quinta-feira, agosto 10, 2006

Vinho em Família - 05/08/2006

O time estava todo reunido para o almoço de sábado, comemorando a vinda do Rafael pela primeira vez em Curitiba após sua mudança a trabalho.
Além do Lutero, partícipe da compra do Cap de Mourlin Gran Crus Classé 1998 em Saint-Emilion, estava o Laurence e o povo todo de casa. Como o evento era grande havia a necessidade de mais um vinho e sacamos da "adega" o Humberto Canale Pinot Noir Patagonia 2002 para fechar o circuito. Ser Pinot era bom, pois se trata de uma uva mais delicada, porém vindo da Patagonia coloca alguma dúvida porque esses vinhos de regiões alternativas costumam ser um pouco diferentes.
Recomendei massa com molho bolonhesa para acompanhar o Cap de Mourlin tendo em vista as uvas de sua composição (conforme post anterior com a pesquisa do vinho). Regina e Laércio compraram lazanha verde com molho bolonhesa e rondeli com molho de nozes num bom restaurante que oferece as massas para consumir em casa.
Vamos às impressões:

HUMBERTO CANALE PINOT NOIR PATAGONIA 2002
Abrimos uma hora antes do consumo. Teria sido uns 45 minutos, mas o dia era de muito calor e deixei uma taça, que havia tirado, na porta da geladeira. Foi só abrir... o acidente dá para imaginar.
A cor era típica atijolada da Pinot Noir, mas estava um tom acima de violeta do que estou acostumado, provavelmente uma característica da patagonia. Vale lembrar que esta região é a mais austral da América do Sul (english reference), estando influenciada pelas correntes antarcticas.
Tratando de Humberto Canale, fineza e complexidade eram esperadas, mas surpreendeu o equilibrio dos 14,5% de álcool. Esperava, também, excessos de madeira, contudo o chocolate estava muito bem casado com as frutas vermelhas, de onde destaquei a groselha.
O ataque alcoólico na boca não dava aquele calor dos vinhos mais ou menos, mas sim uma sensação refrescante. Algum excesso no retrogosto.
Enfim, uma boa compra para um Pinot Noir excêntrico.

CHATEAU CAP DE MOURLIN 1998
Permaneceu uma hora aberto em garrafa e mais uma hora em decantação. Optamos por decantá-lo não pela possibilidade de fragmentos, mas para abrir melhor os aromas e sabores desse vinho de 8 anos.
Ele mudou durante o consumo, o que foi muito interessante. Levantamos a hipótese de que o corte de Merlot, Cabernet Franc e Sauvignon levou a uma transição entre a predominância da Merlot no início para a Cabernet Sauvignon no final. Pode ser só uma viagem minha e do Laércio, porém se alguém já teve essa sensação seria ótimo que nos comunicasse, pois não podemos confirmar a tese (só litrando muito Gran Crus Classé).
O que permaneceu foi a característica seca da Cabernet Franc. No início, havia o aveludado da Merlot e, no fim, especiarias e mais frescor da Sauvignon. Aromas de frutas vermelhas, para variar, e claramente baunilha muito delicada no aroma. Retrogosto sem qualquer amargor e excelente permanência.
Complexo, deixou vontade de tomar muito mais França no futuro próximo.
Concluí que seria maravilhoso com um fillet mignon suculento. Dá água na boca só de imaginar!
Esqueçam a nota do Parker (84), ele é pelo menos 86 ou 87.

Um comentário:

Anadri disse...

Grata pelo comentário em meu blog! Vc é um rapaz inteligente e aprecio isso. Muito oportuna sua observação ao dizer que 'alguém', num comentário, me viu 'perdida'. rs. Realmente, não estou perdida, e na verdade nunca estive.
Não se entende uma história de vida escrita num livro lendo apenas uma página dele.
Obrigada pelo carinho!
Também voltarei aqui para aprender sobre vinhos, quem sabe eu venha um dia a apreciá-los.
beijo