Os amigos da Confraria Brasileira de Enoblogs pediram-me gentilmente para sugerir um tema. Eles são de um cavalheirismo sem igual.
Antes que chegue o inverno, rapidamente optei por vinho branco de sobremesa, pois deve ser bebido gelado na maioria dos casos.
O Santa Julia tem cor amarela fosca, levemente dourada. Aromas florais, frutados e abaunilhados de qualidade e intensidade médias. A boca não apresenta amargores, comuns em vinhos de sobremesa ruins, porém é extremamente doce e untuosa, ficando devendo acidez para equilibrar o conjunto. A cada gole, a sensação de que o vinho é doce demais e será impossível tomar mais uma taça. Enjoativo.
Méritos para a ausência de amargor, mas a acidez é fator fundamental para que o vinho de sobremesa possa estar um passo acima em termos de qualidade. 9,5% de álcool. R$50,00 em garrafa de 500ml na Bergut Niterói. VV! apenas 82.
A vinícola argentina Zuccardi faz outros vinhos maravilhosos. Os tempranillos em qualquer faixa de preço são excepcionais. Clicando no texto, poderá ver o motivo no site da vinícola: inovação. Recentemente, provei o Reserva Tempranillo e estava fantástico para os R$40,00 pagos na Bergut. Desde o Tempranillo/Malbec da linha Fuzion, passando pelo Reserva e indo ao Zuccardi Q. Infelizmente, o Tardío deles não está à altura.
quarta-feira, junho 01, 2011
quinta-feira, maio 19, 2011
Degustação Niterói - África do Sul - 26/04/2011
Com Cristo Redentor e Pão de Açúcar como cenário, realizamos a segunda reunião de nossa nova confraria às margens da Baía de Guanabara, no agradabilíssimo espaço "palavrinha" no Iate Clube Brasileiro. O clima chuvoso pregou-nos uma pequena peça, mas não conseguiu atrapalhar a degustação.
Aprendi que no Rio de Janeiro, mesmo em raros dias chuvosos, é necessário dar uma resfriada no vinho. Tínhamos termómetro imersível à disposição e constatamos temperatura da bebida na casa dos 24ºC, o que o deixava quase uma sopa.
Testamos a ficha de degustação da ABS-Rio, mas vivenciei a mesma situação da ficha "italiana" do Sousa Neto. Os descontos de pontos sugeridos na ficha são elevados e distorcem a nota final. Minha adaptação para ambas fichas é criar faixas de pontos menores. (Para mais detalhes sobre fichas e métodos ver Classificação de 100 pontos.)
VINHOS
La Capra Pinotage 2008
Ruby com toque violáceo. Agradável com muita fruta e bem adocicado, com um toque de violeta e boa persistência aromática. Boca com permanência média, levemente mineral. Apresenta taninos secos, mas sem incomodo. Pinotage é a uva criada na África do Sul pelo cruzamento da Pinot Noir com a Cinsault (Hermitage). Ainda que emblemática pela exclusividade, não chega a ter vasta área plantada, apenas 5 a 6%. O La Capra, todavia, foi uma surpresa positiva. R$49,00 na Bergut Niteroi. VV! 86.
Music Blend by D´Ária 2008
Cor Ruby com tom um pouco mais escuro. Aromas intensos da gama animal, incluindo toques de pimenta branca e figo seco. Já no olfato mostra-se vinho peculiar. No paladar é equilibrado e tem boa acidez. Todas as vezes em que provei este vinho foi acompanhado de confrades e ele, sem excessão, tem causado furor. A intensidade dos aromas animais causa impacto imediato e a facilidade em beber facilitam a vida do consumidor.
R$46,00 VV!87. Berenguer Imports.
Blue Grove Hill Merlot/Cabernet 2009
57% Melot, 39% Cab Sauvignon, 4% Cab Franc.
Ruby clássico. Aramo muito fino, intenso e permanente. Explosão de especiárias, lembrando tomilho. Há uma sensação de frescor agradável. A vinificação em tóneis de carvalho Taransaud e o armazenamento em barricas desta tanoaria fizeram toda diferença.
Boca macia, elegante, permanente. Vinho para passar horas curtindo o aroma e apreciando o delicado palato. Harmônico, final longo. Tudo que eu espero de um vinho na faixa de preço. R$96,00. RP 89. VV!91.
Berenguer Imports.
Aprendi que no Rio de Janeiro, mesmo em raros dias chuvosos, é necessário dar uma resfriada no vinho. Tínhamos termómetro imersível à disposição e constatamos temperatura da bebida na casa dos 24ºC, o que o deixava quase uma sopa.
Testamos a ficha de degustação da ABS-Rio, mas vivenciei a mesma situação da ficha "italiana" do Sousa Neto. Os descontos de pontos sugeridos na ficha são elevados e distorcem a nota final. Minha adaptação para ambas fichas é criar faixas de pontos menores. (Para mais detalhes sobre fichas e métodos ver Classificação de 100 pontos.)
VINHOS
La Capra Pinotage 2008
Ruby com toque violáceo. Agradável com muita fruta e bem adocicado, com um toque de violeta e boa persistência aromática. Boca com permanência média, levemente mineral. Apresenta taninos secos, mas sem incomodo. Pinotage é a uva criada na África do Sul pelo cruzamento da Pinot Noir com a Cinsault (Hermitage). Ainda que emblemática pela exclusividade, não chega a ter vasta área plantada, apenas 5 a 6%. O La Capra, todavia, foi uma surpresa positiva. R$49,00 na Bergut Niteroi. VV! 86.
Music Blend by D´Ária 2008
Cor Ruby com tom um pouco mais escuro. Aromas intensos da gama animal, incluindo toques de pimenta branca e figo seco. Já no olfato mostra-se vinho peculiar. No paladar é equilibrado e tem boa acidez. Todas as vezes em que provei este vinho foi acompanhado de confrades e ele, sem excessão, tem causado furor. A intensidade dos aromas animais causa impacto imediato e a facilidade em beber facilitam a vida do consumidor.
R$46,00 VV!87. Berenguer Imports.Blue Grove Hill Merlot/Cabernet 2009
57% Melot, 39% Cab Sauvignon, 4% Cab Franc.
Ruby clássico. Aramo muito fino, intenso e permanente. Explosão de especiárias, lembrando tomilho. Há uma sensação de frescor agradável. A vinificação em tóneis de carvalho Taransaud e o armazenamento em barricas desta tanoaria fizeram toda diferença.
Boca macia, elegante, permanente. Vinho para passar horas curtindo o aroma e apreciando o delicado palato. Harmônico, final longo. Tudo que eu espero de um vinho na faixa de preço. R$96,00. RP 89. VV!91.
Berenguer Imports.
Toneis Taransaud na Capaia Wines
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- VV 89 a 92,
N África do Sul,
Uva Cab Sauvignon,
Uva Merlot,
Uva Pinotage,
Vinho Espumante
domingo, abril 24, 2011
BOUCHARD AÎNÉ & FILS 2008 - Bourgogne Passe-Tout-Grains AOC
Até que enfim posto um vinho para a Confraria Brasileira de Enoblogs. Sem a disciplina da data, porém com o mesmo espírito de compartilhar com os enoamigos um experiência do vinho. ESTOU DE VOLTA!
O tema do mês de ABRIL da CBE é Borgonha Custo-Benefício.
Comprei este na gôndola de promoções da loja Lidador Centro, no Rio de Janeiro. Comentei com o vendedor das minhas preocupações com borgonhas baratos, pois é fato que para tomar um decente deve-se gastar alguns trocados. O vendedor me garantiu que este vende bem. Também, pudera, fica um francês a R$48,00 na área de promoções da loja. O pessoal acaba levando. Topei a aventura:
Cor mais clara, esperada para a região. Detalhe que a uva não era Pinot; mas, sim, Gamay. Esta faz vinhos mais ligeiros e tem uma ou outra excessão de qualidade pelo mundo.
Aromas de intensidade média simples, já denotando desequilíbrio. Boca rápida, sem muitas qualidades, com amargor e confirmando o desequilíbrio ácido.
Vinho ligeiro, sem qualquer chamariz. Reforça a tese de que borgonha bom é borgonha caro. A região é responsável por constelação com alguns dos melhores vinhos do mundo, entretanto os vinhos ruins são vendidos fora de preço. Para estabelecermos um paralelo, o Bouchard devia ser vendido ao lado dos nacionais de gama média, na casa dos R$20,00 a R$25,00. VV! 79.
O tema do mês de ABRIL da CBE é Borgonha Custo-Benefício.
Comprei este na gôndola de promoções da loja Lidador Centro, no Rio de Janeiro. Comentei com o vendedor das minhas preocupações com borgonhas baratos, pois é fato que para tomar um decente deve-se gastar alguns trocados. O vendedor me garantiu que este vende bem. Também, pudera, fica um francês a R$48,00 na área de promoções da loja. O pessoal acaba levando. Topei a aventura:
Cor mais clara, esperada para a região. Detalhe que a uva não era Pinot; mas, sim, Gamay. Esta faz vinhos mais ligeiros e tem uma ou outra excessão de qualidade pelo mundo.
Aromas de intensidade média simples, já denotando desequilíbrio. Boca rápida, sem muitas qualidades, com amargor e confirmando o desequilíbrio ácido.
Vinho ligeiro, sem qualquer chamariz. Reforça a tese de que borgonha bom é borgonha caro. A região é responsável por constelação com alguns dos melhores vinhos do mundo, entretanto os vinhos ruins são vendidos fora de preço. Para estabelecermos um paralelo, o Bouchard devia ser vendido ao lado dos nacionais de gama média, na casa dos R$20,00 a R$25,00. VV! 79.
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- VV 75 a 79,
$ De R$25.01 a R$50.00,
N França,
Uva Gamay,
Vinho Tinto,
ZC CB Enoblogs
quarta-feira, março 23, 2011
Confraria em Niterói e Dois Espanhóis
Realizou-se no dia 22/03/2011 a inauguração de mais uma Confraria de Vinhos em Niterói. O nome será eleito em breve.
Damas e Cavalheiros degustaram dois vinhos tintos muito agradáveis trazidos na bagagem diretamente da Espanha, além de ótimas cavas para brindar os novos estudos enológicos que se iniciam.
Testamos pela primeira vez a Ficha de Degustação de Júlio Anselmo de Sousa Neto (disponível aqui) que parece ter agradado à maioria dos novos confrades.
