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segunda-feira, março 17, 2014

Epu 2009 - Viña Almaviva S.A.

Epu na língua indígena quer dizer "segundo". Este é, de fato, o segundo vinho da magnânima vinícula Almaviva em Puente Alto, no Chile. O vinhedo fica praticamente na região metropolitana de Santiago e é de impressionar que se mantenham cultivos da mais alta qualidade cercados de avenidas imensas, shoppings e condomínios residenciais. Ali nascem dois dos vinhos mais caros do Chile: Almaviva e Don Melchor.
O discurso do empresa é que o Epu é feito com as mesmas uvas do Almaviva, porém de lotes que são identificados como de menor potencial de guarda. Aliás, faz-se bem menos Epu que Almaviva (algo como 10%), o que é um ponto em favor para acreditarmos na versão deles.
O Epu tem distribuição limitada e diz-se que não é muito exportado. No mercado brasileiro realmente não era encontrado no passado próximo. Felizmente hoje é possível comprar o 2011 na Wine.com por R$230,00. Fui in loco fazer a visita ao vinhedo e aproveitei para trazer algumas garrafinhas para o Brasil por menos da metade do preço. Meu plano é tomá-los de 2 em 2 anos para acompanhar a evolução.
Corte predominante de Cabernet Sauvignon com Carménère, Merlot e Cabernet Franc.
 Visual ruby brilhante. Aroma fresco, complexo e delicado. Predomina alcaçuz, mas há notas minerais, de canela e abaunilhado da madeira. Bela acidez no gustativo, taninos bem presentes, elegantes e vivos. Final longuíssimo. Equilíbrio ótimo entre corpo e madeira.
VV!91.

terça-feira, dezembro 15, 2009

Degustação de Encerramento 2009

Na sexta reunião de encerramento anual da Confraria Bacco Ubriaco, nosso presidente solene foi mais uma vez homenageado com a prova de líquidos de excelente qualidade.
Fui à Curitiba especialmente para o evento e, quando cheguei ao local, o aroma dos grandes vinhos já abertos tomava conta do ambiente; e que vinhos:



BARCA VELHA 2000
A Casa Ferreirinha foi a primeira no Douro a engarrafar vinho tranqüilo de qualidade superior. O primeiro foi lançado em 1952 e apenas outras quinze safras foram comercializadas com esse nome, criando um mito. Foi vinificado na Quinta da Leda e parcelas suas, dependendo da casta e do lote, ficaram de um ano a um ano e meio estagiando em carvalho francês em Vila Nova de Gaia. As 26.000 garrafas permaneceram em Gaia aproximadamente 7 anos antes do início das vendas. É possível que os anos de 2003 e 2007 sejam também declarados Barca Velha, contudo a Ferreirinha mantém sigilo absoluto do resultado do vinho até o lançamento. Não basta uma grande vindima, é necessário que se atinja o mais alto grau de qualidade, segundo os parâmetros da Casa.
Com origem no Douro Superior, tem Tinta Roriz (Tempranillo), Touriga Nacional, Touriga Franca e Tinta Barroca em sua composição. A safra 1999 recebeu WS 93 e RP 94.
Veio compor a constelação maior entre os já provados do blog Viva o Vinho!, ao lado de Haut-Brion 1996, Mouton-Rotschild 1994, Vega-Sicília "Único" 1990 e Chateau d'Yquém 1998.
Vinho para ser aberto duas horas antes da degustação. Na cor, tinha um tom a menos de vermelho, levemente mais para o laranja. O aroma é notável, intenso e pode ser sentido à distância. Lembrou imediatamente Tawny, sem o ataque alcoólico. Mostra a complexidade típica destes, com licor, castanhas, tostado cítrico, talvez casca ou folha de laranja queimada (foi o que remeteu na minha memória olfativa), fruta vermelha e até um floral.
A estrutura era notável, com grande corpo e taninos doces. Vinho harmônico, com final redondíssimo e permanência ao infinito. Mais que suficientes 12,5% de álcool, EUR 198,00 (R$512,00) em Portugal. Optei por não pontuar objetivamente, mas as notas da WS e do RP para o 99 não condizem com este 2000, que é para a casa dos VV! 95-96*, chegando junto com o Vega-Sicília "Único" 1990 tomado ano passado.

