelente custo-benefício. 14,1% de álcool. R$160,00 a garrafa Magnum na Berenguer Imports. Minha pontuação ficaria na casa dos VV! 88-90*.

NIEPOORT 10 YEARS TAWNY
Alguns Tawnys trazem, junto da complexidade do envelhecimento e da madeira, um ataque maior em boca. Este mantém as características de tawny, mas traz a elegância e a facilidade de beber de um Vintage. Apresenta as conhecidas castanhas e casca de laranja somadas ao doce. A experiência gustativa é surpreendente, sem nenhum ataque, com destaque para o final permanente, doce e macio. 17,5% de álcool. R$ 160,00 na In Vino Veritas. WS 95, para mim nessa faixa também VV!94-95*.



*Não avaliei objetivamente, todavia coloquei minha impressão subjetiva expressa em pontos junto ao relato, ao lado da pontuação objetiva da crítica especializada.

Nota sobre a foto: Magnum Les Terrasses 2004 Priorat é a primeira garrafa da direita, mas optamos por não abri-la em nome da sanidade.

sábado, outubro 11, 2008

Velha Vinífera #6 – 02/08/2008 Portugal/Alentejo

Mais uma vez reunimo-nos na Enoteca Decanter para um agradável encontro. Pessoas boas e bons momentos: é sempre gratificante encontrar-se com os amigos de confraria nessas calmas noites de degustação.
Entre os elementos comuns aos vinhos, notei que esses três alentejanos tinham um tom de cor mais acastanhado do que estamos acostumados no cone sulamericano e que a mineralidade ficou bem destacada.

MARQUÉS DE MONTEMOR RESERVA 2005
Feito de Aragonez, Castelão e Touriga Nacional. Vinho um pouco mais violáceo. Aroma doce: compota de fruta. É intenso, vai ficando mais doce e apresenta baunilha. Boca quente e tânica, porém redonda. Com o tempo, as sensações táteis ficam mais tranquilas e torna-se bem mais seco, lembrando tâmara (revela mais a acidez).
A confraria destacou características de defumado, mineral, baunilha. Consideraram ácido no paladar, amêndoado e álcool mais acentuado no início.
R$66,70 na Enoteca Decanter. VV!85.

PLANSEL TOURIGA FRANCA 2004
Esse varietal tinha cor ruby com tom acastanhado. Mais amadeirado, acastanhado, bem mineral. Tem calorzinho de licor de ameixa, bem tânico, seco, contudo suave e correto. Notamos ainda geléia e licor de nozes na permanência.
Entre as características citadas pela confraria predominou frutado, maçã, morango verde, cítrico. Permanente.
R$79,60 na Enoteca decanter. VV! 87.

ALTAS QUINTAS COLHEITA 2004
Corte de Aragonez, Trincadeira e Alicante Bouchet. Cor ruby mais para o acastanhado também. Aromas começam fechados. Madeira, fruta, fresco, morango. Após muito tempo aberto, vai adocicando para geléia e ameixas. Boca fresca, elegante, agradou muito. Cheio de taninos vivos e muito bem integrados. Boa acidez.
Entre as características citadas pela confraria predominou própolis, salgado. Foi considerado mais claro, ácido e salgado (mineralidade). Nos aromas inusitados, registre-se aroma de casa da avó e fósforo queimado. Em boca apareceu, ainda, amêndoas e avelã.
R$106,90. VV! 89.

quinta-feira, outubro 09, 2008

Velha Vinífera #6 - Notas de Estudo


Degustação #6 – 30/08/2008
Portugal/Alentejo – Enoteca Decanter



É difícil percorrer qualquer área de Portugal sem ter algum contato com a vinha ou o vinho. Por muito tempo foi o artigo de exportação mais importante do país, especialmente no período em que deixou de ser potência marítima mundial, quando entrou em crise o mercantilismo. Durante as grandes navegações desenvolveu-se o vinho Madeira. Já o Porto veio da exportação para a Inglaterra.
É característica fundamental da vinicultura portuguesa o uso de castas viníferas locais. Isso confere ao vinho português muita personalidade. Existem ainda vinhedos antigos onde as diferentes uvas foram plantadas todas misturadas.
Como se pode ver no mapa, são muitas as regiões viníferas de portugal, mas podemos fazer uma divisão mais simples para entender os estilos básicos de vinhos portugueses.

(clique na imagem para vê-la ampliada)

- Portugal Atlântico: Região ao Norte de Portugal à beira-mar compreendendo Vinho Verde, Bairrada e Estremadura. Divide-se do interior por maciços montanhosos. Região de solos arenosos férteis, baixa amplitude térmica e altos índices pluviométricos. São maiores as dificuldades de maturação e os vinhos tintos têm taninos mais duros, favorecendo combinações com carnes. Devido à acidez mais alta, é vocação natural da região os vinhos brancos.
- Vales de Portugal: Podemos destacar os vales do Douro e do Dão, onde se encontram as maiores amplitudes térmicas. São solos pobres de xisto e granito e a vinicultura acontece em região montanhosa, nas encostas dos vales. Os tintos predominam e possuem fama internacional.
- Sul de Portugal: As planícies argilo-cacáreas e arenosas dessa grande região tem maior homogeneidade de castas: Castelão, Aragonez (Tinta Roriz, Tempranillo) e Trincadeira. As uvas francesas encontram mais espaço aqui também com Cabernet Sauvignon, Syrah e Chardonnay. Fazem vinhos frutados, fáceis de beber, redondos e aromáticos, num estilo que se assemelha aos do Novo Mundo. Esses planos que tornam mais fácil a mecanização da colheita e a irrigação artificial do solo conquistaram o gosto do consumidor português. Os vinhos do Alentejo são os mais consumidos em Portugal.


