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quinta-feira, janeiro 28, 2010

Barolo - Gaja Langhe Sperss 2001

No jantar de fim de ano da Confraria Bacco Ubriaco (veja o post)o português Barca Velha 2000 era a estrela da noite, causando efusivas e merecidas manifestações de elogio.
O Barolo Gaja Langhe Sperss, todavia, não agradava a mim e aos confrades. Estava fechado, não abria. Aromas e sabores não se desprendiam dele, o que me deixava intrigado, pois foram tantos Barolos até hoje e nenhum emplacava.
Trata-se de um vinho feito com uva Nebbiolo numa DOCG do Piemonte, conceituadíssima, com altas notas dos especialistas e sempre muito bem indicada. Espera-se um vinho intenso e complexo. No Decanter Wine Show do Rio em 2006 (ver Ago/06), em conversa com o Guilherme, cheguei a dizer que não sabia beber Barolos.
Felizmente, havia avisado aos confrades que chegaria atrasado ao jantar, mas que deixassem minha fração dos vinhos devidamente reservada. Jantamos, conversamos e nada do Sperss. Estar entre os amigos de confraria é muito bom e não tinha pressa nenhuma em esgotar minhas taças.
Enfim, após mais de três horas respirando no decanter e na taça, eis que surgem lampejos de vida no Barolo. Minha desconfiança virava certeza. Desconhecimento; pressa; ausência de planejamento. Algum desses fatores, ou mais de um simultaneamente, não permitiram que uma obra belíssima do mundo do vinho fosse apreciada em sua plenitude. Não era o caso de não saber beber, era de não saber servir.
Abrir uma boa (e geralmente cara) garrafa desses vinhos requer planejar a noite. Para um jantar às 20:00, é melhor abrir no máximo às 18:30 e deixá-lo perder a timidez, porque mostre suas nuances durante o evento.

GAJA LANGHE SPERSS 2001

Vinho com bela cor, brilhante. Demorou a abrir, mas uma vez "liberto" mostrou-se elegante. Junto da fruta e da especiaria, uma sensação de frescor formava o conjunto. Final perfeito, limpo e longo. R$1206,62 garrafa Magnum. WS93. VV!93-94.

Na nota o Barca Velha ainda foi melhor, contudo é necessário esclarecer que são vinhos completamente diferentes. O português é muito mais sutil e delicado. O barolo é mais denso e profundo. O Barca é emblemático do Douro, um ícone de sua linhagem. O Sperss é um excelente vinho, um bom representante de sua categoria, ainda que não seja o top do produtor.

terça-feira, dezembro 15, 2009

Degustação de Encerramento 2009

Na sexta reunião de encerramento anual da Confraria Bacco Ubriaco, nosso presidente solene foi mais uma vez homenageado com a prova de líquidos de excelente qualidade.
Fui à Curitiba especialmente para o evento e, quando cheguei ao local, o aroma dos grandes vinhos já abertos tomava conta do ambiente; e que vinhos:



BARCA VELHA 2000
A Casa Ferreirinha foi a primeira no Douro a engarrafar vinho tranqüilo de qualidade superior. O primeiro foi lançado em 1952 e apenas outras quinze safras foram comercializadas com esse nome, criando um mito. Foi vinificado na Quinta da Leda e parcelas suas, dependendo da casta e do lote, ficaram de um ano a um ano e meio estagiando em carvalho francês em Vila Nova de Gaia. As 26.000 garrafas permaneceram em Gaia aproximadamente 7 anos antes do início das vendas. É possível que os anos de 2003 e 2007 sejam também declarados Barca Velha, contudo a Ferreirinha mantém sigilo absoluto do resultado do vinho até o lançamento. Não basta uma grande vindima, é necessário que se atinja o mais alto grau de qualidade, segundo os parâmetros da Casa.
Com origem no Douro Superior, tem Tinta Roriz (Tempranillo), Touriga Nacional, Touriga Franca e Tinta Barroca em sua composição. A safra 1999 recebeu WS 93 e RP 94.
Veio compor a constelação maior entre os já provados do blog Viva o Vinho!, ao lado de Haut-Brion 1996, Mouton-Rotschild 1994, Vega-Sicília "Único" 1990 e Chateau d'Yquém 1998.
Vinho para ser aberto duas horas antes da degustação. Na cor, tinha um tom a menos de vermelho, levemente mais para o laranja. O aroma é notável, intenso e pode ser sentido à distância. Lembrou imediatamente Tawny, sem o ataque alcoólico. Mostra a complexidade típica destes, com licor, castanhas, tostado cítrico, talvez casca ou folha de laranja queimada (foi o que remeteu na minha memória olfativa), fruta vermelha e até um floral.
A estrutura era notável, com grande corpo e taninos doces. Vinho harmônico, com final redondíssimo e permanência ao infinito. Mais que suficientes 12,5% de álcool, EUR 198,00 (R$512,00) em Portugal. Optei por não pontuar objetivamente, mas as notas da WS e do RP para o 99 não condizem com este 2000, que é para a casa dos VV! 95-96*, chegando junto com o Vega-Sicília "Único" 1990 tomado ano passado.

GAJA LANGHE SPERSS 2001
O Sperss representou confirmação de uma suspeita que tinha com Barolos, ou Nebbiolo, e optei por fazer uma postagem a parte, trabalhando a experiência com esses vinhos.

CARMÍN DE PEÚMO CARMÉNÈRE 2005
Como é comum (e ruim) no Chile, declara uva no rótulo, mas a quantidade de outras não é desprezível. A composição é de 85% Carménère, 11% Cabernet Sauvignon e 4% Cabernet Franc, o que faz dele um vinho de corte nos fatos.
Marcelo Copello (MC) o considera mais elegante que o Clos Apalta. Para Patrício Tápia (PT), do excelente guia Descorchados, foi o segundo melhor do Chile em 2009, perdendo apenas para o Almaviva 2006. Na Wine Spectator, que considerou o Clos Apalta 2005 o vinho do ano no mundo, o Carmín tem 94 pontos.
Vinho roxo, escuro, absorve toda a luz. Aroma doce, ameixa preta, com referência direta a calda de fruta e doce de fruta, revelando o amadurecimento da Carménère. Pareceu meio preso o tempo todo. Corpo pesado, concentrado, final correto e sem amargor, apesar de toda a doçura. Reconheço os baixos rendimentos e a qualidade da uva, mas não me empolgo tanto como os críticos. R$663,00. MC 95, PT 95, RP 97 e WS 94. Tem a cara dos vinhos ultra-concentrados para notas do Parker. Prefiro os mais elegantes. Não pontuei objetivamente, mas fico com a parte de baixo da crítica (que não é pouco) VV! 93-94*.

ARROBA MALBEC ROBLE 2006
Arroba é um vinho diferente. Carlos Balmaceda produz apenas 5000 garrafas, resultado de vinhedos que seleciona nas altas regiões de La Consulta e de Luján de Cuyo, no distrito de Mendoza. 25% do vinho fica 12 meses em barricas francesas novas e outra parcela permanece em tanques maiores de carvalho.
Na cor é bordô escuro. Tem aroma intenso e elegante, com bela integração da fruta com a madeira. Claro que não tem a mesma permanência, estrutura e profundidade que os demais degustados nessa noite, mas no aroma não ficava tão longe assim o colocando como excelente custo-benefício. 14,1% de álcool. R$160,00 a garrafa Magnum na Berenguer Imports. Minha pontuação ficaria na casa dos VV! 88-90*.

NIEPOORT 10 YEARS TAWNY
Alguns Tawnys trazem, junto da complexidade do envelhecimento e da madeira, um ataque maior em boca. Este mantém as características de tawny, mas traz a elegância e a facilidade de beber de um Vintage. Apresenta as conhecidas castanhas e casca de laranja somadas ao doce. A experiência gustativa é surpreendente, sem nenhum ataque, com destaque para o final permanente, doce e macio. 17,5% de álcool. R$ 160,00 na In Vino Veritas. WS 95, para mim nessa faixa também VV!94-95*.



*Não avaliei objetivamente, todavia coloquei minha impressão subjetiva expressa em pontos junto ao relato, ao lado da pontuação objetiva da crítica especializada.

