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segunda-feira, março 17, 2014

Epu 2009 - Viña Almaviva S.A.

Epu na língua indígena quer dizer "segundo". Este é, de fato, o segundo vinho da magnânima vinícula Almaviva em Puente Alto, no Chile. O vinhedo fica praticamente na região metropolitana de Santiago e é de impressionar que se mantenham cultivos da mais alta qualidade cercados de avenidas imensas, shoppings e condomínios residenciais. Ali nascem dois dos vinhos mais caros do Chile: Almaviva e Don Melchor.
O discurso do empresa é que o Epu é feito com as mesmas uvas do Almaviva, porém de lotes que são identificados como de menor potencial de guarda. Aliás, faz-se bem menos Epu que Almaviva (algo como 10%), o que é um ponto em favor para acreditarmos na versão deles.
O Epu tem distribuição limitada e diz-se que não é muito exportado. No mercado brasileiro realmente não era encontrado no passado próximo. Felizmente hoje é possível comprar o 2011 na Wine.com por R$230,00. Fui in loco fazer a visita ao vinhedo e aproveitei para trazer algumas garrafinhas para o Brasil por menos da metade do preço. Meu plano é tomá-los de 2 em 2 anos para acompanhar a evolução.
Corte predominante de Cabernet Sauvignon com Carménère, Merlot e Cabernet Franc.
 Visual ruby brilhante. Aroma fresco, complexo e delicado. Predomina alcaçuz, mas há notas minerais, de canela e abaunilhado da madeira. Bela acidez no gustativo, taninos bem presentes, elegantes e vivos. Final longuíssimo. Equilíbrio ótimo entre corpo e madeira.
VV!91.

quinta-feira, maio 19, 2011

Degustação Niterói - África do Sul - 26/04/2011

Com Cristo Redentor e Pão de Açúcar como cenário, realizamos a segunda reunião de nossa nova confraria às margens da Baía de Guanabara, no agradabilíssimo espaço "palavrinha" no Iate Clube Brasileiro. O clima chuvoso pregou-nos uma pequena peça, mas não conseguiu atrapalhar a degustação.
Aprendi que no Rio de Janeiro, mesmo em raros dias chuvosos, é necessário dar uma resfriada no vinho. Tínhamos termómetro imersível à disposição e constatamos temperatura da bebida na casa dos 24ºC, o que o deixava quase uma sopa.
Testamos a ficha de degustação da ABS-Rio, mas vivenciei a mesma situação da ficha "italiana" do Sousa Neto. Os descontos de pontos sugeridos na ficha são elevados e distorcem a nota final. Minha adaptação para ambas fichas é criar faixas de pontos menores. (Para mais detalhes sobre fichas e métodos ver Classificação de 100 pontos.)

VINHOS
La Capra Pinotage 2008
Ruby com toque violáceo. Agradável com muita fruta e bem adocicado, com um toque de violeta e boa persistência aromática. Boca com permanência média, levemente mineral. Apresenta taninos secos, mas sem incomodo. Pinotage é a uva criada na África do Sul pelo cruzamento da Pinot Noir com a Cinsault (Hermitage). Ainda que emblemática pela exclusividade, não chega a ter vasta área plantada, apenas 5 a 6%. O La Capra, todavia, foi uma surpresa positiva. R$49,00 na Bergut Niteroi. VV! 86.

Music Blend by D´Ária 2008
Cor Ruby com tom um pouco mais escuro. Aromas intensos da gama animal, incluindo toques de pimenta branca e figo seco. Já no olfato mostra-se vinho peculiar. No paladar é equilibrado e tem boa acidez. Todas as vezes em que provei este vinho foi acompanhado de confrades e ele, sem excessão, tem causado furor. A intensidade dos aromas animais causa impacto imediato e a facilidade em beber facilitam a vida do consumidor. R$46,00 VV!87. Berenguer Imports.

Blue Grove Hill Merlot/Cabernet 2009
57% Melot, 39% Cab Sauvignon, 4% Cab Franc.
Ruby clássico. Aramo muito fino, intenso e permanente. Explosão de especiárias, lembrando tomilho. Há uma sensação de frescor agradável. A vinificação em tóneis de carvalho Taransaud e o armazenamento em barricas desta tanoaria fizeram toda diferença.
Boca macia, elegante, permanente. Vinho para passar horas curtindo o aroma e apreciando o delicado palato. Harmônico, final longo. Tudo que eu espero de um vinho na faixa de preço. R$96,00. RP 89. VV!91.
Berenguer Imports.

Toneis Taransaud na Capaia Wines

sexta-feira, dezembro 31, 2010

Urban Blend Valle del Maule 2008 no Madero

Madero - O melhor hambúrguer do mundo
Aproveitando nossa viagem à Curitiba, fomos comer o super chesseburguer clássico gourmet do Madero. Feito com salada orgânica, carne de primeiríssima, pão especial fantástico preparado na manteiga, fogo forte para a sensação tostada por fora e vermelhinho dentro, 260g de hambúrguer com um preparo super especial: o sal é mais grosso e diferenciado e não vai farinha(deve ser pão). Tudo com o rigor do Chef Junior Durski.
Os aromas daquele mega cheeseburguer, os sabores dos vegetais orgânicos, hummmmm. Quem não gosta de tomante prepare-se: aquele tomate é fruta de uma categoria própria. A cebola assada é incrível. Cada pedaço e cada combinação diferente entre os ingerdientes são uma experiência gastronômica própria.
Esqueça os fast-foods. Para cada duas idas a qualquer deles, poupe seu organismo da gordura (e seu dinheiro) e vá uma no Madero. Você será uma pessoa mais feliz, tenho certeza.
Pense num restaurante fino, com todo o serviço adequado, adega de vinhos e etc... e que serve hambúrgueres.
- Ah, vinho e hambúrguer não combinam muito - você pode afirmar.
- Não mesmo! - é a minha resposta.
Mas dá para tomar o vinho antes, ficar só na água durante a refeição e voltar para o vinho depois. Talvez malbec ou tempranillo até funcionasse... talvez. Às vezes, o importante é curtir o que é bom sem esquentar demais a cabeça com regras.

Urban Blend Valle del Maule 2008

Se eu dissesse só nome do produtor aqui, dispensaria mais comentários: O. Fournier. Já que sou um chato prolixo, falarei dele.
É um blend com quase metade de Merlot, um bom percentual de Cab Franc, algo de Carignan e uma pitada de Cab Sauvignon.
Um padrão em minha vida no vinho é que o bom blend sempre brinca comigo a noite toda. Impressionante. Dá uma pesquisa para os químicos: Será que as variedades de uva volatizam diferente?
Deixando a ciência de lado, o fato é que esse vinho começou doce, com chocolate, couro, e aroma super fresco da merlot chilena. A boca redondinha, taninos corretos, acidez ótima e a estrutura da Cab Franc fechando o conjunto.
Depois, veio uma especiaria que tomou conta e terminou docinho, com o couro só na memória. Uma delícia. Um custo benefício incrível.
A O. Fournier faz a linha Urban com várias composições em localidades diferentes tanto no novo como no velho mundo. Este chileno está aprovado. 14% de álcool. R$59,00 no Madero (Você pode encontrar por R$40,00 em lojas).

sexta-feira, fevereiro 12, 2010

Salton Talento 2005 - Niterói e o Vinho Nacional em Pauta

TRATORIA TORTA
Já é hora de começar a investigar a gastronomia de Niterói. É claro que já andei por aqui, mas os lugares mais propícios ao vinho só começaram a ser procurados agora.
Fui na Tratotia Torta só porque era perto de casa e acabou-se tornando uma grande surpresa. Além das massas normais, de terça a quinta eles têm um festival em que você pede quantas pequenas porções quiser. Uma degustação de massas, eu diria.
O atendimento foi atencioso e impecável. Destaques culinários para o molho com couve e pato e o molho ao pesto especial, com tomate seco.
A casa promove degustações com o Celso Alzer e a carta de vinhos é bem elaborada. Alguns vinhos com preço muito acima da curva de relação com o mercado (fora de restaurante), outros com preço bem interessante.
Escolhi o Salton Talento 2005 exatanente pela sua relação com o preço de mercado. Imagino que esteja mais alinhado porque um nacional de 5 anos pode estar no limite. De fato, a rolha estava bem infiltrada e não estava completamente inserida na garrafa. Com os sinais ruins, pensei que iria ter de devolvê-la, mas encarei. Ao provar, primeiro alívio, não estava estragado.