VINHOS
1. MARQUÉS DE MONTEMOR RESERVA 2005 VR ALENTEJANO
Aragonez, Castelão e Touriga Nacional
2. PLANSEL TOURIGA FRANCA 2004 VR ALENTEJANO
Touriga Franca
3. ALTAS QUINTAS COLHEITA 2004 VR ALENTEJANO
Aragonez, Trincadeira e Alicante Bouchet


Referências:
Revista:
COUTINHO, Anibal. Portugal Revisitado em Vinho Magazine. Edição #78.
Rede:
www.academiadovinho.com.br – Academia do Vinho.
www.otd.com.br/images/Roda-dos-Aromas.jpg - Roda dos Aromas Vinho Magazine.

domingo, junho 29, 2008

Desventurados

São muitas as provas em 2008. Rivaliza de perto com 2007 em relação ao alto nível das oportunidades que se têm apresentado. Se não tomei nada equivalente ao Haut-Brion da comemorativa #100 da Bacco Ubriaco, já no final de 2007 sorvi o supertoscano Tignanello (que estou devendo no blog). Em 2008 vieram os top chilenos em várias degustações, alguns lalande-de-pomerol e pessac-léognan representando Bourdeux, o macio espumante Ferrari, borgonha, priorato, portugal, chianti clássico, ... e inúmeros outros vinhos bons. Foram tantos que este post sobre vinhos Desventurados está virando post de Resumo do Melhor de 2008.
Voltando ao ponto, quem lê tudo isso no blog pode até pensar que só bebo vinho de primeira. Não é o caso. Sempre estou procurando bons custo-benefícios nas mais variadas faixas de preço. Nessas aventuras é quase certo que hora ou outra toparei com vinhos ruins tecnicamente e com vinhos que definitivamente não me agradam.
Não dou conta de colocar todos que bebo no blog. Alguns são provados tão informalmente que na ocasião não havia como anotar. Esses dias estava na casa de um amigo que voltou de viagem ao leste europeu. Trouxe na bagagem um vinho de mesa turco, um grego e um Bourdeux Superior (este do free-shop). Aventuras que devido à informalidade da ocasião não virão para o blog, mas que formam também este enófilo.
Dessas aventuras surgem alguns vinhos que, de fato, não gostei. Não são de todo dinheiro perdido. Toda vez que bebo um desventurado desses tenho a sensação de que recalibro meus sentidos e vejo que não me enganam mais.
Vamos aos desventurados que analisei este ano e que ainda não estão no blog (sorte dos outros, daqueles que esqueci, risos):

TERRANOVA SHIRAZ 2006
Tomado em Janeiro foi o primeiro mico do ano. Aparência violácea, porém opaca. Desinteressante de saída. Madeira fechada e excessiva no aroma. Boca desequilibrada, com álcool, acidez e taninos em desarmonia. Não agradou desde o início. A Miolo errou neste 2006 do Vale do São Francisco. Pena, pois o rótulo é belíssimo.VV! 72. R$12,00.

FINCA LA LINDA TEMPRANILLO 2006
Acredite se quiser. Sempre gostei da linha La Linda. Já tomei outras safras deste Tempranillo e me agradaram. Os Malbec e os brancos são ótimos também. Não sei bem o que aconteceu com este 2006. Não estava estragado.
Bom aspecto. Nariz correto com geléia de fruta e sutil floral. Sem muita intensidade. Até aqui tudo bem. Já na boca: desequilibrado, alcaçuz, álcool excessivo. Final apresentando defeitos. Não agradou. Em 2006 a Luigi Bosca errou neste Tempranillo. VV! 77.

ALANDRA Vinho Regional Alentejano
Não foi propriamente um mico, mas como não atingiu 80 pontos está na classe dos vinhos que EVITO (ver classificação na barra à direita). Aroma simples, agradável, bem frutado e adocicado. É um vinho sem taninos, sem estrutura e sem corpo. Muito simples, porém agradável e docinho. VV! 79.

AURORA VARIETAL MERLOT 2005
Provado em fevereiro apresentou pouca cor, translúcido. Frutado, framboesa e animal. Pouco corpo, confirmando aparênca. Ligeiro. 11,8% de álcool. VV! 78. R$17,00.

CALAMARES Vinho Verde
Realmente não gostei deste vinho. Já paguei R$10,00 em verdes melhores. Era tão adstringente que travava a boca. “Micasso”!

domingo, junho 15, 2008

Velha Vinífera

Foi com muito prazer e muito vinho que iniciamos nova Confraria em Curitiba:
A VELHA VINÍFERA.
Tenho a honra de coordenar o grupo formado em sua maioria por médicos e médicas que propõem-se a quinzenalmente estudar o fascinante mundo do vinho e passar momentos agradáveis provando o líquido de Bacco.
O vinho sempre traz alegria, estreita laços e constrói boas amizades. Assim esperamos que seja também com o novo grupo de degustadores.
Que a Velha Vinífera tenha longa vida!


Neste primeiro encontro apresentamos a parreira, a uva e o vinho. Abordamos aspectos da relação entre vinho e saúde e discutimos as sensações visuais, olfativas e gustativas.