Nota sobre a foto: Magnum Les Terrasses 2004 Priorat é a primeira garrafa da direita, mas optamos por não abri-la em nome da sanidade.

segunda-feira, março 09, 2009

Sémillon

Em sua Degustação #136, a longeva Confraria Bacco Ubriaco provou australianos de Sémillon.
O Confrade responsável ainda nos agraciou com instrutiva e divertida brincadeira: ao final da degustação dos australianos, fizemos nosso próprio corte de vinho misturando um Sauvignon Blanc com um Sémillon em diferentes proporções: 80/20, 70/30 e 40/60. O objetivo era reproduzir o corte mais comum em Bourdeux e também brincar com outras possibilidades.
O evento foi realizado na Adega Don Maximiliano, nova loja de vinhos de Curitiba, nas proximidades da Praça Espanha.

COLONIAL ESTATE EXPATRIÉ RESERVE 2006
Excelente vinho do quente Barossa Valley. De aparência palha, tem belo aroma com excelente intensidade. Remete a própolis, fruta bem fresca, boa acidez e um confeitinho. Boca ácida e doce ao mesmo tempo, com corpo bom e leve excitação da língua. 13,5% de álcool. RP 90. BU 87,33. VV! 89. R$109,00 na Vino!Champagnat.

STEVENS SINGLE VINEYARD 2002
Este vinho da Tyrrel´s, feito no Hunters Valley, era palha bem clarinho. Intensidade média num aroma difícil de definir. Unindo fruta e tostado, compôs um conjunto mais profundo, talvez com avelãs e flores. Pensando bem, lembrava queijo roquefort. Muito mineral e seco no palato, bem leve, faltou um pouco de complexidade no retrogosto. 10% de álcool. BU 86,85. VV !86. R$94,00.

LENSWOOD 2000
50% descansou em carvalho por 8 meses. Aparência já dourada do envelhecimento. Muito própolis, algum químico incômodo e fruta branca rumando para pêssego em calda. Certa potência em boca com desequilíbrio alcoólico. Infelizmente, o tempo desse vinho já passou. BU 87,14. VV!85. R$100,00.

A impressão final é de que os australianos de sémillon provados funcionam melhor mais jovens, preferencialmente até 5 anos de idade.

sábado, dezembro 13, 2008

Noite dos Sonhos

Quando pensava em Château D´Yquem, nunca imaginava que provaria tal botrytizado mitológico tão cedo.
Agora, imaginar que degustaria na mesma noite Vega Sicília "Único", Mouton Rothschild e Château d´Yquem não estava em meus devaneios mais absurdos.

Felizmente pertenço a um grupo de ousados amantes do vinho. A Confraria Bacco Ubriaco tem evoluido passo-a-passo nesses 5 anos e meio de vida. Estou certo de que nosso Presidente - a divindidade clássica responsável pela mágica transformação de uvas em vinho e pelos plácidos efeitos do álcool - tem muito orgulho destes confrades que apreciam a arte da boa bebida e da boa gastronomia.
Fomos, mais uma vez, muito bem acolhidos no Edvino e agradecemos ao sommelier Ewerton Antunes e equipe pelo sempre impecável atendimento. Sem esses profissionais dedicados certamente não poderíamos curtir plenamente tais presentes de Bacco, em noite na qual o Viva o Vinho! emplacou pela segunda vez líquidos de mais de 93 pontos (quatro de uma vez só!!!), sem contar o Haut-Brion de 2007 que não foi avaliado em nota.

CAVE GEISSE BRUT CHAMPENOISE 2005
Mesmo antes de ingressar na Bacco Ubriaco, quando era solitário nos estudos enológicos, já considerava Cave Geisse o melhor espumante nacional que conhecia. Essa garrafa com expedição em 2005 foi para confirmar mais uma vez que é produto de excelente qualidade e pode competir com os melhores do mundo. Não esperava encontrar um espumante nacional de 2005 inteiro ainda. Temos de começar uma campanha: "Abaixo às Cavas, Chega de Prosecco. Temos Cave Geisse".
Brincadeiras a parte, vamos ao vinho: Borbulhas finas e abundantes. Aroma intenso e excelente, como sempre. Notas amendoadas, de fermento e de pão. É macio em boca e, ainda assim, tem ótima acidez. Final correto, com excelente mineral. Sou fã! R$62,00 no Edvino. VV! 90.

VEGA SICÍLIA "ÚNICO" 1990
Tive o prazer de tomar a garrafa Magnum Nº001331. Como discordar do nome? Este "Único" da Ribera del Duero só é engarrafado em anos especiais. Quando não atinge os requisitos mínimos de qualidade é lançado somente o Valbueña 5. Nos anos em que é "Único", a primeira garrafa é solenemente entregue ao rei da Espanha.
Entre as particularidades de sua produção, não recebe um tratamento apenas. Enquanto envelhece em contato com o carvalho, pode passar por várias qualidades diferentes de madeira e pode ser trasfegado de tanques grandes para barricas de 225 L e retornar aos tanques tantas vezes quantas os enólogos considerarem pertinentes para conseguir a personalidade desejada. Grandes safras: 1994, 1990, 1986, 1979, ...
Ele estava belíssimo. Ninguém diria que é um vinho de 18 anos!!! Ruby ainda brilhante, com alo. A intensidade vai aumentando, abre bem tabaco. Grande aroma com especiarias, frescor e geléia de fruta que vai ficando cada vez mais doce.
Boca com bela acidez, maciez elegante e final longo incrível. Tem um calor no início da prova, mas que não deixa qualquer amargor, apenas revela a potência e a estrutura. 13,5% de álcool. R$3000,00 na In Vino Veritas. WS 95. RP 95. VV! 95.

MOUTON ROTHSCHILD 1994 AOC PAUILLAC
Um dos 5 Premieurs Crus da classificação de Bourdeux (Médoc) de 1855. Aliás, o único que foi incluido após 1855, elevado apenas em 1973. Muitos acreditam que tenha ficado de fora em 1855 porque o Château Mouton Rotschild tinha passado para controle de capital inglês. Foi o primeiro Château da região a engarrafar uvas próprias, "mis en boteille au château". Tem a bela tradição de estampar nos rótulos de cada safra uma obra de artista contemporâneo. Nossa garrafa foi agraciada por arte do pintor holandês Apel.
Entre as características da produção, destacamos que o vinho é feito em tonéis de carvalho e depois envelhece em barricas também produzidas no próprio château.
Comparando as duas estrelas tintas da noite, confesso que prefiro o Mouton ao Vega. O francês nem é de grande safra, mas mesmo assim tinha um paladar fantástico, delicado, complexo, muito mais ao meu gosto: menos bombástico e mais estiloso. E olha que 1994 foi safra somente mediana para os parâmetros de Mouton Rothschild. Dá para imaginar o que devem ser os excepcionais: 2000, 1996, 1989, 1988, 1986, 1982, 1976, 1961, ...
Belo brilho, pequeno alo e muita geléia. Demorou muito a abrir, mas nos revelou defumado, cassis, pimenta preta e fumaça doce. Boca delicada, deliciosa, com leve mineralidade que marca a complexidade gustativa. Excelente permanência. 12,5% de álcool. R$1350,00 no Edvino. WS 91. RP 91. VV! 94.

MANOIR DE GAY 2004 AOC POMEROL
Um pouco mais claro, com cor mais rosada, bem diferete dos Merlots do cone sul-americano. Aroma delicado, floral, morango. Paladar agradável e fresco, mas com taninos ainda vivos, que denotam mais um tempo de guarda. Não quero dizer que não está pronto, pelo contrário, pode ser bebido ou guardado. R$260,00 na Vino! Batel. WS87. VV! 90.

CHÂTEAU FOMBRAUGE 2001 AOC SAINT-EMILION
Em Saint-Emilion o corte de Cabernet Sauvignon, Merlot, Cabernet Franc é clássico. Pode-se encontrar algum percentual de Malbec, às vezes.
Cor bem mais escura. Aroma de ameixas pretas muito bem amalgamado na madeira. Ótima intensidade e bem complexo, com algo de terra molhada. Boca agradável, com excelente corpo e certo mineral. WS 91. VV! 93.