SALTON TALENTO 2005
Ainda que no site da Salton não diga, o Notas de Degustação afirma que são 60% Cabernet Sauvignon, 30% Merlot e 10% Tannat. Ele faz parte da linha superpremium da vinícola e só é lançado em anos excepcionais. Que eu me lembre, eles lançaram 2002, 2004 e 2005 apenas.
Havia provado o 2002 (veja) e tinha agradado com seis anos de idade, ainda que ficasse faltando alguma coisa. Este 2005, com cinco anos de idade, está inteiro, mas ficou faltando aquele algo mais novamente.
Assim que aberto, mostrou as frutas com adocicado, puxando para geléia, especiarias e acidez, sendo mais marcante aromas de café e baunilha. No gustativo, os taninos atacavam um pouco o céu da boca, todavia desconfiei que depois de aerado ele podia mostrar-se mais. Já aí, percebe-se a persistência apenas média e o corpo também mediano.
Ele muda e melhora muito com o tempo, o que é ótimo para brincar com a degustação. Surgem notas de alcaçuz e a doçura se firma como chocolate. Os taninos deixam de incomodar no céu da boca e dão uma secada geral. Parece que as características da Tannat deixam para aparecer mais tarde. Por fim, ele dá uma refrescância de fim de boca que chegou a lembrar uma menta (de que gosto tanto).
Minha impressão geral é de um bom vinho, que agüentou bem os cinco anos e que só falha no corpo mediano. No 2002 a falta de corpo também foi um problema, porém, entre os dois, fico com o 2005 e minha nota objetiva confirmou essa impressão. R$56,00. VV!87.

VINHO NACIONAL EM PAUTA
Tal avaliação o coloca entre os melhores do Brasil e é bom encontrarmos nacionais nesse nível. Não me lembro de vinhos brasileiros recebendo esse tipo de avaliação nos anos 90. Houve esforço, pesquisa e investimento das vinícolas para melhorarem a produção tupiniquim. A primeira grande safra que encontrou os produtores num patamar melhor de qualidade foi 2002.
Muitos blogs gostaram do vinho, todavia continua existindo controvérsia, como se pode ler na contundente opinião do Qvinho. Gostei do Salton Talento, embora tenha de concordar que pode estar um pouco fora de preço, um mal que é geral entre as grandes vinícolas nacionais e seus melhores vinhos. Só não é possível comparar nossa vinicultura com a dos vizinhos andinos e concluir que as empresas daqui são incompetentes. Parece que o terroir lá é melhor mesmo. Não consigo imaginar nossos "ícones" valendo de R$300,00 a R$500,00. Podemos fazer bons vinhos na casa dos R$50,00. Pena que alguns queiram cobrar R$90,00.

sábado, dezembro 13, 2008

Noite dos Sonhos

Quando pensava em Château D´Yquem, nunca imaginava que provaria tal botrytizado mitológico tão cedo.
Agora, imaginar que degustaria na mesma noite Vega Sicília "Único", Mouton Rothschild e Château d´Yquem não estava em meus devaneios mais absurdos.

Felizmente pertenço a um grupo de ousados amantes do vinho. A Confraria Bacco Ubriaco tem evoluido passo-a-passo nesses 5 anos e meio de vida. Estou certo de que nosso Presidente - a divindidade clássica responsável pela mágica transformação de uvas em vinho e pelos plácidos efeitos do álcool - tem muito orgulho destes confrades que apreciam a arte da boa bebida e da boa gastronomia.
Fomos, mais uma vez, muito bem acolhidos no Edvino e agradecemos ao sommelier Ewerton Antunes e equipe pelo sempre impecável atendimento. Sem esses profissionais dedicados certamente não poderíamos curtir plenamente tais presentes de Bacco, em noite na qual o Viva o Vinho! emplacou pela segunda vez líquidos de mais de 93 pontos (quatro de uma vez só!!!), sem contar o Haut-Brion de 2007 que não foi avaliado em nota.

CAVE GEISSE BRUT CHAMPENOISE 2005
Mesmo antes de ingressar na Bacco Ubriaco, quando era solitário nos estudos enológicos, já considerava Cave Geisse o melhor espumante nacional que conhecia. Essa garrafa com expedição em 2005 foi para confirmar mais uma vez que é produto de excelente qualidade e pode competir com os melhores do mundo. Não esperava encontrar um espumante nacional de 2005 inteiro ainda. Temos de começar uma campanha: "Abaixo às Cavas, Chega de Prosecco. Temos Cave Geisse".
Brincadeiras a parte, vamos ao vinho: Borbulhas finas e abundantes. Aroma intenso e excelente, como sempre. Notas amendoadas, de fermento e de pão. É macio em boca e, ainda assim, tem ótima acidez. Final correto, com excelente mineral. Sou fã! R$62,00 no Edvino. VV! 90.

VEGA SICÍLIA "ÚNICO" 1990
Tive o prazer de tomar a garrafa Magnum Nº001331. Como discordar do nome? Este "Único" da Ribera del Duero só é engarrafado em anos especiais. Quando não atinge os requisitos mínimos de qualidade é lançado somente o Valbueña 5. Nos anos em que é "Único", a primeira garrafa é solenemente entregue ao rei da Espanha.
Entre as particularidades de sua produção, não recebe um tratamento apenas. Enquanto envelhece em contato com o carvalho, pode passar por várias qualidades diferentes de madeira e pode ser trasfegado de tanques grandes para barricas de 225 L e retornar aos tanques tantas vezes quantas os enólogos considerarem pertinentes para conseguir a personalidade desejada. Grandes safras: 1994, 1990, 1986, 1979, ...
Ele estava belíssimo. Ninguém diria que é um vinho de 18 anos!!! Ruby ainda brilhante, com alo. A intensidade vai aumentando, abre bem tabaco. Grande aroma com especiarias, frescor e geléia de fruta que vai ficando cada vez mais doce.
Boca com bela acidez, maciez elegante e final longo incrível. Tem um calor no início da prova, mas que não deixa qualquer amargor, apenas revela a potência e a estrutura. 13,5% de álcool. R$3000,00 na In Vino Veritas. WS 95. RP 95. VV! 95.

