Entre os muitos vinhos degustados recentemente, este foi um caso diferente.
Abrimos no meio de semana uma garrafa da Miolo Brut e logo veio a decepção, estava choca. O espumtante não tinha borbulha nenhuma e o sabor era estranho.
Estava preocupado com a compra desde o início. Queria tomar a Miolo, em especial, por causa do uso do Método Tradicional de segunda fermentação, mas na garrafa dizia que a expedição era de 2006. Fiquei na dúvida na prateleira do Angeloni Água Verde e acabei comprando mesmo assim. O ideal era que a expedição fosse ao menos de 2007.
Tal referência encontra-se na parte de trás do invólucro da Miolo e vale o elogio à vinícola em informar. Não quer dizer que o espumante é da safra de 2006, pois muitas vezes o licor de tiragem é feito de misturas de safras. Quer dizer apenas que o licor de expedição foi adicionado naquele ano. (Para diferença entre licor de tiragem e licor de expedição, clique aqui.)
Uma vez provada e constatado o problema, decidi voltar ao Angeloni no dia seguinte para trocá-la. A rolha do espumante não volta mais à garrafa nem para quebrar o galho e estou sem rolhas comuns em casa. Não foi fácil acomodar a garrafa no carro com uma tampa que não vedava. Enfim, consegui chegar no mercado sem derramar no estofamento. O atendimento foi bom e como levei a garrafa sem consumir muito de seu conteúdo foi simples a troca.
O problema era saber se arriscava outra Miolo. Perguntei ao pessoal do Angeloni, dos poucos mercados de Curitiba que mantém funcionário exclusivo de vinho na loja, se eles não achavam que todas as garrafas de 2006 estavam estragadas e eles disseram ser a primeira vez que houve devolução.
Acabei pegando outra para tentar neste final-de-semana porque eu também queria tirar a dúvida. A sensação final ainda é de interrogações. Esta última garrafa estava íntegra, mas o que encontrei nela não era o que esperava. Tenho em boa conta a Miolo Brut e acabei um pouco decepcionado com esta prova. Será que essa, mesmo estando adequada ao consumo, já não está meio passada? Só provando outra com tiragem mais recente para comprovar.
DICA: Notei que muitos espumantes nacionais trazem em algum lugar o número do lote. Pelo que percebi quando começa com L07 significa um lote de 2007. Já tem L08 no mercado. Atente para este detalhe em suas compras futuras.
A avaliação da segunda garrafa de Miolo Brut, ainda que sob suspeita:
MIOLO BRUT
Expedição 2006. Indicação de Procedência Vale dos Vinhedos. A Miolo informa também que o espumante passa 18 meses nas caves entre tiragem e expedição. Uvas Chardonnay e Pinot Noir.
Cor palha. Bolhas bem finas, mas não tão abundantes. Aroma frutado e de pão. Boca bem ácida, lembrando frutas cristalizadas e pão. Espumante agradável, mas fica faltando algo. Esperava mais maciez e complexidade, esta última exatamente pelo uso do método tradicional (champenoise). Acabou perdendo pontos em Aspecto, Intensidade Aromática e Complexidade. 12% de álcool. VV!82. Caros R$29,90 no Angeloni Água Verde.
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domingo, agosto 24, 2008
domingo, junho 15, 2008
Les Vins de 5 Ans
Poucos dias depois de participar da fundação da Velha Vinífera, estava em 03/06/2008 a comemomar os 5 anos da confraria BACCO UBRIACO. Evento memorável, histórico e literalmente magnífico. Os vinhos da noite eram todos de belíssimas garrafas Magnum. Líquidos dos mais finos acompanharam excelente jantar no restaurante Boulevard:
Entrada
Salada Boulevard
Trouxinha de patê de foie gras com creme de funghi porcini e uvas fescas
Prato Principal
Talharim trinta ovos com ragu de Cracóvia de Prudentópolis (Prato da Boa Lembrança)
Entrecote grelhado com molho de cogumelos, purê de batata com aroma de pequi
Risoto de taleggio
Sobremesa
Creme brulee de chocolate
Torres de minha infância
OS VINHOS:
ASTORIA CUVÉE
Fomos presenteados pelo Boulevard com este prosecco interessantíssimo. Nada se parece com a maioria que vemos por aí. Bom corpo e muita maciez para um prosecco. Agradou.
FERRARI
Brindamos os cinco anos da confraria com este ícone dos espumantes italianos. Único na bota a conquistar por 16 anos seguidos os 3 bichieri do guia Gambero Rosso. Apresentou frutas, amêndoa, maçã. Boa acidez, adstringência e em boca confirmou, para mim, amêndoas e maçãs. Corpo extremamente cremoso. R$206,00 garrafa comum.
CLOS DE LA MARECHALE 2003 Apellation Nuits St Geroges Contrôlée
Este borgonha excepcional tinha bela aparência, brilhante. Fantástico, aromas defumados, notas tostadas e elegantes. Boca delicada, macia e sutil. Como era degustação comemorativa ficou difícil analisar cada vinho com mais profundidade, mas a Wine Spectator o descreve com cerejas negras licoradas, pimenta do carvalho e toques terrosos. É carnudo, com taninos musculosos e um longo final mineralizado. WS 90. R$500,00 Magnum.
LES TERRASSES 2003
Produzido por Álvaro Palacios, este Priorato é feito com 60% Grenache, 30% Carignan e 10% Cabernet Sauvignon. Apresentou aromas delicados e florais. Madeira sutil, intensidade média, especiarias. Muito complexo, algum mentol. Boca fresca, corretíssima, apresenta algum tanino ainda. Vai longe. WS 92. R$255,34 Magnum.
AURIUS 2003
Alenqer - Estremadura. A Quinta do Monte d'Oiro faz este vinho com Syrah, Tinta Roriz e Petit Verdot. Aromas delicados, belo herbáceo, especiarias. Ervas adocicadas e baunilha. Boca adocicada, geléia de fruta, taninos doces, porém vívidos, macios e elegantes. Temperos se confirmam em boca. Final fresco. Muito harmônico e saboroso. 14,5% de álcool. R$359,05 Magnum.
