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segunda-feira, maio 24, 2010

Em defesa da pluralidade

As diferentes cepas de uva são patrimônio da humanidade e precisam ser preservardas. Isso significa manter a produção dos vinhos das diferentes variedades para que os possamos provar.
Não sou da turma ebc - "everything but chardonnay" - até porque os chablis são fantásticos e há grandes obras de arte nos EUA, mas sempre fico muito animado em provar castas diferentes.
Portugal é a referência na preservação da cultura local, mantendo alguns vinhedos antigos com as parreiras misturadas. Recentemente, tomei um branco com Arinto, Fernão Pires, Rabo de Bode e etc. Os nomes são excelentes.
Na postagem de hoje, todavia trago um espanhol e um italiano com uvas menos famosas, ambos acessíveis no preço.

MATILE PINOT GRIGIO 2008
A uva Pinot Griogio é engraçada, pois à rigor é tinta. Ela foi desenvolvida pelo cruzamento da Pinot Blanc com a Gewurztraminer e o grigio do nome no francês é gris, que significa cinza. Vinifica-se em branco pela separação imediata das cascas, já na prensagem.
A região mais tradicional da vinificação em branco é o Norte da Italia, porém o Matile é feito na Umbria. Vinho palha translúcido, apresenta aroma fesco e agradável de frutas mesclado a certo perfume. A boca é seca e fresca, com boa acidez. Aparece algum desequilíbrio alcoólico e adstringência. Nada que comprometa, contudo, a relação qualidade/preço esperada para a faixa.
Um boa forma de provar essa peculiaridade do mundo do vinho sem gastar muito. R$25,00 na Lidador Copacabana. VV!83

ARTERO MACABEO 2008
Este vinho é de La Mancha, região logo ao sul de Madrid, que tem Toledo entre suas cidades conhecidas. O popular personagem Don Quixote também comunga suas origens na região.
A uva Macabeo tem largo uso na Espanha, porém é mais conhecida pela presença nas Cavas do que como variedade de vinho tranquilo. Este Artero 2008 tinha cor dourado brilhante para mim. Aromas florais e perfumados e algum peso em boca, com leve picância no paladar. É um vinho correto que agradou em sua faixa de preço. R$30,00 na Lidador Copacabana. VV!84.

quarta-feira, março 25, 2009

Encontro de Enoblogs

Tive o prazer de degustar vinhos com Cristiano Orlandi do Enoblog Vivendo Vinhos e nossas respectivas esposas no Edvino, em fevereiro, na sexta de Carnaval.
O Cristiano veio a Curitiba no feriado e aproveitamos para conhecermo-nos pessoalmente e ampliarmos o intercâmbio que já acontecia pela internet.
O clima foi casual. Não avaliamos formalmente nenhum líquido, apenas conversamos sobre nossas preferências, trocamos impressões e conhecemos mais sobre a história de vida de cada um e de como nos apaixonamos (por nossas mulheres e pelo vinho, risos).
O Cristiano é esse mesmo cara do blog: animado, divertido e relax. Excelente companhia para uma noite descontraída. Desde que postei sobre o Edvino ele havia demonstrado interesse em conhecer o "Bar de Vinhos, Restaurante e Etc..."
Aproveitamos que o Cris não é de frescurar (até pela família gaúcha, risos) e propusemos que pedíssemos taças e trocássemos, assim a cada rodada provaríamos muitos vinhos. O sempre solicito sommelier Ewerton estava presente e já começou nossa noite ofercendo o espumante Alto Vale, novo efervescente da Casa Valduga.
Em nossa primeira rodada, pedimos três vinhos completamente diferentes. O clima era razoavelmente quente e queria algo refrescante, mas o Sauvignon Blanc neozelandês Matariki estava em falta, portanto acabei indo para o Chardonnay californiano mais leve da Painter Bridge. Pedimos também o Santa Digna Gewurztraminer e o rosado La Fleur de Pulenta. Para mim, destaque para o rosé que estava com taninos bem redondos e aroma adocicado, muito fácil de beber.
Na rodada de tintos, vieram o elegante Chatêau Cantegril (disparado o melhor dos três, se é que dá para comparar), o diferente Chatêau Kefraya e o barbaresco Dezzani, com a acidez agradável que os italianos possuem.
Destaco o Chatêau Kefraya pela exclusividade. É um vinho libanês do Vale do Bekaa, feito com Mouvédre e Syrah, cepas típicas do Rhône. Para comparar, tomemos como exemplo um corte semelhante de que gosto muito, o sulafricano Wolftrap. O Kefraya é mais doce e menos ácido. Diferente e interessante.
Por fim, terminamos a noite com tábua de queijos e Madeira Justino´s 10 anos. Já havia provado com queijo de cabra e funcionou, mas a tábua acabou provando que nem todo vinho combina com qualquer queijo. O Reblochon e o Grana estavam ótimos, ainda mais com o mel trufado, contudo com o vinho não funcionou. A harmonização era Madeira com o queijo de cabra mesmo.
Claro, depois vieram sobremesas de ajoelhar a cada colherada. A noite voou e, quando vimos, eramos os últimos do restaurante, após mais de três horas de brincadeiras enológicas. Nem um incidente no restaurante que nos obrigou a mudar de mesa ofuscou a alegria de ter conhecido pessoalmente o enoamigo de Campinas (mais precisamente Valinhos, como descobrimos). Será um prazer marcar novas degustações com o blog Vivendo Vinhos.

segunda-feira, março 09, 2009

Sémillon

Em sua Degustação #136, a longeva Confraria Bacco Ubriaco provou australianos de Sémillon.
O Confrade responsável ainda nos agraciou com instrutiva e divertida brincadeira: ao final da degustação dos australianos, fizemos nosso próprio corte de vinho misturando um Sauvignon Blanc com um Sémillon em diferentes proporções: 80/20, 70/30 e 40/60. O objetivo era reproduzir o corte mais comum em Bourdeux e também brincar com outras possibilidades.
O evento foi realizado na Adega Don Maximiliano, nova loja de vinhos de Curitiba, nas proximidades da Praça Espanha.