PROTOS RESERVA 2005 - Ribeira del Duero
Uva Tinta del País, também conhecida como Tempranillo.
Este Reserva da Ribeira del Duero permaneceu 18 meses em barricas e, pelo menos, 24 meses descansando na garrafa antes de ser oferecido ao mercado.
Tinha aspecto correto e brilhante de vinho novo, talvez leve demais em taça. Aromas muito intensos e frutados à ameixa que atacam o nariz compõem com muita madeira. Descritores como alcaçuz, canela, noz moscada foram encontrados e ainda havia um leve toque mentolado agradável no final.
No gustativo, ficou devendo um pouco. Os taninos eram sutis, porém vivos. Havia doçura, excesso de madeira, álcool perceptível e um desequilíbrio geral. Não chegou a ser grande defeito, todavia faltou corpo ao Protos.
É vinho que necessita de mais tempo aberto para respirar e, parameu gosto, tem madeira demais em relação ao corpo. Para enfrentar os espanhóis espera-se mais madeira mesmo, mas ainda assim não fechou 100% comigo. Melhorará com o tempo. 14% de álcool.
EUR 21,90. PE 92. VV! 89.
VINA ARDANZA RESERVA ESPECIAL 2001 - Rioja
80% Tempranillo e 20% Garnacha (Grenache).
Foi envelhecido em barris de carvalho americano de quatro anos de idade por 36 meses, sendo engarrafado em marco de 2004.
Já apresentou cor atijolada e aparência clara, com transparência e alo considerável, denotando o envelhecimento.
Aromas com fundo em agradável madeira delicada e bem integrada; rumou para figo, ameixas secas e doçura abaunilhada. Destacaram-se também couro, defumado e vegetais molhados.
Boca leve, seca, tanino suave e redondo. Final longo, macio, elegante e equilibradíssimo. No Viña Ardanza a leveza é um mérito por harmonizar-se com o conjunto do vinho. Aceita mais evolução e com mais alguns anos oferecerá ainda mais prazer. 13,2% de álcool. EUR 21,25. PE 93. RP 91. VV! 91.
Um Brinde à Nova Confraria
Damas e Cavalheiros degustaram dois vinhos tintos muito agradáveis trazidos na bagagem diretamente da Espanha, além de ótimas cavas para brindar os novos estudos enológicos que se iniciam.
Testamos pela primeira vez a Ficha de Degustação de Júlio Anselmo de Sousa Neto (disponível aqui) que parece ter agradado à maioria dos novos confrades.
PROTOS RESERVA 2005 - Ribeira del Duero
Uva Tinta del País, também conhecida como Tempranillo.
Este Reserva da Ribeira del Duero permaneceu 18 meses em barricas e, pelo menos, 24 meses descansando na garrafa antes de ser oferecido ao mercado.
Tinha aspecto correto e brilhante de vinho novo, talvez leve demais em taça. Aromas muito intensos e frutados à ameixa que atacam o nariz compõem com muita madeira. Descritores como alcaçuz, canela, noz moscada foram encontrados e ainda havia um leve toque mentolado agradável no final.
No gustativo, ficou devendo um pouco. Os taninos eram sutis, porém vivos. Havia doçura, excesso de madeira, álcool perceptível e um desequilíbrio geral. Não chegou a ser grande defeito, todavia faltou corpo ao Protos.
É vinho que necessita de mais tempo aberto para respirar e, parameu gosto, tem madeira demais em relação ao corpo. Para enfrentar os espanhóis espera-se mais madeira mesmo, mas ainda assim não fechou 100% comigo. Melhorará com o tempo. 14% de álcool.
EUR 21,90. PE 92. VV! 89.
VINA ARDANZA RESERVA ESPECIAL 2001 - Rioja
80% Tempranillo e 20% Garnacha (Grenache).
Foi envelhecido em barris de carvalho americano de quatro anos de idade por 36 meses, sendo engarrafado em marco de 2004.
Já apresentou cor atijolada e aparência clara, com transparência e alo considerável, denotando o envelhecimento.
Aromas com fundo em agradável madeira delicada e bem integrada; rumou para figo, ameixas secas e doçura abaunilhada. Destacaram-se também couro, defumado e vegetais molhados.
Boca leve, seca, tanino suave e redondo. Final longo, macio, elegante e equilibradíssimo. No Viña Ardanza a leveza é um mérito por harmonizar-se com o conjunto do vinho. Aceita mais evolução e com mais alguns anos oferecerá ainda mais prazer. 13,2% de álcool. EUR 21,25. PE 93. RP 91. VV! 91.
Um Brinde à Nova Confraria
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- VV 89 a 92,
$ De R$50.01 a R$80.00,
N Espanha,
Uva Grenache,
Uva Tempranillo,
Vinho Tinto
sexta-feira, dezembro 31, 2010
Urban Blend Valle del Maule 2008 no Madero
Madero - O melhor hambúrguer do mundo
Aproveitando nossa viagem à Curitiba, fomos comer o super chesseburguer clássico gourmet do Madero. Feito com salada orgânica, carne de primeiríssima, pão especial fantástico preparado na manteiga, fogo forte para a sensação tostada por fora e vermelhinho dentro, 260g de hambúrguer com um preparo super especial: o sal é mais grosso e diferenciado e não vai farinha(deve ser pão). Tudo com o rigor do Chef Junior Durski.
Os aromas daquele mega cheeseburguer, os sabores dos vegetais orgânicos, hummmmm. Quem não gosta de tomante prepare-se: aquele tomate é fruta de uma categoria própria. A cebola assada é incrível. Cada pedaço e cada combinação diferente entre os ingerdientes são uma experiência gastronômica própria.
Esqueça os fast-foods. Para cada duas idas a qualquer deles, poupe seu organismo da gordura (e seu dinheiro) e vá uma no Madero. Você será uma pessoa mais feliz, tenho certeza.
Pense num restaurante fino, com todo o serviço adequado, adega de vinhos e etc... e que serve hambúrgueres.
- Ah, vinho e hambúrguer não combinam muito - você pode afirmar.
- Não mesmo! - é a minha resposta.
Mas dá para tomar o vinho antes, ficar só na água durante a refeição e voltar para o vinho depois. Talvez malbec ou tempranillo até funcionasse... talvez. Às vezes, o importante é curtir o que é bom sem esquentar demais a cabeça com regras.
Urban Blend Valle del Maule 2008
Se eu dissesse só nome do produtor aqui, dispensaria mais comentários: O. Fournier. Já que sou um chato prolixo, falarei dele.
É um blend com quase metade de Merlot, um bom percentual de Cab Franc, algo de Carignan e uma pitada de Cab Sauvignon.
Um padrão em minha vida no vinho é que o bom blend sempre brinca comigo a noite toda. Impressionante. Dá uma pesquisa para os químicos: Será que as variedades de uva volatizam diferente?
Deixando a ciência de lado, o fato é que esse vinho começou doce, com chocolate, couro, e aroma super fresco da merlot chilena. A boca redondinha, taninos corretos, acidez ótima e a estrutura da Cab Franc fechando o conjunto.
Depois, veio uma especiaria que tomou conta e terminou docinho, com o couro só na memória. Uma delícia. Um custo benefício incrível.
A O. Fournier faz a linha Urban com várias composições em localidades diferentes tanto no novo como no velho mundo. Este chileno está aprovado. 14% de álcool. R$59,00 no Madero (Você pode encontrar por R$40,00 em lojas).
Aproveitando nossa viagem à Curitiba, fomos comer o super chesseburguer clássico gourmet do Madero. Feito com salada orgânica, carne de primeiríssima, pão especial fantástico preparado na manteiga, fogo forte para a sensação tostada por fora e vermelhinho dentro, 260g de hambúrguer com um preparo super especial: o sal é mais grosso e diferenciado e não vai farinha(deve ser pão). Tudo com o rigor do Chef Junior Durski.
Os aromas daquele mega cheeseburguer, os sabores dos vegetais orgânicos, hummmmm. Quem não gosta de tomante prepare-se: aquele tomate é fruta de uma categoria própria. A cebola assada é incrível. Cada pedaço e cada combinação diferente entre os ingerdientes são uma experiência gastronômica própria.
Esqueça os fast-foods. Para cada duas idas a qualquer deles, poupe seu organismo da gordura (e seu dinheiro) e vá uma no Madero. Você será uma pessoa mais feliz, tenho certeza.
Pense num restaurante fino, com todo o serviço adequado, adega de vinhos e etc... e que serve hambúrgueres.
- Ah, vinho e hambúrguer não combinam muito - você pode afirmar.
- Não mesmo! - é a minha resposta.
Mas dá para tomar o vinho antes, ficar só na água durante a refeição e voltar para o vinho depois. Talvez malbec ou tempranillo até funcionasse... talvez. Às vezes, o importante é curtir o que é bom sem esquentar demais a cabeça com regras.
Urban Blend Valle del Maule 2008
Se eu dissesse só nome do produtor aqui, dispensaria mais comentários: O. Fournier. Já que sou um chato prolixo, falarei dele.
É um blend com quase metade de Merlot, um bom percentual de Cab Franc, algo de Carignan e uma pitada de Cab Sauvignon.
Um padrão em minha vida no vinho é que o bom blend sempre brinca comigo a noite toda. Impressionante. Dá uma pesquisa para os químicos: Será que as variedades de uva volatizam diferente?
Deixando a ciência de lado, o fato é que esse vinho começou doce, com chocolate, couro, e aroma super fresco da merlot chilena. A boca redondinha, taninos corretos, acidez ótima e a estrutura da Cab Franc fechando o conjunto.
Depois, veio uma especiaria que tomou conta e terminou docinho, com o couro só na memória. Uma delícia. Um custo benefício incrível.
A O. Fournier faz a linha Urban com várias composições em localidades diferentes tanto no novo como no velho mundo. Este chileno está aprovado. 14% de álcool. R$59,00 no Madero (Você pode encontrar por R$40,00 em lojas).
quinta-feira, dezembro 30, 2010
Guardar ou não guardar: questão de qualidade
Um dia houve um mito que dizia ser bom o vinho tinto envelhecido. A literatura especializada já preveniu-nos que, para ser um vinho de guarda, é necessário que o produto tenha algumas características especiais. Não sendo o caso, o melhor é beber logo mesmo.
Não é necessário sair abrindo os tintos nacionais, os malbecões argentinos ou os bons cabs e merlots chilenos de 2010 com urgência no ano novo.