Fomos muito bem recebidos na Vino! Batel no dia 31/05/2008 e fico particularmente feliz por este espaço da Comendador Araújo estar aberto para estimular o surgimento de novas confrarias e fomentar a formação de novos degustadores.
Neste primeiro encontro os confrades e as confreiras puderam provar diferentes estilos de vinificar. Um estímulo ao despertar sensorial que a degustação proporciona.

CAVE GEISSE BRUT Expedição 2005
Apresentou cor palha, bolhas adequadas e finas. Aroma de fermento, pêssego em calda. Possui boca macia e cremosa, porém apresenta também alguma adstringência. A confraria encontrou também aromas de carambola, casca de araçá e alguma citricidade. 12,5% de álcool. R$44,00.

LAURA HARTWIG CHARDONNAY 2005
Claríssimo, traslúcido, com algum brilho verdeal. Boca ácida, equilibrada. Adocidado, mel, lácteo e floral. A confraria encontrou também manteiga, canela, maresia, maçã e banana seca. 14% de álcool. R$82,50.

CHOCALÁN 2003
Este corte chileno de Cabernet Sauvignon, Merlot e Malbec apresentou aspecto denso, que os confrades compararam ao sangue venoso. Pequeno alo aqüoso. Aroma intenso, químico, pimentão verde e frutas vermelhas. Com o tempo evolui mais para a baunilha. Boca delicada, evoluída, gostosa. Boa acidez e complexidade. A confraria percebeu favo de mel, uvas passas, rosas, cravo, animal, fumaça doce e temperos como tomilho, pimenta e cominho. 13,5% de álcool. R$85,00.

BURMESTER JOCKEY CLUB PORTO RESERVA
Cor ambar escura e brilhante com alo gradativo. Aroma alcoólico, amêndoas, frutas maduras, químico. Boca adocicada, intensa e bem agressiva no álcool. É um porto de estilo forte. A confraria percebeu no palato calda de pudim, côco queimado e doce de cidra. No aroma, caramelo, tâmara, damasco, figos e passas em calda, tabaco e, curiosamente, aroma de igreja! 20% de álcool. R$56,00.

domingo, janeiro 27, 2008

Vale da Judia 2005

20/12/2007. Aproveito para comparar o Cabriz com este vinho feito de Castelão, a mesma uva do Periquita. São vinhos opostos! O Cabriz é tradição, já este feito em Terras do Sado pela Coop. Agrícola de Santo Isidro de Pegões é moderno, confirmando a tendência na Península de Setúbal.
Belo vinho, ruby, límpido, brilhante. Aroma delicado de frutas vermelhas. Sem grande complexidade, todavia muito fresco e agradável. Corpo médio adequado, taninos vivos e macios, acidez proeminente e interessante. Final redondo.
Muito equilibrado. Excelente qualidade pelo preço. Ótima compra. 13,5% de álcool. Nota VV! 86. R$28,90 direto na Wine Company

Cabriz Colheita Seleccionada 2005

03/01/2008. Degustado para a Confraria Brasileira de Enoblogs.É um português DOC Dão produzido pela Dão Sul Soc. Vitivinícola S.A com as uvas Alfrocheiro, Tinta Roriz e Touriga Nacional. As garrafas do Dão são diferentes, mais bojudas na parte inferior. Esta era bem escura e possuía alto relevo da Cabriz.
Ao servir pareceu aquoso de corpo. Cor escura, ruby com leve acastanhado. Aromas iniciais mais frescos de oliva e pimenta. Evolui para fruta a ameixas pretas, doce. Torna-se mais agradável. Na boca tem bom corpo médio (contrariando a aparência inicial), boa acidez, alguma trava tânica e álcool. Agradável, rústico e simples.
A boca vai adocicando após aberto e o calor do álcool faz lembrar vinhos fortificados. Um vinho mais tradicional. 13% de álcool. Nota VV! 85. R$21,90 no Pão de Açúcar Água Verde.

sexta-feira, janeiro 19, 2007

Comparação de Safras

Com muitos vinhos pela frente, particularmente brancos, tenho de publicar logo para acompanhar o passo. As provas são muitas e o janeiro quente que faz aqui chama sempre a tomar vinhos a baixas temperaturas em busca de frescor.
A recorrência de algumas marcas por simpatia pessoal e disponibilidade no mercado permitirá estabelecer pequenas diferenças em safras e faixas de preço.
De pronto, com este post é possível comparar as impressões entre os Santa Helena Reservado Chardonnay 2005 e 2006.

ADOLFO LONA BRUT ROSÉ
Este espumante ficou meio ano aí parado na adega (não climatizada). Estava até com medo de que já estivesse estragado, mas ao abrir apresentou boa espumação com bolhas finas e abundantes. A cor é salmão. O aroma muito fechado me lembrou maçã. A descrição da vinícola é "vinoso". A boca é sem frescor e alegria que espero em espumantes. Não me agradou, talvez até por eu não conhecer muito espumantes rosés. 12% de álcool. Comercializado na In Vino Veritas.

SANTA HELENA RESERVADO CHARDONNAY 2006
Cor amarela. Este chileno da confiável Santa Helena tem aromas ainda mais frutados que o 2005 (post anterior). Agrada-me muito mais esse frescor de fruta. A boca tem as características que esperamos da Chardonnay com algum amanteigado. Interessante que ao circular o vinho por todo paladar as laterais da boca são bem estimuladas como o 2005. Fico com o 2006! Menos amargor no final. 13% de álcool. Ainda caros R$19.00 no Mercadorama.