CASTELLO DI AMA 2003 Chianti Classico
Este Toscano é 80% Sangiovese, 8% Canaiolo e 12% Malvasia Nera e Merlot. Aromas de tabaco e café. Boca intensa e mineral, com elegantes taninos presentes. Muito gastronômico. 13,5% de álcool. 3 bichieri, RP 90, JR 18, WS 88. R$250,00 Magnum.
CHURCHILL´S TAWNY 10 YEARS
Terminamos a noite com este porto 10 anos de aparência menos âmbar que outros provados. Acastanhado apenas. Aroma a mel, suave, delicado, geléia e uva passa. Boca intensa, complexa e, para minha surpresa, especiarias. 19,5% de álcool.
Entrada
Salada Boulevard
Trouxinha de patê de foie gras com creme de funghi porcini e uvas fescas
Prato Principal
Talharim trinta ovos com ragu de Cracóvia de Prudentópolis (Prato da Boa Lembrança)
Entrecote grelhado com molho de cogumelos, purê de batata com aroma de pequi
Risoto de taleggio
Sobremesa
Creme brulee de chocolate
Torres de minha infância
OS VINHOS:
ASTORIA CUVÉE
Fomos presenteados pelo Boulevard com este prosecco interessantíssimo. Nada se parece com a maioria que vemos por aí. Bom corpo e muita maciez para um prosecco. Agradou.
FERRARI
Brindamos os cinco anos da confraria com este ícone dos espumantes italianos. Único na bota a conquistar por 16 anos seguidos os 3 bichieri do guia Gambero Rosso. Apresentou frutas, amêndoa, maçã. Boa acidez, adstringência e em boca confirmou, para mim, amêndoas e maçãs. Corpo extremamente cremoso. R$206,00 garrafa comum.
CLOS DE LA MARECHALE 2003 Apellation Nuits St Geroges Contrôlée
Este borgonha excepcional tinha bela aparência, brilhante. Fantástico, aromas defumados, notas tostadas e elegantes. Boca delicada, macia e sutil. Como era degustação comemorativa ficou difícil analisar cada vinho com mais profundidade, mas a Wine Spectator o descreve com cerejas negras licoradas, pimenta do carvalho e toques terrosos. É carnudo, com taninos musculosos e um longo final mineralizado. WS 90. R$500,00 Magnum.
LES TERRASSES 2003
Produzido por Álvaro Palacios, este Priorato é feito com 60% Grenache, 30% Carignan e 10% Cabernet Sauvignon. Apresentou aromas delicados e florais. Madeira sutil, intensidade média, especiarias. Muito complexo, algum mentol. Boca fresca, corretíssima, apresenta algum tanino ainda. Vai longe. WS 92. R$255,34 Magnum.
AURIUS 2003
Alenqer - Estremadura. A Quinta do Monte d'Oiro faz este vinho com Syrah, Tinta Roriz e Petit Verdot. Aromas delicados, belo herbáceo, especiarias. Ervas adocicadas e baunilha. Boca adocicada, geléia de fruta, taninos doces, porém vívidos, macios e elegantes. Temperos se confirmam em boca. Final fresco. Muito harmônico e saboroso. 14,5% de álcool. R$359,05 Magnum.
CASTELLO DI AMA 2003 Chianti Classico
Este Toscano é 80% Sangiovese, 8% Canaiolo e 12% Malvasia Nera e Merlot. Aromas de tabaco e café. Boca intensa e mineral, com elegantes taninos presentes. Muito gastronômico. 13,5% de álcool. 3 bichieri, RP 90, JR 18, WS 88. R$250,00 Magnum.
CHURCHILL´S TAWNY 10 YEARS
Terminamos a noite com este porto 10 anos de aparência menos âmbar que outros provados. Acastanhado apenas. Aroma a mel, suave, delicado, geléia e uva passa. Boca intensa, complexa e, para minha surpresa, especiarias. 19,5% de álcool.
Velha Vinífera
Foi com muito prazer e muito vinho que iniciamos nova Confraria em Curitiba:
A VELHA VINÍFERA.
Tenho a honra de coordenar o grupo formado em sua maioria por médicos e médicas que propõem-se a quinzenalmente estudar o fascinante mundo do vinho e passar momentos agradáveis provando o líquido de Bacco.
O vinho sempre traz alegria, estreita laços e constrói boas amizades. Assim esperamos que seja também com o novo grupo de degustadores.
Que a Velha Vinífera tenha longa vida!
Neste primeiro encontro apresentamos a parreira, a uva e o vinho. Abordamos aspectos da relação entre vinho e saúde e discutimos as sensações visuais, olfativas e gustativas.
Fomos muito bem recebidos na Vino! Batel no dia 31/05/2008 e fico particularmente feliz por este espaço da Comendador Araújo estar aberto para estimular o surgimento de novas confrarias e fomentar a formação de novos degustadores.
Neste primeiro encontro os confrades e as confreiras puderam provar diferentes estilos de vinificar. Um estímulo ao despertar sensorial que a degustação proporciona.
CAVE GEISSE BRUT Expedição 2005
Apresentou cor palha, bolhas adequadas e finas. Aroma de fermento, pêssego em calda. Possui boca macia e cremosa, porém apresenta também alguma adstringência. A confraria encontrou também aromas de carambola, casca de araçá e alguma citricidade. 12,5% de álcool. R$44,00.
LAURA HARTWIG CHARDONNAY 2005
Claríssimo, traslúcido, com algum brilho verdeal. Boca ácida, equilibrada. Adocidado, mel, lácteo e floral. A confraria encontrou também manteiga, canela, maresia, maçã e banana seca. 14% de álcool. R$82,50.
CHOCALÁN 2003
Este corte chileno de Cabernet Sauvignon, Merlot e Malbec apresentou aspecto denso, que os confrades compararam ao sangue venoso. Pequeno alo aqüoso. Aroma intenso, químico, pimentão verde e frutas vermelhas. Com o tempo evolui mais para a baunilha. Boca delicada, evoluída, gostosa. Boa acidez e complexidade. A confraria percebeu favo de mel, uvas passas, rosas, cravo, animal, fumaça doce e temperos como tomilho, pimenta e cominho. 13,5% de álcool. R$85,00.