A maioria com 3 anos está muito bem; muitos com 4 anos estão melhores; e alguns chegam aos 5 anos fazendo a felicidade do enófilo por terem sido esquecidos no fundo da adega. O vinho comum não passa muito disso.
Em qualquer parte do mundo teremos exemplares para mais fôlego. Para os melhores (e quase certamente mais caros) de cada região o céu é o limite. Alguns chegam à plena forma aos 10 anos, outros aos 20, os fora de série ...
Toco no assunto por causa de um Santa Ema Cab Sauv 2004 que abrimos ontem, em casa de meu pai. Seis anos de vida completos para um vinho na faixa dos R$35,00 foi um pouco demais.
SANTA EMA CABERNET SAUVIGNON 2004
Tenho certeza que o chileno do Maipo foi um ótimo vinho até uns 2 anos atrás. Estava bom até e - diferente de outras ocasiões em que chegamos a jogar vinho na pia - tomamos alegres a garrafa toda.
A questão é que os aromas de defumado e geléia de fruta com toque de baunilha estavam meio opacos. As esperadas especiarias simplesmente não estavam lá. No paladar, havia um desequilíbrio ácido na língua e no retrogosto. Não chegou a ser ruim, mas estava óbvio que esse vinho já foi mais equilibrado. A cor não tinha mais brilho, era um marrom meio turvo.
Destaco que foi conservado em adega climatizada, o que favorece a preservação das qualidades.
13% de álcool. VV!79.
Um ou outro vinho comum pode surpreender-nos aos 6 ou 7 anos, mas sendo a última ou única garrafa dele, por que arriscar?
Não é necessário sair abrindo os tintos nacionais, os malbecões argentinos ou os bons cabs e merlots chilenos de 2010 com urgência no ano novo.
A maioria com 3 anos está muito bem; muitos com 4 anos estão melhores; e alguns chegam aos 5 anos fazendo a felicidade do enófilo por terem sido esquecidos no fundo da adega. O vinho comum não passa muito disso.
Em qualquer parte do mundo teremos exemplares para mais fôlego. Para os melhores (e quase certamente mais caros) de cada região o céu é o limite. Alguns chegam à plena forma aos 10 anos, outros aos 20, os fora de série ...
Toco no assunto por causa de um Santa Ema Cab Sauv 2004 que abrimos ontem, em casa de meu pai. Seis anos de vida completos para um vinho na faixa dos R$35,00 foi um pouco demais.
SANTA EMA CABERNET SAUVIGNON 2004
Tenho certeza que o chileno do Maipo foi um ótimo vinho até uns 2 anos atrás. Estava bom até e - diferente de outras ocasiões em que chegamos a jogar vinho na pia - tomamos alegres a garrafa toda.
A questão é que os aromas de defumado e geléia de fruta com toque de baunilha estavam meio opacos. As esperadas especiarias simplesmente não estavam lá. No paladar, havia um desequilíbrio ácido na língua e no retrogosto. Não chegou a ser ruim, mas estava óbvio que esse vinho já foi mais equilibrado. A cor não tinha mais brilho, era um marrom meio turvo.
Destaco que foi conservado em adega climatizada, o que favorece a preservação das qualidades.
13% de álcool. VV!79.
Um ou outro vinho comum pode surpreender-nos aos 6 ou 7 anos, mas sendo a última ou única garrafa dele, por que arriscar?
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$ De R$25.01 a R$50.00,
N Chile,
Uva Cab Sauvignon,
Vinho Tinto
domingo, dezembro 26, 2010
Bandol
É necessário homenagear meu irmão, que proporcionou a excelente experiência de provar um Bandol.
A AOC Bandol é uma região do sul da França, ao Leste de Marseille. A Provence é conhecida pelos rosés (e logo postaremos uma degustação incrível com um rosé), mas Bandol é a região que faz bons tintos com altos percentuais de Mourvèdre.
O Château Jean-Pierre Gaussen é tratado como uma das casas tradicionais e reputadas. A adega foi construída incrustrada na pedra, mas conta com maquinário moderno. o rendimento do pequeno vinhedo de 12 hectares é de 35 hectolitros cada.
Château Jean-Pierre Gaussen Longue Garde 1999
Abrimos o vinho com pelo menos uma hora de antecedência e felizmente decantamos na hora de servir, pois havia borras. As referências on-line mostravam boas experiências com o vinho na mesma proporção de algumas garrafas de 99 já passadas.
Para nossa felicidade, este estava excelente, no ponto de ser bebido. No aroma de boa intensidade era predominante a característica animal, com alcaçuz. Muito seco em boca, os taninos predominaram, associados com uma agradável mineralidade. Só ficou devendo um pouco em harmonia e permanência, todavia é um vinho com a rusticidade esperada. Um vinho de verdade, com as peculiaridades próprias da Mouvèdre de Bandol. 13% de álcool. €15,00. VV! 89.
A AOC Bandol é uma região do sul da França, ao Leste de Marseille. A Provence é conhecida pelos rosés (e logo postaremos uma degustação incrível com um rosé), mas Bandol é a região que faz bons tintos com altos percentuais de Mourvèdre.
O Château Jean-Pierre Gaussen é tratado como uma das casas tradicionais e reputadas. A adega foi construída incrustrada na pedra, mas conta com maquinário moderno. o rendimento do pequeno vinhedo de 12 hectares é de 35 hectolitros cada.
Château Jean-Pierre Gaussen Longue Garde 1999
Abrimos o vinho com pelo menos uma hora de antecedência e felizmente decantamos na hora de servir, pois havia borras. As referências on-line mostravam boas experiências com o vinho na mesma proporção de algumas garrafas de 99 já passadas.
Para nossa felicidade, este estava excelente, no ponto de ser bebido. No aroma de boa intensidade era predominante a característica animal, com alcaçuz. Muito seco em boca, os taninos predominaram, associados com uma agradável mineralidade. Só ficou devendo um pouco em harmonia e permanência, todavia é um vinho com a rusticidade esperada. Um vinho de verdade, com as peculiaridades próprias da Mouvèdre de Bandol. 13% de álcool. €15,00. VV! 89.
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$ De R$50.01 a R$80.00,
N França,
Uva Mourvèdre,
Vinho Tinto
quarta-feira, novembro 03, 2010
FÉRIAS EM CWB
Depois de longo inverno, nesta longa adaptação ao Rio de Janeiro, enfim uma postagem.
Não paramos de beber o líquido sagrado, claro.
São muitos vinhos na Lidador Copacabana e outros tantos nos almoços de sexta-feira com um grupo de apreciadores muito especial.
Como estou de férias em Curitiba, vamos aproveitar para postar durante a degustação na casa de meus pais. Férias, cabeça fresca, o ambiente familiar; só faltava o blog.
DAL PIZZOL TOURIGA NACIONAL 2008 "200 ANOS"
Homenagem não muito conveniente aos 200 anos da vinda de D. João VI ao Brasil. Mais parece um oportunismo de merchandising para lançar um vinho de uva típica portuguesa em território brasileiro.
Irrelevâncias a parte, uma ótima ideia da Dal Pizzol plantar Tourigas por aqui.
Ruby com toques violáceos, aromas puxando a ameixas em calda e geléia. Bom corpo, taninos interessantes e bela acidez. Por óbvio, sem a mineralidade portuguesa, porém a alta acidez do solo sul brasileiros caiu muito bem na touriga nacional.
Final longo e correto. Ótima relação custo-benefício. Recomendado. 13% de álcool. R$27,90. VV!85
VIÑA SALORT SYRAH-TANNAT 2006
De um tannat uruguaio esperamos muita volúpia, corpo e presença. Num corte com Syrah, então, ... Infelizmente este aguadão de importação do Angeloni foi completamente reprovado.
Já começou pelo aroma de madeira forçado, dando impressão daquela prática reprovável de uso de chips de carvalho.
Em boca - a última esperança - a mesma impressão de madeira mal-acomodada e confirmada pela falta total de corpo. Não tivemos dúvida nenhuma em descartá-lo sem cerimônias, esvaziar as taças e passar para o próximo vinho. Admirou-nos que tenha, de fato, conquistado medalha de ouro no IV Concurso Internacional de Vinhos do Brasil, o que mostra o olhar crítico que devemos ter com esses prêmos. 13% de álcool. R$29,90. VV!72
DON DAVID MALBEC RESERVE 2005 Michel Torino
Algum preconceito meu com a vinícola Michel Torino foi diluído na boa experiência com este Malbec do Cafayate, em Salta. O vinho feito no norte da Argentina já começou com forte presença aromática de boa madeira e leve evolução benéfica.
Cor com tons violáceos. Aroma com aspectos químicos no início.
Merece tempo aberto para o oxigênio fazer seu trabalho. A fruta mostrou-se doce e um frescor ganhou o nariz.
Bom corpo, taninos macios, com final redondo e fresco, quase chegando às desejadas notas mentoladas. 13,6% de álcool. VV! 86
Não paramos de beber o líquido sagrado, claro.
São muitos vinhos na Lidador Copacabana e outros tantos nos almoços de sexta-feira com um grupo de apreciadores muito especial.
Como estou de férias em Curitiba, vamos aproveitar para postar durante a degustação na casa de meus pais. Férias, cabeça fresca, o ambiente familiar; só faltava o blog.
DAL PIZZOL TOURIGA NACIONAL 2008 "200 ANOS"
Homenagem não muito conveniente aos 200 anos da vinda de D. João VI ao Brasil. Mais parece um oportunismo de merchandising para lançar um vinho de uva típica portuguesa em território brasileiro.
Irrelevâncias a parte, uma ótima ideia da Dal Pizzol plantar Tourigas por aqui.
Ruby com toques violáceos, aromas puxando a ameixas em calda e geléia. Bom corpo, taninos interessantes e bela acidez. Por óbvio, sem a mineralidade portuguesa, porém a alta acidez do solo sul brasileiros caiu muito bem na touriga nacional.
Final longo e correto. Ótima relação custo-benefício. Recomendado. 13% de álcool. R$27,90. VV!85
VIÑA SALORT SYRAH-TANNAT 2006
De um tannat uruguaio esperamos muita volúpia, corpo e presença. Num corte com Syrah, então, ... Infelizmente este aguadão de importação do Angeloni foi completamente reprovado.
Já começou pelo aroma de madeira forçado, dando impressão daquela prática reprovável de uso de chips de carvalho.