GAJA LANGHE SPERSS 2001
O Sperss representou confirmação de uma suspeita que tinha com Barolos, ou Nebbiolo, e optei por fazer uma postagem a parte, trabalhando a experiência com esses vinhos.

CARMÍN DE PEÚMO CARMÉNÈRE 2005
Como é comum (e ruim) no Chile, declara uva no rótulo, mas a quantidade de outras não é desprezível. A composição é de 85% Carménère, 11% Cabernet Sauvignon e 4% Cabernet Franc, o que faz dele um vinho de corte nos fatos.
Marcelo Copello (MC) o considera mais elegante que o Clos Apalta. Para Patrício Tápia (PT), do excelente guia Descorchados, foi o segundo melhor do Chile em 2009, perdendo apenas para o Almaviva 2006. Na Wine Spectator, que considerou o Clos Apalta 2005 o vinho do ano no mundo, o Carmín tem 94 pontos.
Vinho roxo, escuro, absorve toda a luz. Aroma doce, ameixa preta, com referência direta a calda de fruta e doce de fruta, revelando o amadurecimento da Carménère. Pareceu meio preso o tempo todo. Corpo pesado, concentrado, final correto e sem amargor, apesar de toda a doçura. Reconheço os baixos rendimentos e a qualidade da uva, mas não me empolgo tanto como os críticos. R$663,00. MC 95, PT 95, RP 97 e WS 94. Tem a cara dos vinhos ultra-concentrados para notas do Parker. Prefiro os mais elegantes. Não pontuei objetivamente, mas fico com a parte de baixo da crítica (que não é pouco) VV! 93-94*.

ARROBA MALBEC ROBLE 2006
Arroba é um vinho diferente. Carlos Balmaceda produz apenas 5000 garrafas, resultado de vinhedos que seleciona nas altas regiões de La Consulta e de Luján de Cuyo, no distrito de Mendoza. 25% do vinho fica 12 meses em barricas francesas novas e outra parcela permanece em tanques maiores de carvalho.
Na cor é bordô escuro. Tem aroma intenso e elegante, com bela integração da fruta com a madeira. Claro que não tem a mesma permanência, estrutura e profundidade que os demais degustados nessa noite, mas no aroma não ficava tão longe assim o colocando como excelente custo-benefício. 14,1% de álcool. R$160,00 a garrafa Magnum na Berenguer Imports. Minha pontuação ficaria na casa dos VV! 88-90*.

NIEPOORT 10 YEARS TAWNY
Alguns Tawnys trazem, junto da complexidade do envelhecimento e da madeira, um ataque maior em boca. Este mantém as características de tawny, mas traz a elegância e a facilidade de beber de um Vintage. Apresenta as conhecidas castanhas e casca de laranja somadas ao doce. A experiência gustativa é surpreendente, sem nenhum ataque, com destaque para o final permanente, doce e macio. 17,5% de álcool. R$ 160,00 na In Vino Veritas. WS 95, para mim nessa faixa também VV!94-95*.



*Não avaliei objetivamente, todavia coloquei minha impressão subjetiva expressa em pontos junto ao relato, ao lado da pontuação objetiva da crítica especializada.

Nota sobre a foto: Magnum Les Terrasses 2004 Priorat é a primeira garrafa da direita, mas optamos por não abri-la em nome da sanidade.

terça-feira, janeiro 06, 2009

Concha y Toro Reservado Carmenere 2005

Se 2009 começou bem com o Amat, já surgiu o primeiro mico do ano:

A megavinícola Concha y Toro é conhecida por fazer produtos confiáveis em várias faixas de preço. Costumo dizer que a carmenere é a uva custo-benefício, mas não foi o caso deste 2005 do Valle Central.
A cor era bordô, bem típica da carmenere. Aromas de frutas vermelhas doces. Cereja fresca bem adocicada. Vinho estranho. É macio, doce, sem grandes ataques disso ou daquilo, contudo sem grandes qualidades. Falta corpo e estrutura.
Tem algo incômodo nele. Tem aquele aroma vegetal que seria muito mais adequado na seção de vegetais da mercearia do que em vinhos. O 2005 definitivamente não volta para minha adega. 13% de álcool. R$19,00. VV!77

sábado, novembro 22, 2008

SANTA HELENA CARMENÈRE MALBEC SIGLO DE ORO 2006

No post anterior, havia provado este vinho muitas horas depois de sua abertura.
Resolvi prová-lo normalmente. Abri a garrafa e aguardei os 20 minutos mínimos para iniciar seu consumo. Fiquei decepcionado.
Durante a hora e meia em que tive o vinho na taça havia um aroma incômodo de mofo, de algo que estragou por humidade. Eu diria meio mofado, meio herbáceo.
Remete-me, então, a duas hipóteses: ou peguei uma garrafa ruim, ou é um vinho de "dia seguinte". Uma pena.

domingo, novembro 02, 2008

Santa Helena

Tive oportunidade de tomar dois vinhos da Santa Helena oferecidos pela Regina. Tomamos primeiro o Santa Helena Carmenère Malbec Siglo de Oro 2006 e depois o Santa Helena Carmenère Reservado 2007. Ressalto que o Siglo de Oro foi aberto na noite anterior e o tomei no almoço do dia seguinte, algo como 16 horas depois. Ainda que a garrafa tenha sido conservada em geladeira e bem fechada, faz diferença.

SANTA HELENA CARMENÈRE MALBEC SIGLO DE ORO 2006
Mesmo com tanto tempo aberto o vinho estava muito interessante. Apresentou boas frutas veremlhas, rumando para geléia de fruta. Uma baunilha no pano de fundo com pimenta preta fechando a composição. A boca é de razoável para boa, com uma leve sensação de cera no meio da língua. Como foi provado tanto tempo depois de aberto, é possível que o chocolate e o tostado, alguns dos aromas sugeridos pela vinícola, sejam encontrados ao abrir. Eu não encontrei.
Já tinha ouvido por aí que os Malbecs do Chile eram interessantes e, de fato, esse corte ressaltou aspectos positivos das duas variedades. 13,5 % de ácool. R$22,00 no Mercadorama Seminário. VV! 83.

SANTA HELENA CARMENÈRE RESERVADO 2007
A linha reservado é um patamar anterior à Siglo de Oro em termos de qualidade. Este realmente é um pouco inferior. Apresentou boa geléia de fruta no nariz. Aquele incomodozinho na língua é mais proeminente e tem mais calor em boca, algo que não me agrada mesmo. Vale pelo preço, mas vale mais ainda gastar R$4,00 e subir um degrau comprando a linha Siglo de Oro da Santa Helena. 13,5% de álcool. R$17,90 no Mercadorama Seminário. VV! 81.

Outras postagens sobre Santa Helena tintos:
IV Degustação Viva o Vinho! – CARMENÉRE
Santa Helena Reservado Cabernet Sauvignon 2004
Santa Helena Reservado Merlot 2003

Nota: Chamo a atenção do consumidor curitibano para a grande diferença de preços nos vários super e híper mercados da cidade. Tenho visto o mesmo vinho variando de R$18,00 a R$28,00. É um crime! O pessoal está reajustando em função da alta do dólar, mas não acredito que os consumidores comportem tamanha discrepância.
Por ora, continuo zapeando os preços das áreas de vinho sempre que entro nos mercados, pois ainda tem preço razoável por aí.

sábado, setembro 13, 2008

Chile - Maipo

A Confraria Bacco Ubriaco realizou degustações seguidas com vinhos chilenos. Nesta, o tema era produtos do Maipo. Todos eram rótulos bem conhecidos e bem conceituados pelos especialistas. Foram degustados às claras, ou seja, todos sabiamos o que estávamos provando. Comprados em viajem para o exterior, os preços pagos estão bem abaixo do mercado nacional.

DON MELCHOR 2002 Cabernet Sauvignon
Top da Concha y Toro, 96% Cab Sauvignon - 4% Cab. Franc. Feito em Puente Alto.
Apresentava algum alo. Boa intensidade aromática, muito agradável, fresco, ameixa, especiarias, algum chocolatinho. Com o tempo abre, fica mais intenso e pegamos fruta doce/geléia. Boca fresca, adocicada, ainda tem taninos. 14% de álcool. R$210,00. BU 90,72. VV!91.