COLONIAL ESTATE EXPATRIÉ RESERVE 2006
Excelente vinho do quente Barossa Valley. De aparência palha, tem belo aroma com excelente intensidade. Remete a própolis, fruta bem fresca, boa acidez e um confeitinho. Boca ácida e doce ao mesmo tempo, com corpo bom e leve excitação da língua. 13,5% de álcool. RP 90. BU 87,33. VV! 89. R$109,00 na Vino!Champagnat.

STEVENS SINGLE VINEYARD 2002
Este vinho da Tyrrel´s, feito no Hunters Valley, era palha bem clarinho. Intensidade média num aroma difícil de definir. Unindo fruta e tostado, compôs um conjunto mais profundo, talvez com avelãs e flores. Pensando bem, lembrava queijo roquefort. Muito mineral e seco no palato, bem leve, faltou um pouco de complexidade no retrogosto. 10% de álcool. BU 86,85. VV !86. R$94,00.

LENSWOOD 2000
50% descansou em carvalho por 8 meses. Aparência já dourada do envelhecimento. Muito própolis, algum químico incômodo e fruta branca rumando para pêssego em calda. Certa potência em boca com desequilíbrio alcoólico. Infelizmente, o tempo desse vinho já passou. BU 87,14. VV!85. R$100,00.

A impressão final é de que os australianos de sémillon provados funcionam melhor mais jovens, preferencialmente até 5 anos de idade.

sábado, março 07, 2009

Vídeo Degustação #2 - Alta Vista Premium Torrontés 2006

Assista à segunda Vídeo Degustação do blog Viva o Vinho! Provei o 27º vinho da Confraria Brasileira de Enoblogs, indicação do vivendovinhos.blogspot.com.


terça-feira, fevereiro 17, 2009

Doña Dominga Viogner Reserva 2006

Tenho feito umas experiências, tentado provar coisas diferentes. Tem um prazer a parte encontrar com micos. É claro que prefiro vinhos gostosos, equilibrados, elegantes, ..., mas quando encontramos um tenebroso pela frente relembra o que é um vinho ruim e ajuda a manter o censo crítico.
Doña Dominga Viogner é um daqueles "não bebo mais". Chileno de Colchagua, apresentou aroma frutado e fresco. Sem grandes defeitos, mas sem a complexidade esperada na Viogner.
Decepção total e imediata no gustativo. Vinho com adstringência e ataques inadequados. Desequilibrado. Um roubo!!! R$28,00 no Condor Boa Vista!!! VV!74. "Bacco tenha piedade".

sábado, janeiro 10, 2009

Argento Reserva Chardonnay 2007

E não é que a Argento faz um branco razoável também! Na Retrospectiva 2008 meu vinho barato do ano é o Argento Reserva Bonarda. Por acaso, acabei provando neste janeiro mais quentinho em Curitiba o Char.
Cor amarelada com certo aspecto untuoso. Aromas bem frutados e média complexidade, com pamonha (milho), fruta branca e frescor. O paladar confirma a acidez do frescor. Tem um peso indesejado, sempre presente em Chars baratos, e um pequeno defeito no fim de boca. Nada que desmereça o vinho em função do preço.
Excelente pedida de char custo-benefício. Mais uma bola dentro na linha Reserva da Argento. R$19,90. VV!82.
Para uma referência do que espero de Chardonnay ler o post Dois Brancos Franceses

sexta-feira, dezembro 12, 2008

Degustação Secreta

Fui convidado para provar em primeira mão alguns vinhos inéditos que devem chegar ao Brasil no ano que vem. Além de SECRETA, era também ÀS CEGAS a degustação.
Nosso anfitrião serviu-nos os líquidos sem mostrar o que estávamos bebendo e aproveitou para comparar os novos produtos do mercado com semelhantes já bem conhecidos, afim de perceber nossa impressão das novidades. Tenho a dizer que os argentinos do ALTO VALLE DEL RIO COLORADO, da região Las Pampas, chegarão bem situados no mercado nacional. Não posso dizer nem onde, nem como, nem quem... só não fui proibido de contar que degustei chardonnay e cabernet franc da BODEGA DEL DESIERTO.

PULENTA CHARDONNAY 2006
Palha bem clarinho. Abre para aroma bem frutado, tropical, fresco. Não considerei tão típico. Boca siples, fresca, ácida, porém muito agradável. Pouco corpo e zero lácteo. Esperava mais maloláctica de um Char argentino. 14% de álcool. R$49,00. VV! 85.

BODEGA DEL DESIERTO 25/5 2006 CHARDONNAY
Cor Palha. Aroma de abacaxi ultra maduro. Lembrou o chá de cascas de abacaxi que minha mãe fazia para tomarmos gelado. Algum milho também. Aroma pouco intenso, mas interessante. Boca com leve untuosidade, com maciez elegante e alguma fruta. Entre os 3 Char, este foi o meu preferido, ainda que em nota objetiva tenha sido o segundo. Ele é mais equilibrado e completo que os demais. Ainda não disponível no Brasil, mas por volta dos R$50,00. WS 88. VV! 86.

LUIGI BOSCA CHARDONNAY RESERVA 2006
Aromas mais lácteos no início, que se vão perdendo com o tempo. Mais amanteigado, baunilha. É mais o que espero em Char argentino. Boca mais para o milho. Soube que tem alguma passagem por carvalho. 13,5% de álcool. R$60,00. VV! 87.

BODEGA DEL DESIERTO 25/5 CABERNET FRANC 2005
Ruby clássico. Aroma de cereja, especiarias e boa acidez. Boca bem seca e tânica, típica de Cabernet Franc. Pesquisando na Wine Spectator depois, constatei que citam também azeitona preta no aroma, conferindo com uma impressão que tive, mas que foi difícil de definir. Por volta dos R$50,00. WS89. VV!85.

Os Cabernet Franc terão difículdades específicas em encarar o mercado nacional por dois motivos: 1) não estamos acostumados ao varietal 100% e 2) acredito que Cab Franc é para o corte bordalês mesmo. É um vinho com aroma bem complexo e instigante, mas, ainda que revele estrutura elegantíssima, seca muito o paladar.