PERIQUITA BRANCO 2005
Um vinho bem diferente dos brancos antes provados. Este primeiro português de 2007 lembrou-me um pouco o Gewurz nacional, adicionado de bom frescor. Bem aromático, é "adocicado" no palato e no olfato lembrando, este sim, goiaba. Branco português é tiro certo. 12.5% de álcool. Em torno de R$20.00 no Mercadorama.

Notei que o Santa Helena 2005 e o 2006 possuem sutis diferenças em prol do último. Uma preocupação minha é sempre ressaltar as circunstâncias do vinho, pois companhia, evento e condições de consumo pesam em minhas impressões sobre o bebido.
Do 2006, fui eu quem controlei a temperatura e certamente estava mais baixa que a do 2005. Melhor seria ter feito prova vertical ao mesmo tempo em forma de degustação.
Posto tudo na balança meu escolhido é o 2006.

Adquiri a preço justo (enfim) o Santa Helena Siglo de Oro Chardonnay no Mercado Municipal de Curitiba. Ele é um passo acima em qualidade da linha Reservado. Provarei em breve!

sexta-feira, janeiro 05, 2007

2007 de Muitos Vinhos

Talvez seja maldição da Sidra!!! O Rafael já pediu a postagem das duas que estouramos no ano-novo.
No Rio nem me preocupei com vinho. Passeamos muito, revi grandes amigos cariocas e de toda parte do Brasil e fomos muito bem recebidos por nossos anfitriões do paraná em terras fluminenses.
Quando cheguei em Copacabana para a virada de ano já eram 23:15 e nem pensei em bebida. Estava achando muito tomar no bico ou em copinho de plástico qualquer espumante decente.
Foi quando deu uma louca em mim e no Rafa e compramos por cincão num camelô duas cidras geladas que vieram somar-se com mais uma que já estava na área. Quando do ano-novo, até estouramos com direito a espuma jorrando e tudo. Que beleza!
Os VIPs de Copa e de Ipanema até que detonam bons líquidos em plena rua. Testemunhei garrafas de Veuve Cliquot, Taittinger, Moet & Chandon e Paul Roger.
Quanto aos aromas e sabores dos líquidos, não publicarei porque as garrafas já se encontravam sem rótulo quando às compramos, risos!

Sem contar as ditas, o ano começou muito intenso. No quinto dia de 2007 já tomei seis rótulos. Infelizmente muitos não passaram de razoáveis, algum até bom, porém não há destaques. Nenhuma garrafa de ajoelhar e rezar.
Deve ser a maldição daquelas sidras. Tristemente, terei de abrir um bom vinho conhecido e seguro para dar início às provas de vinho que marcarão 2007.

Aproveito para postar rapidamente os seis já provados para não deixar que passem em branco.

Chateau Luxeuil 2003
Tomei este francês que havia ganho de presente dia 02/01 em casa. Ficara tempo demais na geladeira e pela primeira vez usei o termômetro para aguardar que chegasse a temperaturas melhores.
Ele é um Bordeaux Côtes de Francs. A região fica ao norte do rio Dordogne, afastada de sua margem direira pela região de Côtes de Castillon. Estando 10 km a leste de Saint-Emilion, nem se compara ao Cap de Mourlin já provado por este enobloguista. (mapa)
A cor não me impressionou. Não tinha brilho, era apenas ruby básico. O aroma não era intenso nem tinha grande destaque. Baunilha básica, frutas vermelhas e algum herbáceo. A boca também deixou a desejar, com amargor. 13% de álcool.
O vinho não é tão terrível quanto parece a descrição. O problema é o preço: vinhos na faixa de R$40,00 devem ser de regiões com melhor custo-benefício. Em rápida pesquisa descobri que na Europa sai por três euros. Lá, preço justo.

José de Sousa Mayor 1999
Bem recebidos em casa de amigos tomamos 4 garrafas ontem. Abrimos a noite com Chandon Brut, que manteve sua consistência de alguns anos e estava agradável. Depois tomamos o Quara, um cabernet sauvignon argentino bem desequilibrado que não faria 80 pontos. Teve quem gostou.
Em seguida um Duetto Cabernet Sauvignon - Merlot 2003 da Casa Valduga que levei e não me agradou também. Madeira exagerada e de pouca qualidade a dominar e estragar tudo. Na boca a madeira continua incomodando, acidez e taninos pra lá de estranhos. Menos de 80 pontos. Por R$23,50 é um absurdo! Decepção com a Valduga que faz vinhos bem mais corretos na linha varietal.
Enfim chegou o José de Sousa Mayor, um alentejano feito de maneira diferenciada: pisado em lagares de granito e descansado em ânforas de barro.
O vinho tem boa cor. O aroma é bem equilibrado entre a baunilha e as frutas. A boca é agradável e tem tâninos que ainda podem evoluir, mesmo tendo oito anos. Bem limpa, com menos intensidade aromática no palato, puxando ao mineral. Final tranquilo e de persistência boa, sem amargor. Não chega a elevar às alturas, mas ficaria com uns 85.

Pulenta Estate 2002 Merlot II
Este Merlot de Mendoza decepcionou desde a abertura até este final que estou degustando agora. Sacada a rolha e constatado que o vinho não abria foi para o decanter. Começamos a tomá-lo mesmo com 20 minutos de decanter e nada de abrir. Cor bem escura, prometendo um vinho mais concentrado e elegante. Aromas fechados (que não abriram nunca) de ameixa e chocolate. Na boca tâninos rascantes e excesso de álcool que o aroma já prenunciava. Desequilibrado. Realmente não dava para esperar demais de um merlot argentino. Talvez agrade algum parkeriano; para mim não serve.
14,9% de álcool! Preço desconhecido. Quem sabe 82 pontos.