MOUTON ROTHSCHILD 1994 AOC PAUILLAC
Um dos 5 Premieurs Crus da classificação de Bourdeux (Médoc) de 1855. Aliás, o único que foi incluido após 1855, elevado apenas em 1973. Muitos acreditam que tenha ficado de fora em 1855 porque o Château Mouton Rotschild tinha passado para controle de capital inglês. Foi o primeiro Château da região a engarrafar uvas próprias, "mis en boteille au château". Tem a bela tradição de estampar nos rótulos de cada safra uma obra de artista contemporâneo. Nossa garrafa foi agraciada por arte do pintor holandês Apel.
Entre as características da produção, destacamos que o vinho é feito em tonéis de carvalho e depois envelhece em barricas também produzidas no próprio château.
Comparando as duas estrelas tintas da noite, confesso que prefiro o Mouton ao Vega. O francês nem é de grande safra, mas mesmo assim tinha um paladar fantástico, delicado, complexo, muito mais ao meu gosto: menos bombástico e mais estiloso. E olha que 1994 foi safra somente mediana para os parâmetros de Mouton Rothschild. Dá para imaginar o que devem ser os excepcionais: 2000, 1996, 1989, 1988, 1986, 1982, 1976, 1961, ...
Belo brilho, pequeno alo e muita geléia. Demorou muito a abrir, mas nos revelou defumado, cassis, pimenta preta e fumaça doce. Boca delicada, deliciosa, com leve mineralidade que marca a complexidade gustativa. Excelente permanência. 12,5% de álcool. R$1350,00 no Edvino. WS 91. RP 91. VV! 94.

MANOIR DE GAY 2004 AOC POMEROL
Um pouco mais claro, com cor mais rosada, bem diferete dos Merlots do cone sul-americano. Aroma delicado, floral, morango. Paladar agradável e fresco, mas com taninos ainda vivos, que denotam mais um tempo de guarda. Não quero dizer que não está pronto, pelo contrário, pode ser bebido ou guardado. R$260,00 na Vino! Batel. WS87. VV! 90.

CHÂTEAU FOMBRAUGE 2001 AOC SAINT-EMILION
Em Saint-Emilion o corte de Cabernet Sauvignon, Merlot, Cabernet Franc é clássico. Pode-se encontrar algum percentual de Malbec, às vezes.
Cor bem mais escura. Aroma de ameixas pretas muito bem amalgamado na madeira. Ótima intensidade e bem complexo, com algo de terra molhada. Boca agradável, com excelente corpo e certo mineral. WS 91. VV! 93.

CHÂTEAU D'YQUEM 1998 AOC SAUTERNES
O sudoeste da França é uma das regiões do mundo onde as uvas brancas são atacadas pelo fungo Botrytis Cinerea. Ele afeta a casca fazendo micro-furos que deixam escapar água do fruto, restando o sumo concentrado. Os vinhos feitos dessas uvas mais doces ganham complexidade e qualidade. Sauternes é a região emblemática do estilo e o mítico Château d'Yquem reina único na classificação como Premier Cru Supérieur. Envelhece bem por décadas e, nas melhores safras, pode chegar aos 100 anos em condições de ser apreciado.
O dourado é realmente belíssimo. Remete a ouro imediatamente. Aroma de flores, frutas, mel, baunilha, chocolate branco. Tem um queimadinho que lembra o brullée. Grande permanência, doce sem excessos, elegante. Delicado pesinho em boca, com baunilha. Honestamente, esperava muito mais de um vinho tão cultuado, mas vale destacar que este tem "apenas" 10 anos de vida e 98 não foi safra excepcional. Algumas grandes são 2001, 1989, 1983, 1976, 1967, 1959, ... 13,5% de álcool. US$320,00 na França. WS 89. VV! 94.

domingo, setembro 14, 2008

Chile X França

Logo em seguida à degustação de chilenos, a Confraria Bacco Ubriaco realizou confronto às cegas de vinhos do Novo e do Velho Mundo. Estavam na mesa chilenos e franceses. A identificação foi direta, pois as diferenças entre eles eram bem grandes. A surpresa veio no resultado do chileno: a confraria - eu também - acabou avaliando melhor o Marques do que o Dom Melchor.
Podemos pensar em muitos motivos. Talvez o Marqués esteja mais pronto e como era às cegas houve alguma dificuldade. Talvez faltou reconhecer o potencial de envelhecimento do Dom. Talvez valha a pena beber o Marques. Várias são as hipóteses e a certeza é uma só: às cegas muita coisa pode acontecer.
Em relação aos franceses, ainda que eu tenha concedido nota inferior a do Marques, gostei mais deles. Apenas reconheci mais qualidades técnicas no chileno.
Chego à conclusão de que o Chile oferece excelente custo-benefício e tomar um bom francês sempre faz bem ao espírito.

MARQUES DE CASA CONCHA Merlot 2005
Produzido em Rapel (Maipo) pela Concha y Toro. Belo Ruby brilhante. Aroma intenso, riquíssimo, complexo, delicado (cheio de adjetivos). Fruta vermelha, frescor lembrando menta, baunilha. O mentol vai abrindo cada vez mais. Boca jovem, taninos bem vivos, ainda pede por guarda. Final fresco e boa permanência. 14,5% de álcool. BU 89,42. WS 90. VV! 92. R$78,00 na Expand Curitiba.

CHÂTEAU LES HAUTS-CONSUILLANTES 2001
Este é um Lalande-de-Pomerol. 75% Merlot, 17% Cab. Franc, 8% Cab. Sauv.
Cor com um toque atijolado. Boa intensidade aromática, predomina tabaco com especiaria. Agradou. Taninos macios, bom corpo e excelente acidez. 13,5% de álcool. BU 89,20. WS 90. VV! 90. R$179,00 na Expand Curitiba.

CHÂTEAU LARRIVET-HAUT-BRION 2002
Este é um Pessac-Leognan, onde plantam Cabernet Sauvignon em maiores quantidades. No caso deste vinho com assinatura de Michel Rolland, há Cab Sauv e Merlot em seu corte.
A passagem de 18 meses de barrica realmente marcou. Intenso, café e algum aroma animal no início. Este aroma animal vai ganhando corpo com o tempo e aparece também terra molhada. Macio e agradável em boca, tem tanino presente e bem amalgamado no conjunto. Excelente final. 13% de álcool. BU 90. VV! 90. R$320,00 na Expand Curitiba.

DOM MELCHOR 2003 Cabernet Sauvignon
Este Cabernet Sauvignon da linha superior da Concha y Toro tem 6% de Cabernet Franc.
Cor ruby bem típica. Fruta delicada e baunilha no início. Revela mais baunilha, amora, mas senti falta da complexidade. Boca ainda tânica - surpreendeu saber a safra depois - e agradável, corpo um pouco mais leve e muita fruta. Taninos bem vivos todo o tempo. BU 88,33. RP 96. VV!88. R$268,00 na Expand Curitiba.

quinta-feira, julho 31, 2008

Pizzato Concentus 2004

PARA A CONFRARIA BRASILEIRA DE ENOBLOGS

Realmente, após a degustação às cegas de vinhos nacionais (relembre) e depois de provar mais uma vez este Pizzato, não posso concordar com as notas dos poucos vinhos brasileiros provados pelas grandes publicações internacionais (veja).
Podemos questionar o preço do vinho nacional na comparação com similares da Argentina e do Chile. Justifica-se porque as características ambientais do Vale dos Vinhedos e das novas zonas de altitude (Santa Catarina particularmente) exigem mais custos para se conseguir um vinho melhor, mas para o consumidor vale mesmo é quanto se paga pelo que se obtém de prazer. A aposta do momento é a região de Santana do Livramento e toda a área de fronteira com o Uruguay, de fato uma latitude mais condizente com as regiões que produzem vinho de qualidade ao redor do mundo. Veremos.
O que importa agora é afirmar que já se faz vinho bom no Brasil. A safra 2004 foi muito boa. A 2005 melhor ainda. 2006 e 2007 um pouco inferiores. Há grande expectativa com 2008, com a empolgação rondando os vinhedos do Rio Grande do Sul.
Temos aqui um ótimo exemplo da safra 2004. Já havia provado em viagem ao Rio Grande do Sul ano passado e foi um dos vinhos que me agradou. A nova prova confirmou a boa impressão.