EL PRINCIPAL 2001 Cabernet Sauvignon - Carmenère
Este vinho da Finca El Pincipal produzido em Pirque não passa por filtração.
Tinha alo também, cor mais opaca. Demora a revelar-se. Quando abre apresenta ameixa, frutas em calda, especiarias, pimenta e café.
Taninos macios, a boca é ótima. Final correto. 15% de álcool. R$210,18. BU 90,09. VV!91.

TERRUNYO Carmenère 2004
Linha intermediária da Concha y Toro feito Peumo. Recebeu 96 pontos de Robert Parker. 85% Carmenère, 12% Cab. Sauv., Petit Verdot e Cab. Franc.
Na cor tem um leve toque para o violeta. Aroma muito elegante, vai abrindo para chocolate, ameixa e frutas maduras. Gostoso no paladar, tem excelente corpo e taninos ainda marcando. Final longo. 14,5% de álcool. R$100,00. BU 87,63. VV!90.

HARAS DE PIRQUE CHARACTER 2005
Ainda que tenha sido o mais barato da noite, no Brasil não sairia por menos de R$80,00. 85% Syrah e 15% Cab Sauv.
Também um pouco mais violáceo. Aroma fresco, com especiarias, apresenta fruta lembrando framboesa. Excelentes taninos na boca. É potente, encorpado e tânico. 14,6% de álcool. R$40,00. BU 88,45. VV!89.

sábado, junho 21, 2008

Santa Carolina Reservado Carmenère 2005

Em meio a tantos vinhos de primeira, cabe provar e avaliar um mais barato um pouco. Tomamos no almoço este Santa Carolina acompanhando um risoto feito bem à colonia italiana.
O vinho deixou a desejar. Cor mais clara, rosadinha como muitos desta cepa, mas ainda mais claro. Falta brilho. Aroma de frutas. Boca desequilibrada, muito álcool. Sempre digo que a Carmenère faz vinhos baratos razoáveis. É a uva custo/benefício, mas este não foi o caso. A Santa Carolina costuma fazer vinhos agradáveis nessa faixa de preço, todavia errou no seu Carmenere 2005. Não faria nem 80 pontos. 13% de álcool. R$17,00 no Extra Alto da XV.
PS: Cuidado com o Extra. Estive lá fazendo compras e os vinhos estavam caríssimos. Só comprei aqueles com o destaque de promoção, aí sim preços normais. Em geral, um roubo!

terça-feira, fevereiro 26, 2008

Sunrise Carménère Revisitado

Recentemente tomei a safra 2003 que já mostrava sinais de desgaste, ainda que o vinho não estivesse de todo mal.
Agora provei um mais jovem, como deve ser feito, para checar a boa e acessível linha da Concha y Toro.
O Sunrise Carménère 2005 apresentou cor bordô escura. Aromas de média intensidade com ênfase na madeira: couro e cereja ao marrasquino. Com o tempo surge café interessante.
Boca tranquila, agradável e fresca, contudo falta corpo. Adequado para o preço. 13% de álcool. Nota VV! 82. R$18,90 no Extra Alto da XV.

quarta-feira, janeiro 30, 2008

Direto do Chile

Ontem realizamos a degustação 112 da Confraria Bacco Ubriaco na Expand Winestore Curitiba. Agradecemos muito ao Rafael, um de nossos padrinhos, e a todo o time da casa por nos receber sempre muito bem.
Confrades enviados especialmente ao Chile trouxeram na bagagem vinhos especialmente selecionados para nossa degustação de abertura de 2008. O Sauvignon blanc não me agradou tanto. Já os tintos eram ótimos. Infelizmente esses vinhos não estão disponíveis no Brasil. Será que terei de ir até lá buscar uma caixa de Epo e uma garrafa de Almaviva?