BURMESTER JOCKEY CLUB PORTO RESERVA
Cor ambar escura e brilhante com alo gradativo. Aroma alcoólico, amêndoas, frutas maduras, químico. Boca adocicada, intensa e bem agressiva no álcool. É um porto de estilo forte. A confraria percebeu no palato calda de pudim, côco queimado e doce de cidra. No aroma, caramelo, tâmara, damasco, figos e passas em calda, tabaco e, curiosamente, aroma de igreja! 20% de álcool. R$56,00.
A VELHA VINÍFERA.
Tenho a honra de coordenar o grupo formado em sua maioria por médicos e médicas que propõem-se a quinzenalmente estudar o fascinante mundo do vinho e passar momentos agradáveis provando o líquido de Bacco.
O vinho sempre traz alegria, estreita laços e constrói boas amizades. Assim esperamos que seja também com o novo grupo de degustadores.
Que a Velha Vinífera tenha longa vida!
Neste primeiro encontro apresentamos a parreira, a uva e o vinho. Abordamos aspectos da relação entre vinho e saúde e discutimos as sensações visuais, olfativas e gustativas.
Fomos muito bem recebidos na Vino! Batel no dia 31/05/2008 e fico particularmente feliz por este espaço da Comendador Araújo estar aberto para estimular o surgimento de novas confrarias e fomentar a formação de novos degustadores.
Neste primeiro encontro os confrades e as confreiras puderam provar diferentes estilos de vinificar. Um estímulo ao despertar sensorial que a degustação proporciona.
CAVE GEISSE BRUT Expedição 2005
Apresentou cor palha, bolhas adequadas e finas. Aroma de fermento, pêssego em calda. Possui boca macia e cremosa, porém apresenta também alguma adstringência. A confraria encontrou também aromas de carambola, casca de araçá e alguma citricidade. 12,5% de álcool. R$44,00.
LAURA HARTWIG CHARDONNAY 2005
Claríssimo, traslúcido, com algum brilho verdeal. Boca ácida, equilibrada. Adocidado, mel, lácteo e floral. A confraria encontrou também manteiga, canela, maresia, maçã e banana seca. 14% de álcool. R$82,50.
CHOCALÁN 2003
Este corte chileno de Cabernet Sauvignon, Merlot e Malbec apresentou aspecto denso, que os confrades compararam ao sangue venoso. Pequeno alo aqüoso. Aroma intenso, químico, pimentão verde e frutas vermelhas. Com o tempo evolui mais para a baunilha. Boca delicada, evoluída, gostosa. Boa acidez e complexidade. A confraria percebeu favo de mel, uvas passas, rosas, cravo, animal, fumaça doce e temperos como tomilho, pimenta e cominho. 13,5% de álcool. R$85,00.
BURMESTER JOCKEY CLUB PORTO RESERVA
Cor ambar escura e brilhante com alo gradativo. Aroma alcoólico, amêndoas, frutas maduras, químico. Boca adocicada, intensa e bem agressiva no álcool. É um porto de estilo forte. A confraria percebeu no palato calda de pudim, côco queimado e doce de cidra. No aroma, caramelo, tâmara, damasco, figos e passas em calda, tabaco e, curiosamente, aroma de igreja! 20% de álcool. R$56,00.
sábado, novembro 10, 2007
Luz de velas
A confraria Bacco Ubriaco teve uma experiência nova esses dias. Curitiba está passando por uma primavera repleta de temporais. Pode ser casual, mas os alarmes dos climatologistas sobre as mudanças parecem fazer sentido quando um período como esse acontece. É possível que tenhamos de nos acostumar e nos preparar para climas mais extremos.
O fato é que meia cidade (ou mais) ficou sem luz no dia 29 de outubro. Quando chegamos à casa de nosso anfitrião, era tudo à base de luz de velas. Não impediu o jantar gentilmente oferecido por ele e por um de nossos novos amigos, que preparou uma excelente massa.
Claro que a falta de luz gerou dificuldades e atrasou o serviço. Fomos agraciados com dois brancos para “brincarmos” antes da degustação oficial começar. Um era sauvignon blanc chileno que não guardei o nome. Como convidado não perguntei o preço dos vinhos bebidos, mas não era um vinho particularmente interessante.
O segundo branco já era outra história. O CRIOS TORRONTÉS foi surpreendente. Os torrontés argentinos que havia provado antes eram vinhos mais baratos (na faixa dos R$15,00). Os excessos de álcool e uma boca que descrevo como quadrada marcam tais produtos. O Crios, contudo, estava bem macio. Aromas de frutas e até mesmo lichia. Certa untuosidade no palato que enche bem a boca. Lembrou vinhos aromáticos como feitos de Gewurztraminer do novo mundo. Gostei.
O tema da degustação oficial era “uvas pouco comuns da Itália”. Quatro vinhos seriam tomados, porém um deles estava morto infelizmente. Vamos aos três sãos:
FRANZ HAAS LAGREIN 2003
Varietal da uva Lagrein este tinto de Trentino no Alto Adige apresentou aromas de alcaçuz e algo animal. Boca fresca e algo mineral, tinha alguma acidez e o excesso de álcool lhe tirou alguns pontos. 12,5% de álcool. R$102,03. Nota 87 BaccoUbriaco 88,37.
ALMANERA 2003
Interessantíssimo vinho Nero D´Avola Siciliano. Complexo, típico e boa intensidade aromática. Lembra cantina e remete a embutidos imediatamente. Evolui e vai amaciando durante a degustação. 13,5% de álcool. R$73,42. Nota 90 BU 86,33.
FRANZ HAAS PINOT NERO 2003
Este Trentino chamou muito mais atenção que o primeiro. Pinot Nero na Itália é o mesmo que Pinot Noir na França. Cor muito clara, mais rosada. Nenhuma relação com a cor atijolada de muitos Pinots pelo mundo. Belo e peculiar. Aroma mais intenso que o esperado pela cor. Evolui para uma compota agradabilíssima. 13,5% de álcool. R$ 117, 03. Nota 90 BU 89,50.