Em boca - a última esperança - a mesma impressão de madeira mal-acomodada e confirmada pela falta total de corpo. Não tivemos dúvida nenhuma em descartá-lo sem cerimônias, esvaziar as taças e passar para o próximo vinho. Admirou-nos que tenha, de fato, conquistado medalha de ouro no IV Concurso Internacional de Vinhos do Brasil, o que mostra o olhar crítico que devemos ter com esses prêmos. 13% de álcool. R$29,90. VV!72
DON DAVID MALBEC RESERVE 2005 Michel Torino
Algum preconceito meu com a vinícola Michel Torino foi diluído na boa experiência com este Malbec do Cafayate, em Salta. O vinho feito no norte da Argentina já começou com forte presença aromática de boa madeira e leve evolução benéfica.
Cor com tons violáceos. Aroma com aspectos químicos no início.
Merece tempo aberto para o oxigênio fazer seu trabalho. A fruta mostrou-se doce e um frescor ganhou o nariz.
Bom corpo, taninos macios, com final redondo e fresco, quase chegando às desejadas notas mentoladas. 13,6% de álcool. VV! 86
quarta-feira, junho 23, 2010
VídeoDegustações #3 e #4 - Ave Premium Malbec 2007
Degustação do Ave Premium Malbec 2007 realizada no DC Grill. O som não está 100%, afinal o equipamento é o mais amador disponível no mercado e o vídeo foi gravado no ambiente do restaurante.
Vale lembrar que este blog é independente e não recebe qualquer contribuição financeira. Se citamos os locais onde provamos vinho é por agradecimento aos estabelecimentos que abrem suas portas para nossas provas ou pela crítica ser de interesse como conteúdo para o blog.

No segundo vídeo, uma conversa pós-degustação sobre harmonização com o Gelson regada com o ótimo Ave Premium Malbec 2007.
Veja também outras VídeoDegustações do blog
VIVA O VINHO!
Marcador #VÍDEO DEGUSTAÇÃO
Vale lembrar que este blog é independente e não recebe qualquer contribuição financeira. Se citamos os locais onde provamos vinho é por agradecimento aos estabelecimentos que abrem suas portas para nossas provas ou pela crítica ser de interesse como conteúdo para o blog.

VÍDEO DEGUSTAÇÃO #3
No segundo vídeo, uma conversa pós-degustação sobre harmonização com o Gelson regada com o ótimo Ave Premium Malbec 2007.
VÍDEO DEGUSTAÇÃO #4
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segunda-feira, maio 24, 2010
Em defesa da pluralidade
As diferentes cepas de uva são patrimônio da humanidade e precisam ser preservardas. Isso significa manter a produção dos vinhos das diferentes variedades para que os possamos provar.
Não sou da turma ebc - "everything but chardonnay" - até porque os chablis são fantásticos e há grandes obras de arte nos EUA, mas sempre fico muito animado em provar castas diferentes.
Portugal é a referência na preservação da cultura local, mantendo alguns vinhedos antigos com as parreiras misturadas. Recentemente, tomei um branco com Arinto, Fernão Pires, Rabo de Bode e etc. Os nomes são excelentes.
Na postagem de hoje, todavia trago um espanhol e um italiano com uvas menos famosas, ambos acessíveis no preço.
MATILE PINOT GRIGIO 2008
A uva Pinot Griogio é engraçada, pois à rigor é tinta. Ela foi desenvolvida pelo cruzamento da Pinot Blanc com a Gewurztraminer e o grigio do nome no francês é gris, que significa cinza. Vinifica-se em branco pela separação imediata das cascas, já na prensagem.
A região mais tradicional da vinificação em branco é o Norte da Italia, porém o Matile é feito na Umbria. Vinho palha translúcido, apresenta aroma fesco e agradável de frutas mesclado a certo perfume. A boca é seca e fresca, com boa acidez. Aparece algum desequilíbrio alcoólico e adstringência. Nada que comprometa, contudo, a relação qualidade/preço esperada para a faixa.
Um boa forma de provar essa peculiaridade do mundo do vinho sem gastar muito. R$25,00 na Lidador Copacabana. VV!83
ARTERO MACABEO 2008
Este vinho é de La Mancha, região logo ao sul de Madrid, que tem Toledo entre suas cidades conhecidas. O popular personagem Don Quixote também comunga suas origens na região.
A uva Macabeo tem largo uso na Espanha, porém é mais conhecida pela presença nas Cavas do que como variedade de vinho tranquilo. Este Artero 2008 tinha cor dourado brilhante para mim. Aromas florais e perfumados e algum peso em boca, com leve picância no paladar. É um vinho correto que agradou em sua faixa de preço. R$30,00 na Lidador Copacabana. VV!84.
Não sou da turma ebc - "everything but chardonnay" - até porque os chablis são fantásticos e há grandes obras de arte nos EUA, mas sempre fico muito animado em provar castas diferentes.
Portugal é a referência na preservação da cultura local, mantendo alguns vinhedos antigos com as parreiras misturadas. Recentemente, tomei um branco com Arinto, Fernão Pires, Rabo de Bode e etc. Os nomes são excelentes.
Na postagem de hoje, todavia trago um espanhol e um italiano com uvas menos famosas, ambos acessíveis no preço.
MATILE PINOT GRIGIO 2008
A uva Pinot Griogio é engraçada, pois à rigor é tinta. Ela foi desenvolvida pelo cruzamento da Pinot Blanc com a Gewurztraminer e o grigio do nome no francês é gris, que significa cinza. Vinifica-se em branco pela separação imediata das cascas, já na prensagem.
A região mais tradicional da vinificação em branco é o Norte da Italia, porém o Matile é feito na Umbria. Vinho palha translúcido, apresenta aroma fesco e agradável de frutas mesclado a certo perfume. A boca é seca e fresca, com boa acidez. Aparece algum desequilíbrio alcoólico e adstringência. Nada que comprometa, contudo, a relação qualidade/preço esperada para a faixa.
Um boa forma de provar essa peculiaridade do mundo do vinho sem gastar muito. R$25,00 na Lidador Copacabana. VV!83
ARTERO MACABEO 2008
Este vinho é de La Mancha, região logo ao sul de Madrid, que tem Toledo entre suas cidades conhecidas. O popular personagem Don Quixote também comunga suas origens na região.
A uva Macabeo tem largo uso na Espanha, porém é mais conhecida pela presença nas Cavas do que como variedade de vinho tranquilo. Este Artero 2008 tinha cor dourado brilhante para mim. Aromas florais e perfumados e algum peso em boca, com leve picância no paladar. É um vinho correto que agradou em sua faixa de preço. R$30,00 na Lidador Copacabana. VV!84.
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quinta-feira, maio 20, 2010
Lidador Copacabana
Entre as novas aventuras enológicas no Rio de Janeiro, o blog Viva o Vinho! vem participando de provas de vinhos na loja Lidador Copacabana. O estabelecimento é bem fácil de localizar. Fica na Barata Ribeiro, 505.
A disposição dos vinhos nas prateleiras das lojas Lidador é belíssima. As estantes foram feitas de forma que o vinho fique disposto deitado, porém perpendicularmente ao observador em camadas, fazendo um efeito visual diferente.
Entre os muitos vinhos tomados em várias faixas de preço, destaco:
Corte Violla Prosecco Extra dry VSAQ - R$17,50 (Valdobiadene)
Matille Pinot Grigio 2008 - R$25,00 (Umbria)
Monsaraz 2008 - R$25,00 (Alentejo)
Cardeto Nero della Greca Sangiovese 2005 - R$89,00 (Umbria)
Reguengos Garrafeira dos Sócios 2002- R$89,00 (Alentejo)
Villa Francioni Rosé 2008 - R$57,50 (Brasil)
Villa Francioni Francesco 2005- R$75,90 (Brasil)
Os citados aqui mereciam postagens próprias, mas já ficam as dicas no atacado para sistematizar a informação.
Brindes,
Leonardo
A disposição dos vinhos nas prateleiras das lojas Lidador é belíssima. As estantes foram feitas de forma que o vinho fique disposto deitado, porém perpendicularmente ao observador em camadas, fazendo um efeito visual diferente.
Entre os muitos vinhos tomados em várias faixas de preço, destaco:
Corte Violla Prosecco Extra dry VSAQ - R$17,50 (Valdobiadene)
Matille Pinot Grigio 2008 - R$25,00 (Umbria)
Monsaraz 2008 - R$25,00 (Alentejo)
Cardeto Nero della Greca Sangiovese 2005 - R$89,00 (Umbria)
Reguengos Garrafeira dos Sócios 2002- R$89,00 (Alentejo)
Villa Francioni Rosé 2008 - R$57,50 (Brasil)
Villa Francioni Francesco 2005- R$75,90 (Brasil)
Os citados aqui mereciam postagens próprias, mas já ficam as dicas no atacado para sistematizar a informação.
Brindes,
Leonardo
sexta-feira, fevereiro 12, 2010
Salton Talento 2005 - Niterói e o Vinho Nacional em Pauta
TRATORIA TORTA
Já é hora de começar a investigar a gastronomia de Niterói. É claro que já andei por aqui, mas os lugares mais propícios ao vinho só começaram a ser procurados agora.
Fui na Tratotia Torta só porque era perto de casa e acabou-se tornando uma grande surpresa. Além das massas normais, de terça a quinta eles têm um festival em que você pede quantas pequenas porções quiser. Uma degustação de massas, eu diria.
O atendimento foi atencioso e impecável. Destaques culinários para o molho com couve e pato e o molho ao pesto especial, com tomate seco.
A casa promove degustações com o Celso Alzer e a carta de vinhos é bem elaborada. Alguns vinhos com preço muito acima da curva de relação com o mercado (fora de restaurante), outros com preço bem interessante.
Escolhi o Salton Talento 2005 exatanente pela sua relação com o preço de mercado. Imagino que esteja mais alinhado porque um nacional de 5 anos pode estar no limite. De fato, a rolha estava bem infiltrada e não estava completamente inserida na garrafa. Com os sinais ruins, pensei que iria ter de devolvê-la, mas encarei. Ao provar, primeiro alívio, não estava estragado.
SALTON TALENTO 2005
Ainda que no site da Salton não diga, o Notas de Degustação afirma que são 60% Cabernet Sauvignon, 30% Merlot e 10% Tannat. Ele faz parte da linha superpremium da vinícola e só é lançado em anos excepcionais. Que eu me lembre, eles lançaram 2002, 2004 e 2005 apenas.