D. O. CABERNET FRANC VALLE DEL MAULE 2003
Cor ruby clássica. Este Cab Franc chileno tem madeira mais elaborada que o primeiro e aroma ainda mais inteso de cereja, boa acidez, espécias, é mais frutado e tem algo de resinoso ou químico. Boca também tânica, como já era esperado. 14% de álcool. VV! 87.

quinta-feira, novembro 27, 2008

Travessia Moscatel Semillón 2007

Este vinho chamou a atenção na prateleira do supermercado pela composição que a Concha y Toro testou no Chile: Semillón e Moscatel.
A cor é amarelo com tom bem verdeal. O aroma tem boa intensidade, característica da moscatel. Realmente, fez referência a experiências anteriores com a uva. Tem um químico que de vez em quando aparece, acabou lembrando (desculpem-me mas foi o que veio à tona mesmo) detergente de maçã. É fresco e apresentou algum floral que a Queisse definiu como lírio.
A boca é bem ácida no início, o que agrada. Tem um peso no meio de boca, na língua. Aqui a doçura da moscatel foi diluida pela Semillon e mesmo assim mela o palato. O fim de boca não é dos mais elegantes, para mim fica algo que me incomoda, contudo não chega a ser amargor.
Um vinho simples e diferente, que alguns irão gostar e outros não. Não chega a ser um vinho de sobremesa, todavia pode matar uma refeição delicada por causa de seu corpo. Concluí que o melhor é prová-lo sozinho ou acompanhando um patê, pois tem gordura para enfrentar o "peso" do corte. 12,5% de álcool. R$22,98 no Condor Boa Vista. VV!80.

segunda-feira, agosto 04, 2008

Dois Brancos Franceses

Dia 29/07 provamos dois vinhos franceses na Enoteca Decanter Curitiba. Fazia um calorzinho atípico (um inverno atípico, como os anteriores) naquela terça-feira e a opção por brancos foi natural. Queria provar um Chablis para comparar com os californianos da degustação anterior da Bacco Ubriaco. Chablis é uma denominação da Borgonha em que o destaque é a Chardonnay, aliás é muito provável que a qualidade dos brancos feitos em Chablis é que notabilizaram a Chardonnay. Eles são historicamente o parâmetro de comparação para os demais.
O segundo vinho é um Pinot Blanc da Alsacia. Optamos por um vinho exótico. A região é mais conhecida por seus Gewurz super-aromáticos e Rieslings, mas a curiosidade foi mais forte e trouxe uma nova experiência.

ALAIN GEOFFROY CHABLIS 2005
Appelation Chablis Contrôlée. Bem claro, dourado. Fresco, boa acidez já evidente no olfato. Aromas de frutas tropicais frescas, como maracujá e abacaxi, mas muito delicado. Floral bem marcado denotando a complexidade. Palato suave, gostoso. A acidez toma toda a boca com delicadeza. Maracujá mais evidente ao paladar e sabor de manteiga, mas sem a untuosidade. Final excelente. Harmonioso. 12,5% de álcool. VV!90.
PS: Chamou a atenção a característica de ter sabor amanteigado, mas sem aquele peso que sempre encontramos, a untuosidade. Isso põe muitas exclamações nesse vinho, um dos melhores brancos que já provei. Só ficou devendo aquele "lingering" (seria agulha em português?) que é tão evidente e gostoso nos californianos. São estilos diferentes. Este Chablis mostrou-se com mais classe.

BLANCK PINOT BLANC D´ALSACE 2006
Paul Blanck. Appelation Alsace Contrôlée. Cor estranha, amarelado palha com tons cinzas. Experiência completamente diferente. Ficamos procurando descritores para o vinho. Chegou a lembrar uva e ponto, mas fomos buscar. Lembrou bem aveia, depois observamos fermento, sabugo de milho, algo herbáceo, frutas e um defumadinho. Nariz intenso, coisas da Alsace. Boca com certa untuosidade, apresentou especiarias e acidez agradável. Final adequado. Este vinho tem um ataque que impressiona. 12,5% de álcool. VV!87.
PS: Fiz uma pesquisa para pautar a experiência. Os descritores mais comuns para Pinot Blanc são flores, pêra, maçã e manga. Os melhores apresentam cremosidade. Os da Paul Blanck possuem melão e terra.

domingo, junho 29, 2008

Desventurados

São muitas as provas em 2008. Rivaliza de perto com 2007 em relação ao alto nível das oportunidades que se têm apresentado. Se não tomei nada equivalente ao Haut-Brion da comemorativa #100 da Bacco Ubriaco, já no final de 2007 sorvi o supertoscano Tignanello (que estou devendo no blog). Em 2008 vieram os top chilenos em várias degustações, alguns lalande-de-pomerol e pessac-léognan representando Bourdeux, o macio espumante Ferrari, borgonha, priorato, portugal, chianti clássico, ... e inúmeros outros vinhos bons. Foram tantos que este post sobre vinhos Desventurados está virando post de Resumo do Melhor de 2008.
Voltando ao ponto, quem lê tudo isso no blog pode até pensar que só bebo vinho de primeira. Não é o caso. Sempre estou procurando bons custo-benefícios nas mais variadas faixas de preço. Nessas aventuras é quase certo que hora ou outra toparei com vinhos ruins tecnicamente e com vinhos que definitivamente não me agradam.
Não dou conta de colocar todos que bebo no blog. Alguns são provados tão informalmente que na ocasião não havia como anotar. Esses dias estava na casa de um amigo que voltou de viagem ao leste europeu. Trouxe na bagagem um vinho de mesa turco, um grego e um Bourdeux Superior (este do free-shop). Aventuras que devido à informalidade da ocasião não virão para o blog, mas que formam também este enófilo.
Dessas aventuras surgem alguns vinhos que, de fato, não gostei. Não são de todo dinheiro perdido. Toda vez que bebo um desventurado desses tenho a sensação de que recalibro meus sentidos e vejo que não me enganam mais.
Vamos aos desventurados que analisei este ano e que ainda não estão no blog (sorte dos outros, daqueles que esqueci, risos):

TERRANOVA SHIRAZ 2006
Tomado em Janeiro foi o primeiro mico do ano. Aparência violácea, porém opaca. Desinteressante de saída. Madeira fechada e excessiva no aroma. Boca desequilibrada, com álcool, acidez e taninos em desarmonia. Não agradou desde o início. A Miolo errou neste 2006 do Vale do São Francisco. Pena, pois o rótulo é belíssimo.VV! 72. R$12,00.