PIZZATO CONCENTUS 2004

Bem escuro, com leve toque violáceo. Meio rosado no alo.
Boa intensidade aromática, com frutas, geléia e boa passagem por madeira. Gostei do nariz. Boca de taninos agradáveis, bom corpo e frescor, mas excesso de acidez (típico do Vale). Um nacional que agrada com preço médio. 13% de álcool.R$39,90 no Celeiro Municipal (Mercado Municipal de Curitiba). VV!85.

quarta-feira, julho 09, 2008

Vinhos Nacionais às Cegas

No dia 16/06/2008 esteve a meu encargo realizar degustação de vinhos nacionais para a confraria Bacco Ubriaco. Optei por fazer às cegas afim de evitar influência dos preconceitos em relação aos vinhos nacionais. Na verdade, o objetivo também era avaliar o preconceito em si e coloquei um vinho surpresa estrangeiro e renomado no evento.
De fato, houve certa confusão entre os confrades. Alguém desconfiou que eu tinha armado alguma cilada, mas diante de minha frieza de jogador de poker deixou por isso mesmo. Outro, não lidou bem com a boa nota que acabou concedendo ao Montes Alpha Cabernet Sauvignon 2005 e recuou em revelá-la achando que estava alta demais.
Um terceiro, por fim, confessou que não passaria de 85 pontos por princípio para um nacional, após ser revelado que estava tomando um Montes Alpha.
Mesmo às cegas, só de se saber que eram vinhos brasileiros, um Montes Alpha que é 89 na Wine Spectator (e em minha opinião é um vinho incrível) acabou com 84,50 na Bacco Ubriaco. Detalhe: pela nota média da confraria ficou próximo do Salton Talento 2002 que arrancou um 84,42 na média.
Minha opinião é bem diferente. O Montes Alpha revelou-se um vinho fora de série. O Talento 2002 já está envelhecendo. O Villa Francioni 2004 é ótimo em boca e o Lote 43 2004 foi o melhor nacional.
Confesso, inclusive, que mesmo tendo praparado a degustação estive às cegas com os vinhos. Não com o 2002, de fácil identificação pela idade, e com o Montes, tão diferenciado, mas entre os dois 2004 nem eu sabia o que estava provando.
O Montes Alpha vence os demais na relação preço-qualidade, mas concluo que não podemos continuar desprezando a priori a vinicultura brasileira.

SALTON TALENTO 2002
Desde que lançado em 2004 recebeu diversas citações e destaques. Foi medalhista na Vinitaly e foi alvo de especial interesse pelo sommelier italiano Enrico Bernardo em prova de nacionais. Jancis Robinson também destacou seu potencial de guarda. Carvalho francês por 12 meses.
Encontrei alo aquoso e decrescente, ficando mais rosado em direção à borda. Aromas de oliva, couro, herbáceo, claramente barrica francesa. Com o tempo em taça fica mais doce, revela baunilha. A fruta é ácida, morango.
Em boca é gostoso, um tanto tânico ainda. No início pega um pouco, mas evolui e melhora, adocica. Boa persistência e final correto, porém boca com algum desequilíbrio. BU 84,42. VV!85. R$67,00 na Cave del Rey.

VILLA FRANCIONI 2004
Um corte de uvas bordalesas: Cabernet Sauvignon 68%, Cabernet Franc 12%, Merlot 11% e Malbec 9%. Feito em Santa Catarina, de vinhedos em São Joaquim e Bom retiro, numa das regiões mais frias do país. É um dos nacionais preferidos do Saul Galvão, que lhe concedeu 89 pontos.
Para mim, cor ruby brilhante. Couro, tabaco, café e aquele aroma de cantina. Muito intenso, complexo. Perdeu pontos em qualidade aromática pela falta de equilíbrio entre madeira e fruta.
Corpo médio, interessante, muito correto. Excelente em boca, depois de um tempo chega a apresentar frescor. BU 83,12. VV!87. R$90,00 na Cave del Rey.

MIOLO LOTE 43 2004
Oriundo do Vale do Vinhedos, é um corte meio a meio de Cab. Sauv. e Merlot com as melhores uvas da vinícola. O nome é inspirado no primeiro lote de terras recebida pelo patriarca da família no Brasil. A Miolo considera que usa o conceito de "cru" e que este vinho suporta muitos anos de guarda. 70% descansou em carvalho americano e 30% em carvalho francês.
O site da produtora aconselha decantação de 1 a 3 horas antes de consumir. Foram produzidas 80.000 garrafas.Só é lançado em anos considerados excepcionais. Temos até agora 1999, 2002, 2004 e 2005.
Ruby escuro, brilhante, belo. Aroma muito bom, delicado, baunilha, floral, tabaco e geléia de fruta. Adorei o aroma. Elegante, sedutor, convida a beber. Boca delicada, macia, redonda, mas sem grandes qualidades. Com o tempo aparecem mais frutas e especiarias. Acidez um pouco exagerada. BU 82. WS 78. VV!88. R$80,00 na Cave del Rey.

MONTES ALPHA CABERNET SAUVIGNON 2005
Na verdade um corte de 90% Cab. Sauv. e 10% Merlot que pela legislação chilena pode rotular varietal. Este clássico passa por 12 meses de carvalho francês e foram produzidas 95.000 caixas.
Belo, brilhante. Aroma fantástico! Eucalipto, mentol. Evolui para especiarias e fruta mantendo o frescor. Complexo. Corpo ótimo, boca excelente. Frescor, mentol e taninos vivíssimos. Intenso e fresco. Delicioso. (A WS nomeia esse frescor como sendo grafite). BU 84,50. WS 89. VV!90. R$80,00 na Cave del Rey.

quinta-feira, julho 03, 2008

Miolo Lote 43

Neste mês de junho a Confraria Bacco Ubriaco realizou degustação de vinhos nacionais. Fui o responsável pela #122 e a preparei às cegas. Tomamos Salton Talento 2002, Villa Francioni 2004 e Miolo Lote 43 2004.
Ficarei devendo a postagem, mas faço o serviço de utilidade pública (consequentemente propaganda gratuita) de informar em primeira mão que o melhor vinho nacional da noite voltou a ser formalmente comercializado.
A Miolo está vendendo em seu site www.miolo.com.br o Lote 43 2002 e 2004. O último por R$61,00 e o mais velho por R$53,33 a garrafa.
A política de comercialização é por caixa de 6 e apenas uma por CPF. Se não aproveitar o momento, depois só no câmbio negro. Com direito a desconto, na garrafa da degustação paguei R$80,00.
Não provei o 2002, mas o 2004 eu recomendo!!!