Havia provado o 2002 (veja) e tinha agradado com seis anos de idade, ainda que ficasse faltando alguma coisa. Este 2005, com cinco anos de idade, está inteiro, mas ficou faltando aquele algo mais novamente.
Assim que aberto, mostrou as frutas com adocicado, puxando para geléia, especiarias e acidez, sendo mais marcante aromas de café e baunilha. No gustativo, os taninos atacavam um pouco o céu da boca, todavia desconfiei que depois de aerado ele podia mostrar-se mais. Já aí, percebe-se a persistência apenas média e o corpo também mediano.
Ele muda e melhora muito com o tempo, o que é ótimo para brincar com a degustação. Surgem notas de alcaçuz e a doçura se firma como chocolate. Os taninos deixam de incomodar no céu da boca e dão uma secada geral. Parece que as características da Tannat deixam para aparecer mais tarde. Por fim, ele dá uma refrescância de fim de boca que chegou a lembrar uma menta (de que gosto tanto).
Minha impressão geral é de um bom vinho, que agüentou bem os cinco anos e que só falha no corpo mediano. No 2002 a falta de corpo também foi um problema, porém, entre os dois, fico com o 2005 e minha nota objetiva confirmou essa impressão. R$56,00. VV!87.
VINHO NACIONAL EM PAUTA
Tal avaliação o coloca entre os melhores do Brasil e é bom encontrarmos nacionais nesse nível. Não me lembro de vinhos brasileiros recebendo esse tipo de avaliação nos anos 90. Houve esforço, pesquisa e investimento das vinícolas para melhorarem a produção tupiniquim. A primeira grande safra que encontrou os produtores num patamar melhor de qualidade foi 2002.
Muitos blogs gostaram do vinho, todavia continua existindo controvérsia, como se pode ler na contundente opinião do Qvinho. Gostei do Salton Talento, embora tenha de concordar que pode estar um pouco fora de preço, um mal que é geral entre as grandes vinícolas nacionais e seus melhores vinhos. Só não é possível comparar nossa vinicultura com a dos vizinhos andinos e concluir que as empresas daqui são incompetentes. Parece que o terroir lá é melhor mesmo. Não consigo imaginar nossos "ícones" valendo de R$300,00 a R$500,00. Podemos fazer bons vinhos na casa dos R$50,00. Pena que alguns queiram cobrar R$90,00.
Já é hora de começar a investigar a gastronomia de Niterói. É claro que já andei por aqui, mas os lugares mais propícios ao vinho só começaram a ser procurados agora.
Fui na Tratotia Torta só porque era perto de casa e acabou-se tornando uma grande surpresa. Além das massas normais, de terça a quinta eles têm um festival em que você pede quantas pequenas porções quiser. Uma degustação de massas, eu diria.
O atendimento foi atencioso e impecável. Destaques culinários para o molho com couve e pato e o molho ao pesto especial, com tomate seco.
A casa promove degustações com o Celso Alzer e a carta de vinhos é bem elaborada. Alguns vinhos com preço muito acima da curva de relação com o mercado (fora de restaurante), outros com preço bem interessante.
Escolhi o Salton Talento 2005 exatanente pela sua relação com o preço de mercado. Imagino que esteja mais alinhado porque um nacional de 5 anos pode estar no limite. De fato, a rolha estava bem infiltrada e não estava completamente inserida na garrafa. Com os sinais ruins, pensei que iria ter de devolvê-la, mas encarei. Ao provar, primeiro alívio, não estava estragado.
SALTON TALENTO 2005
Ainda que no site da Salton não diga, o Notas de Degustação afirma que são 60% Cabernet Sauvignon, 30% Merlot e 10% Tannat. Ele faz parte da linha superpremium da vinícola e só é lançado em anos excepcionais. Que eu me lembre, eles lançaram 2002, 2004 e 2005 apenas.
Havia provado o 2002 (veja) e tinha agradado com seis anos de idade, ainda que ficasse faltando alguma coisa. Este 2005, com cinco anos de idade, está inteiro, mas ficou faltando aquele algo mais novamente.
Assim que aberto, mostrou as frutas com adocicado, puxando para geléia, especiarias e acidez, sendo mais marcante aromas de café e baunilha. No gustativo, os taninos atacavam um pouco o céu da boca, todavia desconfiei que depois de aerado ele podia mostrar-se mais. Já aí, percebe-se a persistência apenas média e o corpo também mediano.
Ele muda e melhora muito com o tempo, o que é ótimo para brincar com a degustação. Surgem notas de alcaçuz e a doçura se firma como chocolate. Os taninos deixam de incomodar no céu da boca e dão uma secada geral. Parece que as características da Tannat deixam para aparecer mais tarde. Por fim, ele dá uma refrescância de fim de boca que chegou a lembrar uma menta (de que gosto tanto).
Minha impressão geral é de um bom vinho, que agüentou bem os cinco anos e que só falha no corpo mediano. No 2002 a falta de corpo também foi um problema, porém, entre os dois, fico com o 2005 e minha nota objetiva confirmou essa impressão. R$56,00. VV!87.
VINHO NACIONAL EM PAUTA
Tal avaliação o coloca entre os melhores do Brasil e é bom encontrarmos nacionais nesse nível. Não me lembro de vinhos brasileiros recebendo esse tipo de avaliação nos anos 90. Houve esforço, pesquisa e investimento das vinícolas para melhorarem a produção tupiniquim. A primeira grande safra que encontrou os produtores num patamar melhor de qualidade foi 2002.
Muitos blogs gostaram do vinho, todavia continua existindo controvérsia, como se pode ler na contundente opinião do Qvinho. Gostei do Salton Talento, embora tenha de concordar que pode estar um pouco fora de preço, um mal que é geral entre as grandes vinícolas nacionais e seus melhores vinhos. Só não é possível comparar nossa vinicultura com a dos vizinhos andinos e concluir que as empresas daqui são incompetentes. Parece que o terroir lá é melhor mesmo. Não consigo imaginar nossos "ícones" valendo de R$300,00 a R$500,00. Podemos fazer bons vinhos na casa dos R$50,00. Pena que alguns queiram cobrar R$90,00.
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quinta-feira, janeiro 28, 2010
Barolo - Gaja Langhe Sperss 2001
No jantar de fim de ano da Confraria Bacco Ubriaco (veja o post)o português Barca Velha 2000 era a estrela da noite, causando efusivas e merecidas manifestações de elogio.
O Barolo Gaja Langhe Sperss, todavia, não agradava a mim e aos confrades. Estava fechado, não abria. Aromas e sabores não se desprendiam dele, o que me deixava intrigado, pois foram tantos Barolos até hoje e nenhum emplacava.
Trata-se de um vinho feito com uva Nebbiolo numa DOCG do Piemonte, conceituadíssima, com altas notas dos especialistas e sempre muito bem indicada. Espera-se um vinho intenso e complexo. No Decanter Wine Show do Rio em 2006 (ver Ago/06), em conversa com o Guilherme, cheguei a dizer que não sabia beber Barolos.
Felizmente, havia avisado aos confrades que chegaria atrasado ao jantar, mas que deixassem minha fração dos vinhos devidamente reservada. Jantamos, conversamos e nada do Sperss. Estar entre os amigos de confraria é muito bom e não tinha pressa nenhuma em esgotar minhas taças.
Enfim, após mais de três horas respirando no decanter e na taça, eis que surgem lampejos de vida no Barolo. Minha desconfiança virava certeza. Desconhecimento; pressa; ausência de planejamento. Algum desses fatores, ou mais de um simultaneamente, não permitiram que uma obra belíssima do mundo do vinho fosse apreciada em sua plenitude. Não era o caso de não saber beber, era de não saber servir.
Abrir uma boa (e geralmente cara) garrafa desses vinhos requer planejar a noite. Para um jantar às 20:00, é melhor abrir no máximo às 18:30 e deixá-lo perder a timidez, porque mostre suas nuances durante o evento.
GAJA LANGHE SPERSS 2001
Vinho com bela cor, brilhante. Demorou a abrir, mas uma vez "liberto" mostrou-se elegante. Junto da fruta e da especiaria, uma sensação de frescor formava o conjunto. Final perfeito, limpo e longo. R$1206,62 garrafa Magnum. WS93. VV!93-94.
Na nota o Barca Velha ainda foi melhor, contudo é necessário esclarecer que são vinhos completamente diferentes. O português é muito mais sutil e delicado. O barolo é mais denso e profundo. O Barca é emblemático do Douro, um ícone de sua linhagem. O Sperss é um excelente vinho, um bom representante de sua categoria, ainda que não seja o top do produtor.
O Barolo Gaja Langhe Sperss, todavia, não agradava a mim e aos confrades. Estava fechado, não abria. Aromas e sabores não se desprendiam dele, o que me deixava intrigado, pois foram tantos Barolos até hoje e nenhum emplacava.
Trata-se de um vinho feito com uva Nebbiolo numa DOCG do Piemonte, conceituadíssima, com altas notas dos especialistas e sempre muito bem indicada. Espera-se um vinho intenso e complexo. No Decanter Wine Show do Rio em 2006 (ver Ago/06), em conversa com o Guilherme, cheguei a dizer que não sabia beber Barolos.
Felizmente, havia avisado aos confrades que chegaria atrasado ao jantar, mas que deixassem minha fração dos vinhos devidamente reservada. Jantamos, conversamos e nada do Sperss. Estar entre os amigos de confraria é muito bom e não tinha pressa nenhuma em esgotar minhas taças.
Enfim, após mais de três horas respirando no decanter e na taça, eis que surgem lampejos de vida no Barolo. Minha desconfiança virava certeza. Desconhecimento; pressa; ausência de planejamento. Algum desses fatores, ou mais de um simultaneamente, não permitiram que uma obra belíssima do mundo do vinho fosse apreciada em sua plenitude. Não era o caso de não saber beber, era de não saber servir.
Abrir uma boa (e geralmente cara) garrafa desses vinhos requer planejar a noite. Para um jantar às 20:00, é melhor abrir no máximo às 18:30 e deixá-lo perder a timidez, porque mostre suas nuances durante o evento.
GAJA LANGHE SPERSS 2001
Vinho com bela cor, brilhante. Demorou a abrir, mas uma vez "liberto" mostrou-se elegante. Junto da fruta e da especiaria, uma sensação de frescor formava o conjunto. Final perfeito, limpo e longo. R$1206,62 garrafa Magnum. WS93. VV!93-94.