FINCA LA LINDA TEMPRANILLO 2006
Acredite se quiser. Sempre gostei da linha La Linda. Já tomei outras safras deste Tempranillo e me agradaram. Os Malbec e os brancos são ótimos também. Não sei bem o que aconteceu com este 2006. Não estava estragado.
Bom aspecto. Nariz correto com geléia de fruta e sutil floral. Sem muita intensidade. Até aqui tudo bem. Já na boca: desequilibrado, alcaçuz, álcool excessivo. Final apresentando defeitos. Não agradou. Em 2006 a Luigi Bosca errou neste Tempranillo. VV! 77.

ALANDRA Vinho Regional Alentejano
Não foi propriamente um mico, mas como não atingiu 80 pontos está na classe dos vinhos que EVITO (ver classificação na barra à direita). Aroma simples, agradável, bem frutado e adocicado. É um vinho sem taninos, sem estrutura e sem corpo. Muito simples, porém agradável e docinho. VV! 79.

AURORA VARIETAL MERLOT 2005
Provado em fevereiro apresentou pouca cor, translúcido. Frutado, framboesa e animal. Pouco corpo, confirmando aparênca. Ligeiro. 11,8% de álcool. VV! 78. R$17,00.

CALAMARES Vinho Verde
Realmente não gostei deste vinho. Já paguei R$10,00 em verdes melhores. Era tão adstringente que travava a boca. “Micasso”!

domingo, junho 15, 2008

Velha Vinífera

Foi com muito prazer e muito vinho que iniciamos nova Confraria em Curitiba:
A VELHA VINÍFERA.
Tenho a honra de coordenar o grupo formado em sua maioria por médicos e médicas que propõem-se a quinzenalmente estudar o fascinante mundo do vinho e passar momentos agradáveis provando o líquido de Bacco.
O vinho sempre traz alegria, estreita laços e constrói boas amizades. Assim esperamos que seja também com o novo grupo de degustadores.
Que a Velha Vinífera tenha longa vida!


Neste primeiro encontro apresentamos a parreira, a uva e o vinho. Abordamos aspectos da relação entre vinho e saúde e discutimos as sensações visuais, olfativas e gustativas.

Fomos muito bem recebidos na Vino! Batel no dia 31/05/2008 e fico particularmente feliz por este espaço da Comendador Araújo estar aberto para estimular o surgimento de novas confrarias e fomentar a formação de novos degustadores.
Neste primeiro encontro os confrades e as confreiras puderam provar diferentes estilos de vinificar. Um estímulo ao despertar sensorial que a degustação proporciona.

CAVE GEISSE BRUT Expedição 2005
Apresentou cor palha, bolhas adequadas e finas. Aroma de fermento, pêssego em calda. Possui boca macia e cremosa, porém apresenta também alguma adstringência. A confraria encontrou também aromas de carambola, casca de araçá e alguma citricidade. 12,5% de álcool. R$44,00.

LAURA HARTWIG CHARDONNAY 2005
Claríssimo, traslúcido, com algum brilho verdeal. Boca ácida, equilibrada. Adocidado, mel, lácteo e floral. A confraria encontrou também manteiga, canela, maresia, maçã e banana seca. 14% de álcool. R$82,50.

CHOCALÁN 2003
Este corte chileno de Cabernet Sauvignon, Merlot e Malbec apresentou aspecto denso, que os confrades compararam ao sangue venoso. Pequeno alo aqüoso. Aroma intenso, químico, pimentão verde e frutas vermelhas. Com o tempo evolui mais para a baunilha. Boca delicada, evoluída, gostosa. Boa acidez e complexidade. A confraria percebeu favo de mel, uvas passas, rosas, cravo, animal, fumaça doce e temperos como tomilho, pimenta e cominho. 13,5% de álcool. R$85,00.

BURMESTER JOCKEY CLUB PORTO RESERVA
Cor ambar escura e brilhante com alo gradativo. Aroma alcoólico, amêndoas, frutas maduras, químico. Boca adocicada, intensa e bem agressiva no álcool. É um porto de estilo forte. A confraria percebeu no palato calda de pudim, côco queimado e doce de cidra. No aroma, caramelo, tâmara, damasco, figos e passas em calda, tabaco e, curiosamente, aroma de igreja! 20% de álcool. R$56,00.

quarta-feira, fevereiro 27, 2008

Brancos argentinos

Sou fã da Sauvignon Blanc de clima temperado, pois adoro a acidez, o frescor e as frutas. Parece um vinho perfeito para o verão brasileiro.
Agradou-me a idéia de brancos mais encorpados que procuram preservar aromas frutados e acidez na estrutura. Uma diferença fundamental é que Chadonnays e Viogners costumam passar por fermentação malolática. Trata-se de transformar ácido málico em ácido lácteo, dando o aspecto untuoso e macio.
A prova foi extremamente equilibrada. Os FINCA LA LINDA tentaram vencer com maior intensidade aromática. O ESCORIHUELA GASCON, por sua vez, atacou de maior complexidade, não deixando nada a desejar.
Quem ganha somos nós por termos à disposição excelentes vinhos a preços acessíveis.

FINCA LA LINDA CHARDONNAY 2006
Vinho da Luigi Bosca importado pela Decanter. Aspecto untuoso e cor amarelo-palha brilhante. Aroma doce, herbáceo com frutas em calda, seguidos de flor de maracujá. Evolui em direção a ervas como alecrim e capim-limão.
Boca cheia, bom corpo e acidez excelente. O vinho impressionou muito. Une harmonicamente a untuosidade e o corpo da malolática com o frescor de vinhos frutados e ácidos. Ótima permanência e final corretíssimo. Preferi bebê-lo quando ganhava um pouquinho de temperatura na taça. Excelente compra! 13% de álcool.
VV! 87 Bem Merecidos! R$29,66.

ESCORIHUELA GASCON VIOGNER 2007
Importado pela Wine Company. Belo palha-verdeal translúcido. Aroma fresco e floral com leve toque de pão que vai abrindo, provavelmente oriundo do pequeno percentual fermentado em carvalho.
Apresenta certa untuosidade, mas o corpo é muito delicado. Boa permanência. Fresco, ácido e doce ao mesmo tempo, mas tudo bem amalgamado. Muito equilibrado. 13,3% de álcool. VV! 87.
Nota de harmonização: acompanhou bem frango à parisiense.