Neste início de 2007, boa é a leitura do livro "O Julgamento de Paris" sobre a degustação de 1976, que marcou o reconhecimento de novas tecnologias na vinicultura e deu impulso à produção de vinhos melhores no novo mundo.
É interessante ler sobre a paixão dos produtores e as histórias que marcaram a busca pela qualidade nos vinhos na califórnia. Agradeço ao Laércio pelos sempre certeiros presentes literários de natal.

terça-feira, dezembro 26, 2006

Terrozo 2001 - 24/12/2006

Fico feliz que o Rafael tenha voltado à ativa. Como está em Curitiba, intimei-o a assumir o posto de ombudsman do blog e ele já se considera o crítico oficial. Suas tiradas são excelentes e o enoblog não é o mesmo sem seus comentários.
A Juliana esteve aí cobrando a publicação da champagne, mas ainda está devendo sua opinião. Recobro!

TERROZO DOURO DOC 2001
O Terrozo é um bom Douro DOC feito de Baga de Touriga. Provado no meio do ano em degustação fez o maior sucesso. Limpamos a Vino!Batel na ocasião.
Este reencontro com ele foi para dissipar meu ceticismo em beber vinho com carne de churrasco e confirmar o bom desempenho daquele dia. Encomendamos costela e cupim e forcei a barra em tomar este 2001 que já estava 6 meses deitado.
Decantado imediatamente após aberto, foi consumido com uma hora de descanso. Se a cor não era de vinho envelhecido, apresentou alo aquoso para testemunhar a idade.
Começou com madeira marcante, porém agradável. Aroma de baunilha típica do carvalho francês. Na boca estava bem seco e balsâmico, excelente para "limpar" a gordura da carne.
Com o tempo os aromas frutados cresceram, especialmente de cerejas em calda. A boca também evoluiu, revelando taninos interessantes e especiarias.
A prova foi muito boa e me convenceu de que vinhos estruturados e tânicos vão com carne. Os Malbec e Tannat do novo mundo que me aguardem.

domingo, dezembro 10, 2006

II Degustação Viva o Vinho!

Aproveitamos a excelente recepção que Rogério e Eleandro do Tatibana nos proporcionaram e continuamos nossa saga propondo o
DESAFIO VINHO VERDE E COZINHA ORIENTAL
para amigos do enoblog.

Republico a pesquisa sobre essa região lusitana:

DOC VINHO VERDE
A Região dos Vinhos Verdes fica ao Noroeste de Portugal, também conhecida como Entre-Douro-e-Minho devido aos rios que a limitam ao Sul e ao Norte. À Leste, uma cadeia de montanhas a separa das regiões vinícolas do Douro, do Porto e de Trás-os-Montes. Sua delimitação foi estabelecida em 1908 e a demarcação aconteceu em 1929. Possui 6 subdivisões: Monção, Lima, Basto, Braga, Amarante e Penafiel. A cultura gastronômica da região inclui pratos exuberantes com Lampreia, Galo, Caldo Verde (repolho e batata), Sardinha e Porco.

UVA E VINHO
Tradicionalmente são 3 métodos de plantio das parreiras:
- “Uveira” ou “Vinha-de-enforcado”
– Planta-se uma ou mais parreiras próximas a outras árvores e permite-se que a parreira se entrelace à árvore, enforcando-a.
- Feixes de arames entre árvores.
- Latada. Com a modernização do cultivo as melhores vinículas os substituíram pela espaldeira.
Uvas brancas: Alvarinho, Loureiro, Trajadura, Avesso, Azal-Branco, Batoca e Pedernã (Arinto).
Uvas tintas: Rabo-de-ovelha, Azal- Tinto, Borraçal e Pedral.

O vinho verde costuma ser ácido e ter graduação alcoólica entre 8º e 11º . Os tintos são muito difíceis e apreciados apenas na própria região, podendo acompanhar bacalhau e refeições mais fortes. O branco é o grande destaque combinando com mariscos, frutos-do-mar e peixes. Sua produção é feita em duas fermentações. A primeira é alcoólica e a segunda é malolática. O gás residual, que dá o efeito de agulha, é resultado da segunda fermentação incompleta. Após engarrafados devem ser tomados imediatamente, no máximo um ano após produzidos. Os Alvarinhos da região de monções agüentam mais por ter mais estrutura, álcool e corpo. Podem ser tomados com três anos de idade.

VINHO VERDE E COZINHA JAPONESA

O autor Saul Galvão já destacou que o shoyu é dificílimo para combinações, porém exigiria champagne ou espumantes ácidos. A SBAV-SP testou a combinação de vinho verde com pratos orientações e segundo Beatriz Marques do “Basílico”, que esteve na degustação da SBAV, é uma boa alternativa aos champagne em função da acidez e do preço.

REFERÊNCIAS
LAROUSSE. Larousse do Vinho.
SAUL, Galvão. Guia de Tintos e Brancos.
SANTOS, José Ivan. Vinhos: O Essencial.


LINKS
Basilico
Sapo PT
Vinho Verde - site oficial da DOC
SBAV-SP

Vamos aos Vinhos:

CASAL GARCIA
Praticamente sem cor, transparente. Considerei o aroma muito fraco. Vinho fresco e frutado. Boa sensação de agulha na boca. Os presentes o consideraram suave, apresentando limão, maçã e fósforo (algo mineral). Foi considerado o que melhor harmonizou com sushis e sashimis, inclusive por membro da confraria BaccoUbriaco presente que havia provado outros 4 Verdes em outra ocasião. 10,5% de álcool.
Minha subjetiva seria 83, mas não é demérito nenhum por R$20,00. Disponível na Distribuidora de Bebidas do Batel.