CHÂTEAU D'YQUEM 1998 AOC SAUTERNES
O sudoeste da França é uma das regiões do mundo onde as uvas brancas são atacadas pelo fungo Botrytis Cinerea. Ele afeta a casca fazendo micro-furos que deixam escapar água do fruto, restando o sumo concentrado. Os vinhos feitos dessas uvas mais doces ganham complexidade e qualidade. Sauternes é a região emblemática do estilo e o mítico Château d'Yquem reina único na classificação como Premier Cru Supérieur. Envelhece bem por décadas e, nas melhores safras, pode chegar aos 100 anos em condições de ser apreciado.
O dourado é realmente belíssimo. Remete a ouro imediatamente. Aroma de flores, frutas, mel, baunilha, chocolate branco. Tem um queimadinho que lembra o brullée. Grande permanência, doce sem excessos, elegante. Delicado pesinho em boca, com baunilha. Honestamente, esperava muito mais de um vinho tão cultuado, mas vale destacar que este tem "apenas" 10 anos de vida e 98 não foi safra excepcional. Algumas grandes são 2001, 1989, 1983, 1976, 1967, 1959, ... 13,5% de álcool. US$320,00 na França. WS 89. VV! 94.

domingo, setembro 14, 2008

Chile X França

Logo em seguida à degustação de chilenos, a Confraria Bacco Ubriaco realizou confronto às cegas de vinhos do Novo e do Velho Mundo. Estavam na mesa chilenos e franceses. A identificação foi direta, pois as diferenças entre eles eram bem grandes. A surpresa veio no resultado do chileno: a confraria - eu também - acabou avaliando melhor o Marques do que o Dom Melchor.
Podemos pensar em muitos motivos. Talvez o Marqués esteja mais pronto e como era às cegas houve alguma dificuldade. Talvez faltou reconhecer o potencial de envelhecimento do Dom. Talvez valha a pena beber o Marques. Várias são as hipóteses e a certeza é uma só: às cegas muita coisa pode acontecer.
Em relação aos franceses, ainda que eu tenha concedido nota inferior a do Marques, gostei mais deles. Apenas reconheci mais qualidades técnicas no chileno.
Chego à conclusão de que o Chile oferece excelente custo-benefício e tomar um bom francês sempre faz bem ao espírito.

MARQUES DE CASA CONCHA Merlot 2005
Produzido em Rapel (Maipo) pela Concha y Toro. Belo Ruby brilhante. Aroma intenso, riquíssimo, complexo, delicado (cheio de adjetivos). Fruta vermelha, frescor lembrando menta, baunilha. O mentol vai abrindo cada vez mais. Boca jovem, taninos bem vivos, ainda pede por guarda. Final fresco e boa permanência. 14,5% de álcool. BU 89,42. WS 90. VV! 92. R$78,00 na Expand Curitiba.

CHÂTEAU LES HAUTS-CONSUILLANTES 2001
Este é um Lalande-de-Pomerol. 75% Merlot, 17% Cab. Franc, 8% Cab. Sauv.
Cor com um toque atijolado. Boa intensidade aromática, predomina tabaco com especiaria. Agradou. Taninos macios, bom corpo e excelente acidez. 13,5% de álcool. BU 89,20. WS 90. VV! 90. R$179,00 na Expand Curitiba.

CHÂTEAU LARRIVET-HAUT-BRION 2002
Este é um Pessac-Leognan, onde plantam Cabernet Sauvignon em maiores quantidades. No caso deste vinho com assinatura de Michel Rolland, há Cab Sauv e Merlot em seu corte.
A passagem de 18 meses de barrica realmente marcou. Intenso, café e algum aroma animal no início. Este aroma animal vai ganhando corpo com o tempo e aparece também terra molhada. Macio e agradável em boca, tem tanino presente e bem amalgamado no conjunto. Excelente final. 13% de álcool. BU 90. VV! 90. R$320,00 na Expand Curitiba.

DOM MELCHOR 2003 Cabernet Sauvignon
Este Cabernet Sauvignon da linha superior da Concha y Toro tem 6% de Cabernet Franc.
Cor ruby bem típica. Fruta delicada e baunilha no início. Revela mais baunilha, amora, mas senti falta da complexidade. Boca ainda tânica - surpreendeu saber a safra depois - e agradável, corpo um pouco mais leve e muita fruta. Taninos bem vivos todo o tempo. BU 88,33. RP 96. VV!88. R$268,00 na Expand Curitiba.

sábado, setembro 13, 2008

Chile - Maipo

A Confraria Bacco Ubriaco realizou degustações seguidas com vinhos chilenos. Nesta, o tema era produtos do Maipo. Todos eram rótulos bem conhecidos e bem conceituados pelos especialistas. Foram degustados às claras, ou seja, todos sabiamos o que estávamos provando. Comprados em viajem para o exterior, os preços pagos estão bem abaixo do mercado nacional.

DON MELCHOR 2002 Cabernet Sauvignon
Top da Concha y Toro, 96% Cab Sauvignon - 4% Cab. Franc. Feito em Puente Alto.
Apresentava algum alo. Boa intensidade aromática, muito agradável, fresco, ameixa, especiarias, algum chocolatinho. Com o tempo abre, fica mais intenso e pegamos fruta doce/geléia. Boca fresca, adocicada, ainda tem taninos. 14% de álcool. R$210,00. BU 90,72. VV!91.

EL PRINCIPAL 2001 Cabernet Sauvignon - Carmenère
Este vinho da Finca El Pincipal produzido em Pirque não passa por filtração.
Tinha alo também, cor mais opaca. Demora a revelar-se. Quando abre apresenta ameixa, frutas em calda, especiarias, pimenta e café.
Taninos macios, a boca é ótima. Final correto. 15% de álcool. R$210,18. BU 90,09. VV!91.

TERRUNYO Carmenère 2004
Linha intermediária da Concha y Toro feito Peumo. Recebeu 96 pontos de Robert Parker. 85% Carmenère, 12% Cab. Sauv., Petit Verdot e Cab. Franc.
Na cor tem um leve toque para o violeta. Aroma muito elegante, vai abrindo para chocolate, ameixa e frutas maduras. Gostoso no paladar, tem excelente corpo e taninos ainda marcando. Final longo. 14,5% de álcool. R$100,00. BU 87,63. VV!90.

HARAS DE PIRQUE CHARACTER 2005
Ainda que tenha sido o mais barato da noite, no Brasil não sairia por menos de R$80,00. 85% Syrah e 15% Cab Sauv.
Também um pouco mais violáceo. Aroma fresco, com especiarias, apresenta fruta lembrando framboesa. Excelentes taninos na boca. É potente, encorpado e tânico. 14,6% de álcool. R$40,00. BU 88,45. VV!89.

segunda-feira, setembro 01, 2008

Supertoscano

Muito tempo atrás, numa informal degustação com confrades da Bacco Ubriaco, resolvemos tomar uns italianos. Não queríamos qualquer coisa e o Toscano era, de fato, um Supertoscano.
Estava devendo no blog a postagem dessa noite que incluiu um Chianti Classico e o excelente Tignanello.

JANUS
Prosecco Extra Dry. Bolhas meio grandes, cor palha. Aromas delicados de pêssego. Suave demais. No paladar é cítrico, macio e elegante. Mais macio que muitos proseccos que encontramos por aí, mas ainda simples. Álcool 11%. R$35,50. VV! 85.

TENUTA SANT´ALFONSO CHIANTI CLASSICO 2004
Ruby brilhante, alo de cor progressiva. Aroma intenso, frutado, alguma especiaria. Pimenta, um couro suave, café. Boca ácida, bem correta. Bom corpo. Durante a prova vai abrindo. Álcool 14%. R$82,00. VV! 90.

TIGNANELLO TOSCANA IGT 2003
Corte de Sangiovese com Cabernet Sauvignon.
Ruby para o vermelho. Muito complexo. Aromas de café, frutas secas, frutas escuras e geléia. Com o tempo vai mostrando um tabaquinho que cresce. Boca redonda, taninos doces. Muito persistente. No contraste entre os dois tintos vemos a diferença de estrutura deste vinho fantástico. Ele é muito elegante e proporciona prazer por horas na taça. Álcool 13,50%. R$345,00. VV! 92.

domingo, agosto 31, 2008

Châteauneuf-du-Pape

Em sua reunião de número #126, a regularíssima confraria Bacco Ubriaco degustou Châteaunuef-du-Pape.
Provamos 3 desses vinhos feitos ao sul do Rhône em que se usam muitas uvas, mas podemos destacar Mourvèdre, Cinsault, Grenache e Syrah.