O fato é que meia cidade (ou mais) ficou sem luz no dia 29 de outubro. Quando chegamos à casa de nosso anfitrião, era tudo à base de luz de velas. Não impediu o jantar gentilmente oferecido por ele e por um de nossos novos amigos, que preparou uma excelente massa.
Claro que a falta de luz gerou dificuldades e atrasou o serviço. Fomos agraciados com dois brancos para “brincarmos” antes da degustação oficial começar. Um era sauvignon blanc chileno que não guardei o nome. Como convidado não perguntei o preço dos vinhos bebidos, mas não era um vinho particularmente interessante.
O segundo branco já era outra história. O CRIOS TORRONTÉS foi surpreendente. Os torrontés argentinos que havia provado antes eram vinhos mais baratos (na faixa dos R$15,00). Os excessos de álcool e uma boca que descrevo como quadrada marcam tais produtos. O Crios, contudo, estava bem macio. Aromas de frutas e até mesmo lichia. Certa untuosidade no palato que enche bem a boca. Lembrou vinhos aromáticos como feitos de Gewurztraminer do novo mundo. Gostei.
O tema da degustação oficial era “uvas pouco comuns da Itália”. Quatro vinhos seriam tomados, porém um deles estava morto infelizmente. Vamos aos três sãos:
FRANZ HAAS LAGREIN 2003
Varietal da uva Lagrein este tinto de Trentino no Alto Adige apresentou aromas de alcaçuz e algo animal. Boca fresca e algo mineral, tinha alguma acidez e o excesso de álcool lhe tirou alguns pontos. 12,5% de álcool. R$102,03. Nota 87 BaccoUbriaco 88,37.
ALMANERA 2003
Interessantíssimo vinho Nero D´Avola Siciliano. Complexo, típico e boa intensidade aromática. Lembra cantina e remete a embutidos imediatamente. Evolui e vai amaciando durante a degustação. 13,5% de álcool. R$73,42. Nota 90 BU 86,33.
FRANZ HAAS PINOT NERO 2003
Este Trentino chamou muito mais atenção que o primeiro. Pinot Nero na Itália é o mesmo que Pinot Noir na França. Cor muito clara, mais rosada. Nenhuma relação com a cor atijolada de muitos Pinots pelo mundo. Belo e peculiar. Aroma mais intenso que o esperado pela cor. Evolui para uma compota agradabilíssima. 13,5% de álcool. R$ 117, 03. Nota 90 BU 89,50.
domingo, setembro 09, 2007
PARABÉNS BACCOUBRIACO - 100 Degustações
Retomando os acontecimentos marcantes de 2007 que ficaram fora do blog, parabenizamos a BaccoUbriaco por ter realizado em grande estilo sua centésima degustação em nove de julho na Vino!Batel, naquele mesmo endereço na Comendador Araújo de quando se iniciou a confraria na, então, Expand.
O evento extraordinário foi incrível. Foram bebidos vinhos franceses absurdos. Todos ícones de mais de 92 pontos na Wine Spectator ou no Robert Parker. Como era noite comemorativa não fizemos nossas avaliações técnicas, ficando apenas nas anotações subjetivas. Verdadeiro desfile de 7 vinhos de primeira. As anotações, inclusive, foram mais vagas que o comum, em função do clima festivo.
*Pode haver algum nome não muito preciso, em função das anotações alcoolizadas, hehehehe.
PAUL ROGER VINTAGE 1998
É Champagne, claro. 70%Chardonnay 30% Pinot Noir. Pérlage delicada e constante. Bem clarinha. Aroma muito intenso e complexo. Macia e suave. Muita amêndoa, mineral e boa acidez. 12% de álcool. R$234,22. WS 94.
ROTEMBERG PREMIER CRUS 2002 Jean Michel Davis
Alsacia. 65%Riesling 35%Pinot Gris. Amarelo intenso, límpido e brilhante. Aroma intensíssimo. Elegante e untuoso. Complexo, com várias faces: frutado, sulfuroso, mineral, tuti-fruti, goiaba, etc . Jean Michel Davis é um defensor do conceito de terroir e aplica biodinâmica em seus vinhedos. 14% de álcool. R$195,02. RP 94 WS 93.
CLOS DE SAINT CATHERINE 2001 Domaine Baumarol
Chenin Blanc do Loire. Dourado. Aromas frutados de manga, milho e carambola. Boca dulcíssima, mel, néctar. Potência no aroma, permanência na boca. Algum mineral no palato. Parecia um vinho de sobremesa sem ser. Incrível a maturação dessas Chenin Blanc. Tudo isso com apenas 12,5% de álcool. R$130,83. RP 93 WS 96.
ECHEZEAUX GRAND CRUS 2001 Joseph Drouhin
Pinot Noir. Borgonha. Intensíssimo, carvalho maravilhoso. Pimentão verde, oliva, morango, azedinho-doce. Taninos densos, veludo. Final de chocolate. Cor já opaca. 13% de álcool. R$371,00. RP94 WS92.
LA SIZERANNE 2003 M. Chapoulier
Hermitage (Shiraz). Violáceo, pouco alo, ainda novo. Aroma fechado, herbáceo. Boca ainda tânica, macia, figo. 14,5% de álcool. R$130,00. RP96 WS94.
ALAIN GRAILLOT 2003
Crozes-hermitage (Grenache). Violeta bem escuro, tintura. Mineral. Pimentão, frutas. Taninos abertos, vivos e ácido na boca. Muito jovem ainda, muitos taninos, merece envelhecer mais. 14% de álcool. R$210,00. RP93 WS95.
CHÂTEAU HAUT-BRION 1996
Grande estrela da noite!!!
Péssac-Leognan. 55%Cabernet Sauvignon 25%Merlot 20% Cabernet Franc.
Ruby acastanhado, com alo de envelhecimento. Aroma intenso, vivo, flores, frutas, madeira, complexo. Taninos ainda vivíssimos. Boca cheia, mineral e viva.ÚNICO. R$1800,00. RP 98!!!