Veramonte Reserva 2007

Este Sauvignon Blanc foi feito em Casablanca, a oeste de Santiago, 70 km em direção a Viña del Mar. Cor palha bem clarinho. Aroma suave e gostoso. Para mim herbáceo, lichia e leve citricidade. Tinha ataque meio excessivo à boca, onde perdeu pontos. Nota VV! 83, WS 87. Custou lá US$ 7,00.

Epo 2000
Epo significa, na linguagem nativa, segundo. Este é o segundo vinho da Almaviva, joint venture entre Rotschild e Concha y Toro. Almaviva é um dos grandes vinhos chilenos e seu irmãozinho não deixa dúvidas de sua estirpe. É feito em Maypo (cercanias de Santiago) das uvas Cabernet Sauvignon, Carménère e Cabernet Franc. No futuro terá também Merlot no corte. É o mesmo assemblage do Almaviva, porém o enólogo observa as porções de vinhos que não são propícios para guarda, afim de compor o Epo. Na verdade, o Epo fica pronto antes que seu par mais vigoroso, que alguns afirmam poder envelhecer até 25 anos nas melhores safras.
A política de comercialização é de vendê-lo apenas no Chile. Na vinícola sai em torno de US$15,00!!!!!!!!!!! No centro de Santiago pode ser encontrado a US$30,00.
Apresentou belíssima cor. Brilhante, límpido, já aparecia pequeno alo aquoso. Aromas de café e alcaçuz no início. Muito delicado. O químico do alcaçuz evolui para castanhas e flores. Boca desde o início revelou castanhas. Belos taninos marcantes. Já está pronto, mas ainda pode envelhecer mais alguns aninhos.
O vinho esteve constante pela hora e meia que me acompanhou em taça. Modifica-se com sutileza e mantém suas principais qualidades: Delicadeza e elegância. 14% de álcool. Nota VV! 90.

Coyam 2005

Produzido pela Emiliana em Colchagua é um blend de várias uvas: Syrah, Carmenére, Cab. Sauv., Merlot e Petit Verdot. Segue os conceitos orgânicos de produção.
Cor escura, leve toque violáceo. Aroma fechado o tempo todo. Ameixa preta e químico. Bom corpo, pesado à boca. Taninos vivos e adocicados. Melhor se bebido daqui uns três anos pelo menos. 14,5% de álcool . Nota VV! 88, WS 90. US$18,00.

Elegance 2004

A vinícola Haras de Pirque no início estava no ramo apenas da montaria. Nos anos 90 interessou-se pelas videiras e pela viticultura, passando a produzir vinhos considerados tops chilenos no Maypo.
Este puro Cab. Sauv. tem cor ruby brilhante. Belo aroma com cerejas. Boca mineral com taninos ainda aprisionados. Muuuuuito longo. Nota VV! 89, Tapia (autor do Guia Descorchados) concedeu-lhe 95!? 14,5% de álcool. US$35,00.

Enquanto blogava...
Bloguei bebericando um Periquita 2004 produzido em Terras do Sado, Setúbal, por José Maria da Fonseca com as uvas Castelão, Trincadeira e Aragonês. Um pouco opaco na cor, não apresentou as características que esperava. Nos anos 90 o Periquita era o vinho do dia-a-dia em minha casa. A José Maria Fonseca optou por mudar o estilo para um vinho mais moderno e bem frutado. Deixou a garrafa bojuda de lado e ganhou aromas de azedinho-doce e morangos frescos. Ficou fácil de beber, mas para mim o antigo era melhor.
Este 2004 nem o frutadinho fácil ofereceu. Aromas não me disseram muito e boca razoável, bem seca. Sem defeitos ou grandes qualidades. Como estava só, abri uma 1/2 garrafa (350ml), mas não acredito que isso faça tanta diferença nas características do vinho. Minha nota subjetiva: 80.

quinta-feira, dezembro 13, 2007

IV Degustação Viva o Vinho! – CARMENÉRE

Depois de tanto tempo sem degustação do blog finalmente fizemos mais uma. O objetivo desta vez foi reunir amigos que curtem a brincadeira, mas que não são tão acostumados a sentar em frente a uma taça e examinar atentamente o vinho.
Escolhi a Carmenére por ser a uva que se tornou símbolo do Chile. Não é necessariamente a melhor uva chilena. Eu, particularmente, adoro os Sauvignon Blanc. Excelentes Cabernet Sauvignon, Merlot e até mesmo Malbec são alcançados por lá.