CHÂTEAU LA NERTHE 2004
Vinho delicado, denotando corpo sutil. Aroma de rosas, fruta fresca e cereja. Também é doce, licor. Confirma corpo leve, tanino redondo. Meio rápido, mas agradável. Álcool 13,5%. R$198,00. WS 91. BU 89. VV! 88.

LES CÈDRES 2005
Cor um pouco mais acastanhada. Aroma lembrando fruta confeitada, baunilha. Mais amadeirado que o primeiro, puxou algo químico, como cera. Também doce e licoroso, mas com uma acidez já no aroma. Na boca confirma químico, bom corpo, taninos ainda vivos e algum calor. Álcool 14,5%. R$157,00. WS 89. BU 88,25. VV! 88.

CHÂTEAU DE LA GARDINE 2004
Aroma defumado, de intensidade um pouco menor. Compota de fruta, doce, cera e algo vegetal. Boca bem seca, algo cremosa a compota de fruta. Álcool 14%. R$164,00. WS 87. BU 89,37. VV! 86.

quarta-feira, julho 09, 2008

Vinhos Nacionais às Cegas

No dia 16/06/2008 esteve a meu encargo realizar degustação de vinhos nacionais para a confraria Bacco Ubriaco. Optei por fazer às cegas afim de evitar influência dos preconceitos em relação aos vinhos nacionais. Na verdade, o objetivo também era avaliar o preconceito em si e coloquei um vinho surpresa estrangeiro e renomado no evento.
De fato, houve certa confusão entre os confrades. Alguém desconfiou que eu tinha armado alguma cilada, mas diante de minha frieza de jogador de poker deixou por isso mesmo. Outro, não lidou bem com a boa nota que acabou concedendo ao Montes Alpha Cabernet Sauvignon 2005 e recuou em revelá-la achando que estava alta demais.
Um terceiro, por fim, confessou que não passaria de 85 pontos por princípio para um nacional, após ser revelado que estava tomando um Montes Alpha.
Mesmo às cegas, só de se saber que eram vinhos brasileiros, um Montes Alpha que é 89 na Wine Spectator (e em minha opinião é um vinho incrível) acabou com 84,50 na Bacco Ubriaco. Detalhe: pela nota média da confraria ficou próximo do Salton Talento 2002 que arrancou um 84,42 na média.
Minha opinião é bem diferente. O Montes Alpha revelou-se um vinho fora de série. O Talento 2002 já está envelhecendo. O Villa Francioni 2004 é ótimo em boca e o Lote 43 2004 foi o melhor nacional.
Confesso, inclusive, que mesmo tendo praparado a degustação estive às cegas com os vinhos. Não com o 2002, de fácil identificação pela idade, e com o Montes, tão diferenciado, mas entre os dois 2004 nem eu sabia o que estava provando.
O Montes Alpha vence os demais na relação preço-qualidade, mas concluo que não podemos continuar desprezando a priori a vinicultura brasileira.

SALTON TALENTO 2002
Desde que lançado em 2004 recebeu diversas citações e destaques. Foi medalhista na Vinitaly e foi alvo de especial interesse pelo sommelier italiano Enrico Bernardo em prova de nacionais. Jancis Robinson também destacou seu potencial de guarda. Carvalho francês por 12 meses.
Encontrei alo aquoso e decrescente, ficando mais rosado em direção à borda. Aromas de oliva, couro, herbáceo, claramente barrica francesa. Com o tempo em taça fica mais doce, revela baunilha. A fruta é ácida, morango.
Em boca é gostoso, um tanto tânico ainda. No início pega um pouco, mas evolui e melhora, adocica. Boa persistência e final correto, porém boca com algum desequilíbrio. BU 84,42. VV!85. R$67,00 na Cave del Rey.

VILLA FRANCIONI 2004
Um corte de uvas bordalesas: Cabernet Sauvignon 68%, Cabernet Franc 12%, Merlot 11% e Malbec 9%. Feito em Santa Catarina, de vinhedos em São Joaquim e Bom retiro, numa das regiões mais frias do país. É um dos nacionais preferidos do Saul Galvão, que lhe concedeu 89 pontos.
Para mim, cor ruby brilhante. Couro, tabaco, café e aquele aroma de cantina. Muito intenso, complexo. Perdeu pontos em qualidade aromática pela falta de equilíbrio entre madeira e fruta.
Corpo médio, interessante, muito correto. Excelente em boca, depois de um tempo chega a apresentar frescor. BU 83,12. VV!87. R$90,00 na Cave del Rey.

MIOLO LOTE 43 2004
Oriundo do Vale do Vinhedos, é um corte meio a meio de Cab. Sauv. e Merlot com as melhores uvas da vinícola. O nome é inspirado no primeiro lote de terras recebida pelo patriarca da família no Brasil. A Miolo considera que usa o conceito de "cru" e que este vinho suporta muitos anos de guarda. 70% descansou em carvalho americano e 30% em carvalho francês.
O site da produtora aconselha decantação de 1 a 3 horas antes de consumir. Foram produzidas 80.000 garrafas.Só é lançado em anos considerados excepcionais. Temos até agora 1999, 2002, 2004 e 2005.
Ruby escuro, brilhante, belo. Aroma muito bom, delicado, baunilha, floral, tabaco e geléia de fruta. Adorei o aroma. Elegante, sedutor, convida a beber. Boca delicada, macia, redonda, mas sem grandes qualidades. Com o tempo aparecem mais frutas e especiarias. Acidez um pouco exagerada. BU 82. WS 78. VV!88. R$80,00 na Cave del Rey.

MONTES ALPHA CABERNET SAUVIGNON 2005
Na verdade um corte de 90% Cab. Sauv. e 10% Merlot que pela legislação chilena pode rotular varietal. Este clássico passa por 12 meses de carvalho francês e foram produzidas 95.000 caixas.
Belo, brilhante. Aroma fantástico! Eucalipto, mentol. Evolui para especiarias e fruta mantendo o frescor. Complexo. Corpo ótimo, boca excelente. Frescor, mentol e taninos vivíssimos. Intenso e fresco. Delicioso. (A WS nomeia esse frescor como sendo grafite). BU 84,50. WS 89. VV!90. R$80,00 na Cave del Rey.

domingo, junho 15, 2008

Les Vins de 5 Ans

Poucos dias depois de participar da fundação da Velha Vinífera, estava em 03/06/2008 a comemomar os 5 anos da confraria BACCO UBRIACO. Evento memorável, histórico e literalmente magnífico. Os vinhos da noite eram todos de belíssimas garrafas Magnum. Líquidos dos mais finos acompanharam excelente jantar no restaurante Boulevard:
Entrada
Salada Boulevard
Trouxinha de patê de foie gras com creme de funghi porcini e uvas fescas

Prato Principal
Talharim trinta ovos com ragu de Cracóvia de Prudentópolis (Prato da Boa Lembrança)
Entrecote grelhado com molho de cogumelos, purê de batata com aroma de pequi
Risoto de taleggio

Sobremesa
Creme brulee de chocolate
Torres de minha infância

OS VINHOS:

ASTORIA CUVÉE
Fomos presenteados pelo Boulevard com este prosecco interessantíssimo. Nada se parece com a maioria que vemos por aí. Bom corpo e muita maciez para um prosecco. Agradou.

FERRARI
Brindamos os cinco anos da confraria com este ícone dos espumantes italianos. Único na bota a conquistar por 16 anos seguidos os 3 bichieri do guia Gambero Rosso. Apresentou frutas, amêndoa, maçã. Boa acidez, adstringência e em boca confirmou, para mim, amêndoas e maçãs. Corpo extremamente cremoso. R$206,00 garrafa comum.

CLOS DE LA MARECHALE 2003 Apellation Nuits St Geroges Contrôlée
Este borgonha excepcional tinha bela aparência, brilhante. Fantástico, aromas defumados, notas tostadas e elegantes. Boca delicada, macia e sutil. Como era degustação comemorativa ficou difícil analisar cada vinho com mais profundidade, mas a Wine Spectator o descreve com cerejas negras licoradas, pimenta do carvalho e toques terrosos. É carnudo, com taninos musculosos e um longo final mineralizado. WS 90. R$500,00 Magnum.