Brindes à confraria, aos amigos e ao vinho.

O evento extraordinário foi incrível. Foram bebidos vinhos franceses absurdos. Todos ícones de mais de 92 pontos na Wine Spectator ou no Robert Parker. Como era noite comemorativa não fizemos nossas avaliações técnicas, ficando apenas nas anotações subjetivas. Verdadeiro desfile de 7 vinhos de primeira. As anotações, inclusive, foram mais vagas que o comum, em função do clima festivo.
*Pode haver algum nome não muito preciso, em função das anotações alcoolizadas, hehehehe.
PAUL ROGER VINTAGE 1998
É Champagne, claro. 70%Chardonnay 30% Pinot Noir. Pérlage delicada e constante. Bem clarinha. Aroma muito intenso e complexo. Macia e suave. Muita amêndoa, mineral e boa acidez. 12% de álcool. R$234,22. WS 94.
ROTEMBERG PREMIER CRUS 2002 Jean Michel Davis
Alsacia. 65%Riesling 35%Pinot Gris. Amarelo intenso, límpido e brilhante. Aroma intensíssimo. Elegante e untuoso. Complexo, com várias faces: frutado, sulfuroso, mineral, tuti-fruti, goiaba, etc . Jean Michel Davis é um defensor do conceito de terroir e aplica biodinâmica em seus vinhedos. 14% de álcool. R$195,02. RP 94 WS 93.
CLOS DE SAINT CATHERINE 2001 Domaine Baumarol
Chenin Blanc do Loire. Dourado. Aromas frutados de manga, milho e carambola. Boca dulcíssima, mel, néctar. Potência no aroma, permanência na boca. Algum mineral no palato. Parecia um vinho de sobremesa sem ser. Incrível a maturação dessas Chenin Blanc. Tudo isso com apenas 12,5% de álcool. R$130,83. RP 93 WS 96.
ECHEZEAUX GRAND CRUS 2001 Joseph Drouhin
Pinot Noir. Borgonha. Intensíssimo, carvalho maravilhoso. Pimentão verde, oliva, morango, azedinho-doce. Taninos densos, veludo. Final de chocolate. Cor já opaca. 13% de álcool. R$371,00. RP94 WS92.
LA SIZERANNE 2003 M. Chapoulier
Hermitage (Shiraz). Violáceo, pouco alo, ainda novo. Aroma fechado, herbáceo. Boca ainda tânica, macia, figo. 14,5% de álcool. R$130,00. RP96 WS94.
ALAIN GRAILLOT 2003
Crozes-hermitage (Grenache). Violeta bem escuro, tintura. Mineral. Pimentão, frutas. Taninos abertos, vivos e ácido na boca. Muito jovem ainda, muitos taninos, merece envelhecer mais. 14% de álcool. R$210,00. RP93 WS95.
CHÂTEAU HAUT-BRION 1996
Grande estrela da noite!!!
Péssac-Leognan. 55%Cabernet Sauvignon 25%Merlot 20% Cabernet Franc.
Ruby acastanhado, com alo de envelhecimento. Aroma intenso, vivo, flores, frutas, madeira, complexo. Taninos ainda vivíssimos. Boca cheia, mineral e viva.ÚNICO. R$1800,00. RP 98!!!
Brindes à confraria, aos amigos e ao vinho.

sexta-feira, janeiro 19, 2007
Comparação de Safras
Com muitos vinhos pela frente, particularmente brancos, tenho de publicar logo para acompanhar o passo. As provas são muitas e o janeiro quente que faz aqui chama sempre a tomar vinhos a baixas temperaturas em busca de frescor.
A recorrência de algumas marcas por simpatia pessoal e disponibilidade no mercado permitirá estabelecer pequenas diferenças em safras e faixas de preço.
De pronto, com este post é possível comparar as impressões entre os Santa Helena Reservado Chardonnay 2005 e 2006.
ADOLFO LONA BRUT ROSÉ
Este espumante ficou meio ano aí parado na adega (não climatizada). Estava até com medo de que já estivesse estragado, mas ao abrir apresentou boa espumação com bolhas finas e abundantes. A cor é salmão. O aroma muito fechado me lembrou maçã. A descrição da vinícola é "vinoso". A boca é sem frescor e alegria que espero em espumantes. Não me agradou, talvez até por eu não conhecer muito espumantes rosés. 12% de álcool. Comercializado na In Vino Veritas.
SANTA HELENA RESERVADO CHARDONNAY 2006
Cor amarela. Este chileno da confiável Santa Helena tem aromas ainda mais frutados que o 2005 (post anterior). Agrada-me muito mais esse frescor de fruta. A boca tem as características que esperamos da Chardonnay com algum amanteigado. Interessante que ao circular o vinho por todo paladar as laterais da boca são bem estimuladas como o 2005. Fico com o 2006! Menos amargor no final. 13% de álcool. Ainda caros R$19.00 no Mercadorama.
PERIQUITA BRANCO 2005
Um vinho bem diferente dos brancos antes provados. Este primeiro português de 2007 lembrou-me um pouco o Gewurz nacional, adicionado de bom frescor. Bem aromático, é "adocicado" no palato e no olfato lembrando, este sim, goiaba. Branco português é tiro certo. 12.5% de álcool. Em torno de R$20.00 no Mercadorama.
Notei que o Santa Helena 2005 e o 2006 possuem sutis diferenças em prol do último. Uma preocupação minha é sempre ressaltar as circunstâncias do vinho, pois companhia, evento e condições de consumo pesam em minhas impressões sobre o bebido.
Do 2006, fui eu quem controlei a temperatura e certamente estava mais baixa que a do 2005. Melhor seria ter feito prova vertical ao mesmo tempo em forma de degustação.
Posto tudo na balança meu escolhido é o 2006.
Adquiri a preço justo (enfim) o Santa Helena Siglo de Oro Chardonnay no Mercado Municipal de Curitiba. Ele é um passo acima em qualidade da linha Reservado. Provarei em breve!
A recorrência de algumas marcas por simpatia pessoal e disponibilidade no mercado permitirá estabelecer pequenas diferenças em safras e faixas de preço.