FINCA LA LINDA VIOGNER 2006
Cor palha. Aromas a abacaxi e mel. Bem equilibrado apresentando boca adocicada, com agradável frescor. Final bem correto. Merece estar no mesmo nível do Chardonnay. 14,5% de álcool. VV! 87.

quarta-feira, janeiro 30, 2008

Direto do Chile

Ontem realizamos a degustação 112 da Confraria Bacco Ubriaco na Expand Winestore Curitiba. Agradecemos muito ao Rafael, um de nossos padrinhos, e a todo o time da casa por nos receber sempre muito bem.
Confrades enviados especialmente ao Chile trouxeram na bagagem vinhos especialmente selecionados para nossa degustação de abertura de 2008. O Sauvignon blanc não me agradou tanto. Já os tintos eram ótimos. Infelizmente esses vinhos não estão disponíveis no Brasil. Será que terei de ir até lá buscar uma caixa de Epo e uma garrafa de Almaviva?

Veramonte Reserva 2007

Este Sauvignon Blanc foi feito em Casablanca, a oeste de Santiago, 70 km em direção a Viña del Mar. Cor palha bem clarinho. Aroma suave e gostoso. Para mim herbáceo, lichia e leve citricidade. Tinha ataque meio excessivo à boca, onde perdeu pontos. Nota VV! 83, WS 87. Custou lá US$ 7,00.

Epo 2000
Epo significa, na linguagem nativa, segundo. Este é o segundo vinho da Almaviva, joint venture entre Rotschild e Concha y Toro. Almaviva é um dos grandes vinhos chilenos e seu irmãozinho não deixa dúvidas de sua estirpe. É feito em Maypo (cercanias de Santiago) das uvas Cabernet Sauvignon, Carménère e Cabernet Franc. No futuro terá também Merlot no corte. É o mesmo assemblage do Almaviva, porém o enólogo observa as porções de vinhos que não são propícios para guarda, afim de compor o Epo. Na verdade, o Epo fica pronto antes que seu par mais vigoroso, que alguns afirmam poder envelhecer até 25 anos nas melhores safras.
A política de comercialização é de vendê-lo apenas no Chile. Na vinícola sai em torno de US$15,00!!!!!!!!!!! No centro de Santiago pode ser encontrado a US$30,00.
Apresentou belíssima cor. Brilhante, límpido, já aparecia pequeno alo aquoso. Aromas de café e alcaçuz no início. Muito delicado. O químico do alcaçuz evolui para castanhas e flores. Boca desde o início revelou castanhas. Belos taninos marcantes. Já está pronto, mas ainda pode envelhecer mais alguns aninhos.
O vinho esteve constante pela hora e meia que me acompanhou em taça. Modifica-se com sutileza e mantém suas principais qualidades: Delicadeza e elegância. 14% de álcool. Nota VV! 90.

Coyam 2005

Produzido pela Emiliana em Colchagua é um blend de várias uvas: Syrah, Carmenére, Cab. Sauv., Merlot e Petit Verdot. Segue os conceitos orgânicos de produção.
Cor escura, leve toque violáceo. Aroma fechado o tempo todo. Ameixa preta e químico. Bom corpo, pesado à boca. Taninos vivos e adocicados. Melhor se bebido daqui uns três anos pelo menos. 14,5% de álcool . Nota VV! 88, WS 90. US$18,00.

Elegance 2004

A vinícola Haras de Pirque no início estava no ramo apenas da montaria. Nos anos 90 interessou-se pelas videiras e pela viticultura, passando a produzir vinhos considerados tops chilenos no Maypo.
Este puro Cab. Sauv. tem cor ruby brilhante. Belo aroma com cerejas. Boca mineral com taninos ainda aprisionados. Muuuuuito longo. Nota VV! 89, Tapia (autor do Guia Descorchados) concedeu-lhe 95!? 14,5% de álcool. US$35,00.

Enquanto blogava...
Bloguei bebericando um Periquita 2004 produzido em Terras do Sado, Setúbal, por José Maria da Fonseca com as uvas Castelão, Trincadeira e Aragonês. Um pouco opaco na cor, não apresentou as características que esperava. Nos anos 90 o Periquita era o vinho do dia-a-dia em minha casa. A José Maria Fonseca optou por mudar o estilo para um vinho mais moderno e bem frutado. Deixou a garrafa bojuda de lado e ganhou aromas de azedinho-doce e morangos frescos. Ficou fácil de beber, mas para mim o antigo era melhor.
Este 2004 nem o frutadinho fácil ofereceu. Aromas não me disseram muito e boca razoável, bem seca. Sem defeitos ou grandes qualidades. Como estava só, abri uma 1/2 garrafa (350ml), mas não acredito que isso faça tanta diferença nas características do vinho. Minha nota subjetiva: 80.

quinta-feira, dezembro 13, 2007

Santa Ema Sauvignon Blanc 2006

No intuito de dar uma mostra para minha esposa dos vinhos brancos chilenos abrimos o Santa Ema. Quase translúcido, com jeito de vinho bem fresco para o verão. Olfato não agradou tanto quanto a aparência, com toque herbáceo. Boca confirmando a falta de frescor esperada por mim para o Sauvignon Blanc chileno. Tomamos em família e a maioria gostou, eu é que fiquei mais decepcionado, pois neste blog já relatei Sauv Blancs mais empolgantes. R$27,00 no Festval Água Verde.

sexta-feira, janeiro 19, 2007

Comparação de Safras

Com muitos vinhos pela frente, particularmente brancos, tenho de publicar logo para acompanhar o passo. As provas são muitas e o janeiro quente que faz aqui chama sempre a tomar vinhos a baixas temperaturas em busca de frescor.
A recorrência de algumas marcas por simpatia pessoal e disponibilidade no mercado permitirá estabelecer pequenas diferenças em safras e faixas de preço.
De pronto, com este post é possível comparar as impressões entre os Santa Helena Reservado Chardonnay 2005 e 2006.

ADOLFO LONA BRUT ROSÉ
Este espumante ficou meio ano aí parado na adega (não climatizada). Estava até com medo de que já estivesse estragado, mas ao abrir apresentou boa espumação com bolhas finas e abundantes. A cor é salmão. O aroma muito fechado me lembrou maçã. A descrição da vinícola é "vinoso". A boca é sem frescor e alegria que espero em espumantes. Não me agradou, talvez até por eu não conhecer muito espumantes rosés. 12% de álcool. Comercializado na In Vino Veritas.