LES TERRASSES 2003
Produzido por Álvaro Palacios, este Priorato é feito com 60% Grenache, 30% Carignan e 10% Cabernet Sauvignon. Apresentou aromas delicados e florais. Madeira sutil, intensidade média, especiarias. Muito complexo, algum mentol. Boca fresca, corretíssima, apresenta algum tanino ainda. Vai longe. WS 92. R$255,34 Magnum.

AURIUS 2003
Alenqer - Estremadura. A Quinta do Monte d'Oiro faz este vinho com Syrah, Tinta Roriz e Petit Verdot. Aromas delicados, belo herbáceo, especiarias. Ervas adocicadas e baunilha. Boca adocicada, geléia de fruta, taninos doces, porém vívidos, macios e elegantes. Temperos se confirmam em boca. Final fresco. Muito harmônico e saboroso. 14,5% de álcool. R$359,05 Magnum.

CASTELLO DI AMA 2003 Chianti Classico
Este Toscano é 80% Sangiovese, 8% Canaiolo e 12% Malvasia Nera e Merlot. Aromas de tabaco e café. Boca intensa e mineral, com elegantes taninos presentes. Muito gastronômico. 13,5% de álcool. 3 bichieri, RP 90, JR 18, WS 88. R$250,00 Magnum.

CHURCHILL´S TAWNY 10 YEARS
Terminamos a noite com este porto 10 anos de aparência menos âmbar que outros provados. Acastanhado apenas. Aroma a mel, suave, delicado, geléia e uva passa. Boca intensa, complexa e, para minha surpresa, especiarias. 19,5% de álcool.

terça-feira, fevereiro 26, 2008

Desafio argentino às cegas

A confraria Bacco Ubriaco desafiou seus membros numa degustação de Mendocinos. Fomos convidados a adivinhar safra e varietal de 4 garrafas.
Para confusão geral, deparamo-nos com dois vinhos que realmente estavam enigmáticos e apenas um dos onze degustadores presentes acertou na mosca os 4.
O nível foi alto e chamou a atenção o Zuccardi Q Cabernet Sauvignon 2000 chegando com louvor aos 8 anos de vida.

Zuccardi Q 2000 Cabernet Sauvignon
Opaco, alguma borra, atijolado. Aroma fechado e mineral. Abre lentamente e cresce, mentol. Encorpado, com taninos delicadamente vivos, está inteiro com a idade.
Vinho equilibrado, interessante e elegante. O tempo lhe fez bem. 14,5% de álcool. Nota VV! 90, BU 87,10. R$93,00.


Angelica Zapata 2003 Cabernet Sauvignon
Brilhante, ruby. Belo aroma, madeira agradável, especiarias e couro. Boca mais simples. 14% de álcool. Nota VV! 87, BU 85,50. R$100,00

Zuccardi Q 2000 Malbec
Um pouco opaco, menos alo que o primeiro. Aroma bem químico, evoluído, lembra acetona. Boca ácida, doce, limpa e muito gostosa. Vinho excessivo. 14,5% de álcool. Nota VV! 87, BU 85,00. R$93,00.

Angelica Zapata 2003 Malbec
Um tom a mais de violeta. Aromas animais e minerais. Boca viva, tânicam, de bom corpo. Ataca demais. Nota VV! 87,00, BU 87,20. R$124,00.

quarta-feira, janeiro 30, 2008

Direto do Chile

Ontem realizamos a degustação 112 da Confraria Bacco Ubriaco na Expand Winestore Curitiba. Agradecemos muito ao Rafael, um de nossos padrinhos, e a todo o time da casa por nos receber sempre muito bem.
Confrades enviados especialmente ao Chile trouxeram na bagagem vinhos especialmente selecionados para nossa degustação de abertura de 2008. O Sauvignon blanc não me agradou tanto. Já os tintos eram ótimos. Infelizmente esses vinhos não estão disponíveis no Brasil. Será que terei de ir até lá buscar uma caixa de Epo e uma garrafa de Almaviva?

Veramonte Reserva 2007

Este Sauvignon Blanc foi feito em Casablanca, a oeste de Santiago, 70 km em direção a Viña del Mar. Cor palha bem clarinho. Aroma suave e gostoso. Para mim herbáceo, lichia e leve citricidade. Tinha ataque meio excessivo à boca, onde perdeu pontos. Nota VV! 83, WS 87. Custou lá US$ 7,00.

Epo 2000
Epo significa, na linguagem nativa, segundo. Este é o segundo vinho da Almaviva, joint venture entre Rotschild e Concha y Toro. Almaviva é um dos grandes vinhos chilenos e seu irmãozinho não deixa dúvidas de sua estirpe. É feito em Maypo (cercanias de Santiago) das uvas Cabernet Sauvignon, Carménère e Cabernet Franc. No futuro terá também Merlot no corte. É o mesmo assemblage do Almaviva, porém o enólogo observa as porções de vinhos que não são propícios para guarda, afim de compor o Epo. Na verdade, o Epo fica pronto antes que seu par mais vigoroso, que alguns afirmam poder envelhecer até 25 anos nas melhores safras.
A política de comercialização é de vendê-lo apenas no Chile. Na vinícola sai em torno de US$15,00!!!!!!!!!!! No centro de Santiago pode ser encontrado a US$30,00.
Apresentou belíssima cor. Brilhante, límpido, já aparecia pequeno alo aquoso. Aromas de café e alcaçuz no início. Muito delicado. O químico do alcaçuz evolui para castanhas e flores. Boca desde o início revelou castanhas. Belos taninos marcantes. Já está pronto, mas ainda pode envelhecer mais alguns aninhos.
O vinho esteve constante pela hora e meia que me acompanhou em taça. Modifica-se com sutileza e mantém suas principais qualidades: Delicadeza e elegância. 14% de álcool. Nota VV! 90.

Coyam 2005

Produzido pela Emiliana em Colchagua é um blend de várias uvas: Syrah, Carmenére, Cab. Sauv., Merlot e Petit Verdot. Segue os conceitos orgânicos de produção.
Cor escura, leve toque violáceo. Aroma fechado o tempo todo. Ameixa preta e químico. Bom corpo, pesado à boca. Taninos vivos e adocicados. Melhor se bebido daqui uns três anos pelo menos. 14,5% de álcool . Nota VV! 88, WS 90. US$18,00.

Elegance 2004

A vinícola Haras de Pirque no início estava no ramo apenas da montaria. Nos anos 90 interessou-se pelas videiras e pela viticultura, passando a produzir vinhos considerados tops chilenos no Maypo.
Este puro Cab. Sauv. tem cor ruby brilhante. Belo aroma com cerejas. Boca mineral com taninos ainda aprisionados. Muuuuuito longo. Nota VV! 89, Tapia (autor do Guia Descorchados) concedeu-lhe 95!? 14,5% de álcool. US$35,00.

Enquanto blogava...
Bloguei bebericando um Periquita 2004 produzido em Terras do Sado, Setúbal, por José Maria da Fonseca com as uvas Castelão, Trincadeira e Aragonês. Um pouco opaco na cor, não apresentou as características que esperava. Nos anos 90 o Periquita era o vinho do dia-a-dia em minha casa. A José Maria Fonseca optou por mudar o estilo para um vinho mais moderno e bem frutado. Deixou a garrafa bojuda de lado e ganhou aromas de azedinho-doce e morangos frescos. Ficou fácil de beber, mas para mim o antigo era melhor.
Este 2004 nem o frutadinho fácil ofereceu. Aromas não me disseram muito e boca razoável, bem seca. Sem defeitos ou grandes qualidades. Como estava só, abri uma 1/2 garrafa (350ml), mas não acredito que isso faça tanta diferença nas características do vinho. Minha nota subjetiva: 80.