MUROS ANTIGOS ALVARINHO - 2005
Cor amarela e sem borbulhas, ao estilo Anselmo Mendes. Muito aromático, intenso. Bem frutado lembrando manga. Com o passar do tempo aparece o maracujá. Muito ácido na boca, é estimulante e sutil. Demonstra estrutura agradavelmente atípica para Verdes e amanteigado da fermentação malolática mais desenvolvida. Tem boa permanência e apresenta sabor de abacaxi maduro.
Os amigos ainda destacaram sua complexidade e encontraram aromas de guaraná, erva-doce e lavanda. Discordando de mim, houve quem considerou sem graça no palato. 13% de álcool.
Minha subjetiva: 87. R$86,00 no Boulevard.

Vinho Verde - 20/11/2006 - Tatibana

Esteve aos meus cuidados a degustação de Vinho Verde da Confraria BaccoUbriaco, dando continuidade ao nosso tour pela Península Ibérica.
Fizemos no restaurante de cozinha oriental Tatibana com a proposta de pontuar os vinhos e, em seguida, verificar a possibilidade de harmonização com sushis e sashimis. Vamos aos Vinhos:

MUROS ANTIGOS LOUREIRO - 2005
Este vinho mais simples não nega o estilo do produtor Anselmo Mendes. Quase sem agulha, bem claro. Aromas de maçã-verde e pêra. Apresenta um final de boca amanteigado. Foi considerado o best-buy da noite por não apresentar grandes defeitos e ter o menor preço de todos. Preferi este aos de preço um pouco maior porque a sensação de acidez foi ótima e vejo relação clara com os aromas cítricos que encontro nos Sauvignon Blanc (meus brancos preferidos).
12% de álcool.
Pontuei 86. BU 83,28. R$37,00 no Boulevard.

VARANDA DO CONDE - 2005
Este corte de Alvarinho e Trajadura feito pela PROVAM tinha agulha mediana e cor mais para o amarelo. Apresentou aromas de pêssego e a acidez puxou para o limão. Alguém da confraria achou kiwi e floral. 13% de álcool.
Pontuei 84. BU 83,85. R$42,00 no Boulevard.

MUROS DE MELGAÇO - 2004 ALVARINHO
Este 100% Alvarinho da região de Monções feito pelo Anselmo Mendes realmente é um dos tops da região. Na cor era amarelo para dourado. Sem qualquer agulha, o mais ácido e mais aromático de todos. Em sua produção são utilizadas barricas de carvalho, o que é inusitado. Aromas de maracujá e manga. Alguns confrades levantaram mel, abacaxi maduro e damasco, ítens que também o podem descrever. Um estilo muito próprio de fazer Verdes. 12,5% de álcool.
Minha maior nota de brancos: 91. Uma das maiores da BU: 89,33. R$124,00 no Boulevard.

Além dos 3 que foram degustados, optamos por abrir a quarta garrafa que estava na reserva, mas só aguardando para entrar em campo. PORTAL DO FIDALGO é um alvarinho 2005 da PROVAM também. Estava muito gostoso e é ótima opção de alvarinho por um preço menor.
A impressão geral foi muito boa dos Vinhos Verdes. A acidez o torna candidato para harmonização com comida oriental, porém a conclusão dos confrades é que por preço menor é possível pedir um espumante nacional.
O objetivo destes vinhos refrescantes no fim foi cumprido, visto que devem ser estimulantes e alegres. Em dias quentes com frutos do mar cairão sempre bem.

quinta-feira, novembro 30, 2006

Cartuxa 2001

O Cartuxa 2001 vem do corte de várias cepas típicas potuguesas do Alentejo. Está prontíssimo e é maravilhoso.
Um vinho elegante e equilibrado. É suave e delicado. No nariz apresenta aromas frutados e de especiarias, com presença sutil da barrica lembrando a baunilha.
Harmoniozo e de boa estrutura, é agradável companhia para a noite toda. Um estilo que me agrada e recomendo.
Não é à toa que é irmão mais novo do Pêra Manca.
Foi consumido na Vino!Champagnat, infelizmente sem decantação. 13,5% de álcool
Subjetivamente 87 ou 88. Custo R$65,00. Vale muito mais!!!!

segunda-feira, setembro 04, 2006

Cortes de Cima 2002

Em post anterior fizemos a necessária crítica à rede de lojas Vino!, visto que acumulava roubadas comigo e meus confrades.
Agora é hora de elogiar a noite excelente que tive na Vino! Batel. Curiosamente, muitos dos que nos atenderam perfeitamente são os ex-funcionários da Expand que já nos conhecem de tempo lá na Comendador Araújo. Poderia citar o nome de alguns, mas para não fazer injustiça aos demais basta dizer que o serviço esteve cordial e impecável.
Foi difícil escolher o vinho, mas cheguei ao Cortes de Cima, pois estava frio e procurava algo mais forte, concentrado. Mais tarde descobriria que acertei errando, pois este não é encorpado como imaginava.
Pedi um mignon acompanhado de tagliatele ao molho de grana padano. Fazia tempo que eu queria uma carne ao ponto, suculenta por dentro. Estava delicioso, medalhão de dois andares com molho madeira. Não esperava tanto do tagliatele, mas foi à altura. O grana padano não salgou tanto quanto um parmesão comum, complementando bem o mignon.