Na nota o Barca Velha ainda foi melhor, contudo é necessário esclarecer que são vinhos completamente diferentes. O português é muito mais sutil e delicado. O barolo é mais denso e profundo. O Barca é emblemático do Douro, um ícone de sua linhagem. O Sperss é um excelente vinho, um bom representante de sua categoria, ainda que não seja o top do produtor.
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terça-feira, janeiro 12, 2010
Se cansei de Carmenèré e Malbec? Sim e Não.
Mr Elmo perguntou nos comentários de Degustação de Encerramento 2009 se "estava enjoado de carmenere e malbec", assunto que, pelo visto, gera debate no Enoteca.
Pode ser que o debate por lá gire em torno de o mercado brasileiro estar ou não inundado de vinhos chilenos, argentinos, portugueses e etc. Para mim, o mercado brasileiro de vinhos, ainda que em grande expansão, é ínfimo em relação a suas potencialidades. Cabe muito mais vinho por aqui: Carmeneres, Malbecs e tantas outras cepas diferentes. Fica para nós, apaixonados por vinhos, a impossível e "terrível" tarefa de tentar prová-las todas.
CARMENÈRÉ
Quero abordar mais, contudo, a questão de meu gosto pessoal em si. Fui defensor da carmenèré uns anos atrás e a considerava uva de custo-benefício ideal. Atualmente, ficando na comparação histórica, prefiro Merlot do Chile à Carmenèré.
Os métodos usados no vinho de Carmenèré deixam-no muito lácteo. Notas "iogurtadas e exageradas" têm sido freqüentes nos chilenos até R$80,00.
E o que dizer de Syrah e Cab Sauv? Excelentes exemplares com essas uvas são produzidos no lado de lá dos Andes. O Chile produz muitas variedades boas para ficarmos na Carmenèré.
Lembrando de cabeça de bons chilenos, temos os Montes Alpha de Cabernet Sauvignon e de Syrah e o Marqués de Casa Concha Merlot.
Há a opção também do surpreendente Von Siebenthal Parcela 7 Assemblage com Cab Sauv, Merlot, Petit Verdot e Cab Franc.
No caso da Carmenèré, portanto, é verdadeiro: cansei. Ainda que os tops não sejam tão lácteos, fica faltando algo em minha opinião, vide meu comentário sobre o Carmín de Peúmo na Degustação de Encerramento 2009.
MALBEC
Já os Malbecs não me cansaram, não. Continuam a cair muito bem, ainda que outras cepas e combinações argentinas também não fiquem atrás.
Gosto muito dos nascidos em Luján de Cuyo e, mais particularmente, em Perdriel. Um bom exemplo da região é o Ave Premium Malbec que provei recentemente e logo estará em vídeo no blog.
Entre minhas referências com outras cepas, qualquer vinho da família Zuccardi com Tempranillo me agrada, desde o Santa Julia Tempranillo-Malbec (faixa dos R$15,00) ao Zuccardi "Q" (faixa dos R$90,00).
Já o Crios Syrah-Bonarda (na casa dos R$36,00) da Suzana Balbo oferece bela acidez e equilíbrio de outra escala de preços.
Buscando na memória cortes mais trabalhados, tanto o Luigi Bosca Gala 1 - com seu corte inusitado de Malbec/Petit Verdot/Tannat - como o Norton Perdriel Single Vineyard - Malbec/Cab Sauv/Merlot - já representam bem a Argentina.
PETIT VERDOT
Agora, se tem uma cepa que está mesmo na minha preferência é a Petit Verdot. Seja em outras regiões do mundo, seja nos vizinhos andinos, os vinhos que tenho provado com sua presença no blend sempre têm ótimos resultados. Até o Terrunyo da Concha y Toro (o meu preferido entre Carmenèrés) recebe uma pitada da pequena.
Pode ser que o debate por lá gire em torno de o mercado brasileiro estar ou não inundado de vinhos chilenos, argentinos, portugueses e etc. Para mim, o mercado brasileiro de vinhos, ainda que em grande expansão, é ínfimo em relação a suas potencialidades. Cabe muito mais vinho por aqui: Carmeneres, Malbecs e tantas outras cepas diferentes. Fica para nós, apaixonados por vinhos, a impossível e "terrível" tarefa de tentar prová-las todas.
CARMENÈRÉ
Quero abordar mais, contudo, a questão de meu gosto pessoal em si. Fui defensor da carmenèré uns anos atrás e a considerava uva de custo-benefício ideal. Atualmente, ficando na comparação histórica, prefiro Merlot do Chile à Carmenèré.
Os métodos usados no vinho de Carmenèré deixam-no muito lácteo. Notas "iogurtadas e exageradas" têm sido freqüentes nos chilenos até R$80,00.
E o que dizer de Syrah e Cab Sauv? Excelentes exemplares com essas uvas são produzidos no lado de lá dos Andes. O Chile produz muitas variedades boas para ficarmos na Carmenèré.
Lembrando de cabeça de bons chilenos, temos os Montes Alpha de Cabernet Sauvignon e de Syrah e o Marqués de Casa Concha Merlot.
Há a opção também do surpreendente Von Siebenthal Parcela 7 Assemblage com Cab Sauv, Merlot, Petit Verdot e Cab Franc.
No caso da Carmenèré, portanto, é verdadeiro: cansei. Ainda que os tops não sejam tão lácteos, fica faltando algo em minha opinião, vide meu comentário sobre o Carmín de Peúmo na Degustação de Encerramento 2009.
MALBEC
Já os Malbecs não me cansaram, não. Continuam a cair muito bem, ainda que outras cepas e combinações argentinas também não fiquem atrás.
Gosto muito dos nascidos em Luján de Cuyo e, mais particularmente, em Perdriel. Um bom exemplo da região é o Ave Premium Malbec que provei recentemente e logo estará em vídeo no blog.
Entre minhas referências com outras cepas, qualquer vinho da família Zuccardi com Tempranillo me agrada, desde o Santa Julia Tempranillo-Malbec (faixa dos R$15,00) ao Zuccardi "Q" (faixa dos R$90,00).
Já o Crios Syrah-Bonarda (na casa dos R$36,00) da Suzana Balbo oferece bela acidez e equilíbrio de outra escala de preços.
Buscando na memória cortes mais trabalhados, tanto o Luigi Bosca Gala 1 - com seu corte inusitado de Malbec/Petit Verdot/Tannat - como o Norton Perdriel Single Vineyard - Malbec/Cab Sauv/Merlot - já representam bem a Argentina.
PETIT VERDOT
Agora, se tem uma cepa que está mesmo na minha preferência é a Petit Verdot. Seja em outras regiões do mundo, seja nos vizinhos andinos, os vinhos que tenho provado com sua presença no blend sempre têm ótimos resultados. Até o Terrunyo da Concha y Toro (o meu preferido entre Carmenèrés) recebe uma pitada da pequena.
terça-feira, dezembro 15, 2009
Degustação de Encerramento 2009
Na sexta reunião de encerramento anual da Confraria Bacco Ubriaco, nosso presidente solene foi mais uma vez homenageado com a prova de líquidos de excelente qualidade.
Fui à Curitiba especialmente para o evento e, quando cheguei ao local, o aroma dos grandes vinhos já abertos tomava conta do ambiente; e que vinhos:

BARCA VELHA 2000
A Casa Ferreirinha foi a primeira no Douro a engarrafar vinho tranqüilo de qualidade superior. O primeiro foi lançado em 1952 e apenas outras quinze safras foram comercializadas com esse nome, criando um mito. Foi vinificado na Quinta da Leda e parcelas suas, dependendo da casta e do lote, ficaram de um ano a um ano e meio estagiando em carvalho francês em Vila Nova de Gaia. As 26.000 garrafas permaneceram em Gaia aproximadamente 7 anos antes do início das vendas. É possível que os anos de 2003 e 2007 sejam também declarados Barca Velha, contudo a Ferreirinha mantém sigilo absoluto do resultado do vinho até o lançamento. Não basta uma grande vindima, é necessário que se atinja o mais alto grau de qualidade, segundo os parâmetros da Casa.
Com origem no Douro Superior, tem Tinta Roriz (Tempranillo), Touriga Nacional, Touriga Franca e Tinta Barroca em sua composição. A safra 1999 recebeu WS 93 e RP 94.
Veio compor a constelação maior entre os já provados do blog Viva o Vinho!, ao lado de Haut-Brion 1996, Mouton-Rotschild 1994, Vega-Sicília "Único" 1990 e Chateau d'Yquém 1998.
Vinho para ser aberto duas horas antes da degustação. Na cor, tinha um tom a menos de vermelho, levemente mais para o laranja. O aroma é notável, intenso e pode ser sentido à distância. Lembrou imediatamente Tawny, sem o ataque alcoólico. Mostra a complexidade típica destes, com licor, castanhas, tostado cítrico, talvez casca ou folha de laranja queimada (foi o que remeteu na minha memória olfativa), fruta vermelha e até um floral.
A estrutura era notável, com grande corpo e taninos doces. Vinho harmônico, com final redondíssimo e permanência ao infinito. Mais que suficientes 12,5% de álcool, EUR 198,00 (R$512,00) em Portugal. Optei por não pontuar objetivamente, mas as notas da WS e do RP para o 99 não condizem com este 2000, que é para a casa dos VV! 95-96*, chegando junto com o Vega-Sicília "Único" 1990 tomado ano passado.
GAJA LANGHE SPERSS 2001
O Sperss representou confirmação de uma suspeita que tinha com Barolos, ou Nebbiolo, e optei por fazer uma postagem a parte, trabalhando a experiência com esses vinhos.
CARMÍN DE PEÚMO CARMÉNÈRE 2005
Como é comum (e ruim) no Chile, declara uva no rótulo, mas a quantidade de outras não é desprezível. A composição é de 85% Carménère, 11% Cabernet Sauvignon e 4% Cabernet Franc, o que faz dele um vinho de corte nos fatos.
Marcelo Copello (MC) o considera mais elegante que o Clos Apalta. Para Patrício Tápia (PT), do excelente guia Descorchados, foi o segundo melhor do Chile em 2009, perdendo apenas para o Almaviva 2006. Na Wine Spectator, que considerou o Clos Apalta 2005 o vinho do ano no mundo, o Carmín tem 94 pontos.