De pronto, com este post é possível comparar as impressões entre os Santa Helena Reservado Chardonnay 2005 e 2006.
ADOLFO LONA BRUT ROSÉ
Este espumante ficou meio ano aí parado na adega (não climatizada). Estava até com medo de que já estivesse estragado, mas ao abrir apresentou boa espumação com bolhas finas e abundantes. A cor é salmão. O aroma muito fechado me lembrou maçã. A descrição da vinícola é "vinoso". A boca é sem frescor e alegria que espero em espumantes. Não me agradou, talvez até por eu não conhecer muito espumantes rosés. 12% de álcool. Comercializado na In Vino Veritas.
SANTA HELENA RESERVADO CHARDONNAY 2006
Cor amarela. Este chileno da confiável Santa Helena tem aromas ainda mais frutados que o 2005 (post anterior). Agrada-me muito mais esse frescor de fruta. A boca tem as características que esperamos da Chardonnay com algum amanteigado. Interessante que ao circular o vinho por todo paladar as laterais da boca são bem estimuladas como o 2005. Fico com o 2006! Menos amargor no final. 13% de álcool. Ainda caros R$19.00 no Mercadorama.
PERIQUITA BRANCO 2005
Um vinho bem diferente dos brancos antes provados. Este primeiro português de 2007 lembrou-me um pouco o Gewurz nacional, adicionado de bom frescor. Bem aromático, é "adocicado" no palato e no olfato lembrando, este sim, goiaba. Branco português é tiro certo. 12.5% de álcool. Em torno de R$20.00 no Mercadorama.
Notei que o Santa Helena 2005 e o 2006 possuem sutis diferenças em prol do último. Uma preocupação minha é sempre ressaltar as circunstâncias do vinho, pois companhia, evento e condições de consumo pesam em minhas impressões sobre o bebido.
Do 2006, fui eu quem controlei a temperatura e certamente estava mais baixa que a do 2005. Melhor seria ter feito prova vertical ao mesmo tempo em forma de degustação.
Posto tudo na balança meu escolhido é o 2006.
Adquiri a preço justo (enfim) o Santa Helena Siglo de Oro Chardonnay no Mercado Municipal de Curitiba. Ele é um passo acima em qualidade da linha Reservado. Provarei em breve!
Marcadores:
$ Até R$25.00,
N Brasil,
N Chile,
N Portugal,
Uva Chardonnay,
Uva Pinot Noir,
Vinho Branco,
Vinho Espumante,
Vinho Rose
terça-feira, dezembro 19, 2006
III Degustação Viva o Vinho - Resultados
Infelizmente não "blogo" com a freqüência que gostaria em função dos muitos compromissos, até porque não sou viciado na internet. Pretendo continuar blogando ainda que devagar, porém sempre.
Muitos vinhos foram bebidos desde agosto e nem todos vieram para o Blog. Estou devendo muita coisa que pretendo atualizar. Minha pré-pauta antes de lançar o blog era extensíssima e continua quase a mesma. Se abordei alguns assuntos, surgiram outros. O consolo é que tem conversa para muito tempo.
Nem os ótimos italianos tomados no primeiro semestre consegui buscar.
De qualquer forma, o blog está crescendo cheio de vida. Esta semana bateu a média recorde de acessos: 17 por dia até aqui. Acredito que muitos internautas estão a procura de dicas para as compras de Natal e Ano Novo.
Fica já a promessa de uma relação com o que de melhor foi provado em 2006!
O ideal agora é atualizar os acontecimentos do dia 13 último e torcer para que noites tão memoráveis se repitam.
Fico no aguardo dos comentários da Juliana, que esteve na degustação e já cobrou a publicação. A contribuição de todos é fundamental.
ESPUMANTES - VINO!CHAMPAGNAT - 13/12/2006
Com o calorzinho que vinha fazendo em Curitiba a noite era propícia para espumantes. Marcamos a degustação para o sofá do subsolo da Vino!Champagnat. É a charutaria da casa, mas qualquer incômodo com algum resquício de aroma de charuto é compensado pelo conforto das instalações.
O plano era uma noite divertida e informal. Registrar as impressões dos vinhos, mas sem dar notas objetivas. Havia pré-escolhido alguns rótulos para ir abrindo, objetivando um custo médio de R$30,00 por pessoa.
MARGOT EXTRA BRUT
Como entrada pedimos em taça esse espumante argentino. Ele estava fora dos planos, mas como estávamos a aguardar os demais começamos pelo vinho do dia.
Cor amarela e borbulhas grandes. Aromas frutados de pêssego e maçã. Boca macia, simples e correta, provavelmente com mais Chardonnay. No final tem amêndoa e cítrico. Boa sensação de agulha na língua. Dica: tome nacional. 12,3% de álccol
R$8,00 a taça (R$34,00 a garrafa)
CAVE GEISSE BRUT 2003
Como primeira garrafa oficial abrimos um dos melhores espumantes nacionais. Consistente ano após ano, não decepcionou. Tinha excelente bolhas finas e numerosas. Cor bem clarinha, palha. Aroma complexo com frutas maduras, frutas secas e bolacha de maizena. Na boca seco, com alguma cremosidade. Excelente acidez, agrada, belíssimo exemplar nacional. 12% de álcool
R$44,00
MOET & CHANDON BRUT IMPERIAL
Conversa vai, conversa vem. Aquele papo de quem bebeu Veuve Cliquot ali, quem bebeu aqui, surge a boa idéia boba: Vamos tomar uma?
Ninguém se opôs ao custo mais alto, mas aí exigi que tomássemos outra que não fosse a "Viúva". Decidimos por esta outra blockbuster.
Absurda intensidade aromática. Nem prestei atenção aos aspectos vizuais direito tamanha a força olfativa. Mineral a enxofre, animal. Muito complexa. Não tenho dúvidas de que a Moet está muito melhor que a Veuve. Impressionou a todos.
Mais aromas: Noz moscada, fruta a maçã? quem sabe? Com o passar do tempo ainda apresentou algum aroma mais para o tostado e amêndoas.