CORTES DE CIMA 2002
O vinho harmonizou absurdamente bem com a carne. Ambos delicados, suaves e sutis.
Este alentejano tem cor clara, vermelho-rosada. Complexo, apresenta cereja, frutas vermelhas, baunilha, flores e alguma especiaria. Muito fino, acaricia ao degustar. Final delicioso, fresco, sempre pede mais. Equilibrado, é de seu estilo ter corpo médio, taninos médios e delicadeza. Os 14% de álcool pareciam bem menos.
Acredito que pontuaria entre 89 e 91. Preço: em torno de R$70,00.
Um bom vinho para ser apreciado a dois.

segunda-feira, agosto 28, 2006

Vinhos do Dão

Hoje a confraria BaccoUbriaco deu sequência a nossa programação de regiões de Portugal. Foi a vez do DOC Dão, ainda dentro da área de Beiras, sendo a cidade mais importante Viseu. Fica no centro norte do país, protegida num enclave montanhoso tanto da umidade do litoral quanto dos ventos continentais. Predominam cooperativas.
Muito bem conduzida pelo confrade resposável, a degustação teve 1 branco e 4 tintos. Não sabíamos preço dos vinhos e, do último, foi-nos revelada a procedência apenas no final, manobra interessante para manter a imparcialidade do resultado.

QUINTA DOS MAIAS MALVASIA FINA 2000
Produzido pela Sociedade Agrícola Faldas da Serra Lda.
Um branco de 6 anos já colocou suspeitas imediatas em todos, mas a impressão logo foi desfeita pela prova. Aliás, é preciso destacar que Portugal tem revelado brancos excelentes.
Ainda com brilho dourado. Intenso, herbáceo, algum aspargo, adocicado e amanteigado. Na boca tem ervas bem presentes. O tempo tomou a agressividade aromática da Malvasia e a fez mais delicada. É o primeiro branco envelhecido que me agrada e essa característica dos brancos do Dão, de dar-se bem com o tempo, foi boa para o vinho. 13,1% de álcool
Pontuei 88. BaccoUbriaco 87,22. Preço: R$53,80 no Boulevard.

CUNHA MARTINS RESERVA TINTO 2002
Quinta do Cerrado. 33%Touriga Nacional, 33%Tinta Roriz e o restante Bastardo e Jaen.
Alguns tons violetas, mas brilhantes. Aroma sutil de baunilha, contudo uma madeira diferente. Boca bem seca e apresentando balsâmico. Mesmo a noite sendo equilibrada entre os vinhos, dos tintos foi o melhor por apresentar mais harmonia entre madeira e os demais aromas. Muito complexo, impedindo-me de uma avaliação aromática mais precisa. 13% de álcool.
Pontuei 87. BU 86,33.
Preço, pasmem, apenas R$36,00 na Vino! Batel

CASTELINHO DÃO RESERVA 2000
Quinta São Domingo. Madeira bem presente com floral, castanha e algum mineral. Também muito complexo. 12% de álcool.
Pontuei 86. BU 83,42. Preço R$64,80 na Wine Company

LAGARES DO CERRADO TOURIGA NACIONAL 2001
Quinta do Cerrado. Muita madeira, com baunilha, animal, mineral e herbáceo. Já havia provado um touriga do Douro com a mesma característica de excesso de madeira. Para quem gosta é prato cheio. Rebaixei um pouco a nota pela predominância da barrica. Confesso que só peguei o conjunto da complexidade com o tempo de taça. Se tivesse avaliado mais tarde, talvez reforçasse a nota devido à grande evolução após servido. 13% de álcool.
Pontuei 86. BU 87,16. Preço R$131,00 na Vino! Batel

QUINTA DO SEIVAL CASTAS PORTUGUESAS 2003
Miolo. A surpresa foi tomar este nacional feito ao estilo português, composto de Touriga Nacional, Afroucheiro e Tinta Roriz. Madeira muito forte, compota de fruta e algum balsâmico. Não me agradou muito também pelo excesso de madeira. 13% de álcool.
Tenho percebido que nosso paladar foi formado na escola chilena e argentina de vinhos muito amadeirados e doces, com excessos de barrica. O mercado tende a gostar mais de vinhos assim e a Miolo rumou para este lado também.
Particularmente, tenho procurado menos barrica e mais complexidade, um equilíbrio.
A vinícola está de parabéns pelo projeto, mas o preço extrapolou um pouco.
Pontuei 82. BU 83,71. Preço R$44,50 no Boulevard

terça-feira, agosto 15, 2006

Bairrada - 14/08/2006

Nesta segunda-feira tomamos vinhos da Bairrada na confraria BaccoUbriaco.
Podemos dizer que esta região portuguesa fica ao norte da cidade de Coimbra e próxima ao mar. Havia um branco e três tintos na quente noite de "inverno" curitibana. Infelizmente, um dos tintos estava estragado.
O destaque foi a relação fantástica de custo benefício dos vinhos.
Vamos ao líquido sagrado:

LUIS PATO 2004 MARIA GOMES
Maria Gomes é o inusitado nome da uva. Cor palha bem clarinho. Muito fresco, aromas frutados como pêra e guaraná, floral. Na boca confirmou o excelente frescor, acidez ótima para branco e final agradável. Certamente frequentarei mais a loja do Groff - In Vino Veritas - para comprar este branco. 13,00% de álcool.
Pontuei: 88! BaccoUbriaco: 87,14 WS: 85.
Custo: R$47,00.