domingo, junho 29, 2008

Desventurados

São muitas as provas em 2008. Rivaliza de perto com 2007 em relação ao alto nível das oportunidades que se têm apresentado. Se não tomei nada equivalente ao Haut-Brion da comemorativa #100 da Bacco Ubriaco, já no final de 2007 sorvi o supertoscano Tignanello (que estou devendo no blog). Em 2008 vieram os top chilenos em várias degustações, alguns lalande-de-pomerol e pessac-léognan representando Bourdeux, o macio espumante Ferrari, borgonha, priorato, portugal, chianti clássico, ... e inúmeros outros vinhos bons. Foram tantos que este post sobre vinhos Desventurados está virando post de Resumo do Melhor de 2008.
Voltando ao ponto, quem lê tudo isso no blog pode até pensar que só bebo vinho de primeira. Não é o caso. Sempre estou procurando bons custo-benefícios nas mais variadas faixas de preço. Nessas aventuras é quase certo que hora ou outra toparei com vinhos ruins tecnicamente e com vinhos que definitivamente não me agradam.
Não dou conta de colocar todos que bebo no blog. Alguns são provados tão informalmente que na ocasião não havia como anotar. Esses dias estava na casa de um amigo que voltou de viagem ao leste europeu. Trouxe na bagagem um vinho de mesa turco, um grego e um Bourdeux Superior (este do free-shop). Aventuras que devido à informalidade da ocasião não virão para o blog, mas que formam também este enófilo.
Dessas aventuras surgem alguns vinhos que, de fato, não gostei. Não são de todo dinheiro perdido. Toda vez que bebo um desventurado desses tenho a sensação de que recalibro meus sentidos e vejo que não me enganam mais.
Vamos aos desventurados que analisei este ano e que ainda não estão no blog (sorte dos outros, daqueles que esqueci, risos):

TERRANOVA SHIRAZ 2006
Tomado em Janeiro foi o primeiro mico do ano. Aparência violácea, porém opaca. Desinteressante de saída. Madeira fechada e excessiva no aroma. Boca desequilibrada, com álcool, acidez e taninos em desarmonia. Não agradou desde o início. A Miolo errou neste 2006 do Vale do São Francisco. Pena, pois o rótulo é belíssimo.VV! 72. R$12,00.

FINCA LA LINDA TEMPRANILLO 2006
Acredite se quiser. Sempre gostei da linha La Linda. Já tomei outras safras deste Tempranillo e me agradaram. Os Malbec e os brancos são ótimos também. Não sei bem o que aconteceu com este 2006. Não estava estragado.
Bom aspecto. Nariz correto com geléia de fruta e sutil floral. Sem muita intensidade. Até aqui tudo bem. Já na boca: desequilibrado, alcaçuz, álcool excessivo. Final apresentando defeitos. Não agradou. Em 2006 a Luigi Bosca errou neste Tempranillo. VV! 77.

ALANDRA Vinho Regional Alentejano
Não foi propriamente um mico, mas como não atingiu 80 pontos está na classe dos vinhos que EVITO (ver classificação na barra à direita). Aroma simples, agradável, bem frutado e adocicado. É um vinho sem taninos, sem estrutura e sem corpo. Muito simples, porém agradável e docinho. VV! 79.

AURORA VARIETAL MERLOT 2005
Provado em fevereiro apresentou pouca cor, translúcido. Frutado, framboesa e animal. Pouco corpo, confirmando aparênca. Ligeiro. 11,8% de álcool. VV! 78. R$17,00.

CALAMARES Vinho Verde
Realmente não gostei deste vinho. Já paguei R$10,00 em verdes melhores. Era tão adstringente que travava a boca. “Micasso”!

Velha Vinífera #2 - Notas de Estudo

Abaixo, notas de estudo para orientar os membros da confraria em sua segunda reunião.

CEPAS
Entre as Vitis Viníferas existem variedades e mutações de uvas que produzem vinhos completamente diferentes.
Cabernet Sauvignon
A pequena casca-grossa. Por ter muita casca e pouca polpa é de baixo rendimento. Faz vinhos austeros, tânicos e com muita cor. Em geral, ruby-violácea na juventude e envelhece para o tijolo. Aromas de cassís nos jovens e cedro nos vinhos evoluídos. Busca-se a harmonia entre fruta, taninos e madeira. Considerada a Rainha da uvas.
Merlot
Uva chave dos grandes vinhos de St-Émilion e do Pomerol. Muito usada nos cortes de toda Bordeaux. Sabor macio e frutado, com cor mais escura. A merlot é colhida bem antes da Cabernet Sauvignon. Na Europa, a primeira em meados de Setembro e a segunda quase um mês depois.


BORDEAUX
Bordeaux é o nome da grande região ao sudoeste francês. Os rios Dordogne e Garonne descem do interior do país em direção ao Atlântico e fundem-se formando o rio Gironde.
A Apellation d’Origine Contrôlée Lalande-de-Pomerol fica ao Norte do Dordogne e é contígua ao Pomerol e a Saint-Émilion. Predominam vinhedos de Merlot, mas se planta em boa escala Cabernet Franc e Cabernet Sauvignon.
A AOC Pessac-Léognan é uma região especial à margem esquerda do Garonne, colada na cidade de Bordeaux. Produzem principalmente Cabernet Sauvignon, Merlot, Cabernet Franc e, em menor quantidade, Malbec e Petit Verdot.

SAFRAS
2000
Uma safra especial. Choveu apenas 1 dia entre o meio de Julho e o meio de Setembro.
Vinhos com suculenta fruta madura, taninos firmes, com muitos apresentando estrutura e profundidade que marcam os melhores vinhos. No Medoc vinhos mais complexos. St Émilion e Pomerol com os mais finos vinhos do ano.
2002
Foi uma colheita menor em quantidade, com vinhos estilosos e bem estruturados, mas que necessitam de tempo em adega. O verão foi mais frio e resultou em chuvas em agosto. Pior para varietais que colhem primeiro: Merlot. Setembro e Outubro foram quentes. Foi a menor colheita desde 1991, mas a tecnologia a salvou. Foi melhor no Médoc que em Pomerol e Saint-Émilion.

Referências:
Bibliográficas:
Larousse do Vinho.
Santos. José Ivan. Vinhos o Essencial.
Rede:
www.bbr.com – Berry Bros & Rudd: Venda de Vinhos na rede.
www.lalande-pomerol.com – Página da AOC Lalande-de-Pomerol.
www.dourthe.com – Dourthe: produtor do La Garde.
http://www.montviel.com– Montviel: produtor La Gravière.
www.winespectator.com – Revista Wine Spectator: avaliações de vinhos e artigos.

Velha Vinífera #2 - 14/06/2008 - Cab. Sauv. e Merlot

A Velha Vinífera reuniu-se desta vez com 14 confrades e confreiras para estudar um pouco mais sobre o mundo do vinho. Degustação interessante, onde o confronto da América do Sul com franceses foi a marca do evento. Não objetivamos rankear porque os vinhos daqui eram mais baratos. O fundamental era provocar os membros com uma nova experiência de vinhos franceses, pois costumamos beber mais os doces vinhos do novo mundo do que os clássicos complexos de além-mar.

CHATEAU LA GRAVIERE 2000
Apellation d´Origine Contrôlée Lalande-de-Pomerol
Nesta AOC predominam os vinhedos de Merlot, como neste vinho. Um pouco mais escuro, bem brilhante, com suave alo. Madeira delicada, baunilha muito bem integrada. Boca agradável, final fantástico. Este Merlot francês é finíssimo. Taninos redondos e macios. Para mim o melhor da noite. WS 87.
Os aromas mais citados pelo grupo foram baunilha, café e ameixa.