A boca é deliciosa. 12% de álcool
R$179,00 muito bem gastos!!!
PROSECCO RUGGERI DOC
Era para ficar na Moet, contudo o pessoal estava animado e resolveu tomar mais um Prosecco. Covardia prová-lo depois de um Champagnet francês.
Tentando esquecer a Moet (como esquecer?), é um estilo completamente diferente. Cor transparente e bolhas finíssimas. Muito sutil e delicado no aroma, floral. Boca bem adstringente e cítrica para o limão, também floral. Muito diferente, inclusive, do espumante nacional. Refrescante.
R$55,00
Foi ótimo ter provado um bom nacional e um champagne na mesma noite. Só não deixarei mais a turma tão solta porque, ao convidar, estimamos um custo e seria errado sempre extrapolar. Nossos eventos devem ser mais didáticos do que um desfile de vinhos top e devem objetivar o conhecimento do mundo do vinho sem excluir demais pelo preço. Já planejo a primeira de 2007 com vinhos brancos do novo mundo aproveitando o calor surpreendente em Curitiba.
Muitos vinhos foram bebidos desde agosto e nem todos vieram para o Blog. Estou devendo muita coisa que pretendo atualizar. Minha pré-pauta antes de lançar o blog era extensíssima e continua quase a mesma. Se abordei alguns assuntos, surgiram outros. O consolo é que tem conversa para muito tempo.
Nem os ótimos italianos tomados no primeiro semestre consegui buscar.
De qualquer forma, o blog está crescendo cheio de vida. Esta semana bateu a média recorde de acessos: 17 por dia até aqui. Acredito que muitos internautas estão a procura de dicas para as compras de Natal e Ano Novo.
Fica já a promessa de uma relação com o que de melhor foi provado em 2006!
O ideal agora é atualizar os acontecimentos do dia 13 último e torcer para que noites tão memoráveis se repitam.
Fico no aguardo dos comentários da Juliana, que esteve na degustação e já cobrou a publicação. A contribuição de todos é fundamental.
ESPUMANTES - VINO!CHAMPAGNAT - 13/12/2006
Com o calorzinho que vinha fazendo em Curitiba a noite era propícia para espumantes. Marcamos a degustação para o sofá do subsolo da Vino!Champagnat. É a charutaria da casa, mas qualquer incômodo com algum resquício de aroma de charuto é compensado pelo conforto das instalações.
O plano era uma noite divertida e informal. Registrar as impressões dos vinhos, mas sem dar notas objetivas. Havia pré-escolhido alguns rótulos para ir abrindo, objetivando um custo médio de R$30,00 por pessoa.
MARGOT EXTRA BRUT
Como entrada pedimos em taça esse espumante argentino. Ele estava fora dos planos, mas como estávamos a aguardar os demais começamos pelo vinho do dia.
Cor amarela e borbulhas grandes. Aromas frutados de pêssego e maçã. Boca macia, simples e correta, provavelmente com mais Chardonnay. No final tem amêndoa e cítrico. Boa sensação de agulha na língua. Dica: tome nacional. 12,3% de álccol
R$8,00 a taça (R$34,00 a garrafa)
CAVE GEISSE BRUT 2003
Como primeira garrafa oficial abrimos um dos melhores espumantes nacionais. Consistente ano após ano, não decepcionou. Tinha excelente bolhas finas e numerosas. Cor bem clarinha, palha. Aroma complexo com frutas maduras, frutas secas e bolacha de maizena. Na boca seco, com alguma cremosidade. Excelente acidez, agrada, belíssimo exemplar nacional. 12% de álcool
R$44,00
MOET & CHANDON BRUT IMPERIAL
Conversa vai, conversa vem. Aquele papo de quem bebeu Veuve Cliquot ali, quem bebeu aqui, surge a boa idéia boba: Vamos tomar uma?
Ninguém se opôs ao custo mais alto, mas aí exigi que tomássemos outra que não fosse a "Viúva". Decidimos por esta outra blockbuster.
Absurda intensidade aromática. Nem prestei atenção aos aspectos vizuais direito tamanha a força olfativa. Mineral a enxofre, animal. Muito complexa. Não tenho dúvidas de que a Moet está muito melhor que a Veuve. Impressionou a todos.
Mais aromas: Noz moscada, fruta a maçã? quem sabe? Com o passar do tempo ainda apresentou algum aroma mais para o tostado e amêndoas.
A boca é deliciosa. 12% de álcool
R$179,00 muito bem gastos!!!
PROSECCO RUGGERI DOC
Era para ficar na Moet, contudo o pessoal estava animado e resolveu tomar mais um Prosecco. Covardia prová-lo depois de um Champagnet francês.
Tentando esquecer a Moet (como esquecer?), é um estilo completamente diferente. Cor transparente e bolhas finíssimas. Muito sutil e delicado no aroma, floral. Boca bem adstringente e cítrica para o limão, também floral. Muito diferente, inclusive, do espumante nacional. Refrescante.
R$55,00
Foi ótimo ter provado um bom nacional e um champagne na mesma noite. Só não deixarei mais a turma tão solta porque, ao convidar, estimamos um custo e seria errado sempre extrapolar. Nossos eventos devem ser mais didáticos do que um desfile de vinhos top e devem objetivar o conhecimento do mundo do vinho sem excluir demais pelo preço. Já planejo a primeira de 2007 com vinhos brancos do novo mundo aproveitando o calor surpreendente em Curitiba.
quinta-feira, agosto 10, 2006
Vinho em Família - 05/08/2006
O time estava todo reunido para o almoço de sábado, comemorando a vinda do Rafael pela primeira vez em Curitiba após sua mudança a trabalho.
Além do Lutero, partícipe da compra do Cap de Mourlin Gran Crus Classé 1998 em Saint-Emilion, estava o Laurence e o povo todo de casa. Como o evento era grande havia a necessidade de mais um vinho e sacamos da "adega" o Humberto Canale Pinot Noir Patagonia 2002 para fechar o circuito. Ser Pinot era bom, pois se trata de uma uva mais delicada, porém vindo da Patagonia coloca alguma dúvida porque esses vinhos de regiões alternativas costumam ser um pouco diferentes.