SANTA HELENA RESERVADO CHARDONNAY 2006
Cor amarela. Este chileno da confiável Santa Helena tem aromas ainda mais frutados que o 2005 (post anterior). Agrada-me muito mais esse frescor de fruta. A boca tem as características que esperamos da Chardonnay com algum amanteigado. Interessante que ao circular o vinho por todo paladar as laterais da boca são bem estimuladas como o 2005. Fico com o 2006! Menos amargor no final. 13% de álcool. Ainda caros R$19.00 no Mercadorama.

PERIQUITA BRANCO 2005
Um vinho bem diferente dos brancos antes provados. Este primeiro português de 2007 lembrou-me um pouco o Gewurz nacional, adicionado de bom frescor. Bem aromático, é "adocicado" no palato e no olfato lembrando, este sim, goiaba. Branco português é tiro certo. 12.5% de álcool. Em torno de R$20.00 no Mercadorama.

Notei que o Santa Helena 2005 e o 2006 possuem sutis diferenças em prol do último. Uma preocupação minha é sempre ressaltar as circunstâncias do vinho, pois companhia, evento e condições de consumo pesam em minhas impressões sobre o bebido.
Do 2006, fui eu quem controlei a temperatura e certamente estava mais baixa que a do 2005. Melhor seria ter feito prova vertical ao mesmo tempo em forma de degustação.
Posto tudo na balança meu escolhido é o 2006.

Adquiri a preço justo (enfim) o Santa Helena Siglo de Oro Chardonnay no Mercado Municipal de Curitiba. Ele é um passo acima em qualidade da linha Reservado. Provarei em breve!

domingo, janeiro 14, 2007

Janeiro de vinhos brancos

O Viva o Vinho! já está chegando na 2000º visita. Isso significa que a média diária gira em torno dos 12 ou 13 acessos. Fantástico. Duas ou três por dia são de retornos e a maioria absoluta vêm do google.
O ano continua em forte rítmo enofílico. Hoje é provável que eu prove mais dois ou três brancos nacionais, portanto vamos blogar os que já ficaram para trás, porque não se percam. Serão 1 nacional e 2 chilenos.

Cosecha Tarapacá Sauvignon Blanc 2005
Considerei o Cosecha um sauvignon blanc atípico. Ele não é frutado nem leve, não lembra a cítricos. Pelo contrário, é adocicado com algum corpo e amargor final. Vinho do chile que não desagrada a todos, mas que perde pontos por ser estranho. 12.5% de álcool. R$13.00 no Mercadorama.

Salton Volpi Sauvignon Blanc 2005
Podemos dizer que a ocasião em que foram provados estes dois foi a Exótica Noite do Sauvignon Blanc. O nacional da sempre confiável vinícola Salton tinha cor palha bem clarinha. O aroma ruma para o mineral. Ele é bem perceptível, mas de difícil descrição. Como foge do tradicional frutado e cítrico, recorri à roda de aromas da Vinho Magazine e concluí que lembra fluído de isqueiro. Quero ressaltar que não é defeito.
Como na boca ele era fresco e limpava bem o paladar, considero muita qualidade. A Salton fez um Sauvignon Blanc diferente que não chega a ser atípico. 11.9% de álcool. R$30.00 no Mercadorama.
Além da Roda de Aromas, fui ao site da Salton para ver o que eles mesmo diziam sobre o aroma. Eles não dizem qual a safra do vinho comentado, mas descrevem seu Sauvignon Blanc como frutado, a cítricos. O aroma diferente que peguei lá se equivaleria ao que chamam de "goiaba". Discordei um pouco, mas essa individualidade é que faz a brincadeira tão divertida.

Santa Helena Reservado Chardonnay 2005
Reclamei em outra publição de ter pago R$30.00 num Santa Helena, eis que aconteceu de novo. Nos restaurantes e cafés esse é o terrível preço, pelo visto.
Vamos ao vinho:
Cor amarela clara, com densidade típica. Aroma com pouca intensidade de abacaxi e mel. Boca amanteigada, com estimulação cítrica nas laterais. No fim, algum amargor. Um chardonnay sem madeira típico e honesto se pago em torno de R$15.00. 12.5% de álcoo. R$30.00 no Café Chef Vergé.

domingo, dezembro 10, 2006

II Degustação Viva o Vinho!

Aproveitamos a excelente recepção que Rogério e Eleandro do Tatibana nos proporcionaram e continuamos nossa saga propondo o
DESAFIO VINHO VERDE E COZINHA ORIENTAL
para amigos do enoblog.

Republico a pesquisa sobre essa região lusitana:

DOC VINHO VERDE
A Região dos Vinhos Verdes fica ao Noroeste de Portugal, também conhecida como Entre-Douro-e-Minho devido aos rios que a limitam ao Sul e ao Norte. À Leste, uma cadeia de montanhas a separa das regiões vinícolas do Douro, do Porto e de Trás-os-Montes. Sua delimitação foi estabelecida em 1908 e a demarcação aconteceu em 1929. Possui 6 subdivisões: Monção, Lima, Basto, Braga, Amarante e Penafiel. A cultura gastronômica da região inclui pratos exuberantes com Lampreia, Galo, Caldo Verde (repolho e batata), Sardinha e Porco.

UVA E VINHO
Tradicionalmente são 3 métodos de plantio das parreiras:
- “Uveira” ou “Vinha-de-enforcado”
– Planta-se uma ou mais parreiras próximas a outras árvores e permite-se que a parreira se entrelace à árvore, enforcando-a.
- Feixes de arames entre árvores.
- Latada. Com a modernização do cultivo as melhores vinículas os substituíram pela espaldeira.
Uvas brancas: Alvarinho, Loureiro, Trajadura, Avesso, Azal-Branco, Batoca e Pedernã (Arinto).
Uvas tintas: Rabo-de-ovelha, Azal- Tinto, Borraçal e Pedral.