CHATEAU LA GARDE 2002
AOC Pessac-Léognan
Aqui há mais vinhedos de Cabernet Sauvignon (neste vinho próximo dos 45%). Mais claro que o primeiro, ruby com alo degradê. Aroma intenso, alguma mineralidade e flores. Com o tempo o vinho evolui e passa a oferecer tabaco e agradável pimentão. Ainda tem algum tanino como era de se esperar da presença de Cabernet Sauvignon, mas são frescos e bem amalgamados no conjunto. O mais elegante da noite. WS 89.
Os aromas mais citados pelo grupo foram rosas, defumado, especiarias e café.

COCODRILO 2004
Cabernet Sauvignon da linha básica da Cobos, na Argentina. Os rótulos são belíssimos fazendo referência a animais que representam o estilo dos vinhos. Esse Crocodilo lembra a casca grossa da Cab Sauv e a força da acidez e do tanino da uva. Aroma intenso, ataca o nariz, lembrou algo químico e cassis. Para mim o mais simples. WS 87.
Foi o vinho polêmico da noite. Alguns definitivamente não gostaram e para outros estava interessante. Entre os descritores encontrados: canela, baunilha, azeitona, especiarias e acetona.

SANTA RITA RESERVA MERLOT 2006
Este chileno tem aroma de pimenta preta. Provocativo, convida a beber. Herbáceo, agradou muito. Boca suave, adequada, algum tanino, porém delicado. Entre os dois sul-americanos preferi este. (Safra 2005 WS 87 e Safra 2004 WS 83)
A maioria gostou do vinho, mas alguns sentiram certo incômodo com o herbáceo. Foram citados couro, pimenta e doce, rumando para goiabada.

domingo, junho 15, 2008

Velha Vinífera

Foi com muito prazer e muito vinho que iniciamos nova Confraria em Curitiba:
A VELHA VINÍFERA.
Tenho a honra de coordenar o grupo formado em sua maioria por médicos e médicas que propõem-se a quinzenalmente estudar o fascinante mundo do vinho e passar momentos agradáveis provando o líquido de Bacco.
O vinho sempre traz alegria, estreita laços e constrói boas amizades. Assim esperamos que seja também com o novo grupo de degustadores.
Que a Velha Vinífera tenha longa vida!


Neste primeiro encontro apresentamos a parreira, a uva e o vinho. Abordamos aspectos da relação entre vinho e saúde e discutimos as sensações visuais, olfativas e gustativas.

Fomos muito bem recebidos na Vino! Batel no dia 31/05/2008 e fico particularmente feliz por este espaço da Comendador Araújo estar aberto para estimular o surgimento de novas confrarias e fomentar a formação de novos degustadores.
Neste primeiro encontro os confrades e as confreiras puderam provar diferentes estilos de vinificar. Um estímulo ao despertar sensorial que a degustação proporciona.

CAVE GEISSE BRUT Expedição 2005
Apresentou cor palha, bolhas adequadas e finas. Aroma de fermento, pêssego em calda. Possui boca macia e cremosa, porém apresenta também alguma adstringência. A confraria encontrou também aromas de carambola, casca de araçá e alguma citricidade. 12,5% de álcool. R$44,00.

LAURA HARTWIG CHARDONNAY 2005
Claríssimo, traslúcido, com algum brilho verdeal. Boca ácida, equilibrada. Adocidado, mel, lácteo e floral. A confraria encontrou também manteiga, canela, maresia, maçã e banana seca. 14% de álcool. R$82,50.

CHOCALÁN 2003
Este corte chileno de Cabernet Sauvignon, Merlot e Malbec apresentou aspecto denso, que os confrades compararam ao sangue venoso. Pequeno alo aqüoso. Aroma intenso, químico, pimentão verde e frutas vermelhas. Com o tempo evolui mais para a baunilha. Boca delicada, evoluída, gostosa. Boa acidez e complexidade. A confraria percebeu favo de mel, uvas passas, rosas, cravo, animal, fumaça doce e temperos como tomilho, pimenta e cominho. 13,5% de álcool. R$85,00.

BURMESTER JOCKEY CLUB PORTO RESERVA
Cor ambar escura e brilhante com alo gradativo. Aroma alcoólico, amêndoas, frutas maduras, químico. Boca adocicada, intensa e bem agressiva no álcool. É um porto de estilo forte. A confraria percebeu no palato calda de pudim, côco queimado e doce de cidra. No aroma, caramelo, tâmara, damasco, figos e passas em calda, tabaco e, curiosamente, aroma de igreja! 20% de álcool. R$56,00.

domingo, janeiro 27, 2008

Beyerskloof Synergy 2002 – Cape Blend

29/12/2007. Para quem está acostumado com a América do Sul é fantástico provar vinhos sul-africanos. Este veio de Stellenbosch. É um corte do cabo (cape blend) e, para isso, deve apresentar pelo menos 20% de Pinotage e 25% de Cabernet Sauvignon. No caso do Beyerskloof Synergy são 38% de Pinotage, 34% de Cabernet Sauvignon e 28% de Merlot.
Degustei o vinho em duas ocasiões distintas no fim de 2007 e esteve exuberante nas duas vezes. Cor densa, vermelho mais para o atijolado. Complexo, parece ter passado bom tempo em madeira francesa de primeiro uso: pimentão verde, oliva, animal molhado, pimenta, alcatrão. Pico de aroma com químico, framboesa e café. Intenso: uma explosão de aromas no nariz. Boca cheia com taninos doces que atacam, ótimos corpo e acidez. Após cinco anos está no ponto. Merece uns 40 minutos para abrir, portanto recomendo decantar. 14% de álcool. Nota Viva o Vinho! 90, Wine Spectator 84, Bacco Ubriaco 90,11. R$65,70.

domingo, setembro 09, 2007

PARABÉNS BACCOUBRIACO - 100 Degustações

Retomando os acontecimentos marcantes de 2007 que ficaram fora do blog, parabenizamos a BaccoUbriaco por ter realizado em grande estilo sua centésima degustação em nove de julho na Vino!Batel, naquele mesmo endereço na Comendador Araújo de quando se iniciou a confraria na, então, Expand.
O evento extraordinário foi incrível. Foram bebidos vinhos franceses absurdos. Todos ícones de mais de 92 pontos na Wine Spectator ou no Robert Parker. Como era noite comemorativa não fizemos nossas avaliações técnicas, ficando apenas nas anotações subjetivas. Verdadeiro desfile de 7 vinhos de primeira. As anotações, inclusive, foram mais vagas que o comum, em função do clima festivo.
*Pode haver algum nome não muito preciso, em função das anotações alcoolizadas, hehehehe.

PAUL ROGER VINTAGE 1998
É Champagne, claro. 70%Chardonnay 30% Pinot Noir. Pérlage delicada e constante. Bem clarinha. Aroma muito intenso e complexo. Macia e suave. Muita amêndoa, mineral e boa acidez. 12% de álcool. R$234,22. WS 94.

ROTEMBERG PREMIER CRUS 2002 Jean Michel Davis
Alsacia. 65%Riesling 35%Pinot Gris. Amarelo intenso, límpido e brilhante. Aroma intensíssimo. Elegante e untuoso. Complexo, com várias faces: frutado, sulfuroso, mineral, tuti-fruti, goiaba, etc . Jean Michel Davis é um defensor do conceito de terroir e aplica biodinâmica em seus vinhedos. 14% de álcool. R$195,02. RP 94 WS 93.

CLOS DE SAINT CATHERINE 2001 Domaine Baumarol
Chenin Blanc do Loire. Dourado. Aromas frutados de manga, milho e carambola. Boca dulcíssima, mel, néctar. Potência no aroma, permanência na boca. Algum mineral no palato. Parecia um vinho de sobremesa sem ser. Incrível a maturação dessas Chenin Blanc. Tudo isso com apenas 12,5% de álcool. R$130,83. RP 93 WS 96.