domingo, janeiro 27, 2008

Beyerskloof Synergy 2002 – Cape Blend

29/12/2007. Para quem está acostumado com a América do Sul é fantástico provar vinhos sul-africanos. Este veio de Stellenbosch. É um corte do cabo (cape blend) e, para isso, deve apresentar pelo menos 20% de Pinotage e 25% de Cabernet Sauvignon. No caso do Beyerskloof Synergy são 38% de Pinotage, 34% de Cabernet Sauvignon e 28% de Merlot.
Degustei o vinho em duas ocasiões distintas no fim de 2007 e esteve exuberante nas duas vezes. Cor densa, vermelho mais para o atijolado. Complexo, parece ter passado bom tempo em madeira francesa de primeiro uso: pimentão verde, oliva, animal molhado, pimenta, alcatrão. Pico de aroma com químico, framboesa e café. Intenso: uma explosão de aromas no nariz. Boca cheia com taninos doces que atacam, ótimos corpo e acidez. Após cinco anos está no ponto. Merece uns 40 minutos para abrir, portanto recomendo decantar. 14% de álcool. Nota Viva o Vinho! 90, Wine Spectator 84, Bacco Ubriaco 90,11. R$65,70.

sábado, dezembro 29, 2007

Tokay Aszú

Como parte do encerramento das atividades de 2007, a Confraria BaccoUbriaco promoveu as degustações 111 e 112 juntas. A última foi durante a sobremesa do evento, quando avaliamos 3 Tokays.
Entre as muitas cepas que entram em sua elaboração, os maiores percentuais ficam para Furmint e Hárslevelü (pronuncie como quiser, risos). O termo aszú diz respeito aos bagos atacados pelo fungo Botrytis cinerea, que são colhidos um a um em várias passagens pelas vinhas.
De acordo com a quantidade de bagos atacados pelo fungo que são adicionados ao mosto é que se medem os puttonyos. Quanto mais puttonyos (ou cestas de uvas botrytizadas), mais doce é o vinho e de maior qualidade.
Experiência sui generis, exigiu muita disciplina não tomar o sorvete da sobremesa durante a prova para não contaminar demasiadamente o paladar, afinal toda garrafa de Tokay exibe a frase de Luís XIV: “VINUM REGUM – REX VINORUM”.

St. Stephan´s Crown Tokay Aszú 3 Puttonyos 2000

Cor dourada e brilhante. Certa untuosidade. Aromas de doce de damasco, mel e laranja doce. Boca agradável e algum incomodo no retrogosto. R$100,00. Importado pela Hungaria Merc Ltda

Chateau Megyer Tokay Aszú 4 Puttonyos 1999

Belíssimo aspecto âmbar escurecido. Nariz bem mais complexo. Boca acertadíssima, sem nenhum defeito. Excelente! R$200,00. O TOKAY DA NOITE!

St. Stephan´s Crown Tokay Aszú 5 Puttonyos 2000

Também dourado e, sendo do mesmo produtor do primeiro Tokay, com certa semelhança. Final bem mais adequado. Muito melhor que o inferior da St Stephan´s. R$200,00. Importado pela Hungaria Merc Ltda

sábado, novembro 10, 2007

Luz de velas

A confraria Bacco Ubriaco teve uma experiência nova esses dias. Curitiba está passando por uma primavera repleta de temporais. Pode ser casual, mas os alarmes dos climatologistas sobre as mudanças parecem fazer sentido quando um período como esse acontece. É possível que tenhamos de nos acostumar e nos preparar para climas mais extremos.
O fato é que meia cidade (ou mais) ficou sem luz no dia 29 de outubro. Quando chegamos à casa de nosso anfitrião, era tudo à base de luz de velas. Não impediu o jantar gentilmente oferecido por ele e por um de nossos novos amigos, que preparou uma excelente massa.
Claro que a falta de luz gerou dificuldades e atrasou o serviço. Fomos agraciados com dois brancos para “brincarmos” antes da degustação oficial começar. Um era sauvignon blanc chileno que não guardei o nome. Como convidado não perguntei o preço dos vinhos bebidos, mas não era um vinho particularmente interessante.
O segundo branco já era outra história. O CRIOS TORRONTÉS foi surpreendente. Os torrontés argentinos que havia provado antes eram vinhos mais baratos (na faixa dos R$15,00). Os excessos de álcool e uma boca que descrevo como quadrada marcam tais produtos. O Crios, contudo, estava bem macio. Aromas de frutas e até mesmo lichia. Certa untuosidade no palato que enche bem a boca. Lembrou vinhos aromáticos como feitos de Gewurztraminer do novo mundo. Gostei.

O tema da degustação oficial era “uvas pouco comuns da Itália”. Quatro vinhos seriam tomados, porém um deles estava morto infelizmente. Vamos aos três sãos:

FRANZ HAAS LAGREIN 2003
Varietal da uva Lagrein este tinto de Trentino no Alto Adige apresentou aromas de alcaçuz e algo animal. Boca fresca e algo mineral, tinha alguma acidez e o excesso de álcool lhe tirou alguns pontos. 12,5% de álcool. R$102,03. Nota 87 BaccoUbriaco 88,37.

ALMANERA 2003
Interessantíssimo vinho Nero D´Avola Siciliano. Complexo, típico e boa intensidade aromática. Lembra cantina e remete a embutidos imediatamente. Evolui e vai amaciando durante a degustação. 13,5% de álcool. R$73,42. Nota 90 BU 86,33.

FRANZ HAAS PINOT NERO 2003
Este Trentino chamou muito mais atenção que o primeiro. Pinot Nero na Itália é o mesmo que Pinot Noir na França. Cor muito clara, mais rosada. Nenhuma relação com a cor atijolada de muitos Pinots pelo mundo. Belo e peculiar. Aroma mais intenso que o esperado pela cor. Evolui para uma compota agradabilíssima. 13,5% de álcool. R$ 117, 03. Nota 90 BU 89,50.

domingo, setembro 09, 2007

PARABÉNS BACCOUBRIACO - 100 Degustações

Retomando os acontecimentos marcantes de 2007 que ficaram fora do blog, parabenizamos a BaccoUbriaco por ter realizado em grande estilo sua centésima degustação em nove de julho na Vino!Batel, naquele mesmo endereço na Comendador Araújo de quando se iniciou a confraria na, então, Expand.
O evento extraordinário foi incrível. Foram bebidos vinhos franceses absurdos. Todos ícones de mais de 92 pontos na Wine Spectator ou no Robert Parker. Como era noite comemorativa não fizemos nossas avaliações técnicas, ficando apenas nas anotações subjetivas. Verdadeiro desfile de 7 vinhos de primeira. As anotações, inclusive, foram mais vagas que o comum, em função do clima festivo.
*Pode haver algum nome não muito preciso, em função das anotações alcoolizadas, hehehehe.

PAUL ROGER VINTAGE 1998
É Champagne, claro. 70%Chardonnay 30% Pinot Noir. Pérlage delicada e constante. Bem clarinha. Aroma muito intenso e complexo. Macia e suave. Muita amêndoa, mineral e boa acidez. 12% de álcool. R$234,22. WS 94.

ROTEMBERG PREMIER CRUS 2002 Jean Michel Davis
Alsacia. 65%Riesling 35%Pinot Gris. Amarelo intenso, límpido e brilhante. Aroma intensíssimo. Elegante e untuoso. Complexo, com várias faces: frutado, sulfuroso, mineral, tuti-fruti, goiaba, etc . Jean Michel Davis é um defensor do conceito de terroir e aplica biodinâmica em seus vinhedos. 14% de álcool. R$195,02. RP 94 WS 93.

CLOS DE SAINT CATHERINE 2001 Domaine Baumarol
Chenin Blanc do Loire. Dourado. Aromas frutados de manga, milho e carambola. Boca dulcíssima, mel, néctar. Potência no aroma, permanência na boca. Algum mineral no palato. Parecia um vinho de sobremesa sem ser. Incrível a maturação dessas Chenin Blanc. Tudo isso com apenas 12,5% de álcool. R$130,83. RP 93 WS 96.

ECHEZEAUX GRAND CRUS 2001 Joseph Drouhin
Pinot Noir. Borgonha. Intensíssimo, carvalho maravilhoso. Pimentão verde, oliva, morango, azedinho-doce. Taninos densos, veludo. Final de chocolate. Cor já opaca. 13% de álcool. R$371,00. RP94 WS92.

LA SIZERANNE 2003 M. Chapoulier
Hermitage (Shiraz). Violáceo, pouco alo, ainda novo. Aroma fechado, herbáceo. Boca ainda tânica, macia, figo. 14,5% de álcool. R$130,00. RP96 WS94.