CARMENÉRE
A Carmenére ganhou notoriedade exatamente por existir comercialmente apenas no Chile... e por obra do acaso. Até 15 anos atrás acreditava-se que eram parreiras de Merlot de um clone diferente. Estudos mais aprofundados mostraram que se tratava de outra variedade.
Ela deixou de ser plantada na França após a praga da filoxera que devastou vinhedos do mundo inteiro no fim do século XIX e início do XX. Ao refazer os vinhedos, os agricultores tornaram-se mais criteriosos afim de evitar perdas futuras e passaram a escolher cepas mais resistentes. A Carmenére por ser especialmente sensível a algumas doenças acabou descartada.
Devido a seu isolamento geográfico, o Chile foi a única região do mundo poupada da filoxera e acabou conservando a Carmenére, que lá permaneceu disfarçadada como uma Merlot estranha até os anos 1990. Após ser redescoberta, foi corretamente identificada e isolada da Merlot para produzir os varietais. É possível que haja ainda algum tipo de mistura na elaboração de Merlot e de Carmenére até hoje, mas a maioria dos vinhedos está corretamente segmentado.
O objetivo era um evento barato, com vinhos de até R$20,00. Reunimos sete degustadores na Pizzaria Tortelli, que nos recebeu sem cobrar rolha. Considerei a Carmenére uma boa uva para a degustação porque nessa faixa de preço algumas vezes proporciona um vinho vivo e de fácil apreciação. A tarefa do grupo era provar, testar seus próprios sentidos percebendo características do vinho e expressar suas impressões.

SANTA HELENA RESERVADO CARMENÉRE 2006
Cor Ruby. Aromas de framboesa, morango, bem frutado em geral. Boca ácida e com ácool excessivo. Taninos vivos. O vinho evolui para cereja, fica mais doce com o tempo. Sempre que deparadas com uma taça por mais tempo as pessoas começam a notar que o vinho muda, enquanto oxigena, o que é muito bom para a brincadeira seguir estimulante. R$18,50.

CONCHA Y TORO SUNRISE CARMENÉRE 2003
Mais opaco que o primeiro. Aroma fechado de couro, algum químico, amendoado, ameixa preta. Uva passa e compota aparecem também. Boca adstringente, já lembrando minerais, alguma especiaria também. Sou daqueles que não gosta da linha Reserva da Concha y Toro. Tomei algum que me agradou um pouco recentemente, mas em geral não gosto. Já os da Sunrise agradam muito e não são muito mais caros. Agora, cabe ter cuidado ao comprar porque alguns mercados chegam a vendê-los por R$29,00 no maior estilo “bom para otário”. O preço justo na praça de Curitiba é algo em torno de R$20,00. Pagamos neste R$22,50.
Em outra ocasião tomei o Sunrise Carmenére 2004 e estava muito melhor que o 2003, mais vivo, com aromas mais intensos a frutas frescas, especiarias e taninos vivos. Parece estar em melhor forma que o 2003, já meio passadinho. Talvez a safra 2004 tenha sido melhor também, mas reforço novamente: vinhos desta faixa de preço foram feitos para serem consumidos logo. Três anos é o tempo ideal para a maioria. Cuidado porque os mercados não tem muito compromisso com o consumidor nesse sentido.

CASA SILVA CARMENÉRE COLECCIÓN 2005
Já no clima de fim de degustação, quando nos digladiávamos com as excelentes pizzas da Tortelli, pedimos este para acompanhar a refeição sem perder o tema, afinal lá vendem o vinho a preços honestos para restaurante. Na taça estava brilhante com toques violáceos, belo. Aromas de morango, frutas vermelhas. Corpo médio, adequado, com tanino bem acomodado. Surpresa da noite, um vinho muito equilibrado. Em seguida, identifiquei ainda alguns aromas de verniz e especiaria muito delicada. Este sim fazendo jus ao que espero de um Carménere. Está um nível acima dos demais. R$25,00.