ECHEZEAUX GRAND CRUS 2001 Joseph Drouhin
Pinot Noir. Borgonha. Intensíssimo, carvalho maravilhoso. Pimentão verde, oliva, morango, azedinho-doce. Taninos densos, veludo. Final de chocolate. Cor já opaca. 13% de álcool. R$371,00. RP94 WS92.

LA SIZERANNE 2003 M. Chapoulier
Hermitage (Shiraz). Violáceo, pouco alo, ainda novo. Aroma fechado, herbáceo. Boca ainda tânica, macia, figo. 14,5% de álcool. R$130,00. RP96 WS94.

ALAIN GRAILLOT 2003
Crozes-hermitage (Grenache). Violeta bem escuro, tintura. Mineral. Pimentão, frutas. Taninos abertos, vivos e ácido na boca. Muito jovem ainda, muitos taninos, merece envelhecer mais. 14% de álcool. R$210,00. RP93 WS95.

CHÂTEAU HAUT-BRION 1996
Grande estrela da noite!!!
Péssac-Leognan. 55%Cabernet Sauvignon 25%Merlot 20% Cabernet Franc.
Ruby acastanhado, com alo de envelhecimento. Aroma intenso, vivo, flores, frutas, madeira, complexo. Taninos ainda vivíssimos. Boca cheia, mineral e viva.ÚNICO. R$1800,00. RP 98!!!

Brindes à confraria, aos amigos e ao vinho.



ROSÉS

Em visita ao Boulevard Loja e Restaurante, na voluntários da pátria, fomos muito bem recebidos pelo proprietário Carlos Feliz e pelo Diogo. Aproveitamos a oportunidade para iniciar a pesquisa de Gewurztraminer, tema de minha degustação na confraria BaccoUbriaco em outubro.
Entre algumas dúvidas sobre qual vinho comprar, acabamos aceitando a sugestão do Carlos de levar o Rosé Terra Amata 2006 do Domaine Sorin, pertencente à Apellation Côtes de Provence Contrôlée.
Está fazendo um calorzinho em Curitiba neste feriado e não resistimos em tomar naquela mesma noite o vinho. Fomos, então, às compras e preparamos patês e queijos para acompanhar.
Diante da inexperiência total em vinho rosé, adquirimos também o Aurora Varietal Merlot Rosé 2006 para balizar o francês e servir de introdução. Estávamos em 5 pessoas e duas garrafas servem muito bem.

AURORA VARIETAL MERLOT ROSÉ 2006

TERRA AMATA 2006 DOMAINE SORIN

A cor do Terra Amata lembrou um salmão suave, já o Aurora tinha uma tonalidade mais forte. Nos aromas do Aurora percebemos maçã e sutis frutas vermelhas. O nariz deste já prenunciava uma boca meio desequilibrada de álcool e com algum tanino. Tinha algum amargor final também. O Terra Amata apresentou pêssego, frutas e algum cítrico, algo para ameixa amarela e abacaxi. Com boca bem mais delicada que o Aurora, notamos ainda citricidade e boa permanência, com muito estímulo.
Foi uma experiência engraçada provar rosés e foi muito útil ter comprado um nacional bem mais barato para sentirmos a diferença entre ele e o francês. Ganhou um caráter didático.
Os aromas deles lembram mais vinhos brancos, mas a boca é copletamente diferente. Para quem toma muito branco, parece que tem um taninozinho que não devia estar ali. (Ou devia, afinal não é um branco, é um rosé, risos.)
O patê de camarão foi o que mais harmonizou, especialmente com o francês. Percebemos, portanto, que é um estilo de vinho delicado, que combina bem com aperitivos e frutos do mar em tardes de verão.
Custo:
Aurora Varietal Merlot Rosés 2006 R$14,00 no Mercadorama Seminário
Terra Amarta 2006 Domaine Sorin Côtes de Provence R$ 46,00 no Boulevard
Nota: Melhor não pontuar devido à total inexperiência. Popor à confraria BaccoUbriaco degustação sobre o assunto em Janeiro de 2008.
Referências:
Ver página da Vinho Magazine sobre vinho rosé.
Ou rápida entrevista com Gianni Tartari da Fasano.

sexta-feira, janeiro 05, 2007

2007 de Muitos Vinhos

Talvez seja maldição da Sidra!!! O Rafael já pediu a postagem das duas que estouramos no ano-novo.
No Rio nem me preocupei com vinho. Passeamos muito, revi grandes amigos cariocas e de toda parte do Brasil e fomos muito bem recebidos por nossos anfitriões do paraná em terras fluminenses.
Quando cheguei em Copacabana para a virada de ano já eram 23:15 e nem pensei em bebida. Estava achando muito tomar no bico ou em copinho de plástico qualquer espumante decente.
Foi quando deu uma louca em mim e no Rafa e compramos por cincão num camelô duas cidras geladas que vieram somar-se com mais uma que já estava na área. Quando do ano-novo, até estouramos com direito a espuma jorrando e tudo. Que beleza!
Os VIPs de Copa e de Ipanema até que detonam bons líquidos em plena rua. Testemunhei garrafas de Veuve Cliquot, Taittinger, Moet & Chandon e Paul Roger.
Quanto aos aromas e sabores dos líquidos, não publicarei porque as garrafas já se encontravam sem rótulo quando às compramos, risos!

Sem contar as ditas, o ano começou muito intenso. No quinto dia de 2007 já tomei seis rótulos. Infelizmente muitos não passaram de razoáveis, algum até bom, porém não há destaques. Nenhuma garrafa de ajoelhar e rezar.
Deve ser a maldição daquelas sidras. Tristemente, terei de abrir um bom vinho conhecido e seguro para dar início às provas de vinho que marcarão 2007.

Aproveito para postar rapidamente os seis já provados para não deixar que passem em branco.

Chateau Luxeuil 2003
Tomei este francês que havia ganho de presente dia 02/01 em casa. Ficara tempo demais na geladeira e pela primeira vez usei o termômetro para aguardar que chegasse a temperaturas melhores.
Ele é um Bordeaux Côtes de Francs. A região fica ao norte do rio Dordogne, afastada de sua margem direira pela região de Côtes de Castillon. Estando 10 km a leste de Saint-Emilion, nem se compara ao Cap de Mourlin já provado por este enobloguista. (mapa)
A cor não me impressionou. Não tinha brilho, era apenas ruby básico. O aroma não era intenso nem tinha grande destaque. Baunilha básica, frutas vermelhas e algum herbáceo. A boca também deixou a desejar, com amargor. 13% de álcool.
O vinho não é tão terrível quanto parece a descrição. O problema é o preço: vinhos na faixa de R$40,00 devem ser de regiões com melhor custo-benefício. Em rápida pesquisa descobri que na Europa sai por três euros. Lá, preço justo.