ALAIN GRAILLOT 2003
Crozes-hermitage (Grenache). Violeta bem escuro, tintura. Mineral. Pimentão, frutas. Taninos abertos, vivos e ácido na boca. Muito jovem ainda, muitos taninos, merece envelhecer mais. 14% de álcool. R$210,00. RP93 WS95.

CHÂTEAU HAUT-BRION 1996
Grande estrela da noite!!!
Péssac-Leognan. 55%Cabernet Sauvignon 25%Merlot 20% Cabernet Franc.
Ruby acastanhado, com alo de envelhecimento. Aroma intenso, vivo, flores, frutas, madeira, complexo. Taninos ainda vivíssimos. Boca cheia, mineral e viva.ÚNICO. R$1800,00. RP 98!!!

Brindes à confraria, aos amigos e ao vinho.



domingo, dezembro 10, 2006

Vinho Verde - 20/11/2006 - Tatibana

Esteve aos meus cuidados a degustação de Vinho Verde da Confraria BaccoUbriaco, dando continuidade ao nosso tour pela Península Ibérica.
Fizemos no restaurante de cozinha oriental Tatibana com a proposta de pontuar os vinhos e, em seguida, verificar a possibilidade de harmonização com sushis e sashimis. Vamos aos Vinhos:

MUROS ANTIGOS LOUREIRO - 2005
Este vinho mais simples não nega o estilo do produtor Anselmo Mendes. Quase sem agulha, bem claro. Aromas de maçã-verde e pêra. Apresenta um final de boca amanteigado. Foi considerado o best-buy da noite por não apresentar grandes defeitos e ter o menor preço de todos. Preferi este aos de preço um pouco maior porque a sensação de acidez foi ótima e vejo relação clara com os aromas cítricos que encontro nos Sauvignon Blanc (meus brancos preferidos).
12% de álcool.
Pontuei 86. BU 83,28. R$37,00 no Boulevard.

VARANDA DO CONDE - 2005
Este corte de Alvarinho e Trajadura feito pela PROVAM tinha agulha mediana e cor mais para o amarelo. Apresentou aromas de pêssego e a acidez puxou para o limão. Alguém da confraria achou kiwi e floral. 13% de álcool.
Pontuei 84. BU 83,85. R$42,00 no Boulevard.

MUROS DE MELGAÇO - 2004 ALVARINHO
Este 100% Alvarinho da região de Monções feito pelo Anselmo Mendes realmente é um dos tops da região. Na cor era amarelo para dourado. Sem qualquer agulha, o mais ácido e mais aromático de todos. Em sua produção são utilizadas barricas de carvalho, o que é inusitado. Aromas de maracujá e manga. Alguns confrades levantaram mel, abacaxi maduro e damasco, ítens que também o podem descrever. Um estilo muito próprio de fazer Verdes. 12,5% de álcool.
Minha maior nota de brancos: 91. Uma das maiores da BU: 89,33. R$124,00 no Boulevard.

Além dos 3 que foram degustados, optamos por abrir a quarta garrafa que estava na reserva, mas só aguardando para entrar em campo. PORTAL DO FIDALGO é um alvarinho 2005 da PROVAM também. Estava muito gostoso e é ótima opção de alvarinho por um preço menor.
A impressão geral foi muito boa dos Vinhos Verdes. A acidez o torna candidato para harmonização com comida oriental, porém a conclusão dos confrades é que por preço menor é possível pedir um espumante nacional.
O objetivo destes vinhos refrescantes no fim foi cumprido, visto que devem ser estimulantes e alegres. Em dias quentes com frutos do mar cairão sempre bem.

quarta-feira, setembro 27, 2006

Eisenbahn

Depois do post da Bohemia Confraria, estava devendo a degustação de Eisenbahn.
Fomos muito bem recebidos no Bar da Vila, mais conhecido por todos como Bar da Eisenbahn em Curitiba. Fica na Mateus Leme, uns 400m depois do Portal Polonês.
Tive uma aula, grande introdução ao mundo das cervejas. Dentre todas as informações, destaco que as cervejas podem ser feitas em alta ou baixa fermentação. Na alta, é permitido ao fermento subir e a temperatura pode chegar aos 16ºC. Na baixa fermentação a temperatura não passa dos 10ºC.
Malte nada mais é do que a semente germinada. Nessa condição, o amido que está dentro da semente se desenvolve e é melhor explorado para a fabricação dos fermentados.
Pode-se dividir ainda o mundo das cervejas em duas grandes famílias: Lager e Ale. No princípio eram apenas as Lager, mas com o desenvolvimento das técnicas e da arte cervejeira criaram as Ales.
Interessante que a Pílsen, tão tomada no Brasil, é Lager. Esta é uma bebida mais simples, sem muitas nuances de sabor e de aroma, que serão variantes de pão e de cevada. Foi dito que muitas das nacionais básicas usam milho e arroz na composição, baixando a qualidade do produto.
As Ale são muito mais complexas e interessantes, cheias de aromas diferentes e detalhes, produzidas em alta fermentação.

Vamos à prova, que não foi pequena:
ORGÂNICA
Um brinde e vamos a luta. A Orgânica é uma Pílsen (Lager) feita sem qualquer tipo de fertilizantes sintéticos e agrotóxicos. É muito leve e fresca. Agrada quem não está muito familiarizado com maltes tostados e amargos. 4,8% de álcool.
PÍLSEN
A Pílsen da Eisenbahn é feita com puro malte de cevada. Apresentou aromas de pão, cevada e cereal. 4,8% de álcool.
KÖLSCH
Bebida em sequência, sentimos claramente a diferença quando chegou a primeira Ale. É a cerveja tradicional de Colônia, na Alemanha. Ela é muito leve e frutada, recebendo 4 tipos diferente de maltes. Havia aromas de abacaxi, mel e frutas frescas. 4,8% de álcool.
WEIZENBIER
Esta é a de trigo. O costume é que se sirva uma garrafa (long neck) por taça. A forma permite que se faça o brinde com o fundo dela. Turva, sem filtração. Bem aromática, com floral, adocicado, oliva. Quem sabe banana caramelizada. Certamente uma cerveja bem culinária. 4,8% de álcool.
PALE ALE
Grande cerveja de tradição inglesa. Cor mais escura que as demais. Aromas de especiarias e paladar com amargor. Boa para beber a noite toda. 4,8% de álcool.
DUNKEL
Voltamos para uma Lager, agora escura. Aroma ainda com frutas, mas boca café e doce, com tostado. Só foram usados 5 maltes diferentes nesta. A cor vem diretamente do malte tostado, sem adição de corantes. 4,8% de álcool.
RAUCHBIER
E seguíamos brindando, cada vez com mais entusiasmo. Nariz pouco intenso. Aroma e sabor defumado. Na boca é mais intensa e muito complexa. Agradável. O álcool dessa é um pouquinho maior: 6,5%.
WEINZENBOCK
Esta é a escura de trigo, sem filtração. Enche a boca com banana. Aromas de especiarias, balsâmica. Boca com banana passa, caramelo e torrefação. 6 tipos de malte e detalhe para o teor alcoólico: 8%.
STRONG GOLDEN ALE
Estilo belga, para ser comparada com a Bohemia Confraria e Leffe Blond. Aroma intenso e complexidade absurda. Fruta, morango, cítrico, adocicado. O fabricante fala em especiarias e caramelo. Dá-lhe brindes e 8,5% de álcool.
BIERLIKÖR
Para encerrar a noite porque não provar o licor de cerveja? Mais um brinde. Aroma de marzipan e sorvete de flocos. Boca quente e macia. Uma delícia. Para ser degustado lentamente, curtindo o sorvete de flocos. 30,47% de álcool.

Que noite!!! Quantas cervejas!!! Felizmente não demos conta de todo o universo Eisenbahn. Agora para o Natal a cervejaria lança em edição limitada a WeinachtsAle, para harmonizar com os pratos fortes de fim-de-ano. Aguardo ansioso.
Entre as opções surpreendentes que ainda me esperam, já está disponível a Lust, uma cerveja que fez a segunda fermentação na garrafa pelo método Champenoise numa vinícula catarinense.

