segunda-feira, setembro 04, 2006

Bohemia Confraria

A vida urbana turbulenta, agitada, corrida, ..., faz com que deixemos de prestar atenção a detalhes e de contemplar o que "passa" por nós.
Quando nos dedicamos ao vinho, começamos a ter este momento de intimidade com a bebida. De percebê-la mais, de parar um instante e concentrarmo-nos apenas naquela taça a nossa frente e ao líquido dentro dela. Melhor ainda quando temos boa companhia para dialogar e compartilhar esse momento de reencontro.
É o encontro com a natureza, tanto a da bebida quanto a própria natureza humana. O olfato - só lembrado quando passamos ao lado de um esgoto ou algo do gênero - é exigido. O paladar - maltratado pelos empacotados, enlatados e industrializados - é convocado também. Redescobrimos que na boca tem tato e até mesmo a conexão olfato-paladar acontece no retrogosto.
Quando essa redescoberta dos sentidos se processa, vivenciamos de forma diferenciada até mesmo o que outrora era trivial.
Comigo não foi diferente. Lentamente, a quantidade vai dando lugar à qualidade. Particularmente verdadeiro ao abandonar as cervejadas para crescer também no paladar deste fermentado de cereais.
Abro, portanto, espaço neste enoblog para escrever sobre esta bebida muitas vezes ignorada pelo conceito formado com as pílsen genéricas. Provei, na semana que passou, a Bohemia Confraria edição limitada. Provaremos amanhã boa parte da linha Eisenbahn no Bar da Vila, representante da excelente fábrica catarinense em Curitiba. Demais experiências virão e abrirão um pequeno espaço para as cervas por aqui, enriquecendo o acervo "enobloguístico".
Só não postarei quando a bebida for consumida em condições de serviço e embriaguês não adequadas para manter a ética, risos. Vamos ao líquido já provado:

BOHEMIA CONFRARIA EDIÇÃO LIMITADA
Fui surpreendido com uma garrafa 550ml desta cerveja de presente. Boa surpresa, pois a bohemia já faz uma das melhores pílsen industrias do país e uma boa de trigo não filtrada. Suas novidades geralmente agradam.
A garrafa é de terrível mal gosto. Para começar, pintada branca escondendo o líquido em seu interior completamente, tomando do consumidor um dos prazeres visuais que é ver a bebida, ainda que dentro da garrafa. Pequenos risquinhos na cor "caramelo" já prenunciam o conteúdo, muito óbvio.
Servida, é límpida,indicando filtragem. A cor é mais escura que o âmbar típico das pilsens (o fabricante sugere dourado). Aroma e paladar mostram exatamente o que é a cerveja: CARAMELO.
De imediato, lembrou-me a cara, porém maravilhosa, Leffe Blond feita em monastério belga. De memória, posso dizer que a Leffe é mais delicada e complexa, apresentando outros aromas a somar com o caramelado.
Se de um lado não se equipara à original belga, por outro lembra, rememora aquele docinho maravilhoso de bala toffee de caramelo da Leffe.
Para quem só toma pílsen é uma boa introdução ao resto do infinito mundo das cervejas, pois o docinho facilita. Quem já está um pouco mais acostumado com diferentes níveis de torrefação irá estranhar a recomendação de "cerveja forte" no rótulo. Todos, contudo, devem provar essa cerveja. Ela não é o suprasumo das fermentadas, mas uma ou duas vão muito bem.

PS: Vale a visita ao site da Bohemia linkado neste blog. Foi o melhor site de bebida que já visitei (exige flash). Melhor do que qualquer um de vinho.
Lá, fazem referência clara à conexão entre Bohemia Confraria e Abadias Belgas.

7 comentários:

Anônimo disse...

Laércio disse:
Este post é poesia pura.
Parabéns.
Vamos provar tudo isso hoje a noite.
Até lá.

Anônimo disse...

que merda de post.......um jacú metido a enólogo que fica repetindo lugares comuns.......lamentável

Leonardo De Araujo disse...

Bom, todo mundo tem direito à opinião. Parabéns pela coragem de dizer o que pensa sem se identificar.
Detalhe: defino-me como enófilo e não enólogo. Não me posso comparar a esses profissionais que vivem fazendo vinhos para nós.

Claudinei disse...

Ola Leonardo, sou bebedor de Bohemia Confraria, e lendo seu post, fiquei muito curioso pra experimentar a Leffe. Um dia eu o farei.

Abraço.

Rafael disse...

Sou leigo em experimentar cervejas, comprei 2 garrafas da Confraria para mandar as tampinhas a uma amiga que esta na Alemanha, mas confesso que esta sendo mto interessante tomar a cerveja e observar a arte do que escreveu. Tenho que parabeniza-lo por sua sensibilidade, e pedir que nao de ouvidos aos comentarios de criticas negativas! Abraços!!!

Anônimo disse...

Olá ... entrei no seu blog no momento em que aprecio uma BOHEMIA - Confraria e discordo de uma coisa ... estou de formando em DESIGN e não acho q a garrafa seja de extremo mal gosto, por esconder o liquido. Talvez por ser um líquido mais nobre e diferente, a graça de tudo está exatamente na curiosidade das pessoas que nunca apreciaram, explorarem novos paladares. Blza

Abraço

Leandro Alexandre disse...

post mt bem escrito! parabéns