José de Sousa Mayor 1999
Bem recebidos em casa de amigos tomamos 4 garrafas ontem. Abrimos a noite com Chandon Brut, que manteve sua consistência de alguns anos e estava agradável. Depois tomamos o Quara, um cabernet sauvignon argentino bem desequilibrado que não faria 80 pontos. Teve quem gostou.
Em seguida um Duetto Cabernet Sauvignon - Merlot 2003 da Casa Valduga que levei e não me agradou também. Madeira exagerada e de pouca qualidade a dominar e estragar tudo. Na boca a madeira continua incomodando, acidez e taninos pra lá de estranhos. Menos de 80 pontos. Por R$23,50 é um absurdo! Decepção com a Valduga que faz vinhos bem mais corretos na linha varietal.
Enfim chegou o José de Sousa Mayor, um alentejano feito de maneira diferenciada: pisado em lagares de granito e descansado em ânforas de barro.
O vinho tem boa cor. O aroma é bem equilibrado entre a baunilha e as frutas. A boca é agradável e tem tâninos que ainda podem evoluir, mesmo tendo oito anos. Bem limpa, com menos intensidade aromática no palato, puxando ao mineral. Final tranquilo e de persistência boa, sem amargor. Não chega a elevar às alturas, mas ficaria com uns 85.

Pulenta Estate 2002 Merlot II
Este Merlot de Mendoza decepcionou desde a abertura até este final que estou degustando agora. Sacada a rolha e constatado que o vinho não abria foi para o decanter. Começamos a tomá-lo mesmo com 20 minutos de decanter e nada de abrir. Cor bem escura, prometendo um vinho mais concentrado e elegante. Aromas fechados (que não abriram nunca) de ameixa e chocolate. Na boca tâninos rascantes e excesso de álcool que o aroma já prenunciava. Desequilibrado. Realmente não dava para esperar demais de um merlot argentino. Talvez agrade algum parkeriano; para mim não serve.
14,9% de álcool! Preço desconhecido. Quem sabe 82 pontos.

Neste início de 2007, boa é a leitura do livro "O Julgamento de Paris" sobre a degustação de 1976, que marcou o reconhecimento de novas tecnologias na vinicultura e deu impulso à produção de vinhos melhores no novo mundo.
É interessante ler sobre a paixão dos produtores e as histórias que marcaram a busca pela qualidade nos vinhos na califórnia. Agradeço ao Laércio pelos sempre certeiros presentes literários de natal.

domingo, setembro 24, 2006

Mais vinhos de R$15,00

Feriadão em Curitiba e, como eu, muitos amigos ficaram na cidade por um motivo ou outro. Gosto da cidade vazia no feríado. Sempre gostei.
Nada como ter os amigos por perto nesses dias, dispostos a tomar uns vinhos e cozinhar.
Fizemos um tagliarine aqui em casa e mandamos ver em quatro garrafas. Darei aqui rápidas opiniões dos vinhos tomados:

SALTON CLASSIC MERLOT
O Cabernet Sauvignon já degustado neste blog (I Degustação Viva o Vinho!) é muito melhor que o Merlot. Sem corpo e qualquer tipicidade.

MORANDÉ PIONERO MERLOT
Quando é tinto do Chile, costumo pedir Merlot. Não sou fanático por Carmenère como muitos. Este decepcionou e ficou no mesmo nível do Salton. Não recomendo. Ambos para menos de 80 pontos.

ETCHART PRIVADO CABERNET SAUVIGNON
O Etchart tem sido escolha certeira já há alguns anos. Conheci no excelente e intimista restaurante Ponte Vecchio. Naquela ocasião acompanhou bem massa e molho com tempero mais forte.
Um argentino de Salta que surpreende pela personalidade na faixa de preço. Especiaria marcante e boca intensa, com taninos um pouco selvagens. Pena que há uns 2 ou 3 anos mudaram o rótulo, achava lindo o anterior.
Este é para, quem sabe, emplacar 84 pontos.

PANIZZON CABERNET SAUVIGNON
Naquele dia não estava estragado, mas provado depois do Etchart desapareceu.

Foi bom tomar uvas diferentes e de 3 países em sequência. Fica o questionamento se os nacionais podem acompanhar e bater os argentinos de mesmo preço. Talvez não dê para competir nestes termos e o certo seja entender qual a personalidade do vinho nacional, para bebê-lo como deve ser bebido.
Teremos de continuar na "terrível" tarefa de provar mais e mais para chegar a uma conclusão.

Artero 2002 Crianza Merlot - Tempranillo

Para quem disse não entender muito de vinho, que tinha feito um cursinho na ABS-RJ, mas já fazia muito tempo e tal, a Paola está manjando muito. Na hora engoli o seu discurso, só que você não me engana mais não. Na próxima vez que for ao Rio vamos marcar de tomar algo; sem dúvida!
Ela tem razão, o Rafa sempre foi fera nas tiradas de fino humor. Se ele topar, será contratado com o cargo de "ombudsman". Já escolhi o termo arrumando a bola para a próxima enopiada.
Viva o Vinho já fez um mês de vida e me surpreendi com a quantidade de visitas. Realmente o vinho é um assunto muito procurado na rede. Muita gente vem do google direto para o enoblog. Muitos amigos e amigas já deram suas espiadinhas e também estou divulgando pessoalmente. Que cresça e apareça.
Um brinde a todos e vamos ao vinho:

Artero 2002 Crianza Merlot - Tempranillo
Cheguei em casa ontem e o povo já estava com uma garrafa aberta. Era um Panizzon que havia sido desarrolhado a uns 20 minutos e estavam dando os primeiros goles. Todos de cara feia, mas cheguei para por pá de cal: "Está estragado". Aroma estranho, horrível na boca. Infelizmente ninguém guardou a nota para ir trocar no Mercadorama do Seminário, que aliás tem alto índice de vinho estragado aqui em casa. Ainda bem que este era dos baratos.
Para tirar a impressão ruim Regina foi buscar um vinho melhor e mais garantido. O Artero revelou-se um típico espanhol com cor escura e muita madeira. Abrimos e fomos tomando imediatamente, porém o vinho estava fechado.
No início, aromas de pimentão, oliva e chocolate. Na boca corpo médio e alguns taninos. Final longo, mas eu ainda estava procurando alguma coisa de Merlot que não encontrava.
Para abrir mais rápido, passamos o líquido para o decanter e, já com uns 30 minutos aberto e com maior contato com o ar, melhorou muito. Juntaram-se especiarias aos aromas e a boca ficou muito mais agradável, com frescor que lembrou mentol.
Senti falta da fruta, ofuscada pela madeira. Para quem gosta do estilo é uma boa pedida, todavia eu sempre procuro mais equilibrio entre fruta e madeira.
14,5% de Álcool. R$32,00 no Boulevard.
Acredito que pontuaria 86 ou 87.

quarta-feira, agosto 30, 2006

Santa Carolina Reserva 2000

Dando continuidade à série de R$15,00 abrimos este para tomar com sopas da Pamphylia entregues em casa. Gosto muito da Eslava, mas a de Frango com Milho ontem também estava ótima.
Muito estranho encontrar em supermercado um vinho 2000 nesta faixa de preço. Se estivesse junto no momento da compra, impediria. Já que está aí, vamos tomar.
Este é o corte da Santa Carolina com 70% Cabernet Sauvignon e 30% Merlot.
Ataques de álcool mal resolvido no nariz e na boca. Em meio aos excessos, encotrei ameixas secas em calda. O vinho não estava estragado, mas não é um vinho para envelhecimento, o tempo não lhe ajudou em nada. Nenhuma nota de evolução digna de comentário.
Havia muita borra no fundo, impedindo o consumo do final da garrafa.
Preço: na casa dos R$15,00 no Festval.
Aliás, não posso deixar de dizer que considero sacanagem o mercado colocar um vinho tão idoso para vender. Pode ser erro do setor de compras do mercado, mas me cheira mais ao famoso Bom para Otário rolando solto.
Sabemos que para envelhecer o vinho necessita de uma estrutura incomum abaixo dos R$30,00 (40, 50, ...).