Confesso que no início da degustação ainda estava meio perdido, pois a maioria das cervejas é tímida no aroma e é a boca o principal da prova. É um referencial diferente do vinho. No final, mais "tranquilo" depois de algumas, já estava virando especialista. Efeito da "alta" fermentação, risos.
A sequência de cervejas foi perfeita, com degustação muito bem conduzida pelo nosso anfitrião e proprietário do Bar. Entre as lições, ele contou que, no caso das cervejas, quanto mais fresca, melhor. Por isso os Chopps que serve do barril são ainda mais saborosos que as long necks.
Analisando agora, posso dizer que continuarei na Pale Ale como o chopp para a noite toda, visto que é leve o bastante sem abrir mão de algum malte tostado. Gostei muito da força da Weizenbier. A Orgânica cai muito bem para quem prefere cervejas leves. A Rauchbier é a exótica. A Strong Golden Ale é extravagante: teria dificuldade de tomá-la em quantidade porque pode ficar enjoativa, já que é adocicada, mas para fechar uma noite é ideal.
Já retornei duas vezes ao Bar da Eisenbahn para comer batata suiça e fui muito bem atendido. Dizem que nas quartas a banda rouba a cena. Só não aconselho tentar provar todas as cervas numa noite só, sob o risco de perder o caminho de casa.

segunda-feira, agosto 28, 2006

Vinhos do Dão

Hoje a confraria BaccoUbriaco deu sequência a nossa programação de regiões de Portugal. Foi a vez do DOC Dão, ainda dentro da área de Beiras, sendo a cidade mais importante Viseu. Fica no centro norte do país, protegida num enclave montanhoso tanto da umidade do litoral quanto dos ventos continentais. Predominam cooperativas.
Muito bem conduzida pelo confrade resposável, a degustação teve 1 branco e 4 tintos. Não sabíamos preço dos vinhos e, do último, foi-nos revelada a procedência apenas no final, manobra interessante para manter a imparcialidade do resultado.

QUINTA DOS MAIAS MALVASIA FINA 2000
Produzido pela Sociedade Agrícola Faldas da Serra Lda.
Um branco de 6 anos já colocou suspeitas imediatas em todos, mas a impressão logo foi desfeita pela prova. Aliás, é preciso destacar que Portugal tem revelado brancos excelentes.
Ainda com brilho dourado. Intenso, herbáceo, algum aspargo, adocicado e amanteigado. Na boca tem ervas bem presentes. O tempo tomou a agressividade aromática da Malvasia e a fez mais delicada. É o primeiro branco envelhecido que me agrada e essa característica dos brancos do Dão, de dar-se bem com o tempo, foi boa para o vinho. 13,1% de álcool
Pontuei 88. BaccoUbriaco 87,22. Preço: R$53,80 no Boulevard.

CUNHA MARTINS RESERVA TINTO 2002
Quinta do Cerrado. 33%Touriga Nacional, 33%Tinta Roriz e o restante Bastardo e Jaen.
Alguns tons violetas, mas brilhantes. Aroma sutil de baunilha, contudo uma madeira diferente. Boca bem seca e apresentando balsâmico. Mesmo a noite sendo equilibrada entre os vinhos, dos tintos foi o melhor por apresentar mais harmonia entre madeira e os demais aromas. Muito complexo, impedindo-me de uma avaliação aromática mais precisa. 13% de álcool.
Pontuei 87. BU 86,33.
Preço, pasmem, apenas R$36,00 na Vino! Batel

CASTELINHO DÃO RESERVA 2000
Quinta São Domingo. Madeira bem presente com floral, castanha e algum mineral. Também muito complexo. 12% de álcool.
Pontuei 86. BU 83,42. Preço R$64,80 na Wine Company

LAGARES DO CERRADO TOURIGA NACIONAL 2001
Quinta do Cerrado. Muita madeira, com baunilha, animal, mineral e herbáceo. Já havia provado um touriga do Douro com a mesma característica de excesso de madeira. Para quem gosta é prato cheio. Rebaixei um pouco a nota pela predominância da barrica. Confesso que só peguei o conjunto da complexidade com o tempo de taça. Se tivesse avaliado mais tarde, talvez reforçasse a nota devido à grande evolução após servido. 13% de álcool.
Pontuei 86. BU 87,16. Preço R$131,00 na Vino! Batel

QUINTA DO SEIVAL CASTAS PORTUGUESAS 2003
Miolo. A surpresa foi tomar este nacional feito ao estilo português, composto de Touriga Nacional, Afroucheiro e Tinta Roriz. Madeira muito forte, compota de fruta e algum balsâmico. Não me agradou muito também pelo excesso de madeira. 13% de álcool.
Tenho percebido que nosso paladar foi formado na escola chilena e argentina de vinhos muito amadeirados e doces, com excessos de barrica. O mercado tende a gostar mais de vinhos assim e a Miolo rumou para este lado também.
Particularmente, tenho procurado menos barrica e mais complexidade, um equilíbrio.
A vinícola está de parabéns pelo projeto, mas o preço extrapolou um pouco.
Pontuei 82. BU 83,71. Preço R$44,50 no Boulevard

terça-feira, agosto 15, 2006

Bairrada - 14/08/2006

Nesta segunda-feira tomamos vinhos da Bairrada na confraria BaccoUbriaco.
Podemos dizer que esta região portuguesa fica ao norte da cidade de Coimbra e próxima ao mar. Havia um branco e três tintos na quente noite de "inverno" curitibana. Infelizmente, um dos tintos estava estragado.
O destaque foi a relação fantástica de custo benefício dos vinhos.
Vamos ao líquido sagrado:

LUIS PATO 2004 MARIA GOMES
Maria Gomes é o inusitado nome da uva. Cor palha bem clarinho. Muito fresco, aromas frutados como pêra e guaraná, floral. Na boca confirmou o excelente frescor, acidez ótima para branco e final agradável. Certamente frequentarei mais a loja do Groff - In Vino Veritas - para comprar este branco. 13,00% de álcool.
Pontuei: 88! BaccoUbriaco: 87,14 WS: 85.
Custo: R$47,00.

QUINTA DO VALDOEIRO DOC 2003 - Syrah
Este era o vinho estragado. Estava com cor totalmente opaca e sem brilho, não lembrando nada a variedade Syrah. Ao servir formou espumação horrenda (nojenta mesmo). O aroma não estava de todo ruim, mostrando muita madeira para o café. Na boca, avinagrado e morto, confirmando a impressão visual. Vinho estraga às vezes, é normal. Esperamos que a loja Vino! reponha a garrafa como é de praxe, porém em breve faremos uma postagem dura sobre a rede de lojas Vino! em Curitiba que nos atende mal e recorre nos erros!
Pontuei: Não avaliado. Custo: R$73,00!

SOLÃO BAIRRADA DOC 2003 - Quinta do Encontro
Feito das uvas Baga, Castelão e Tinta Pinheira. Cor Ruby, aroma delicado e leve. Fresco na boca, sutil. Faltaram intensidade, persistência e complexidade. Não pesquisei, mas parece ter estagiado muito pouco ou nada em carvalho. O preço, que nos foi apresentado apenas no final, corresponde ao vinho configurando também uma boa compra. 12% de álcool.
Pontuei: 80. Baccoubriaco: 81,29. WS: 84.
Custo: R$18,65 no Gourmet Curitibano (mercado municipal)

LUIS PATO BAGA 2003
100% Baga. Lindo brilho ruby. Fresco, com barrica leve e agradável. Boca ácida e fresca com final reto. 12,5% de álcool.
Pontuei: 87. BaccoUbriaco: 84,25. Revista Wine Spectator: 86.
Custo: R$45,00 na In Vino Veritas.

BONUS: NORTON RESERVA MALBEC 2003
Nosso anfitrião e grande amigo ainda nos agraciou com um dos vinhos de sua recente compra. Este argentino de Malbec foi tomado descontraidamente após a degustação. Ótima surpresa foi o uso menos intenso de barrica, apresentando fruta vermelha rumando para cerejas e bom corpo médio. A noite estava muito quente não sendo ideal para Malbecs, mas a primeira impressão do Norton foi excelente. Viva!
Wine Spectator: Incríveis 90 pontos pelo preço!!!
Ficou a promessa de na próxima abrirmos uns brancos (será que levo o Villard SauvBlanc?).