QUINTA DO VALDOEIRO DOC 2003 - Syrah
Este era o vinho estragado. Estava com cor totalmente opaca e sem brilho, não lembrando nada a variedade Syrah. Ao servir formou espumação horrenda (nojenta mesmo). O aroma não estava de todo ruim, mostrando muita madeira para o café. Na boca, avinagrado e morto, confirmando a impressão visual. Vinho estraga às vezes, é normal. Esperamos que a loja Vino! reponha a garrafa como é de praxe, porém em breve faremos uma postagem dura sobre a rede de lojas Vino! em Curitiba que nos atende mal e recorre nos erros!
Pontuei: Não avaliado. Custo: R$73,00!

SOLÃO BAIRRADA DOC 2003 - Quinta do Encontro
Feito das uvas Baga, Castelão e Tinta Pinheira. Cor Ruby, aroma delicado e leve. Fresco na boca, sutil. Faltaram intensidade, persistência e complexidade. Não pesquisei, mas parece ter estagiado muito pouco ou nada em carvalho. O preço, que nos foi apresentado apenas no final, corresponde ao vinho configurando também uma boa compra. 12% de álcool.
Pontuei: 80. Baccoubriaco: 81,29. WS: 84.
Custo: R$18,65 no Gourmet Curitibano (mercado municipal)

LUIS PATO BAGA 2003
100% Baga. Lindo brilho ruby. Fresco, com barrica leve e agradável. Boca ácida e fresca com final reto. 12,5% de álcool.
Pontuei: 87. BaccoUbriaco: 84,25. Revista Wine Spectator: 86.
Custo: R$45,00 na In Vino Veritas.

BONUS: NORTON RESERVA MALBEC 2003
Nosso anfitrião e grande amigo ainda nos agraciou com um dos vinhos de sua recente compra. Este argentino de Malbec foi tomado descontraidamente após a degustação. Ótima surpresa foi o uso menos intenso de barrica, apresentando fruta vermelha rumando para cerejas e bom corpo médio. A noite estava muito quente não sendo ideal para Malbecs, mas a primeira impressão do Norton foi excelente. Viva!
Wine Spectator: Incríveis 90 pontos pelo preço!!!
Ficou a promessa de na próxima abrirmos uns brancos (será que levo o Villard SauvBlanc?).

sexta-feira, julho 21, 2006

Vinho do Porto - 17/07/2006

Vamos começar bem! Não sou especialista em Vinho do Porto, mas em degustação na BaccoUbriaco dia 17/07/2006 provamos uns de arrepiar.
Começamos com um branco médio. Como nos foi explicado, os Porto White foram criados para atender um certo nicho de mercado e não são tão tradicionais.

Tomamos o BURMESTER EXTRA DRY WHITE PORTO.
Para mim dourado brilhante e alo claro. Aromas delicados e álcool aparecendo sutilmente. No paladar muito mel, algum calor e final adocicado. Melado. Depois de algum tempo na taça pareceu meio decaído.
Isso chama a atenção porque todo mundo acha que vinho do porto pode ser guardado por anos a fio na garrafa depois de aberto. Se evolui na taça, sinal de que na garrafa vai mudar também.
Na minha avaliação mereceu 89 pontos. Significa um excelente vinho. Custo R$45,00 .
A média dos confrades BaccoUbriaco foi 83,50. Concordo com o grupo porque ele tem alguns defeitinhos, nada de comprometedor pelo preço, mas que poderiam baixar um pouco a nota.

Os grandes vieram depois:
BURMESTER VINTAGE PORTO 2000
Quando o Porto for Vintage e Colheita é o mesmo que Ruby, contudo em grau maior de qualidade. Os Rubys são vinhos que preconizam a manutenção da cor e de aromas frutados.
Redundantemente, considerei a cor "ruby", porém brilhante. Dulcíssimo, apresentou fruta super madura e melado, como era de se esperar. Um vinho excelente. A palavra "maciez" é a que define melhor.
Custou a bagatela de R$180,00 e sorvemos cada centavo dele.
Eu pontuei 92. A BaccoUbriaco 91,63 e a revista Wine Spectator 82. Talvez nossa inexperiência em portos conte nessa avaliação absurdamente alta que demos para o Vintage, mas pode ser que a WS simplesmente tenha olfato e paladar diferente do nosso.

BURMESTER 20 YEAR OLD TAWNY PORTO
O Tawny é um porto que, como o nome já diz, é mais aloirado. Características de envelhimento e da madeira são bem-vindas. Os companheiros de degustação ficaram divididos. Uns gostaram mais do estilo Ruby, outros do Tawny. Eu considerei os dois vinhos semelhantes em qualidade, porém não tive dúvidas de que meu estilo de Porto é o Tawny.
Este 20 anos loiro da Burmester é fantástico. Tem um tostadinho da madeira puxando para amêndoas no aroma e a boca adocicada. Com o tempo na taça foi abrindo uma madeira mais maravilhosa ainda. Recomendo decantação para explorar ainda mais a complexidade deste "velho" em plena forma.
Eu, maravilhado com o melzinho na boca da criança, pontuei 96!!! A BaccoUbriaco 92,88, mostrando o equilibrio da degustação, e a WS 86. Custo? mais R$180,00.

Prometo pesquisar se tem portos melhores pontuados na Wine Spectator. Quero tirar a prova se eles não gostam de Porto ou se tem umas preciosidades ainda mais quentes vindo do Douro.