Vinho roxo, escuro, absorve toda a luz. Aroma doce, ameixa preta, com referência direta a calda de fruta e doce de fruta, revelando o amadurecimento da Carménère. Pareceu meio preso o tempo todo. Corpo pesado, concentrado, final correto e sem amargor, apesar de toda a doçura. Reconheço os baixos rendimentos e a qualidade da uva, mas não me empolgo tanto como os críticos. R$663,00. MC 95, PT 95, RP 97 e WS 94. Tem a cara dos vinhos ultra-concentrados para notas do Parker. Prefiro os mais elegantes. Não pontuei objetivamente, mas fico com a parte de baixo da crítica (que não é pouco) VV! 93-94*.
ARROBA MALBEC ROBLE 2006
Arroba é um vinho diferente. Carlos Balmaceda produz apenas 5000 garrafas, resultado de vinhedos que seleciona nas altas regiões de La Consulta e de Luján de Cuyo, no distrito de Mendoza. 25% do vinho fica 12 meses em barricas francesas novas e outra parcela permanece em tanques maiores de carvalho.
Na cor é bordô escuro. Tem aroma intenso e elegante, com bela integração da fruta com a madeira. Claro que não tem a mesma permanência, estrutura e profundidade que os demais degustados nessa noite, mas no aroma não ficava tão longe assim o colocando como excelente custo-benefício. 14,1% de álcool. R$160,00 a garrafa Magnum na Berenguer Imports. Minha pontuação ficaria na casa dos VV! 88-90*.
NIEPOORT 10 YEARS TAWNY
Alguns Tawnys trazem, junto da complexidade do envelhecimento e da madeira, um ataque maior em boca. Este mantém as características de tawny, mas traz a elegância e a facilidade de beber de um Vintage. Apresenta as conhecidas castanhas e casca de laranja somadas ao doce. A experiência gustativa é surpreendente, sem nenhum ataque, com destaque para o final permanente, doce e macio. 17,5% de álcool. R$ 160,00 na In Vino Veritas. WS 95, para mim nessa faixa também VV!94-95*.
*Não avaliei objetivamente, todavia coloquei minha impressão subjetiva expressa em pontos junto ao relato, ao lado da pontuação objetiva da crítica especializada.
Nota sobre a foto: Magnum Les Terrasses 2004 Priorat é a primeira garrafa da direita, mas optamos por não abri-la em nome da sanidade.
Fui à Curitiba especialmente para o evento e, quando cheguei ao local, o aroma dos grandes vinhos já abertos tomava conta do ambiente; e que vinhos:
BARCA VELHA 2000
A Casa Ferreirinha foi a primeira no Douro a engarrafar vinho tranqüilo de qualidade superior. O primeiro foi lançado em 1952 e apenas outras quinze safras foram comercializadas com esse nome, criando um mito. Foi vinificado na Quinta da Leda e parcelas suas, dependendo da casta e do lote, ficaram de um ano a um ano e meio estagiando em carvalho francês em Vila Nova de Gaia. As 26.000 garrafas permaneceram em Gaia aproximadamente 7 anos antes do início das vendas. É possível que os anos de 2003 e 2007 sejam também declarados Barca Velha, contudo a Ferreirinha mantém sigilo absoluto do resultado do vinho até o lançamento. Não basta uma grande vindima, é necessário que se atinja o mais alto grau de qualidade, segundo os parâmetros da Casa.
Com origem no Douro Superior, tem Tinta Roriz (Tempranillo), Touriga Nacional, Touriga Franca e Tinta Barroca em sua composição. A safra 1999 recebeu WS 93 e RP 94.
Veio compor a constelação maior entre os já provados do blog Viva o Vinho!, ao lado de Haut-Brion 1996, Mouton-Rotschild 1994, Vega-Sicília "Único" 1990 e Chateau d'Yquém 1998.
Vinho para ser aberto duas horas antes da degustação. Na cor, tinha um tom a menos de vermelho, levemente mais para o laranja. O aroma é notável, intenso e pode ser sentido à distância. Lembrou imediatamente Tawny, sem o ataque alcoólico. Mostra a complexidade típica destes, com licor, castanhas, tostado cítrico, talvez casca ou folha de laranja queimada (foi o que remeteu na minha memória olfativa), fruta vermelha e até um floral.
A estrutura era notável, com grande corpo e taninos doces. Vinho harmônico, com final redondíssimo e permanência ao infinito. Mais que suficientes 12,5% de álcool, EUR 198,00 (R$512,00) em Portugal. Optei por não pontuar objetivamente, mas as notas da WS e do RP para o 99 não condizem com este 2000, que é para a casa dos VV! 95-96*, chegando junto com o Vega-Sicília "Único" 1990 tomado ano passado.
GAJA LANGHE SPERSS 2001
O Sperss representou confirmação de uma suspeita que tinha com Barolos, ou Nebbiolo, e optei por fazer uma postagem a parte, trabalhando a experiência com esses vinhos.
CARMÍN DE PEÚMO CARMÉNÈRE 2005
Como é comum (e ruim) no Chile, declara uva no rótulo, mas a quantidade de outras não é desprezível. A composição é de 85% Carménère, 11% Cabernet Sauvignon e 4% Cabernet Franc, o que faz dele um vinho de corte nos fatos.
Marcelo Copello (MC) o considera mais elegante que o Clos Apalta. Para Patrício Tápia (PT), do excelente guia Descorchados, foi o segundo melhor do Chile em 2009, perdendo apenas para o Almaviva 2006. Na Wine Spectator, que considerou o Clos Apalta 2005 o vinho do ano no mundo, o Carmín tem 94 pontos.
Vinho roxo, escuro, absorve toda a luz. Aroma doce, ameixa preta, com referência direta a calda de fruta e doce de fruta, revelando o amadurecimento da Carménère. Pareceu meio preso o tempo todo. Corpo pesado, concentrado, final correto e sem amargor, apesar de toda a doçura. Reconheço os baixos rendimentos e a qualidade da uva, mas não me empolgo tanto como os críticos. R$663,00. MC 95, PT 95, RP 97 e WS 94. Tem a cara dos vinhos ultra-concentrados para notas do Parker. Prefiro os mais elegantes. Não pontuei objetivamente, mas fico com a parte de baixo da crítica (que não é pouco) VV! 93-94*.
ARROBA MALBEC ROBLE 2006
Arroba é um vinho diferente. Carlos Balmaceda produz apenas 5000 garrafas, resultado de vinhedos que seleciona nas altas regiões de La Consulta e de Luján de Cuyo, no distrito de Mendoza. 25% do vinho fica 12 meses em barricas francesas novas e outra parcela permanece em tanques maiores de carvalho.
Na cor é bordô escuro. Tem aroma intenso e elegante, com bela integração da fruta com a madeira. Claro que não tem a mesma permanência, estrutura e profundidade que os demais degustados nessa noite, mas no aroma não ficava tão longe assim o colocando como excelente custo-benefício. 14,1% de álcool. R$160,00 a garrafa Magnum na Berenguer Imports. Minha pontuação ficaria na casa dos VV! 88-90*.
NIEPOORT 10 YEARS TAWNY
Alguns Tawnys trazem, junto da complexidade do envelhecimento e da madeira, um ataque maior em boca. Este mantém as características de tawny, mas traz a elegância e a facilidade de beber de um Vintage. Apresenta as conhecidas castanhas e casca de laranja somadas ao doce. A experiência gustativa é surpreendente, sem nenhum ataque, com destaque para o final permanente, doce e macio. 17,5% de álcool. R$ 160,00 na In Vino Veritas. WS 95, para mim nessa faixa também VV!94-95*.
*Não avaliei objetivamente, todavia coloquei minha impressão subjetiva expressa em pontos junto ao relato, ao lado da pontuação objetiva da crítica especializada.
Nota sobre a foto: Magnum Les Terrasses 2004 Priorat é a primeira garrafa da direita, mas optamos por não abri-la em nome da sanidade.
Voltando ao blog
O pessoal chegou a ficar peocupado. Fiquem tranquilos enoamigos do blog Viva o Vinho! Continuo provando nossa bebida, só não estava mais postando aqui. Simplesmente não deu mais para publicar, porém vou colocar a culpa no ano de 2009 (risos), que reservou surpresas e lançou desafios para 2010.
Isso incluiu uma mudança profissional repentina de Curitiba para o Rio de Janeiro. Ainda não estou completamente adaptado à nova cidade, todavia já estou preparando materiais para retomar essa gostosa atividade na rede que é blogar.
Sem mais delongas, a postagem seguinte será sobre mais uma comemoração de encerramento de atividades da Bacco Ubriaco.
Isso incluiu uma mudança profissional repentina de Curitiba para o Rio de Janeiro. Ainda não estou completamente adaptado à nova cidade, todavia já estou preparando materiais para retomar essa gostosa atividade na rede que é blogar.
Sem mais delongas, a postagem seguinte será sobre mais uma comemoração de encerramento de atividades da Bacco Ubriaco.
sexta-feira, março 27, 2009
Viagem ao Vale do São Francisco
Neste sábado 28/03 embarco para o Nordeste, afim de visitar vinícolas no Vale do São Francisco e curtir uns dias de viagem.
A agenda enológica ficou para a semana que vem, entre os dias 03 e 04 de abril, quando agendamos visitas à Vinhos Bianchetti e à Vinibrasil (Adega do Vale e Rio Sol). Com a Miolo, ainda falta confirmação da parte deles, mas tudo indica que fecharão a agenda.
Mandei e-mail às quatro empresas cadastradas pelo site da VinhoVasf, todavia os contatos virtuais não devem estar atualizados porque só duas responderam minha solicitação.
Meu plano era visitar quatro estabelecimentos, porém o preparo para o enoturismo e a abertura para receber visitantes pelo visto não está no nível propagado pelas notícias que encontrei em jornais e revistas.
Farei entrevistas e "clips" para divulgar no blog, que funcionará também como diário de viagem nos dias de Petrolina e arredores.
Acompanhem o andamento da aventura enológica aqui no Viva o Vinho!
Brindes!
A agenda enológica ficou para a semana que vem, entre os dias 03 e 04 de abril, quando agendamos visitas à Vinhos Bianchetti e à Vinibrasil (Adega do Vale e Rio Sol). Com a Miolo, ainda falta confirmação da parte deles, mas tudo indica que fecharão a agenda.
Mandei e-mail às quatro empresas cadastradas pelo site da VinhoVasf, todavia os contatos virtuais não devem estar atualizados porque só duas responderam minha solicitação.