O vinho verde costuma ser ácido e ter graduação alcoólica entre 8º e 11º . Os tintos são muito difíceis e apreciados apenas na própria região, podendo acompanhar bacalhau e refeições mais fortes. O branco é o grande destaque combinando com mariscos, frutos-do-mar e peixes. Sua produção é feita em duas fermentações. A primeira é alcoólica e a segunda é malolática. O gás residual, que dá o efeito de agulha, é resultado da segunda fermentação incompleta. Após engarrafados devem ser tomados imediatamente, no máximo um ano após produzidos. Os Alvarinhos da região de monções agüentam mais por ter mais estrutura, álcool e corpo. Podem ser tomados com três anos de idade.

VINHO VERDE E COZINHA JAPONESA

O autor Saul Galvão já destacou que o shoyu é dificílimo para combinações, porém exigiria champagne ou espumantes ácidos. A SBAV-SP testou a combinação de vinho verde com pratos orientações e segundo Beatriz Marques do “Basílico”, que esteve na degustação da SBAV, é uma boa alternativa aos champagne em função da acidez e do preço.

REFERÊNCIAS
LAROUSSE. Larousse do Vinho.
SAUL, Galvão. Guia de Tintos e Brancos.
SANTOS, José Ivan. Vinhos: O Essencial.


LINKS
Basilico
Sapo PT
Vinho Verde - site oficial da DOC
SBAV-SP

Vamos aos Vinhos:

CASAL GARCIA
Praticamente sem cor, transparente. Considerei o aroma muito fraco. Vinho fresco e frutado. Boa sensação de agulha na boca. Os presentes o consideraram suave, apresentando limão, maçã e fósforo (algo mineral). Foi considerado o que melhor harmonizou com sushis e sashimis, inclusive por membro da confraria BaccoUbriaco presente que havia provado outros 4 Verdes em outra ocasião. 10,5% de álcool.
Minha subjetiva seria 83, mas não é demérito nenhum por R$20,00. Disponível na Distribuidora de Bebidas do Batel.

MUROS ANTIGOS ALVARINHO - 2005
Cor amarela e sem borbulhas, ao estilo Anselmo Mendes. Muito aromático, intenso. Bem frutado lembrando manga. Com o passar do tempo aparece o maracujá. Muito ácido na boca, é estimulante e sutil. Demonstra estrutura agradavelmente atípica para Verdes e amanteigado da fermentação malolática mais desenvolvida. Tem boa permanência e apresenta sabor de abacaxi maduro.
Os amigos ainda destacaram sua complexidade e encontraram aromas de guaraná, erva-doce e lavanda. Discordando de mim, houve quem considerou sem graça no palato. 13% de álcool.
Minha subjetiva: 87. R$86,00 no Boulevard.

Vinho Verde - 20/11/2006 - Tatibana

Esteve aos meus cuidados a degustação de Vinho Verde da Confraria BaccoUbriaco, dando continuidade ao nosso tour pela Península Ibérica.
Fizemos no restaurante de cozinha oriental Tatibana com a proposta de pontuar os vinhos e, em seguida, verificar a possibilidade de harmonização com sushis e sashimis. Vamos aos Vinhos:

MUROS ANTIGOS LOUREIRO - 2005
Este vinho mais simples não nega o estilo do produtor Anselmo Mendes. Quase sem agulha, bem claro. Aromas de maçã-verde e pêra. Apresenta um final de boca amanteigado. Foi considerado o best-buy da noite por não apresentar grandes defeitos e ter o menor preço de todos. Preferi este aos de preço um pouco maior porque a sensação de acidez foi ótima e vejo relação clara com os aromas cítricos que encontro nos Sauvignon Blanc (meus brancos preferidos).
12% de álcool.
Pontuei 86. BU 83,28. R$37,00 no Boulevard.

VARANDA DO CONDE - 2005
Este corte de Alvarinho e Trajadura feito pela PROVAM tinha agulha mediana e cor mais para o amarelo. Apresentou aromas de pêssego e a acidez puxou para o limão. Alguém da confraria achou kiwi e floral. 13% de álcool.
Pontuei 84. BU 83,85. R$42,00 no Boulevard.

MUROS DE MELGAÇO - 2004 ALVARINHO
Este 100% Alvarinho da região de Monções feito pelo Anselmo Mendes realmente é um dos tops da região. Na cor era amarelo para dourado. Sem qualquer agulha, o mais ácido e mais aromático de todos. Em sua produção são utilizadas barricas de carvalho, o que é inusitado. Aromas de maracujá e manga. Alguns confrades levantaram mel, abacaxi maduro e damasco, ítens que também o podem descrever. Um estilo muito próprio de fazer Verdes. 12,5% de álcool.
Minha maior nota de brancos: 91. Uma das maiores da BU: 89,33. R$124,00 no Boulevard.

Além dos 3 que foram degustados, optamos por abrir a quarta garrafa que estava na reserva, mas só aguardando para entrar em campo. PORTAL DO FIDALGO é um alvarinho 2005 da PROVAM também. Estava muito gostoso e é ótima opção de alvarinho por um preço menor.
A impressão geral foi muito boa dos Vinhos Verdes. A acidez o torna candidato para harmonização com comida oriental, porém a conclusão dos confrades é que por preço menor é possível pedir um espumante nacional.
O objetivo destes vinhos refrescantes no fim foi cumprido, visto que devem ser estimulantes e alegres. Em dias quentes com frutos do mar cairão sempre bem.

segunda-feira, agosto 28, 2006

Vinhos do Dão

Hoje a confraria BaccoUbriaco deu sequência a nossa programação de regiões de Portugal. Foi a vez do DOC Dão, ainda dentro da área de Beiras, sendo a cidade mais importante Viseu. Fica no centro norte do país, protegida num enclave montanhoso tanto da umidade do litoral quanto dos ventos continentais. Predominam cooperativas.
Muito bem conduzida pelo confrade resposável, a degustação teve 1 branco e 4 tintos. Não sabíamos preço dos vinhos e, do último, foi-nos revelada a procedência apenas no final, manobra interessante para manter a imparcialidade do resultado.