Recomendei massa com molho bolonhesa para acompanhar o Cap de Mourlin tendo em vista as uvas de sua composição (conforme post anterior com a pesquisa do vinho). Regina e Laércio compraram lazanha verde com molho bolonhesa e rondeli com molho de nozes num bom restaurante que oferece as massas para consumir em casa.
Vamos às impressões:
HUMBERTO CANALE PINOT NOIR PATAGONIA 2002
Abrimos uma hora antes do consumo. Teria sido uns 45 minutos, mas o dia era de muito calor e deixei uma taça, que havia tirado, na porta da geladeira. Foi só abrir... o acidente dá para imaginar.
A cor era típica atijolada da Pinot Noir, mas estava um tom acima de violeta do que estou acostumado, provavelmente uma característica da patagonia. Vale lembrar que esta região é a mais austral da América do Sul (english reference), estando influenciada pelas correntes antarcticas.
Tratando de Humberto Canale, fineza e complexidade eram esperadas, mas surpreendeu o equilibrio dos 14,5% de álcool. Esperava, também, excessos de madeira, contudo o chocolate estava muito bem casado com as frutas vermelhas, de onde destaquei a groselha.
O ataque alcoólico na boca não dava aquele calor dos vinhos mais ou menos, mas sim uma sensação refrescante. Algum excesso no retrogosto.
Enfim, uma boa compra para um Pinot Noir excêntrico.
CHATEAU CAP DE MOURLIN 1998
Permaneceu uma hora aberto em garrafa e mais uma hora em decantação. Optamos por decantá-lo não pela possibilidade de fragmentos, mas para abrir melhor os aromas e sabores desse vinho de 8 anos.
Ele mudou durante o consumo, o que foi muito interessante. Levantamos a hipótese de que o corte de Merlot, Cabernet Franc e Sauvignon levou a uma transição entre a predominância da Merlot no início para a Cabernet Sauvignon no final. Pode ser só uma viagem minha e do Laércio, porém se alguém já teve essa sensação seria ótimo que nos comunicasse, pois não podemos confirmar a tese (só litrando muito Gran Crus Classé).
O que permaneceu foi a característica seca da Cabernet Franc. No início, havia o aveludado da Merlot e, no fim, especiarias e mais frescor da Sauvignon. Aromas de frutas vermelhas, para variar, e claramente baunilha muito delicada no aroma. Retrogosto sem qualquer amargor e excelente permanência.
Complexo, deixou vontade de tomar muito mais França no futuro próximo.
Concluí que seria maravilhoso com um fillet mignon suculento. Dá água na boca só de imaginar!
Esqueçam a nota do Parker (84), ele é pelo menos 86 ou 87.
Além do Lutero, partícipe da compra do Cap de Mourlin Gran Crus Classé 1998 em Saint-Emilion, estava o Laurence e o povo todo de casa. Como o evento era grande havia a necessidade de mais um vinho e sacamos da "adega" o Humberto Canale Pinot Noir Patagonia 2002 para fechar o circuito. Ser Pinot era bom, pois se trata de uma uva mais delicada, porém vindo da Patagonia coloca alguma dúvida porque esses vinhos de regiões alternativas costumam ser um pouco diferentes.
Recomendei massa com molho bolonhesa para acompanhar o Cap de Mourlin tendo em vista as uvas de sua composição (conforme post anterior com a pesquisa do vinho). Regina e Laércio compraram lazanha verde com molho bolonhesa e rondeli com molho de nozes num bom restaurante que oferece as massas para consumir em casa.
Vamos às impressões:
HUMBERTO CANALE PINOT NOIR PATAGONIA 2002
Abrimos uma hora antes do consumo. Teria sido uns 45 minutos, mas o dia era de muito calor e deixei uma taça, que havia tirado, na porta da geladeira. Foi só abrir... o acidente dá para imaginar.
A cor era típica atijolada da Pinot Noir, mas estava um tom acima de violeta do que estou acostumado, provavelmente uma característica da patagonia. Vale lembrar que esta região é a mais austral da América do Sul (english reference), estando influenciada pelas correntes antarcticas.
Tratando de Humberto Canale, fineza e complexidade eram esperadas, mas surpreendeu o equilibrio dos 14,5% de álcool. Esperava, também, excessos de madeira, contudo o chocolate estava muito bem casado com as frutas vermelhas, de onde destaquei a groselha.
O ataque alcoólico na boca não dava aquele calor dos vinhos mais ou menos, mas sim uma sensação refrescante. Algum excesso no retrogosto.
Enfim, uma boa compra para um Pinot Noir excêntrico.
CHATEAU CAP DE MOURLIN 1998
Permaneceu uma hora aberto em garrafa e mais uma hora em decantação. Optamos por decantá-lo não pela possibilidade de fragmentos, mas para abrir melhor os aromas e sabores desse vinho de 8 anos.
Ele mudou durante o consumo, o que foi muito interessante. Levantamos a hipótese de que o corte de Merlot, Cabernet Franc e Sauvignon levou a uma transição entre a predominância da Merlot no início para a Cabernet Sauvignon no final. Pode ser só uma viagem minha e do Laércio, porém se alguém já teve essa sensação seria ótimo que nos comunicasse, pois não podemos confirmar a tese (só litrando muito Gran Crus Classé).
O que permaneceu foi a característica seca da Cabernet Franc. No início, havia o aveludado da Merlot e, no fim, especiarias e mais frescor da Sauvignon. Aromas de frutas vermelhas, para variar, e claramente baunilha muito delicada no aroma. Retrogosto sem qualquer amargor e excelente permanência.
Complexo, deixou vontade de tomar muito mais França no futuro próximo.
Concluí que seria maravilhoso com um fillet mignon suculento. Dá água na boca só de imaginar!
Esqueçam a nota do Parker (84), ele é pelo menos 86 ou 87.
Marcadores:
- VV 85 a 88,
N Argentina,
N França,
Uva Cab Franc,
Uva Cab Sauvignon,
Uva Merlot,
Uva Pinot Noir,
Vinho Tinto
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