Meu plano era visitar quatro estabelecimentos, porém o preparo para o enoturismo e a abertura para receber visitantes pelo visto não está no nível propagado pelas notícias que encontrei em jornais e revistas.
Farei entrevistas e "clips" para divulgar no blog, que funcionará também como diário de viagem nos dias de Petrolina e arredores.
Acompanhem o andamento da aventura enológica aqui no Viva o Vinho!
Brindes!
quarta-feira, março 25, 2009
Encontro de Enoblogs
Tive o prazer de degustar vinhos com Cristiano Orlandi do Enoblog Vivendo Vinhos e nossas respectivas esposas no Edvino, em fevereiro, na sexta de Carnaval.
O Cristiano veio a Curitiba no feriado e aproveitamos para conhecermo-nos pessoalmente e ampliarmos o intercâmbio que já acontecia pela internet.
O clima foi casual. Não avaliamos formalmente nenhum líquido, apenas conversamos sobre nossas preferências, trocamos impressões e conhecemos mais sobre a história de vida de cada um e de como nos apaixonamos (por nossas mulheres e pelo vinho, risos).
O Cristiano é esse mesmo cara do blog: animado, divertido e relax. Excelente companhia para uma noite descontraída. Desde que postei sobre o Edvino ele havia demonstrado interesse em conhecer o "Bar de Vinhos, Restaurante e Etc..."
Aproveitamos que o Cris não é de frescurar (até pela família gaúcha, risos) e propusemos que pedíssemos taças e trocássemos, assim a cada rodada provaríamos muitos vinhos. O sempre solicito sommelier Ewerton estava presente e já começou nossa noite ofercendo o espumante Alto Vale, novo efervescente da Casa Valduga.
Em nossa primeira rodada, pedimos três vinhos completamente diferentes. O clima era razoavelmente quente e queria algo refrescante, mas o Sauvignon Blanc neozelandês Matariki estava em falta, portanto acabei indo para o Chardonnay californiano mais leve da Painter Bridge. Pedimos também o Santa Digna Gewurztraminer e o rosado La Fleur de Pulenta. Para mim, destaque para o rosé que estava com taninos bem redondos e aroma adocicado, muito fácil de beber.
Na rodada de tintos, vieram o elegante Chatêau Cantegril (disparado o melhor dos três, se é que dá para comparar), o diferente Chatêau Kefraya e o barbaresco Dezzani, com a acidez agradável que os italianos possuem.
Destaco o Chatêau Kefraya pela exclusividade. É um vinho libanês do Vale do Bekaa, feito com Mouvédre e Syrah, cepas típicas do Rhône. Para comparar, tomemos como exemplo um corte semelhante de que gosto muito, o sulafricano Wolftrap. O Kefraya é mais doce e menos ácido. Diferente e interessante.
Por fim, terminamos a noite com tábua de queijos e Madeira Justino´s 10 anos. Já havia provado com queijo de cabra e funcionou, mas a tábua acabou provando que nem todo vinho combina com qualquer queijo. O Reblochon e o Grana estavam ótimos, ainda mais com o mel trufado, contudo com o vinho não funcionou. A harmonização era Madeira com o queijo de cabra mesmo.
Claro, depois vieram sobremesas de ajoelhar a cada colherada. A noite voou e, quando vimos, eramos os últimos do restaurante, após mais de três horas de brincadeiras enológicas. Nem um incidente no restaurante que nos obrigou a mudar de mesa ofuscou a alegria de ter conhecido pessoalmente o enoamigo de Campinas (mais precisamente Valinhos, como descobrimos). Será um prazer marcar novas degustações com o blog Vivendo Vinhos.
O Cristiano veio a Curitiba no feriado e aproveitamos para conhecermo-nos pessoalmente e ampliarmos o intercâmbio que já acontecia pela internet.
O clima foi casual. Não avaliamos formalmente nenhum líquido, apenas conversamos sobre nossas preferências, trocamos impressões e conhecemos mais sobre a história de vida de cada um e de como nos apaixonamos (por nossas mulheres e pelo vinho, risos).
O Cristiano é esse mesmo cara do blog: animado, divertido e relax. Excelente companhia para uma noite descontraída. Desde que postei sobre o Edvino ele havia demonstrado interesse em conhecer o "Bar de Vinhos, Restaurante e Etc..."
Aproveitamos que o Cris não é de frescurar (até pela família gaúcha, risos) e propusemos que pedíssemos taças e trocássemos, assim a cada rodada provaríamos muitos vinhos. O sempre solicito sommelier Ewerton estava presente e já começou nossa noite ofercendo o espumante Alto Vale, novo efervescente da Casa Valduga.
Em nossa primeira rodada, pedimos três vinhos completamente diferentes. O clima era razoavelmente quente e queria algo refrescante, mas o Sauvignon Blanc neozelandês Matariki estava em falta, portanto acabei indo para o Chardonnay californiano mais leve da Painter Bridge. Pedimos também o Santa Digna Gewurztraminer e o rosado La Fleur de Pulenta. Para mim, destaque para o rosé que estava com taninos bem redondos e aroma adocicado, muito fácil de beber.
Na rodada de tintos, vieram o elegante Chatêau Cantegril (disparado o melhor dos três, se é que dá para comparar), o diferente Chatêau Kefraya e o barbaresco Dezzani, com a acidez agradável que os italianos possuem.
Destaco o Chatêau Kefraya pela exclusividade. É um vinho libanês do Vale do Bekaa, feito com Mouvédre e Syrah, cepas típicas do Rhône. Para comparar, tomemos como exemplo um corte semelhante de que gosto muito, o sulafricano Wolftrap. O Kefraya é mais doce e menos ácido. Diferente e interessante.
Por fim, terminamos a noite com tábua de queijos e Madeira Justino´s 10 anos. Já havia provado com queijo de cabra e funcionou, mas a tábua acabou provando que nem todo vinho combina com qualquer queijo. O Reblochon e o Grana estavam ótimos, ainda mais com o mel trufado, contudo com o vinho não funcionou. A harmonização era Madeira com o queijo de cabra mesmo.
Claro, depois vieram sobremesas de ajoelhar a cada colherada. A noite voou e, quando vimos, eramos os últimos do restaurante, após mais de três horas de brincadeiras enológicas. Nem um incidente no restaurante que nos obrigou a mudar de mesa ofuscou a alegria de ter conhecido pessoalmente o enoamigo de Campinas (mais precisamente Valinhos, como descobrimos). Será um prazer marcar novas degustações com o blog Vivendo Vinhos.
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segunda-feira, março 09, 2009
Sémillon
Em sua Degustação #136, a longeva Confraria Bacco Ubriaco provou australianos de Sémillon.
O Confrade responsável ainda nos agraciou com instrutiva e divertida brincadeira: ao final da degustação dos australianos, fizemos nosso próprio corte de vinho misturando um Sauvignon Blanc com um Sémillon em diferentes proporções: 80/20, 70/30 e 40/60. O objetivo era reproduzir o corte mais comum em Bourdeux e também brincar com outras possibilidades.
O evento foi realizado na Adega Don Maximiliano, nova loja de vinhos de Curitiba, nas proximidades da Praça Espanha.
COLONIAL ESTATE EXPATRIÉ RESERVE 2006
Excelente vinho do quente Barossa Valley. De aparência palha, tem belo aroma com excelente intensidade. Remete a própolis, fruta bem fresca, boa acidez e um confeitinho. Boca ácida e doce ao mesmo tempo, com corpo bom e leve excitação da língua. 13,5% de álcool. RP 90. BU 87,33. VV! 89. R$109,00 na Vino!Champagnat.
STEVENS SINGLE VINEYARD 2002
Este vinho da Tyrrel´s, feito no Hunters Valley, era palha bem clarinho. Intensidade média num aroma difícil de definir. Unindo fruta e tostado, compôs um conjunto mais profundo, talvez com avelãs e flores. Pensando bem, lembrava queijo roquefort. Muito mineral e seco no palato, bem leve, faltou um pouco de complexidade no retrogosto. 10% de álcool. BU 86,85. VV !86. R$94,00.
LENSWOOD 2000
50% descansou em carvalho por 8 meses. Aparência já dourada do envelhecimento. Muito própolis, algum químico incômodo e fruta branca rumando para pêssego em calda. Certa potência em boca com desequilíbrio alcoólico. Infelizmente, o tempo desse vinho já passou. BU 87,14. VV!85. R$100,00.
A impressão final é de que os australianos de sémillon provados funcionam melhor mais jovens, preferencialmente até 5 anos de idade.
O Confrade responsável ainda nos agraciou com instrutiva e divertida brincadeira: ao final da degustação dos australianos, fizemos nosso próprio corte de vinho misturando um Sauvignon Blanc com um Sémillon em diferentes proporções: 80/20, 70/30 e 40/60. O objetivo era reproduzir o corte mais comum em Bourdeux e também brincar com outras possibilidades.
O evento foi realizado na Adega Don Maximiliano, nova loja de vinhos de Curitiba, nas proximidades da Praça Espanha.
COLONIAL ESTATE EXPATRIÉ RESERVE 2006
Excelente vinho do quente Barossa Valley. De aparência palha, tem belo aroma com excelente intensidade. Remete a própolis, fruta bem fresca, boa acidez e um confeitinho. Boca ácida e doce ao mesmo tempo, com corpo bom e leve excitação da língua. 13,5% de álcool. RP 90. BU 87,33. VV! 89. R$109,00 na Vino!Champagnat.
STEVENS SINGLE VINEYARD 2002
Este vinho da Tyrrel´s, feito no Hunters Valley, era palha bem clarinho. Intensidade média num aroma difícil de definir. Unindo fruta e tostado, compôs um conjunto mais profundo, talvez com avelãs e flores. Pensando bem, lembrava queijo roquefort. Muito mineral e seco no palato, bem leve, faltou um pouco de complexidade no retrogosto. 10% de álcool. BU 86,85. VV !86. R$94,00.
LENSWOOD 2000
50% descansou em carvalho por 8 meses. Aparência já dourada do envelhecimento. Muito própolis, algum químico incômodo e fruta branca rumando para pêssego em calda. Certa potência em boca com desequilíbrio alcoólico. Infelizmente, o tempo desse vinho já passou. BU 87,14. VV!85. R$100,00.
A impressão final é de que os australianos de sémillon provados funcionam melhor mais jovens, preferencialmente até 5 anos de idade.
domingo, março 08, 2009
Mapa da Argentina
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