QUINTA DOS MAIAS MALVASIA FINA 2000
Produzido pela Sociedade Agrícola Faldas da Serra Lda.
Um branco de 6 anos já colocou suspeitas imediatas em todos, mas a impressão logo foi desfeita pela prova. Aliás, é preciso destacar que Portugal tem revelado brancos excelentes.
Ainda com brilho dourado. Intenso, herbáceo, algum aspargo, adocicado e amanteigado. Na boca tem ervas bem presentes. O tempo tomou a agressividade aromática da Malvasia e a fez mais delicada. É o primeiro branco envelhecido que me agrada e essa característica dos brancos do Dão, de dar-se bem com o tempo, foi boa para o vinho. 13,1% de álcool
Pontuei 88. BaccoUbriaco 87,22. Preço: R$53,80 no Boulevard.

CUNHA MARTINS RESERVA TINTO 2002
Quinta do Cerrado. 33%Touriga Nacional, 33%Tinta Roriz e o restante Bastardo e Jaen.
Alguns tons violetas, mas brilhantes. Aroma sutil de baunilha, contudo uma madeira diferente. Boca bem seca e apresentando balsâmico. Mesmo a noite sendo equilibrada entre os vinhos, dos tintos foi o melhor por apresentar mais harmonia entre madeira e os demais aromas. Muito complexo, impedindo-me de uma avaliação aromática mais precisa. 13% de álcool.
Pontuei 87. BU 86,33.
Preço, pasmem, apenas R$36,00 na Vino! Batel

CASTELINHO DÃO RESERVA 2000
Quinta São Domingo. Madeira bem presente com floral, castanha e algum mineral. Também muito complexo. 12% de álcool.
Pontuei 86. BU 83,42. Preço R$64,80 na Wine Company

LAGARES DO CERRADO TOURIGA NACIONAL 2001
Quinta do Cerrado. Muita madeira, com baunilha, animal, mineral e herbáceo. Já havia provado um touriga do Douro com a mesma característica de excesso de madeira. Para quem gosta é prato cheio. Rebaixei um pouco a nota pela predominância da barrica. Confesso que só peguei o conjunto da complexidade com o tempo de taça. Se tivesse avaliado mais tarde, talvez reforçasse a nota devido à grande evolução após servido. 13% de álcool.
Pontuei 86. BU 87,16. Preço R$131,00 na Vino! Batel

QUINTA DO SEIVAL CASTAS PORTUGUESAS 2003
Miolo. A surpresa foi tomar este nacional feito ao estilo português, composto de Touriga Nacional, Afroucheiro e Tinta Roriz. Madeira muito forte, compota de fruta e algum balsâmico. Não me agradou muito também pelo excesso de madeira. 13% de álcool.
Tenho percebido que nosso paladar foi formado na escola chilena e argentina de vinhos muito amadeirados e doces, com excessos de barrica. O mercado tende a gostar mais de vinhos assim e a Miolo rumou para este lado também.
Particularmente, tenho procurado menos barrica e mais complexidade, um equilíbrio.
A vinícola está de parabéns pelo projeto, mas o preço extrapolou um pouco.
Pontuei 82. BU 83,71. Preço R$44,50 no Boulevard

sexta-feira, agosto 25, 2006

Decanter Wine Show - 23/08/2006

Escrevo este post tentando traduzir um pouco mais o evento em si. A importadora Decanter realiza-os em São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte para comemorar seus dez anos comercializando vinhos para o mercado brasileiro.
Adquiri o ingresso do evento na loja Espírito do Vinho. Ela fica no Cobal do Humaitá, que na verdade é um espaço muito parecido com o Mercado Municipal de Curitiba. Lá funcionam muitas lojas de vinho, restaurantes, frutarias, peixarias, floriculturas e até um mercado, entre outros pequenos comercios.
Como o evento iniciava às 16:00, passei na loja e falei com os prestativos Murilo e Edmilson. Almocei no Cobal e toquei para o Jockey Club, aliás local belíssimo.
Nessas mostras não dá para tomar todos os vinhos. Seriam para lá de 250 rótulos. O ideal é se concentrar no desconhecido e nos tops, pois assim valorizo o investimento.
Saí com uma sensação de perda por não ter provado tantos espanhóis e franceses como imaginei que conseguiria. Claro que seria ainda mais apertado para mim que estava com a degustação de Domingos Alves de Sousa (DAS) na agenda.
Foi uma aula dirigida pelo próprio Domingos e por seu enólogo Anselmo Mendes . Este, aliás, tem seu projeto próprio de vinhos verdes, os Muros Antigos e Muros de Melgaço. Foi minha primeira vertical. Degustamos Quintas da Gaivosa 1995, 1997, 1999, 2000, 2003 e Reservas Pessoais 1999, 2000. Alguns deles não estão mais disponíveis e ficarão apenas em minhas anotações e na memória. Quem sabe indo ao Douro e convencendo o Domingos a abrir as garrafas...
Quem intermediou foi o renomado Marcelo Copello. Muito interessante as informações que trouxe e melhor ainda as perguntas que colocava sobre a produção e o cultivo.
Beber vinho é um aprendizado sempre. Alguns vinhos ainda estão além dos meus limites. Os mais antigos da DAS e o Barolo Ornato 2001 da Pio Cesare me colocaram esse problema. Ainda não consegui abordá-los de uma maneira que entenda toda sua complexidade e beleza.
Outra coisa importate é conhecer gente nova. Em todos os eventos que participei o saldo humano foi bem positivo. Bati um bom papo com o Joil, um senhor muito simpático. Conheci o Mike que tem um forum de vinho com mais de 1000 usuários e promove eventos. Falei com Sloper de Araujo da Atalaia e Camocim Cafés. Troquei opiniões com uns enófilos mais novos que estavam por lá também.
Quando me dirigia para pegar um táxi e vir para o apê do Rafa, já eram umas 22:30, encontrei com alguns Sommeliers e funcionários da Decanter. Eles estavam marcando de jantar e me chamaram para ir junto. Eu sou curitibano, mas me convidou, estou dentro.
Fomos à Xampanheria. Para minha ingênua surpresa, levaram vários vinhos excelentes com eles que eram as "sobras" das desgutações.
Não contei nem peguei o nome de todos, mas foi um desfile de mais de 10 taças de vinhos diferentes. Entre eles o Luigi Bosca Malbec 1985 e os Gaivosas.
Eles foram todos embora, pois tinham de ir a BH cedo para continuar a maratona. Fiquei mais um pouco na Xampanheria com o último terço do Reserva Especial 2000.